Primeiro e Único

Emily Giffin · Capítulo 40 de 46

Páginas do PDF

Primeiro e Único

Quarenta

 

Na m anhã seguinte, m inha m ãe m e ligou e pediu que eu fosse até a sua casa, im ediatam ente, pois estava com dor no peito. Então fui correndo até lá, e a encontrei no banheiro, vestindo um de seus inúm eros robes de seda e colocando os cílios postiços, que ela usava quase todos os dias, sem nenhum a ocasião em especial.

— Com o você pôde fazer isso? — ela gritou quando entrei, virando-se para olhar para m im . Achei que estivesse se referindo ao térm ino com Ry an, sobre o qual eu havia lhe contado por e-m ail, m as tive a sensação de que Lucy havia conversado com ela na noite anterior.

— Com o eu pude fazer o quê? — questionei, praguej ando contra m im m esm a por acreditar naquele choro uivante.

— Clive — falou, balançando a cabeça.

— Então você não está com dor no peito?

— Estou com um a tristeza profunda, é isso o que tenho. E, sinceram ente, pensei que tivesse te educado m elhor do que isso.

— Ah, por favor, m ãe — retruquei, m e preparando para o ataque que estava prestes a com eçar. — Pare de exagerar. Você nem sabe o que aconteceu.

— Não banque a idiota com igo, senhorita! Lucy m e ligou. Já estou sabendo de tudo!

— E que “tudo” é esse de que você sabe, então? — questionei, fazendo o sinal de aspas no ar.

— Que você e o Clive têm um ... caso.

— Um caso. Certo — falei, determ inada a não discutir com m inha m ãe. Lucy poderia estar envolvida na questão, m as m inha m ãe não tinha nada a ver com o assunto.

— Lucy é sua m elhor am iga, Shea. É com o sua irm ã — ela com entou, usando um a pinça para puxar os outros cílios do pacote plástico. Passou pela m inha cabeça que tudo nela era forçado, um a encenação após a outra, e a raiva se transform ou em calm aria enquanto ela encaixava os cílios no devido lugar. — Isso está errado. Com pletam ente errado!

— Você está com ciúm es — m urm urei, porque parte de m im acreditava que havia certa verdade naquilo. Se alguém fosse resgatar a viúva, essa pessoa deveria ser ela. E o faria im itando a falecida; se tivesse Clive, ela poderia realm ente se transformar em Connie.

— Está m uito errado!

— Por que está errado, m ãe? O que tem de errado em am ar alguém ?

Sei que eu parecia um a adolescente apaixonada e ingênua, m as m e ocorreu que até para elas, quando m uitas vezes tudo parece resolvido, suas m ães críticas e de m ente pequena acabam levando as coisas a m al. Especialm ente as m ães que continuam aplicando cílios postiços durante um a suposta crise.

— Mas está... errado — repetiu. — Clive é praticam ente da nossa fam ília. E Connie era a m inha melhor am iga. É um a grande traição.

— Não é traição, m ãe, porque a Connie m orreu. — Mantive m inha voz e m inha expressão suaves para abrandar a dureza daquelas palavras. Mas era a verdade. Connie se foi, portanto eu não estava roubando o m arido dela. Na verdade, eu acreditava, sinceram ente, que ela aprovaria o nosso relacionam ento e até torceria por nós dois.

— Sabe o que isso parece? — m inha m ãe perguntou, fazendo cara de quem tinha acabado de receber um golpe.

— Mãe, por favor. Eu só quis dizer que isso j am ais teria acontecido se Connie não tivesse m orrido. Só isso.

— Bem , eu continuo aqui. E Lucy tam bém . E Neil. Lawton. Caroline. E não é j usto com nenhum de nós o que vocês dois estão fazendo.

— Caroline? — indaguei, cruzando os braços. — Sério? E o feto que está na barriga de Lucy ? Tam bém estam os sendo inj ustos com ele?

— Que feto?

— Lucy está grávida. Ela ligou para fazer fofoca de m im , m as deixou de lado a novidade?

— Bom , isso m ostra o quanto ela está m agoada com você. E, para seu conhecim ento, Shea, m ulheres grávidas ficam em otivas... frágeis... Você não podia fazer isso com ela nesse estado. — Minha m ãe fez um a pausa, depois voltou a se irritar, virando-se para m e olhar no rosto e esbravej ar com igo um pouco m ais: — Você não pode fazer isso de jeito nenhum! Se coloque no lugar dela. E se ela estivesse nam orando o seu pai?

— Eu diria que ela m erece algo m elhor.

Minha m ãe se distraiu tem porariam ente de seu ritual de beleza para se ater à satisfação de qualquer dem onstração de desrespeito lhe traria.

— Am ém . — Ela se virou para o espelho e acrescentou: — Ele tem o pênis m uito pequeno. Seu pai.

— Mãe!

— Ué, é verdade.

— Ótim o. Então eu diria que ela m erece algo m elhor... e um pênis m aior. Mas, se o m eu pai, com seu pênis m inúsculo, a fizesse feliz, eu diria para ela seguir adiante. Conseguiria superar e aceitar.

— Eu não falei m inúsculo. Falei m uito pequeno. E a questão é que eu não acho que Lucy vai conseguir aceitar isso. É sim plesm ente... muita coisa para ela.

— Ela te disse isso? Disse que não vai conseguir aceitar?

— Sim . Ela m e disse que nunca vai conseguir aceitar isso e que você vai ter que escolher.

— Escolher? Quer dizer, tipo um “ultim ato”?

— Sim . Escolher. Sim ples assim . Continuar nam orando o Clive — explicou ela, revirando os olhos. — Ou continuar am iga dela. Ou um ou outro. Os dois não. — Ela ergueu as m ãos no ar, com o se estivesse se rendendo, e disse: — Ei! Eu só estou transm itindo o recado. Não m e culpe!

— Mãe, a gente usa essa expressão quando está sim plesm ente dando um recado, não quando se está do lado de alguém .

— Eu não estou do lado dela. Estou do lado do que é certo. E isso não está certo. Não vai dar certo. Você seria a m adrasta da Lucy ! Seus filhos seriam m eios-irm ãos dela!

— E quem está falando de filhos aqui? Eu nem sei se quero ter filhos.

— Não sej a boba. É claro que você quer ter filhos. Se não quer pensar em Lucy, pense em você m esm a. No seu próprio futuro.

— Mãe. Venho te falando isso praticam ente a m inha vida inteira. Não quero as m esm as coisas que você. Não sou você. Algum a vez você m e ouviu? — Então, coloquei o dedo na ferida. — O m eu pai m e entende.

— Você contou pra ele sobre isso? Quando?

— Quando ele veio pra cá. Um dia depois da Ação de Graças.

— Ah, que legal. E tenho certeza que ele te apoiou cem por cento, não é? Parece que estou ouvindo ele dizer: “Faça o que te deixar feliz... não im porta se isso vai m achucar outra pessoa!”. Tal pai, tal filha.

Senti com o se tivesse levado um tapa na cara, em choque pela com paração, m as fiquei m e perguntando se tudo aquilo realm ente não era inj usto. Talvez m eu pai e eu fôssem os m esm o parecidos. Ou talvez m inha m ãe não passasse de um a grande hipócrita. Afinal, para com eço de conversa, ela não tinha roubado o m eu pai de Astrid e Bronwy n pensando que estava tudo acabado entre eles? Que ela não tinha nada a ver com o fim do relacionam ento deles? No fim das contas, todo m undo, em algum m om ento da vida, não se ilude com a sua própria narrativa?

— Bom . Pelo m enos o m eu pai assum iu os seus erros. E pelo m enos ele vê claram ente as escolhas que fez, enquanto você continua a culpá-lo pelo que acontece de errado na sua vida. Mesm o depois de todos esses anos. Continua parada nos anos 1980 com suas frustrações de m ocinha ferida.

Ela m e encarou, os lábios contraídos com o um a velha atriz de Holly -wood, um a expressão que ela m uito provavelm ente aprendeu assistindo a film es do TCM.

— Você é m uito coraj osa — com entou, depois de quebrar o silêncio. Sua voz estava estável, triste e livre de qualquer sinal de m elodram a. — Sua m elhor am iga perdeu a m ãe. E você vai atrás do pai dela antes m esm o de com pletar um ano da m orte?

— Eu não fui atrás dele. Não foi assim — retruquei, olhando para os m eus pés, pensando no treinador, em Ry an e em Tish.

— É traição, Shea. Esse é o ponto principal. Mesm o que estej a perdidam ente apaixonada pelo treinador, continua sendo um a traição para Lucy. Ainda m ais depois de tudo o que ela e Connie fizeram por você em todos esses anos. Elas te deram um a infância feliz. — Sua voz vacilou. — Percebe? Percebe o quanto nós duas devem os a elas?

Não respondi à pergunta, só m e virei e saí pela porta, sentindo um a pontada no estôm ago, porque eu sabia que nesse ponto ela estava certa. E, tam bém , porque, entre todas as coisas deste m undo que ela poderia ter dito, m e cham ar de traidora era a que m ais m e m achucava.

Quando cheguei ao trabalho, m ais ou m enos um a hora depois, passei direto pela m inha baia e fui até a sala de Sm iley.

— Tem um m inuto? — perguntei, enfiando a cabeça na porta entreaberta.

— Tenho exatam ente seis — ele respondeu, olhando para o relógio. — A m enos que você com ece a m e entediar. Nesse caso, serão três.

— Tudo bem — falei, pensando que o m eu futuro, ou pelo m enos parte dele, seria decidido nos próxim os três ou seis m inutos.

Entrei no escritório dele e fechei a porta, m as não m e sentei.

— Acho que não posso trabalhar m ais aqui. Pelo m enos não fazendo a cobertura da Walker — confessei, forçando as palavras antes que eu m udasse de ideia.

— O quê? É algum a piada? Está indo para a ESPN?

— Não. Sim plesm ente não consigo ser im parcial — desabafei, aliviada pela m inha confissão. Eu não tinha certeza se poderia sacrificar a relação com m inha m elhor am iga por am or, m as com o trabalho a história era diferente. — Não consigo ser im parcial sobre essa investigação. E, a propósito, acho que estão caçando pelo em ovo. Não consigo ser im parcial em relação ao futebol am ericano da Walker. E, definitivam ente, não consigo ser im parcial em relação ao treinador Carr.

Sm iley abaixou a cabeça, levando a testa à palm a da m ão, fechou os olhos, exasperado, e, depois de alguns segundos, se recom pôs e disse:

— Não consegue por que estudou lá?

— Sim , senhor. Porque estudei lá. Mas tam bém porque... estou tendo um relacionam ento... com o treinador Carr.

— Um relacionam ento? — Ele cuspiu a palavra, o rosto m udando de cor.

— Sim , senhor Digo, é m ais ou m enos isso, sim .

— Ah, que m erda, Rigsby. Pare de m e cham ar de senhor agora. Você está nam orando um cara da m inha idade.

Resisti à vontade de dizer que ele era muito m ais velho que o treinador:

— Desculpe por não ter contado antes.

— Antes? — esbravej ou. — Há quanto tem po vocês estão j untos?

— Não faz m uito tem po.

Sm iley m e encarou, depois m urm urou algum a coisa que pareceu algo com o: Meu pai do céu. Pela madrugada!

— Sinto m uito. Você m e deu um a chance e tem sido m uito j usto e bom com igo, não m erecia isso. Eu te falei que poderia ser im parcial, m as não posso. Porque quero de todo coração que o m eu tim e ganhe. E é isso que eu sem pre vou desej ar, enquanto for o meu tim e. Eu detesto a NCAA por estragar essa tem porada. Ou por tentar. E eu faria tudo que estivesse ao m eu alcance para zelar pelo program a, porque acredito nele, acredito que é um program a decente, ótim o, liderado por um hom em excelente e correto... Então, quantos m inutos m ais nos restam ?

— O suficiente para eu te m andar para o olho da rua.

— Foi isso o que pensei — falei, m e virando para a porta. — Vou pegar as m inhas coisas.

Sm iley balançou a cabeça e falou:

— Espere. Não precisa sair tão rápido assim . Tenho um a coisa para dizer a você. Em resposta à sua confissão sublim e. — Ergui as sobrancelhas, esperando. Ele continuou: — Não existem j ornalistas esportivos im parciais. Todos que estão nessa área am am esporte e com eçaram com o fãs. E, quando se está cobrindo um tim e que se am a ou odeia, ou m esm o um outro pelo qual se sente indiferente, sem pre há certa parcialidade, porque o desem penho de um exerce um im pacto sobre o seu tim e, pelo m enos indiretam ente. E, m esm o quando você assiste a um j ogo cuj o resultado não lhe im porta nem um pouco, sej a qual for, porque não haverá nenhum a im plicação para o seu tim e, m esm o assim você ainda se im porta! — Ele bateu a m ão espalm ada sobre a m esa, e eu m e contraí, tanto pelo barulho quanto pela dor que ele deve ter sentido. — Você pode dizer que não se im porta, m as dentro de poucos segundos, com eça a se im portar. Vai torcer pelo tim e inferior. Ou pela recuperação do quarterback. Ou pelo arm ador j ovem que superou o rom pim ento de algum ligam ento do j oelho. Ou pelo treinador cuj a esposa acaba de m orrer de câncer! De algum a form a, você acaba se im portando, por m ais que não dê a m ínim a!

Agora, Sm iley estava gritando, e, quando desviei o olhar, peguei Gordon e m ais m eia dúzia de colegas nos encarando através da parede de vidro.

Então, se acalm ando um pouco, ele acrescentou:

— E o m ais im portante: toda com petição tem sua im portância, e deve ter m esm o. Alguém vai ganhar e outro vai perder, e se alguém im porta para quem está j ogando, tam bém deve ter im portância para nós. Sem pre. Não foi isso que você m e disse quando nos encontram os pela prim eira vez no Bob’s? Que um bom repórter faz com que os outros se im portem com um atleta olím pico russo qualquer?

Fiquei encarando-o, m e sentindo totalm ente confusa agora.

— Está m e dizendo que ninguém pode ser im parcial de verdade?

— Sim . É exatam ente isso que estou dizendo.

— E... tudo bem ?

— Sim .

— Então posso continuar no m eu trabalho?

— Não. Você está dem itida. Porque você, Rigsby, não pode nem m esm o fingir que é um a profissional im parcial agora. E foi a única coisa que eu te pedi. Pedi para m anter a boca fechada na sala de im prensa e para fingir ser im parcial.

— Eu sei — falei, pensando que, m esm o que eu não sentisse nada pelo treinador Carr, faria de tudo para não perder o em prego.

Sm iley olhou para m im e perguntou:

— Ouvi dizer que você estava nam orando o Ry an Jam es. É verdade?

— Sim , senhor. É verdade. Estávam os nam orando. Mas não estam os m ais — respondi.

— Santo Deus! Está se queim ando m esm o com o j ornalism o do Texas, hein?

— Acho que sim . — Cheguei a pensar em m e defender, em explicar que os dois relacionam entos tinham acontecido naturalm ente e não porque eu tinha um a queda por figuras fam osas do esporte, m as decidi que o com entário não seria pertinente para o m om ento. Em vez disso, inform ei: — Vou pegar as m inhas coisas e liberar a m esa.

Sm iley sorriu e disse:

— Bem , olhe pelo lado positivo agora.

— E qual é?

— Agora você pode voltar a colocar aquele adesivo ridículo no seu carro.

Naquela noite, considerei todas as coisas construtivas que poderia fazer. Poderia com eçar a procurar um novo em prego. Lim par o m eu apartam ento. Fazer exercícios. Mas, em vez de disso, liguei para Miller e pedi para ele m e encontrar no Third Rail para tom arm os um a cervej a. Ele concordou de im ediato, e, em bora eu m e sentisse grata pela sua am izade, e por qualquer am izade, aquilo m e fez perceber o quanto eu estava sozinha sem Lucy. A perda era m uito m ais do que um vazio; era um buraco estratosférico no m eu coração e na m inha vida.

— O que aconteceu? — ele perguntou, depois de olhar para m im . — Você parece m uito m al.

— Ah, obrigada, Miller — falei, pensando que, se Miller, que vivia sem tom ar banho e com o cabelo desgrenhado, estava m e dizendo aquilo, era um sinal de que eu estava m uito m al m esm o.

— É sério. Você estava chorando?

— Não. É só o rím el... Sem pre fico borrada. Não sei por quê.

— Precisa de um à prova d’água, então — ele disse, com propriedade.

Dei risada e perguntei:

— Com o é que você conhece rím el à prova d’água?

— Porque j á ouvi falar sobre isso — ele respondeu com a voz num tom falsam ente sentim entalista. — Porque, diferentem ente da m aioria dos hom ens, m e preocupo com as m ulheres e as suas necessidades.

Dei risada de novo, pensando que tinha ligado para a pessoa certa. Não im porta que eu realm ente não tivesse outros am igos.

— Com o vai o Ry an?

— Nós term inam os. E a professora gostosona?

— Nós term inam os tam bém . — Ele ergueu as sobrancelhas e disse: — Espere. Você está dando em cim a de m im ? Querendo voltar para o que é bom ?

— Não, Miller. Não estou — respondi, revirando os olhos. — Eu só precisava conversar com alguém ... Hoj e está sendo um dia péssim o. Briguei com a m inha m ãe. Lucy não está falando com igo. E fui dem itida.

Ele soltou um assovio.

— Nossa, você está fazendo a m inha vida parecer um m ar de rosas. Obrigado.

— De nada.

— E por que foi dem itida? Porque está transando com o treinador Carr?

Olhei para ele, perplexa dem ais para negar.

— Por que m e perguntou isso?

— Ah, prim eiro porque observo tudo, j á te falei. Sou um observador e tanto. — E porque, naquela noite em que você esqueceu o seu cartão de crédito, fui até a sua casa para devolvê-lo. Ah, sei lá, tom ar a iniciativa de devolver... e lá estava o carro dele. Estacionado bem na sua vaga, para ser m ais preciso.

— Você não contou para ninguém , contou?

— Não. Tenho bom senso e sou um a pessoa discreta.

— Obrigada, Miller. Obrigada m esm o.

Ele piscou:

— Hum , deixe-m e adivinhar... Lucy encrencou porque você está transando com o coroa dela?

— Pare de falar assim !

— O quê? Transando ou coroa?

— As duas coisas. E nós não estam os transando. Mas sentim os algo um pelo outro. Enfim , Lucy contou para a m inha m ãe... que tam bém está furiosa com igo. E Lucy ainda disse que eu ia ter que escolher. Entre ela e o pai dela.

— Escolha fácil.

— Você odeia a Lucy.

— Verdade. Mas, independentem ente disso, você tem que escolher o am or.

— Você acha?

— Sem pre. — Ele hesitou e prosseguiu: — A m enos que o cara que você am e te dê um m aldito pé na bunda... aí você cai fora com o orgulho que te restar.

Miller encerrou a frase com um a piscadinha, para o caso de eu ter perdido algum a parte do que ele falou.

Balancei a cabeça e ri.

— Tem m ais algum conselho?

— Acho que o Walker vai ganhar. O Alabam a não vai dar conta.

— Não aposto no Walker.

Miller sorriu.

— Ah, aposta, sim .