Um novo capítulo para o amor

Jenny Colgan · Capítulo 30 de 50

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Um novo capítulo para o amor

Capítulo vinte e sete

 

Não se pode chorar para sempre, embora Zoe tivesse se esforçado bastante. Por fim, ela ficou simplesmente exausta demais e deitou-se de bruços na cama ao lado de Hari, e logo cadenciou sua respiração com os respiros bufantes e ritmados dele, até também adormecer, totalmente exaurida e esgotada.

Ela acordou de novo sem saber onde estava. Aquele lugar era tão silencioso. Não se ouvia um pio; era como estar dormindo no subsolo. Hari se mexeu. Ela pegou o garotinho e o levou ao banheiro. Ele também devia estar morrendo de fome.

As velhas cortinas estavam cobertas de poeira – aquele lugar precisava de uma boa limpeza, era deprimente. Ela as abriu e deu um sorriso torto. Tudo podia parecer terrível. Não, corrigiu ela, tudo estava terrível. Ela estava em um país estranho, com pessoas estranhas, não podia fazer absolutamente nada a respeito, ninguém gostava dela – alguns efetivamente a detestavam – e estava trabalhando em dois empregos, sem se sair muito bem em nenhum deles até o momento.

Havia, também, os antigos fregueses da livraria; o ar ligeiramente constrangido de Nina, que meio que invalidava a insistência de Surinder de que Nina estava desesperada para que ela chegasse logo e fosse ajudá-la; e, ah, céus, ela tinha que levar Hari à creche naquele dia. Zoe fez uma careta.

Mas do lado de fora da janela – que precisava de uma limpeza urgente – a vista era, ela precisava admitir, total e completamente encantadora.

A bruma da manhã que ascendia do lago fazia a alvorada parecer abstrata e pastel, misturando enevoadamente o rosa e o dourado no horizonte, conferindo a tudo os contornos suaves de uma aquarela. Zoe subitamente se percebeu querendo saber pintar. Ela ergueu Hari, vestido com seu pijama de bombeiro pequeno demais para ele, e mostrou a paisagem. A boca dele se abriu em um “o” redondinho e ele apontou para a água.

– Não é lindo? – disse Zoe para ele, encostando os cachinhos escuros dele em seu rosto. Mesmo que todo o resto tivesse se esvaído, ela ainda tinha aquilo. – Não é lindo?

 

Nina estava tomando seu segundo café da manhã, exasperada.

– Não, ela é bacana – dizia, enquanto Lennox observava, perturbado, seu mau humor.

– Então…

– Então… Ah, sei lá. Ela é tão Londres. Não sei se vai entender como as pessoas daqui são.

– Bem, pode-se dizer que você era bem Birmingham – ponderou Lennox, sorrindo.

– Hum… – murmurou Nina. – Enfim, não acho que a gente seja o problema. Acho que, talvez, aquele outro emprego seja um pesadelo completo e ela vá embora, e aí não vai importar se ela entende ou não o que as pessoas querem na livraria e eu ficarei ainda mais empacada que antes.

Nina suspirou. Ela se sentia péssima aquela manhã, mas Lennox já tinha coisas suficientes para dar conta e ela não iria preocupá-lo. Lennox a tomou nos braços e olhou para ela, sorrindo.

– Bem, nós vamos arrumar outra solução – garantiu ele daquele jeito lento e confiável que ela adorava.

Só que, naquela manhã, Nina estava irritadiça e não muito fácil de ser aplacada.

Ela enterrou a cabeça no peito dele.

– Por que tudo tem que mudar?

Lennox apontou para fora.

– Porque a vida muda. As estações mudam. O mundo gira. As coisas velhas se tornam novas…

Ele acariciou a barriga dela.

– Coisa novas… Coisas novas e boas.

– Eu sei – disse Nina meio irritada. – Eu sei disso tudo. Só me sinto tão… redonda.

– Você nunca esteve tão linda – afirmou Lennox com sinceridade. – Mas tudo muda.

– Menos você – observou Nina, um pouco reconfortada.

– Sim – concordou Lennox, ainda parado ali, abraçando-a, firme como uma árvore. – Menos eu.