Um novo capítulo para o amor

Jenny Colgan · Capítulo 8 de 50

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Um novo capítulo para o amor

Capítulo seis

 

Os garotos e as garotas que ajudaram na colheita já tinham se deslocado novamente, mas o tempo ainda estava suave e dourado, com a brisa soprando pelos campos. As noites ainda eram longas, embora houvesse um levíssimo indício no ar límpido de que o outono já se punha no horizonte. Os gansos tinham começado a voar no céu, preparando-se para sua longa jornada para o sul.

Nina tinha dado um pulo na loja da Sra. Murray, no vilarejo, para comprar um pouco de estragão para o frango que ia assar aquela noite, além de quatro pães doces dos quais ia se esforçar para guardar ao menos um para Lennox.

– Ah, olhe só pra você! – exclamou a Sra. Murray. Nina olhou para a própria barriga. – Você está enorme!

– Achei que eu estivesse na média – grunhiu Nina, novamente consciente de que estava, como a parteira um tanto ditatorial não cansava de lembrá-la, já no finalzinho da gravidez.

Ela havia percebido que estava grávida exatamente na mesma época que uma celebridade muito famosa e estava meio obcecada por essa tal celebridade, que vivia exibindo uma barriguinha minúscula, quase imperceptível, pelo mundo, em vários locais badalados, enquanto ela, Nina, já estava tendo certa dificuldade em se abaixar para amarrar os próprios sapatos.

– Bem, quantos bebês tem aí? – retrucou a Sra. Murray, que sempre fora bastante direta.

– Está bem, está bem – respondeu Nina, decidindo não comprar os pães doces.

A velhinha ergueu os olhos.

– É uma notícia maravilhosa – disse ela por fim. – Achei que nunca mais veria Lennox feliz de novo.

Nina sorriu para não se chatear por ter sido lembrada de que não era a primeira namorada de Lennox.

– Então, o que você vai fazer com a sua van? – perguntou a Sra. Murray.

Enquanto ela falava, contudo, a porta da lojinha sibilou ao ser aberta e uma jovem que nenhuma das duas conhecia entrou. Ela parecia chorosa. Era magra, com maçãs do rosto protuberantes, cabelos claros, e falou com um forte sotaque polonês.

– Pois não? – disse a Sra. Murray, um tanto hesitante.

A garota esfregou o rosto, bastante sujo.

– Quando é o ônibus, por favor? – perguntou.

A Sra. Murray franziu a testa.

– Bem, depende. Para onde você está indo?

– Não importa – respondeu a garota de um jeito contundente.

A Sra. Murray e Nina se entreolharam.

– Terça-feira.

– Você está bem? – perguntou Nina com delicadeza.

A garota fez que não com a cabeça.

– Eles são uns monstros! – esbravejou ela, e Nina ficou genuinamente preocupada.

– De quem você está falando?

– Ah! – exclamou a Sra. Murray, compreendendo de repente. – Você está lá na casa.

– Não mais – afirmou a garota.

– Que casa?

– O casarão! – respondeu a Sra. Murray, como se Nina fosse uma idiota.

– Sabe – disse a garota –, eles são… Eles são…

Ela olhou para as duas.

– Lobos – concluiu ela. – Pequenos lobinhos.

A Sra. Murray passou pela caixa registradora a barra de chocolate que Nina não tinha percebido que havia colocado na cesta.

– Entendo.

– Eu não fico… Terça?

– Tem um ônibus para Inverness… Tem um aeroporto.

A garota assentiu silenciosamente.

– Ah, aquela casa – disse a Sra. Murray.

A garota se foi, arrastando a mala pesada consigo.

– O que tem a casa? – quis saber Nina.

Ela estava morando ali há apenas um ano. Tinha conhecido muitas pessoas, mas o pessoal era leal a seus amigos e ela geralmente era a última a saber das fofocas, isso quando ficava sabendo. Ela não se importava com isso. Cada vez que eles a incluíam um pouco mais – um cafezinho pela manhã aqui, um jantarzinho no Burn’s Night ali –, Nina se sentia mais aceita por seus próprios méritos, como alguém que estava ali para ficar de vez, e não apenas uma turista.

Além disso, para falar a verdade, uma parte gigantesca das fofocas costumava girar em torno dela, de Lennox e da ex-esposa de Lennox. Gigantesca mesmo. Então as pessoas tendiam a permanecer caladas, por via das dúvidas. E, se Nina pensava que o bebê iria abafar tudo aquilo, ela ficaria muito, muito decepcionada.

– Os Beeches?

– Ah, sim… – respondeu Nina. Ela sabia mais ou menos do que se tratava. – Acho que eu o conheci… Um cara alto. Bateu a cabeça na van.

– Parece coisa do Ramsay, sim – confirmou a Sra. Murray. Ela suspirou. – Não é nada bom.

– Ah, me conte – pediu Nina, que queria parar de pensar nos pãezinhos glaceados.

– A esposa o deixou – contou a Sra. Murray. – Largou os filhos e tudo mais.

– Minha nossa, é sério? – exclamou Nina. – Que horror. Quantas crianças?

– Três – respondeu a polonesa, que tinha colocado a cabeça para dentro da loja novamente porque estava caindo um temporal tão repentino e, ao mesmo tempo, tão normal que até mesmo Nina tinha aprendido a não comentar. O tempo na Escócia era como em qualquer outro lugar do mundo. Só um pouquinho mais rápido. – Todas endiabradas.

– Ora, não fale assim – repreendeu a Sra. Murray. – Elas não têm mãe.

– O que aconteceu com ela? – quis saber Nina. – Onde ela está?

– Eu nunca a vi – afirmou a polonesa.

– Ninguém sabe – complementou a Sra. Murray.

– É sério? – exclamou Nina. – Por que eu não sabia disso? Ele a matou? Ela é maluca e fica presa no sótão?

Ninguém respondeu.

– Ela era complicada – disse a Sra. Murray por fim. – Mas não, ela simplesmente foi embora.

– Tem certeza?

– É o casarão – respondeu ela. – Coisas estranhas acontecem lá.