Um novo capítulo para o amor

Jenny Colgan · Capítulo 18 de 50

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Um novo capítulo para o amor

Capítulo quinze

 

Ao sair do carro, as primeiras impressões de Zoe sobre um castelo magnífico retrocederam um pouco. Ela conseguia ver os tijolos lascados, as ervas daninhas crescendo nas janelas mais altas, e se perguntou se haveria tantos quartos na casa que as pessoas sequer conseguiam entrar em todos.

A mulher corpulenta parada diante da porta da frente de braços cruzados se adiantou.

– Aparentemente, ela não é tão assustadora quanto parece – murmurou Nina.

Zoe olhou para ela.

– Sra. MacDanvers – disse ela baixinho, insinuando que a governanta era uma versão escocesa da antagonista de Rebecca – A mulher inesquecível, e Nina não conseguiu evitar um sorriso.

Zoe saiu do carro. Um vento feroz soprou seus cabelos escuros em seu rosto. Ela realmente precisava cortá-los. E lavá-los, secá-los e retocar as raízes.

A Sr. MacGlone examinou Zoe de cima a baixo.

– Certo – disse ela, no tom de alguém que não estava se encontrando com uma babá pela primeira vez. – Zoe, não é?

– E Hari – complementou Zoe, exibindo o garoto adormecido em seu ombro.

– Tudo bem – disse a Sra. MacGlone, observando desinteressadamente enquanto Nina tirava as malas pesadas do carro, apesar do barrigão, e as duas garotas as levavam até a varanda.

A imensa porta de madeira estava descascando e desbotada, Zoe percebeu enquanto caminhava em direção a ela. A Sra. MacGlone franziu o cenho.

– Nós usamos a outra porta – ralhou ela, e Zoe não conseguiu evitar que sua boca se contorcesse imediatamente.

Uma entrada de serviço! Era como em Downton Abbey! Ela olhou ao redor e descobriu que era, agora que a lua estava nascendo, vagamente visível atrás das nuvens grossas, impossível dizer que ano era.

Havia um forte aroma de pinheiros no ar. A escuridão estava se instaurando – um breu real, não aquele escuro fosforescente de uma rua londrina, onde os carros e as caminhonetes nunca paravam, onde tudo funcionava todo dia, o dia todo.

Exceto pelo chilreio dos pássaros e o farfalhar das folhas ao longe, Zoe não ouvia um ruído sequer. E subitamente se perguntou se já havia estado em um silêncio como aquele alguma vez na vida.

Então, enquanto eles se encaminhavam para os fundos da casa (Nina, morrendo de cansaço e enjoo, havia se desculpado e ido embora, dizendo que a veria no dia seguinte; havia um carro na casa que ela poderia usar), Zoe ouviu a imensa porta da frente ranger e viu uma luz brilhar lá dentro. Houve um lampejo de alguma coisa branca e uma gargalhada baixinha misteriosa. A Sra. MacGlone não exibiu qualquer sinal de ter percebido qualquer coisa e o silêncio voltou a se instaurar.

A porta dos fundos – uma peça mais simples, com quatro vidraças – não rangeu; obviamente vivia aberta. Ela dava para um corredor lajeado, com uma sala grande à direita, repleta de galochas, bastões de caminhada e capas de chuva.

– Deixem seus casacos na chapelaria – instruiu a Sra. MacGlone, fungando.

Zoe piscou. Ela nunca havia ouvido falar em uma chapelaria na vida. Os olhos de Hari se arregalaram; ele havia acordado e estava olhando em volta, impressionado. Zoe também estava bastante impressionada.

A Sra. MacGlone apressou-se em entrar em uma cozinha ampla de teto baixo com uma mesa longa para os funcionários no centro. O cômodo era frio (não havia tapetes no chão) e bastante úmido, com uma grande cuba estilo fazenda. O único ruído (muito alto) vinha da velha geladeira, que zunia sem parar. Não havia, Zoe não pôde deixar de perceber, cheiro algum de comida no ar.

– Esta é a cozinha – anunciou a Sra. MacGlone, solícita. – Eu não cozinho.

– Mas… o que todos comem? – questionou Zoe.

– Ah, nós nos viramos.

– Bem – disse Zoe, que estava pra lá de exausta –, talvez a senhora possa me mostrar tudo amanhã. Eu gostaria de colocar o Hari na cama…

A Sra. MacGlone olhou para a criança como se a imagem de um garoto de 4 anos de idade indo dormir às onze da noite fosse peculiar, fungou mais uma vez e então seguiu pelo corredor estreito e os guiou por uma escada de pedra em caracol, com Zoe batendo as malas em cada um dos degraus, e entrou, por uma porta oculta debaixo da velha escadaria marrom, no que obviamente era o corredor principal da casa, que levava à enorme porta da frente.

Tudo era de madeira polida e cheirava a cera de abelha. O marrom-escuro era dominante, bem como os pesados tapetes de tartan presos por varões dourados pesados na ampla escada marrom com o corrimão entalhado. Havia um grande relógio de chão no patamar, tiquetaqueando de verdade. Zoe achou que nunca tinha visto um daqueles funcionando antes.

Novamente ela percebeu o som de um riso distante.

– As crianças quiseram ficar acordadas para me conhecer? – perguntou ela, esperançosa.

– Já pra cama! – berrou a Sra. MacGlone em direção ao piso superior, e elas não ouviram mais nada.

– Certo – disse Zoe. – Está bem. E o Sr. Urquart?

– Ele não está – respondeu a Sra. MacGlone.

– Minha nossa – exclamou Zoe, genuinamente surpresa. – Ainda bem que eu vim, então.

A Sra. MacGlone bufou, como se certamente fosse cedo demais para afirmar aquilo.