Um novo capítulo para o amor

Jenny Colgan · Capítulo 1 de 50

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Um novo capítulo para o amor

Introdução

 

Quando eu era bem novinha, li todos os livros da pequena seção infantil da nossa minúscula biblioteca local (com exceção do enorme livro verde sobre répteis e anfíbios, dos quais eu morria de medo).

Li livros sobre caligrafia, sobre tênis de mesa, sobre as escoteiras (eu era uma péssima escoteira e odiava aquilo; só conquistei uma única medalha – sim, a medalha de leitura), sobre como se tornar um espião e sobre a Bíblia, assim como todos os livros de histórias que eles tinham lá.

Eu pensava que este era o objetivo: se você sabe ler, então vai ler todos os livros do mundo. Quando ganhei minha carteirinha de adulta, aos 13 anos, logo percebi que isso não seria possível.

Tendo esclarecido essa questão: oi e muito obrigada por escolher Um novo capítulo para o amor – eu sei que você tinha muitas outras opções. Sei disso, pode ter certeza.

Este livro não é uma sequência de A pequena livraria dos sonhos, embora tenha algumas características semelhantes. Nina e Surinder estão presentes, mas a história é totalmente da Zoe.

Também é uma história sobre a capa de proteção contra o mundo que uma pessoa que ama livros veste. A imagem pode parecer estranha, mas é algo em que eu realmente acredito.

Se você gosta de ler, eu acho que isso significa que não precisa confiar apenas em si mesmo sempre. Significa que há mais cabeças para esmiuçar, mais vidas para viver além da sua própria. Meu filho não lê muito, mas eu lembro que, quando ele leu a série Harry Potter, chegou para mim e disse, impressionado:

– Não parece um livro, mãe, parece que realmente estamos lá!

E eu ainda acredito que a leitura é a melhor forma de comunicação direta entre um cérebro e outro que os seres humanos descobriram – ao menos até o Facebook obrigar todos a terem implantes.

A leitura pode ser um refúgio – eu gosto, em especial, de observar o pessoal que está indo para o trabalho no transporte público, alheio ao movimento ao seu redor, imerso na Inglaterra de Thomas Cromwell, ou nos mundos marcianos de Michel Faber, ou nos reinos bárbaros de George R. R. Martin.

No último romance da livraria, eu falei um pouquinho sobre onde e como eu leio, e muitos leitores solicitamente contribuíram com suas próprias ideias. Uma das coisas mais interessantes que surgiram foi o limite entre “livros de verdade”, e-books e audiolivros. Algumas pessoas – não muitas – foram radicais, do tipo “Ah, não há nada como um livro de verdade”. Mas o interessante foi quantas outras adoram a liberdade de carregar uma biblioteca inteira no celular ou no bolso, e o que eu tenho visto cada vez mais são pessoas usando seus leitores eletrônicos com uma fonte grande, eliminando a necessidade de óculos de leitura – isso não é superútil?

Também são mais fáceis de levar pra academia, e eu carrego o meu pra banheira todo dia (viro as páginas com o nariz) e não derrubei nem uma única vez – e, acredite em mim, ninguém é mais estabanado do que eu. Além disso, eu adoro audiolivros; eles permitem que você continue lendo quando está com as mãos ocupadas tentando levar o cachorro pra passear.

Com os e-books, contudo, eu sinto uma leve saudade de poder espiar o que as outras pessoas estão lendo. Eu também gostaria que colocassem o título no topo de todas as páginas – vivo esquecendo os títulos que estou lendo, e quando alguém me pergunta “O que você está lendo agora?” e eu titubeio por um instante, aí a pessoa me olha como se quisesse dizer “Ah, certo, me desculpe, eu pensei que você fosse aficionada por livros”, o que é muito, muito irritante.

Ah, também me exasperei certa vez, durante um jantar, quando uma mulher começou a tagarelar que nunca leria e-books, que não havia nada como um livro de verdade e – juro, nunca sou grossa com as pessoas, mas ela estava sendo realmente insuportável – eu disse:

– Bom, eles só servem para as pessoas que leem muito.

Foi maldoso da minha parte, mas também bastante satisfatório.

O que estou tentando dizer é: ame o que você estiver lendo no momento. Enriqueça sua vida com livros de qualquer tipo. Se você não está

gostando de um livro, tente outro * – a vida é curta demais. Eu ainda estou tentando ler todos os livros do mundo. Você também gosta de ler, então me entende.

Com amor,

Bjs

 

* Não vale para este aqui, é claro. Eu mesma vou lhe mandar um e-mail para verificar se você

terminou de ler, e talvez role um pequeno quiz.