Primeiro e Único

Emily Giffin · Capítulo 18 de 46

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Primeiro e Único

Dezoito

 

Na segunda-feira seguinte, dois dias depois de um a vitória decisiva contra o Arkansas, com ecei o m eu trabalho com o repórter esportiva. Sm iley não m e especificou um horário de entrada, m as saí do m eu apartam ento às seis da m anhã por causa do trânsito e para conseguir chegar ao Bank of Am erica Plaza, em Dallas, às sete. A assistente dele, um a senhora com m ais ou m enos sessenta anos, de cabelos desgrenhados e óculos com arm ação de gatinho, m e encontrou no saguão e, com o m aior m au hum or, m e levou até o escritório de Sm iley.

— Bom dia, Sra. Rigsby — cum prim entou-m e Sm iley, tirando os olhos de um a cruzadinha com pleta da folha do The New York Times para olhar para m im . Seu escritório cheirava a charuto, em bora não houvesse o m enor sinal de cinzeiro nem de fum aça. Contudo, havia um a garrafa de uísque pela m etade no canto de sua m esa.

— Bom dia.

Sm iley pigarreou com o se estivesse prestes a fazer um a recepção apropriada, m as pensou m elhor:

— Venha. Vou lhe m ostrar o escritório.

Então, ele em barcou num a turnê pela redação, que consistia principalm ente em um labirinto de baias debaixo de um a ilum inação fluorescente opaca. Sm iley fez pequenas apresentações das pessoas a quem ele se referiu com o “o canto do esporte” do andar, m as só m esm o quando não havia m aneira de evitar, m uitas vezes om itindo o nom e dos colegas. Sem pre que teve a chance, fez questão de m e fazer parecer desinteressante e im atura. “Essa é Shea Rigsby. Está substituindo Kenny Stone. Ela veio do departam ento de esportes da Walker, m as alega que pode ser im parcial”, disse ele um a vez, m urm urando ainda m ais um a observação: “É o que nós vam os ver”.

Ele apontou para a m esa da redação, onde dois telefones ficavam perm anentem ente à disposição, e explicou que eles funcionavam com o um a central de com ando onde se recebiam ligações dos diferentes leads sobre m atérias com plicadas:

— Mas não se aplica m uito a nós. Nossas m atérias, de m odo geral, não são nenhum a surpresa. Se bem que, nos dias de hoj e, nunca se sabe o que os atletas vão fazer... Mas se alguém der um tiro na nam orada ou for do tipo que tortura cachorros, vão ligar para cá.

Assenti, enquanto enfiávam os a cabeça pela porta de um a copa bem sim ples onde havia um m icro-ondas e um a geladeira, depois num a sala em condições ainda m ais deploráveis onde havia um bebedouro e um a copiadora, na qual um cartaz pendurado dizia: A MALDITA ENROSCOU O PAPEL DE NOVO. Sm iley concluiu o nosso tour levando-m e à m inha própria baia, que ficava fora do escritório dele. Sorte a m inha. O andar inteiro era m uito m ais silencioso e m enos glam oroso do que eu havia im aginado, e eu senti um a pontada de frustração enquanto lem brava a m im m esm a que esta não era a época do j ornalism o de Woodward e Bernstein e que a m aioria dos redatores provavelm ente trabalhava de casa.

— Bom , é isso. Algum a pergunta? — disparou ele em tom seco.

Balancei a cabeça.

— Muito bem . Sua prim eira tarefa. Precisam os de um a m atéria sobre a partida entre o Walker e Bay lor antes do j ogo. Deve ter oitocentas palavras, nem um a a m ais, porque o espaço é apertado. Porcaria de anúncios — resm ungou ele. — E, com relação à abordagem , talvez sej a m elhor focar na situação do running back. Talvez um olhar sobre o m onte de lesões que a equipe tem sofrido... Descobrir se algum dos assistentes técnicos odeia o outro... Preciso disso para am anhã às oito. Nem um m inuto a m ais.

Antes m esm o que eu pudesse balançar a cabeça para afirm ar que entendi, Sm iley se virou e foi para o seu escritório, enquanto um dos caras em um a das baias olhou para m im e disse:

— E olha que você o pegou num bom dia.

Sorri e estendi a m ão para cum prim entá-lo.

— Gordon Cham bers.

— Shea Rigsby — apresentei-m e, e m e identifiquei instantaneam ente com o novo colega, tanto pelo seu com entário quanto pelo seu sem blante. Tudo nele era m uito acolhedor, desde a pele m orena cor de m el aos lábios carnudos e às covinhas nas bochechas arredondadas que perm aneciam salientes m esm o quando ele não sorria. — Você faz a cobertura de quem ?

— Do Dallas Cowboy s.

Devo ter parecido im pressionada, porque ele disse:

— Um hom em pequeno num totem daquele. Faço m ídias sociais. Sou o diabo necessário de Sm iley. E cubro as lesões dos j ogadores. Tendão lesionado? Fale com igo, eu sou o cara. — Ele abriu um sorriso largo, deixando as covinhas ainda m ais evidentes.

Dei risada e m e perguntei se algum a vez ele j á tinha conversado com Ry an. Guardei a bolsa e fiz um a verificação superficial da m inha baia. Abri e fechei algum as gavetas cheias de elásticos, clipes e um pacote de bolachas que o outro repórter deixou para trás. Depois, aj eitei m eu cabelo e inspecionei o com putador antigo, tentando descobrir onde ficava o botão de ligar.

— Eu nem perderia o m eu tem po tentando ligar essa porcaria aí — aconselhou Gordon quando notei que ele estava trabalhando num Mac enorm e.

— Certo — respondi. Em seguida, tirei o m eu laptop da bolsa e o liguei, depois fiquei encarando a página inicial da ESPN por alguns segundos em estado de choque, pensando por onde com eçar.

— Uau! É m elhor você sair dessa página antes que Sm iley vej a — advertiu Gordon ao passar pela m inha baia com um a xícara de café vazia. — Você não sabe que essa é a em issora que coloca o entretenim ento à frente dos esportes? Entertainment and Sports Programming Network. Sacou? ESPN.

— Saquei. Obrigada — agradeci, fechando a j anela do navegador e abrindo um docum ento em branco onde digitei: Baylor-Walker no topo da tela. Foi um com eço nada prom issor, para dizer o m ínim o, especialm ente quando com binado ao vazio absoluto do m eu cérebro. Foi com o se eu nunca tivesse lido um a m atéria pré-j ogo em toda a m inha vida. O barulho crescente ao redor não m e aj udou nem um pouco a acalm ar os nervos, enquanto alguns redatores do departam ento de notícias ao final do corredor pareciam teclar com grande eficiência, sob o efeito da cafeína. Mas respirei fundo algum as vezes e falei para m im m esm a que provavelm ente eles não estavam redigindo nada que ganharia o prêm io Pulitzer, e que estavam apenas executando o seu trabalho com diligência, cobrindo os fatos do m undo — funerais, incêndios e feiras. Ou, no canto do esporte, os tendões lesionados. Com isso em m ente, respirei fundo m ais um a vez e fui para o site oficial do Bay lor, cliquei na aba de futebol am ericano e com ecei a trabalhar. Basta escrever o que você sabe, falei com igo m esm a. Você nasceu para fazer esse trabalho.

O dia passou rápido, m as, às duas da tarde, eu ainda não tinha alm oçado e havia escrito apenas quatro frases, e nenhum a delas reteria a atenção do leitor. A única coisa produtiva que eu havia feito, além de preencher um punhado de form ulários do RH, foi agendar um a entrevista por telefone com o diretor esportivo de com unicação naquela noite. Eu tam bém elaborei algum as perguntas básicas para ele, o que foi m uito fácil de fazer, considerando as inúm eras vezes em que vi e ouvi a corda estourar para o lado de J.J. por causa de tais entrevistas. Enquanto isso, ouvi sem querer Sm iley dando um a bronca em Gordon pelo uso excessivo de advérbios e por ter, aparentem ente, com etido um crim e ainda m aior ao usar sinônim os do verbo dizer.

— Ele disse, ela disse, eles disseram — gritou Sm iley, cerrando o punho e socando um a das m ãos. — Esse é o único verbo que você deveria usar aqui. Mantenha-a invisível. Querem os ouvir o que o cara disse, não como ele disse. Devo pendurar um lem brete na sua baia?

Não consegui ouvir a resposta de Gordon, só Sm iley, que continuou a resm ungar:

— Não quero ouvir a suas “fontes” com entarem , reclam arem , afirm arem , sugerirem , declararem , revelarem , insinuarem , adm itirem , concordarem , argum entarem nem destacarem . E é m elhor tam bém que não gargalhem nem sorriam .

Enquanto dispensava Gordon, Sm iley m e pegou olhando para ele e berrou:

— Entendeu, Rigsby ?

Fiz que sim com a cabeça, resistindo à vontade de dizer que eu tinha ouvido o que ele disse.

Mais tarde, naquele m esm o dia, voltei para ver o treino do Walker. Foi com o voltar para o ensino m édio quando o treinador liberou para m im o acesso que ele não dava a outros repórteres. Eu o abordei depois, enquanto ele voltava para o centro de treinam ento, e perguntei se tinha alguns m inutos para conversarm os sobre o j ogo contra o Bay lor. Ele olhou para o relógio de pulso e disse que precisava voltar para casa, pois tinha m arcado com o encanador para solucionar o problem a de um a goteira, m as que poderíam os conversar depois.

— Quando seria um bom horário? — perguntei.

— Para você? Qualquer hora — respondeu, dando um tapinha no m eu om bro.

Por volta das oito da noite, criei coragem para m andar um a m ensagem de texto para ele: Agora é um bom momento para conversamos?

Ele respondeu: Não estou sozinho. Pode me mandar as perguntas?

Ok, digitei, depois inform ei que estávam os em entrevista antes de pedir a ele que confirm asse quais j ogadores estariam no backfield.

Ele enviou: Todos poderão jogar. QUEM você acha que eu deveria escalar para começar?

Sorri e respondi: Rs. Se eu escalar a sua lineup, você escreve a matéria para mim?

Fiquei encarando o celular, esperando, sabendo que ele digitava devagar: Acho que os seus leitores não apreciariam a minha caligrafia de terceira série.

Sorri e escrevi: Não banque o espertinho. Conheço muito bem a sua caligrafia.

E a conversa continuou daí. A tela ficou preenchida com as nossas brincadeiras:

CCC: É mesmo? E o que mais você sabe?

Eu: Sei que você está sentado naquela poltrona grande, com a televisão no mudo.

CCC: Haha. Acertou.

Eu: Provavelmente com uma Shiner Bock sobre o braço da poltrona, próxima ao controle remoto.

CCC: Onde está a câmera escondida? Quantos dedos você está vendo aqui?

Eu: Um, de número um. Que é a posição em que estaremos no final do ano.

CCC: Você me dá muito crédito. Sempre deu.

Eu: Não. Não é verdade. Mas voltando ao assunto. O que acha do Lache?

CCC: Esse moleque consegue correr tanto quanto fofoca em cidade pequena.

Eu: Posso citá-lo na matéria, então?

CCC: Sim.

Eu: Quem mais devo mencionar?

CCC: Diga a eles que será uma disputa acirrada, entrincheirada.

Eu: E qual será a sua estratégia?

CCC: Manter a posse de bola e fazer mais pontos que ele.

Eu: Parece bem simples.

CCC: Sim. Mas não se deixe enganar. As melhores coisas da vida parecem simples. Mas só parecem.

Sorri olhando para o m eu celular, pensando no quanto aquilo era verdadeiro.

Na m anhã seguinte, às 07h58, entreguei a m inha prim eira m atéria para o The Dallas Post. Vinte m inutos depois, Sm iley invadiu m inha baia, gritando e pedindo que eu olhasse para a tela do m eu com putador. Fiz o que ele m e pediu e vi que ele — ou alguém do copidesque — j á tinha editado a m inha m atéria.

— Não está péssim o — disse ele, o que soou para m im com o um grande elogio. — Mas você precisa am arrar m ais as ideias, parar de florear um pouco nas descrições e dim inuir as citações. Peguei várias. Estão abaixo de um m onte de nom es. Basta dizer um a vez. — Ele apontou por cim a do m eu om bro para a tela enquanto eu tentava acom panhar todas as alterações eletrônicas m arcadas em verm elho nas m argens.

Balancei a cabeça e disse que entendi.

Então, com o se soubesse quanto tem po eu havia levado para fazer aquela prim eira versão, Sm iley acrescentou:

— E preciso disso o m ais rápido possível. Dez m inutos atrás.

Ao retornar para o seu escritório, percebi que a única frase sem nenhum a m arca de edição foi o m eu lead, que tinha surgido direto do m eu celular: De acordo com o treinador da Universidade Walker, Clive Carr, a partida de sábado contra o Baylor será uma disputa “acirrada e entrincheirada”.

Mais tarde, depois que eu j á tinha feito as correções no rascunho da m inha prim eira m atéria e preparado outro, encontrei Lucy no centro de treinam ento, com o nos velhos tem pos. Ela m e trouxe um sanduíche elaborado da sua delicatéssen favorita, e ficam os sentadas na arquibancada, conversando e assistindo ao treino. Pelo m enos eu estava assistindo, enquanto ela passava a m aior parte do tem po conversando.

— E com o vai o Ry an? — perguntou Lucy enquanto m e entregava m etade de um sanduíche com cogum elo Portobello, m ozarela e pim então verm elho. Ultim am ente, esse era o assunto preferido dela, e eu m e senti feliz em lhe dar boas notícias.

— Está ótim o — respondi, observando a sim ulação de um leve em bate de om bro. O treinador estava segurando um escudo na linha de quinze j ardas, enquanto os running backs se alinhavam à frente dele e pressionavam o om bro contra o escudo para depois voltarem ao cam po. De algum m odo, ele pareceu sexy em m eio ao processo, até na m aneira com o assoprava o apito e gritava as instruções com a voz um pouco rouca. Desviei o olhar do cam po, voltando-m e para Lucy, conversando com igo m esm a para m e controlar. Pare de olhar para o pai dela desse j eito.

— Poderia m e dar um a resposta m elhor do que “ótim o”? — exigiu Lucy.

Esbocei um sorriso, pensando que a m inha resposta vaga era o tipo que eu odiaria se estivesse entrevistando alguém , então acrescentei:

— Estou passando bastante tem po por aqui ultim am ente. O que é conveniente para o trabalho.

— O velho fator conveniência, hã? Isso é tudo o que você tem a dizer?

Sorri de novo e afirm ei:

— Hum . Tam bém posso dizer que amo a casa dele.

— Então, próxim o ao trabalho e acom odação de luxo? Parece o relacionam ento perfeito.

Tom ei um gole da m inha lim onada Snapple e perguntei:

— O que quer que eu diga?

— Quero que diga que vocês dois estão apaixonados.

Balancei a cabeça e dei um risinho sem graça.

— Mas estão nesse cam inho? Se apaixonando aos pouquinhos?

— Talvez — respondi, levando a m ão a um a das m inhas orelhas para tocar um dos brincos de diam ante enquanto o treinador soprou o apito e perguntou a Barry Canty se ele tinha planos de sair dali com a cam isa suada.

Dei risada.

Lucy olhou para m im :

— O que foi?

— Seu pai. Ele é m uito engraçado.

— Ah, é. — Ela parou de com er o sanduíche. — Então. Quero conversar com você sobre um a coisa.

Eu conhecia bem aquele olhar no rosto dela. Havia algum a coisa errada.

— O quê? — perguntei, com um aperto de preocupação no peito.

— É sobre o m eu pai. Acho que ele está saindo com alguém .

Senti um a pontada no estôm ago enquanto perguntei a ela por que desconfiava disso, im aginando um a m ulher m adura e atraente, com seus quarenta e poucos anos, talvez um a viúva.

— Porque eu estava lá na casa dele e o vi ao telefone. Enviando um a m ensagem de texto — respondeu ela, enquanto o treinador trocou a sequência de exercícios de defesa para exercícios de proteção de passe de bola.

— Quando? — indaguei.

— Ontem à noite. Por volta das oito.

Senti um a onda de alívio, depois de culpa, pois sabia que ele estava trocando m ensagens com igo e m esm o assim , num a fração de segundo, decidi que não contaria a ela.

— Foi estranho — ela continuou. — Perguntei com quem estava conversando e ele respondeu ninguém. Com o assim ninguém?

— Talvez ele estivesse navegando na internet — sugeri, odiando a m im m esm a por m entir para a m inha m elhor am iga e sentindo-m e confusa, sem saber ao certo por que estava fazendo aquilo. Estávam os fazendo um a entrevista; essa era a verdade.

— Não, não. Com certeza era m ensagem de texto. Eu vi na tela do celular dele. Quando tentei espiar por cim a do om bro, ele se virou num m ovim ento brusco.

— Talvez ele estivesse enviando um a m ensagem para algum dos colegas técnicos — argum entei, m ordiscando o lábio inferior. — Você sabe, algum desses segredos secretíssim os sobre os j ogos...

Ela m e lançou um olhar.

— Segredos secretíssim os?! Ele é um treinador, não um agente do FBI!

Depois de esgotar todas as m inhas explicações plausíveis — exceto a verdade —, dei de om bros.

— Você acha que ele pode estar saindo com alguém ? — ela perguntou.

Respondi que não, depois arrisquei:

— E com o você se sentiria se ele estivesse?

— Está falando sério? — ela questionou, com o se essa tivesse sido a pergunta m ais ridícula do m undo.

— Quero dizer... sei que você ficaria m uito chateada, m as... seria algo m uito terrível? Você ficaria furiosa?

Ela suspirou e deixou o sanduíche de lado.

— Bem , com o eu poderia ficar furiosa?

— Ficando, sei lá... — falei, pensando que a probabilidade de não ficar furiosa nunca tinha passado pela cabeça de Lucy. Independentem ente do assunto em questão. Era incrível com o nós éram os diferentes um a da outra e com o nos am ávam os m esm o assim .

— Bem , não, não acho que eu deveria ficar furiosa. Mas acho que ele deveria esperar pelo m enos um ano antes de pensar em conversar com outra m ulher. Essa não é a regra?

Dei de om bros, pensando na Sra. Carr e em algum as de suas regras. Nada de roupa branca nem listrada depois do Dia do Trabalho. Nunca chegue cedo a uma festa, e, pelo amor de Deus, não seja a última a ir embora! Lista de presentes é deselegante, bem como escrever “nada de presentes, por favor” em um convite. E a m inha favorita: os modos superam a etiqueta. Em outras palavras, não se deve colocar os cotovelos sobre a m esa, m as é m uito pior apontar o dedo quando se está à m esa.

— Não acho que haj a um a regra para isso, Lucy... Acho que depende de um m onte de coisas... — opinei, com a voz hesitante.

— Eu sei. E quero m uito m esm o que ele sej a feliz. Mas, Deus do céu, não sei se eu conseguiria suportar. Sabe o que um a pessoa m e perguntou recentem ente sobre a sua m ãe?

— Sobre a m inha m ãe?

— Sim . Se eu achava que ela e m eu pai poderiam ficar j untos. Você não acha que ela poderia se interessar por ele, acha? — indagou Lucy.

— Não — respondi o m ais rápido que pude.

— Por respeito à m inha m ãe?

Balancei a cabeça e falei:

— Só acho que não consigo im aginar os dois j untos. Seu pai j am ais se interessaria por ela. E m inha m ãe gosta do tipo executivo, terno e gravata. — Na tentativa de m udar de assunto, com entei: — Por falar nisso, m eu pai vai vir para o Dia de Ação de Graças.

— Sozinho?

— Claro que não. Vai trazer a Bronwy n e a Cara de Bunda — respondi. Era o apelido de Astrid.

Lucy sorriu.

— Você ainda não contou para eles sobre o Ry an?

— Ainda não. E devo confessar que não vej o a hora — com entei, sorrindo.

— É... Deve ser com pensador — disse Lucy.

Olhei para o treinador no cam po, enquanto ele assoprava o apito e gritava: “Que droga, Sanders! Se eu te disser que um pato consegue puxar um cam inhão, então você tem de calar a boca e puxar essa corda!”.

Dei risada e anotei o com entário. Eu sabia que provavelm ente não o usaria, e com certeza não sem a autorização do treinador, m as ainda assim quis registrá-lo para ler depois, j unto com as nossas m ensagens de texto, que eu ainda não havia deletado.