Primeiro e Único

Emily Giffin · Capítulo 20 de 46

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Primeiro e Único

Vinte

 

Na sem ana que antecedeu o j ogo contra o LSU, Sm iley m e deu a m inha prim eira m issão de verdade: um a m atéria com três m il palavras sobre Reggie Rhodes. Ele m e passou pouquíssim as instruções. Disse apenas que queria “m uito açúcar em cim a do garoto”. Cada um de seus passos. Sua adaptação no tim e universitário. Toda a expectativa ao seu redor e se ele estava correspondendo. Dei um suspiro de alívio quando ele term inou a reunião de repente, sem ao m enos m encionar qualquer boato sobre a violação das regras do processo de seleção. Com ecei a pensar que a Walker poderia estar fora de perigo e eu, com o repórter, livre de um a fria. É claro que eu adotaria a filosofia “nada de perguntas e nada de respostas” e evitaria tocar no assunto com qualquer pessoa da Walker.

Quando liguei para J.J. pedindo um a entrevista com Reggie, nós dois, sem m uito rodeio, nos concentram os em apenas um fato: eu era a prim eira repórter a conseguir a desej ada entrevista, a única em quem o treinador confiava para entrevistar a sua estrela j ovem fora das coletivas de im prensa pós-j ogo.

Por dois dias, m e preparei para a conversa com Reggie e pesquisei sobre diferentes pessoas que faziam parte da vida dele. Conversei com o seu treinador, o diretor da escola onde ele cursou o ensino m édio e, claro, com o treinador Carr. Todos disseram a m esm a coisa, m as de m aneiras diferentes: Reggie era um a raridade. Um superstar sem Twitter. Um Tim Tebow sem a ostentação religiosa. Um bom garoto. Um excelente negócio.

Na terça-feira à noite, encontrei Reggie no luxuoso centro de orientação acadêm ica onde o seu tutor estava encerrando um a aula de literatura am ericana.

— Olá, Srta. Rigsby — disse ele, levantando-se e m e estendendo a m ão. Sua voz era agradável, e um diastem a nos dentes da frente inspirava sim patia.

— Olá, Reggie — respondi, surpresa por ele ter se lem brado de m im , em bora tivéssem os conversado poucas vezes no m eu antigo trabalho. — O que está estudando? — perguntei, apontando para o caderno dele.

— Huckleberry Finn — respondeu, sorrindo. Ele fechou os livros e os guardou num a bolsa de ny lon que estava apoiada em seus pés.

— Você gosta? — perguntei.

— Essa coleção CliffsNotes é realm ente m uito boa — com entou ele, balançando a cabeça com veem ência, antes de abrir um sorriso enorm e. — Ei, estou brincando. Eu gosto sim , de verdade. Estávam os aqui discutindo a cena em que o Huck apronta com o Jim colocando as folhas na j angada. Sabe aquela parte em que ele faz o Jim pensar que foi tudo um sonho?

Balancei a cabeça respondendo que sim , em bora eu m al m e recordasse da cena.

— E aí o Jim fala sobre com o são ruins essas pessoas que ficam colocando besteiras na cabeça dos am igos só para fazê-los sentir vergonha. — Reggie balançou a cabeça. — E aí o Huck se prepara para pedir desculpas e se rebaixar a um ... perdoe-m e pela palavra... crioulo.

Vacilei ao ouvir a palavra dita assim , em voz alta, m as continuei olhando-o nos olhos, encantada pelo fato de Reggie retom ar a cena e im pressionada pela habilidade de agir com o adulto, falando sobre literatura em vez de falar sobre si m esm o. Assenti, esperando que ele prosseguisse.

Reggie soltou um assovio:

— Cara. Tem algum a coisa m uito poderosa ali. Muito m esm o. Dá para perceber o quanto o Mark Twain consegue hum anizar o Jim . É muito bom .

Sorri, pensando que tínham os com eçado a nossa conversa havia apenas alguns m inutos e j á dava para entender por que todos gostavam de Reggie. Ele era um garoto m uito agradável de se conversar, e tam bém m uito hum ilde.

— Bem . Podem os falar um pouco sobre a sua experiência na Walker?

Ele concordou com a cabeça e respondeu:

— Claro.

— Podem os com eçar com por que você escolheu cursar a faculdade aqui. Você tinha m uitas outras opções... Então, por que a Walker?

Ele fez um a cara séria e m e deu a resposta que eu queria.

— Escolhi a Walker por um a série de m otivos: Pela educação; porque todos foram m uito legais com igo, porque o campus é m uito bonito... Por tudo isso. Mas não vou m entir. Vim para a Walker principalm ente para poder j ogar com o treinador Carr. Ele é o cara. Ele consegue m anter a coisa verdadeira cem por cento do tem po. Para m im , isso realm ente define tudo, sabe?

— Sim . Eu sei.

No dia seguinte a m inha entrevista com Rhodes, enquanto eu dava os últim os retoques na m atéria, Sm iley m e cham ou no escritório dele. Eu estava toda anim ada, prestes a contar a ele sobre as coisas im portantes que eu tinha conseguido. Foi então que ele m e lançou um olhar profundo e acusatório. Depois, tirou os óculos para leitura, j ogou-os sobre a m esa e perguntou:

— Você ouviu falar que a Walker tem algum problem a com a NCAA?

Abri a boca, escolhendo as palavras com cautela.

— Ouvi alguns... boatos.

— Boatos? — retrucou Sm iley, batendo na m esa. — Defina o que são boatos.

— Você sabe... boatos.

— Boatos dos funcionários que trabalham no bar local ou de alguém lá de dentro da Walker?

— Hum . Dos dois, acho — respondi, de form a evasiva.

— E? Você não acha que deveria ter conversado sobre isso com o seu editor? — Agora Sm iley gritava, e eu pude ver os pingos de suor sobre o lábio inferior dele.

— Acho que deveria, sim — respondi, olhando para baixo.

Sm iley m eneou a cabeça, agora andando de um lado para o outro. Ele estava verm elho. Mais verm elho do que nunca.

— Sim , você deveria. E você deveria estar com a bunda sentada naquela cadeira escrevendo sobre isso. E é m elhor com eçar a fazer algum a coisa agora, antes que alguém m ais o faça!

— Sim , senhor — respondi, m urcha e um pouco preocupada com o m eu trabalho. — Quer dizer, j á estou trabalhando nisso...

— E? Com o está?

— Bem ... Não sei muito bem.

— Você não sabe? — insistiu ele, enrolando um a das m angas da cam isa. — É isso que você cham a de “estou trabalhando...”?

— Norm alm ente não. Não senhor. O senhor está certo...

Sm iley m e interrom peu:

— Com quem você falou a respeito do assunto? Quais são as suas fontes?

— Bem , eu, é... Conversei com o nosso cara do departam ento de fiscalização, Ernie Galli — gaguej ei.

— Nosso? — rugiu Sm iley, enrolando a outra m anga da cam isa.

— Da Walker — corrigi. — Eu quis dizer o cara do j urídico da Walker...

— Olhe, Shea. Precisam os de um a m atéria. Porque isso tem que virar um a m atéria. Você tem 24 horas para m e entregar algum a coisa, entendeu? — esbravej ou ele.

Concordei, assentindo com firm eza, e disse que com eçaria im ediatam ente, com o se escrever um a notícia ruim sobre a minha faculdade fosse a coisa m ais fácil do m undo. Saí do escritório dele, recordando algo que o treinador Carr havia dito m uito tem po atrás. O contexto era outro, a instituição de ensino tam bém , os problem as eram outros, m as eu nunca esqueci: “Quando a m ídia local te aponta um a arm a, você está frito”.

Algum as das m inhas lem branças m ais antigas e vivas do futebol universitário não têm a m enor relação com o fato de eu am ar o Walker nem de odiar o Texas, m as sim com o fato de ter ficado chocada diante de um dos m aiores escândalos da SMU, o que m e m ostrou pela prim eira vez a corrupção no esporte que eu tanto am ava. Eu ainda usava fraldas quando Eric Dickerson e Craig Jam es, conhecido tam bém com o Pony Express, entravam em cena e se tornaram um dos m aiores backfields da história. E, certam ente, eu era m uito pequena para m e lem brar de Ron Mey er com suas costelas com pridas e seus ternos finos, exceto por vê-lo em film es antigos. Mas, quando Lucy e eu entram os na prim eira série, eu estava prestando atenção e ficou m uito claro para m im que os Mustangs estavam em apuros. Muito encrencados m esm o. Aparentem ente, esse era o único assunto entre os adultos, fosse nas festas da vizinhança, nos clubes ou nas igrej as. Eu não entendia m uito bem os detalhes das regras e do regulam ento da NCAA, m as sabia que eles eram grandes traidores.

Durante um dos prim eiros tutoriais do treinador Carr a respeito do assunto, ele com parou a regra que a SMU desobedeceu descaradam ente a Lawton j ogando com o bancário no Monopoly e roubando as notas laranj a de quinhentos dólares contra a própria vontade. Ele explicou que havia m uitos investidores ricos envolvidos, o tipo que ostenta, usando chapéu de vison, com entando sobre o j ogo de sábado com o se eles m esm os estivessem em cam po e oferecendo aos j ogadores m ontantes de dinheiro para j ogar nos tim es de suas instituições. Ouvi histórias bizarras sobre carros e j oias, gado e casas, que esses caras, conhecidos com o Naughty Nine, com pravam para os j ogadores e suas fam ílias. O treinador balançava a cabeça e dizia certas coisas sobre a SMU, com o: “Eles são a m elhor equipe que o dinheiro pode com prar” e “Não têm a m enor vergonha”.

Então, apenas três dias depois do m eu aniversário de sete anos, no dia 25 de fevereiro de 1987, bateram o m artelo. Naquele dia, não fui à escola porque estava doente, ou pelo m enos fingi que estava para poder assistir à coletiva de im prensa pela tevê. David Berst, o diretor do departam ento de fiscalização, declarou a SMU culpada por “repetir a violação da regra” e que receberia a punição m ais severa perm itida. A pena de morte. Sem bolsas de estudo, sem treino e sem j ogos pelo período de um ano. Todo o program a foi interrom pido. Mesm o que todos não tivessem a m enor dúvida de que eles eram culpados, ainda assim foi extrem am ente chocante. Tanto que o próprio Berst desm aiou na televisão.

Mais tarde, naquela m esm a noite, o treinador Carr disse para o m eu pai, que estava na cidade para m e visitar, que “nós não deveríam os ficar tão surpresos. Todos sabem . Nós sabem os que no nosso estado executam os as pessoas. E, se m e perguntarem , é m uito m ais fácil seguir as regras”. Meu pai, é claro, respondeu algo do tipo: “Sim , se for trair, é m elhor que faça bem -feito”.

E agora, vinte e seis anos depois, era a Walker que enfrentava possíveis problem as. Não nas m esm as proporções que a SMU, m as problem as, de qualquer m odo. E, em um a im ensa reviravolta do destino, eu não m ais assistiria pela tevê. Ao contrário, seria o meu trabalho denunciá-la. Minha tarefa era escrever um a m atéria que poderia prej udicar o futebol am ericano da Walker. Falei para m im m esm a que ficaria bem porque o treinador Carr ainda era o m esm o hom em bom de sem pre.

Naquela noite, depois de conversar com J.J. e Galli, m e encontrei com Ry an e lhe contei sobre a m atéria da NCAA que Sm iley m andou que eu escrevesse.

— Você acha que pode ser verdade isso tudo que andam falando? — perguntei, depois de inform á-lo sobre os boatos.

— Provavelm ente — respondeu Ry an, acertando um a bola de golfe no cam po que havia no andar de baixo da casa dele. — Onde há fum aça, há fogo.

— E o que isso quer dizer? — indaguei, surpresa com a resposta dele.

— Quer dizer que quando se ganha com tanta frequência, provavelm ente você está trapaceando em algum lugar. E, m esm o quando se está perdendo e está se esforçando para ganhar, provavelm ente ainda está trapaceando. Pelo m enos com dinheiro duvidoso.

— O treinador Carr não trapaceia — afirm ei. Um a declaração que era verdade absoluta.

Ry an esboçou um sorriso irritante, depois deu um a tacada na bola, fazendo-a entrar no buraco.

— Tá bom , então.

— Ele não trapaceia — repeti, enfurecida.

Ele encolheu os om bros, depois os aj eitou, preparando-se para m ais um a tacada.

— Sei que você pensa que ele é o sucessor de Cristo, m as o cara não é perfeito. Pode ser que ele não estej a financiando seus j ogadores, m as tenho certeza de que vez ou outra ele olha para o outro lado. Ele tem que fazer isso.

— Não, ele não faz.

— Claro que faz! Ele é o CEO de um a grande organização, e seus funcionários são um bando de garotos idiotas. Ele tem que fingir que não tem nada acontecendo. É questão de sobrevivência.

— Me dê um exem plo — pedi.

— Ok. Lem bra do Cadillac Escalade do Cedric Washington? — perguntou.

— Sim . Não. Quer dizer, não exatam ente. Mas não im porta, continue — falei. Cedric tinha sido um wide receiver na nossa época, um anos antes de Ry an, quase tão badalado quanto, e que deixou o tim e um ano ante de ser escalado.

— Você nunca se perguntou com o ele conseguiu um carro tão bacana? Insulfilm , calotas caríssim as, aquelas caixas de som enorm es tocando Dr. Dre pela cidade?

— Não. Nunca parei para pensar nisso.

— Bom , então você é a única... Não havia a m enor possibilidade de o Cedric poder bancar um carro com o aquele. Ah, fala sério. Ele fazia parte dos proj etos.

— Ok — falei, encarando Ry an com o olhar vazio.

— Ok? Bom , alguém deu aquela coisa para ele. E não foi ninguém da fam ília. Adivinha. O treinador fingiu que não estava acontecendo nada. Sim plesm ente ignorou. Deixou passar. E passou m esm o. — Ele estalou os dedos. — Sim ples assim . É desse j eito que agem os vencedores. Fazem as coisas funcionarem do j eito que eles querem .

— É isso que você faz, Ry an? — questionei. Eu estava enfurecida e senti que com eçava a atacá-lo. — Você o quarterback do m om ento. Você trapaceia?

Ele apoiou o taco sobre a parede e estalou os dedos das m ãos.

— Não.

— E se você pudesse roubar o plano tático de outra equipe sem ser pego?

— Tipo o Tom Brady film ando os Jets?

— Sim .

— Ou o Greg Brady roubando o m anual de estratégias? — Ry an sorriu. — Você assistiu a esse episódio?

Sorri, m esm o contra a vontade.

— Claro que sim . Vi todos os episódios de Brady Bunch. E foi o Jerry Rogers quem tentou roubar o m anual de estratégias do Greg. O Greg j am ais faria isso. Agora responda à m inha pergunta.

— Já respondi. Disse que não. Não trapaceio porque não preciso. Sou bom . Mas se eu tivesse que...

— Você j á traiu algum a nam orada? — eu o pressionei, procurando agora algum a desculpa para ficar com raiva dele.

Ele estalou os dedos da outra m ão e m e olhou fundo nos olhos.

— Nunca — respondeu.

Parecia algo im possível, considerando todas as oportunidades que ele deve ter tido ao longo dos anos, m as Ry an não vacilou, nem sequer piscou.

— Tudo bem — falei, decidindo acreditar nele.

— Olha, Shea. O que eu estou querendo dizer é que... às vezes você precisa fazer o que tem de ser feito.

Ry an pegou o taco novam ente e acertou a bola no buraco em cheio, com m uita facilidade.

Na m anhã seguinte, e depois de algum as ligações, incluindo um a para a NCAA, enviei por e-m ail a m inha m ísera m atéria de trezentas palavras, aliviada porque não havia nada que pudesse incrim inar ninguém , apenas algum as citações, incluindo a de um a pessoa que trabalhava dentro da Universidade do Texas. Em outras palavras, foi o m elhor que eu poderia esperar quando com ecei a bisbilhotar e apurar as inform ações.

NCAA INVESTIG A OS BRONCOS

POR SHEA RIGSBY

O programa de futebol universitário da Walker está oficialmente sob

investigação, tendo recebido uma notificação de inquérito no final de julho, segundo fontes. O motivo exato das violações alegadas não foi divulgado, mas uma fonte que preferiu não ser identificada, descreveu a infração como “aparentemente leve, mas potencialmente grave e reveladora”, incluindo questões de seleção de muitos ex e atuais jogadores e má conduta acadêmica, bem como “benefícios adicionais e possíveis violações no processo de recrutamento”. Outra fonte bem próxima ao departamento esportivo da Universidade do Texas citou o mais recente running back da Walker, Reggie Rhodes, alegando que ele foi “indevidamente abordado por um investidor da Walker”.

De acordo com o banco de dados legislativo da NCAA, essa é a primeira

investigação durante o exercício do cargo do treinador Clive Carr na Walker, uma universidade conhecida por sua reputação idônea. A porta-voz da NCCA, Emma Potts, disse: “Não podemos comentar sobre investigações que estão pendentes ou em andamento”.

Segundo Scott Galovan, vice-presidente de Relações Públicas, a

universidade tem cooperado com a NCAA no inquérito, mas, como instituição particular, não está sujeita à liberdade de informação para revelar o andamento das investigações. Uma notificação formal é enviada para a instituição para comunicá-la de que uma investigação está sendo conduzida. Se alguma irregularidade for comprovada, o próximo passo no processo da NCAA será a notificação das alegações, na qual os detalhes das infrações serão comunicados.

O diretor esportivo da Universidade Walker, Stuart Sherrill, emitiu a

seguinte declaração: “Nossos treinadores e alunos atletas estão concentrados exclusivamente em se preparar para o jogo contra a LSU no próximo sábado. Dessa forma, orientei o treinador Carr e sua equipe para que não comentem sobre o assunto e que não respondam nenhuma pergunta em relação ao andamento da investigação”.

Segundos depois de eu ter enviado a m atéria, m eu telefone tocou e na tela apareceu o nom e de Sm iley.

— Um a universidade conhecida por sua reputação idônea? Ah, jura??! — perguntou ele, com a voz sarcástica.

— Bom , é o que ela é.

— Essa é a sua opinião, Srta. Rigsby.

Tive de m e conter e resistir à tentação de argum entar que m inha afirm ação estava m ais perto de ser um fato do que um a opinião, dizendo algo do tipo: A maioria das pessoas diz que o céu é azul.

— Exceto por essa pequena propaganda dissim ulada, está bom — afirm ou Sm iley. — Vam os publicá-la am anhã.

Naquela noite, depois do treino, parei o treinador no cam inho de volta ao seu escritório e perguntei se ele tinha um m inuto para conversarm os.

— Para você? — ele perguntou, aj eitando o boné com um sorriso de satisfação.

Retribuí sorrindo tam bém e perguntei:

— Está confiante em relação ao j ogo contra a LSU?

— Sim , estou. Mas não vá publicar isso.

— Claro que não. Não sou tão ingênua. — Em seguida, respirei fundo e acrescentei: — Mas só quero que saiba que tem os... vou ter que publicar um a m atéria am anhã.

— Ah, é?

— Sim . Sobre a investigação.

Ele m e encarou por um m om ento, depois assentiu brevem ente.

— Tudo bem .

— Sinto m uito. Sei o quanto odeia dispersões.

— Está tudo bem . Não ouço o que dizem ou o que escrevem sobre o nosso program a. Há 52 m il pessoas que gritam para nós nesse estádio toda vez que j ogam os. Aprendi com o tem po a desligar esse barulho.

Meneei a cabeça e falei:

— Espero que consiga desligar. E espero que Reggie possa fazer o m esm o tam bém . O nom e dele aparece na m atéria.

— Espero que você tam bém consiga desligar, m enina. Não deixe isso te abalar.

Estávam os naquele m om ento do crepúsculo, o pôr do sol refletindo em seus olhos, e ele desviou o olhar para algum ponto distante.

— Vou tentar. Só que odeio precisar escrever um a m atéria dessas — desabafei.

— É o seu trabalho. Você não tem escolha.

Balancei a cabeça, concordando e esperando por algo m ais, talvez um a confirm ação obj etiva e concisa de que não havia nada de errado. Obtive algo quase tão bom quanto isso, enquanto o observei m udar com pletam ente para o “treinador filosófico”.

— Funciona assim — com eçou ele, e eu m e preparei para ouvir um discurso dos bons. — Bem lá no fundo, você sabe quando está fazendo a coisa certa e quando não está. E você só precisa fazer tudo que estiver ao seu alcance e persistir.

— Certo.

— Concentre-se na recom pensa.