Um novo capítulo para o amor

Jenny Colgan · Capítulo 48 de 50

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Um novo capítulo para o amor

Capítulo quarenta e cinco

 

 

Era um dia de outono bastante reluzente. Tudo estava amarelo e alaranjado, as árvores tinham começado a mudar de cor. Zoe pegou sua xícara de café e foi para o quintal, com um suéter velho enorme por cima da camisola. Ela aproveitou alguns instantes sozinha enquanto Hari comia seu cereal devagar, com Patrick tagarelando ao seu lado como sempre; Shackleton estava meio ouvindo, meio lendo e Mary ainda não tinha aparecido.

Alguns torvelinhos de neblina se erguiam no jardim, mas o sol prometia ser quente e havia poucas nuvens no céu. As árvores farfalhavam e assoviavam sedutoramente diante dela, e Zoe observou, fascinada, quando um pássaro grande – como ela gostaria de saber mais sobre eles – pousou no gramado e começou a bicar ferozmente uma minhoca na grama enquanto o pavão se afastava depressa, pupilando. O ar estava perfumado de tojo e havia uma sensação que, mesmo em Londres, Zoe conseguia recordar de sua infância: fogueiras ao ar livre, fogos de artifício e o Halloween se aproximando, todos os banquetes e guloseimas do outono, com o Natal ao final. Uma época maravilhosa do ano.

Ela também tinha começado bem o dia. Havia acordado cedo e visto Shackleton sentado ali, desconsoladamente aflito por causa do jogo de computador que não podia mais jogar.

– Venha – disse ela. – Não tem mais ninguém acordado. Me ajude a fazer uns muffins.

– Fazer o quê?

– Só venha – insistiu ela. – Vamos lá.

E ela o fez pesar a farinha – enquanto tentava se entender com o forno temperamental – e misturar a manteiga, o sal e os pedacinhos de queijo, presunto e cebola que eles encontraram por ali, e ele os observou crescerem, dourados e fresquinhos no forno e exalando um aroma absolutamente delicioso, enquanto Zoe se deleitava com o prazer genuíno que Shackleton demonstrava.

– Acho que você leva jeito na cozinha – comentou ela, e ele pareceu contente. – Você deveria fazer isso mais vezes.

– Posso comer agora?

– É claro que não, você…

– AI!

– Bem, é isso. Era do que eu ia alertar.

Ele sorriu.

Zoe foi ferver a água enquanto ele continuava tentando tirar os muffins ainda quentes demais das fôrmas.

– Minha mãe teria gostado disso – disse ele subitamente, e Zoe teve que se conter para não virar na direção dele.

Ela permaneceu olhando para a chaleira.

– Ah, é? – perguntou ela, com o coração acelerado, tentando manter a voz calma.

– Bom, ela não teria comido – disse ele. – Mas teria gostado do cheiro.

– Como ela era? – indagou Zoe, mas, quando ela se virou, o rosto dele era a concentração em pessoa enquanto colocava os muffins na grelha para esfriar, e ele não tocou mais no assunto.

 

– Mandou bem – disse Zoe a ele novamente, mais tarde, quando todos estavam sentados à mesa, tomando o café da manhã juntos.

Mary fez uma careta, mas Shackleton sorriu e seu grande rosto desajeitado ficou quase bonito.

Olhando para ele, Zoe pensou que as crianças realmente deveriam voltar para a escola. Setembro estava quase no fim e ninguém havia mencionado qualquer coisa. Ela precisaria conversar com a diretora, Kirsty, sobre isso. Ah, e com as crianças – e o pai delas.

O dia, contudo, estava simplesmente glorioso e era talvez um dos últimos dias bons que eles teriam. Ela tinha decidido que eles iriam aproveitá-lo ao ar livre. Era absurdo, pensou, que eles nunca tivessem sequer passeado por toda a propriedade. Imagine só, viver em um lugar tão grande que você nunca conheceu todo. Era ridículo, realmente ridículo.

Ela entrou na casa revigorada, pronta para reuni-los. Eles iriam sair em uma excursão!

Ligou o rádio encontrou uma música animada e aumentou o volume.

– O que está acontecendo? – perguntou Patrick, desconfiado.

– Nós vamos sair para explorar – respondeu Zoe.

– Ah, legal! – disse Patrick. – Onde, por favor?

– No seu jardim!

 

Ao chegar um tanto exausto da casa de Larissa aquela manhã, Ramsay avistou a pequena trupe no final do jardim e sentiu uma pontada de culpa. Ele saltou do carro e correu até eles.

– Vocês vão fazer uma caminhada? Posso ir junto?

Zoe queria dar uma leve bronca nele por nunca sugerir que as crianças saíssem da casa, mas o alvoroço que ela tivera que enfrentar para arrastar Mary e Shackleton para fora, contra os protestos indignados de ambos, tornou tudo mais compreensível, se não perdoável, e agora que todos estavam ali ela não iria estragar tudo. As crianças estavam correndo em meio às árvores douradas, todas segurando bastões de caminhada, e Porteous tinha se juntado a eles e os estava guiando em uma caçada a esquilos, ou a dinossauros, dependendo da sua idade.

– Você pode vir – concordou Zoe. – Desde que compre um lava-louça. Não tem dinheiro suficiente na lata.

Ramsay se aproximou. Um galho baixo o atingiu na cabeça e ele tentou se desvencilhar. Parecia que não conseguia dar um passo sem bater em algo.

– Você está me dizendo – disse ele – que eu não teria perdido seis outras au pair se tivesse um lava-louça?

– E uma internet de banda larga boa e um micro-ondas – acrescentou Zoe. – E uma cafeteira decente. Mas, fora isso, provavelmente sim.

Ramsay franziu o cenho.

– Por que nenhuma delas falou nada?

– Elas provavelmente estavam perplexas demais – sugeriu Zoe. – Presumiram que as peças estavam no conserto ou alguma coisa assim e ficaram esperando você aparecer com elas.

– Nunca sequer passou pela minha cabeça – confessou Ramsay, tirando o cabelo do rosto.

Zoe revirou os olhos.

– Por que você está revirando os olhos? – perguntou Ramsay.

– Porque você considera isso tudo coisa da criadagem! – respondeu Zoe. – É absurdo! Você não é um duque eduardiano!

– Pra falar a verdade, acho que sou – disse ele. – A Debrett’s acha.

Zoe olhou para ele.

– Mas nós somos a plebe – disse ela. – Somos as pessoas que passam a maior parte do tempo com os seus filhos. Os seus filhos, as pessoas mais importantes do mundo. Você não acha que somos dignos de consideração?

Ramsay ficou vermelho.

– Acho, sim – murmurou. – Desculpe. Eu tenho andado tão distraído. Tudo tem sido tão…

Zoe esperou que ele explicasse, mas a voz dele sumiu no ar.

– Me desculpe – disse ela. – Parece que estou sempre lhe dando broncas.

– Não, eu que peço desculpas – insistiu Ramsay, coçando a cabeça. – Eu sinto que preciso de umas broncas.

Eles continuaram andando; o sol salpicava o chão por entre as árvores; os únicos sons eram das crianças ao longe, correndo e rindo – deu para ouvir até mesmo a risada de Mary em determinado momento, um som que parecia uma música baixa exumada de um lugar bem distante, e ambos pararam para ouvir.

Zoe estava desesperada para que ele lhe contasse. “Pergunte de uma vez”, disse a si mesma, enfiando as unhas na palma da mão. Pergunte de uma vez. Ela queria – ela queria desesperadamente – gostar dele. Não, isso não importava. Ela queria que ele… fosse um bom pai. O tipo de pai que as crianças mereciam; que todas as crianças merecem. Ela precisava saber.

Chegou a abrir a boca para perguntar, para dizer alguma coisa. Era ridículo. Nos tempos atuais, não havia segredos. Tudo era público. As pessoas falavam. As pessoas perguntavam sobre as coisas.

– Ramsay… – começou ela, mas ele já estava falando:

– O seu garoto, ele sempre foi assim?

Zoe foi pega de surpresa e olhou para ele. O rosto dele demonstrava nervosismo.

– Ele nunca falou, não – respondeu ela, perguntando-se se eles estavam trocando confidências, embora o jogo tivesse virado.

Continuaram andando; poderiam muito bem estar conversando sobre flores ou bicicletas, ou algo totalmente inocente.

– Ele chorava quando era mais novo, e ria, mas… cada vez menos agora – acrescentou ela.

– O que dizem os médicos?

– Eles dizem… que ele vai falar quando estiver pronto – respondeu Zoe, suspirando. – Que é ansiedade e que vai passar com o tempo. Eu queria muito, muito mesmo, que ele estivesse pronto. Principalmente pra poder parar de ter esse tipo de conversa.

Ela sorriu, contudo, pra mostrar que não estava chateada com ele, mas com a situação.

Ramsay sorriu de volta.

– Sei como é – disse ele, parecendo assustado logo em seguida, como se tivesse deixado escapar algo que não devia.

– Ah… Você também era assim? – perguntou Zoe, curiosa.

– Ah, não – disse Ramsay, um pouco agitado. – Não foi isso… Não foi isso que eu quis dizer. Eu só…

Zoe permaneceu quieta para que ele terminasse.

– Eu sei como é…

Mas Ramsay parecia ainda não conseguir se abrir. Ele respirou fundo e começou a caminhar um pouquinho mais rápido.

– Bem. Enfim. Cá estamos – disse por fim.

Zoe piscou.

– Ele é um bom garoto – acrescentou ele olhando para ela. – Você deveria se orgulhar.

– O Patrick tem cuidado muito bem dele – comentou Zoe. – Você também deveria se orgulhar.

Ramsay fez uma careta.

– Ah, eu não tenho nada a ver com isso – afirmou, de cabeça baixa.

Então as crianças saíram gritando do meio das árvores, com os braços carregados de castanhas-da-índia, azevinhos, cestos enormes de amoras e os rostos grudentos e manchados, e Zoe não conseguiu evitar olhar para eles todos juntos e se sentir feliz.

 

Larissa apareceu novamente quando eles estavam fazendo geleia. As duas crianças mais velhas estavam se revezando para mexer a panela e a música continuava rolando no rádio. Ramsay estava perto da lareira, com os pés na grade, lendo um livro. Normalmente ele teria se trancado na biblioteca. Zoe analisou o que ele estava lendo: um estudo hidrográfico lindo sobre o lago do ano 1854, repleto de ilustrações de página inteira.

– Eu poderia vender isso aí – disse ela, sem tirar os olhos nem por um segundo das crianças que estavam mexendo a panela.

Eles não tinham consciência de como a geleia estava quente ou, como sempre era possível no caso de Mary, podiam decidir que, se Zoe dissera que estava, certamente não seria o caso e iriam checar por conta própria.

– O quê? Isto aqui? – disse Ramsay, olhando para o livro. – Acho que não. É totalmente ultrapassado, arcaico e algumas partes estão erradas.

Zoe não pôde evitar que seus lábios se contraíssem.

– O quê? O que foi? – perguntou ele.

– Nada.

Ramsay olhou para ela. Shackleton riu.

– Ela está se referindo a você, pai!

– É claro que não! – exclamou Zoe. – Esses danadinhos têm orelhas grandes. Ora essa.

Ramsay pareceu um pouco constrangido em um primeiro momento, como se não tivesse realmente entendido que ela estava brincando. Ele tentou sorrir, enquanto Shackleton gargalhava.

– Bem, você não conseguiria vender.

– Aposto que sim – disse Zoe. – Por que você gosta dele?

– Porque é lindo – respondeu Ramsay. Patrick foi até ele para olhar por cima de seu ombro e ele o colocou sentado em seu colo para que pudesse ver mais de perto. – Porque fala sobre uma época mais antiga, em que as pessoas só conseguiam velejar no lago ou usar os dois braços para remar, e sobre o que elas viam por lá e o que pensavam que fosse. E como elas viviam. Veja.

Zoe observou enquanto ele indicava uma ilustração da linha de contorno de uma fileira de prédios em ruínas.

– Olhe só pra isso. Os sítios que costeavam a orla. Eles coletavam ostras, crambe, usavam alga como material de isolamento. Era tão comum para o artista que eles nem sequer mencionam. Eles não faziam ideia de que, dali a vinte anos, começariam os despachos. Tudo que eles tinham, tudo que conheciam, todo o estilo de vida deles estava prestes a ser aniquilado. Você poderia ir até lá amanhã e, com sorte, talvez encontrasse uma ou duas pedras, enterradas bem fundo no chão, que costumavam marcar as casas deles; residências onde as pessoas viveram por gerações. E em um instante, não existiam mais, e tudo foi destruído, mas, sem sequer perceber, está homenageado aqui. Ainda há um lugar onde as pessoas podem ver e se lembrar deles. E é por isso que eu gosto.

A cozinha ficou em silêncio por um instante. Então Mary gritou quando a geleia começou a borbulhar e transbordar, e houve certo pânico por alguns segundos enquanto Zoe rapidamente recuperava a geleia. Então ela os fez esvaziar e secar os potes que tinham sido lavados com água fervente na pia.

Dez minutos depois, tudo havia sido despejado em potes e fechado, e nove potes de diversos formatos e tamanhos estavam satisfatoriamente cheios do líquido roxo-escuro sobre a mesa, e Zoe entregou uma pilha de adesivos para Mary, Patrick e Hari, para que eles anotassem a data e rotulassem os potes. Ela olhou com ternura para aquelas cabecinhas inclinadas e depois se voltou novamente para Ramsay.

– Eu posso vender – repetiu. – E, se eu conseguir, você compra um lava-louça pra gente?

Os olhos de Ramsay foram dela para seu amado livro.

– Detesto me desfazer das coisas – confessou.

– Bem, talvez você tenha razão e eu não consiga vender – ponderou Zoe, com os olhos bailando.

Ramsay suspirou pesadamente e lhe entregou o livro.

– Vamos ver – disse ele. – E não suje de geleia.

Zoe pegou o livro com cuidado, revirando os olhos, e embrulhou-o em papel pardo.

– Sim, obrigada, eu sei disso. Aceita um chá? Com pão e geleia?

Ramsay estava pensando que não havia nada que ele pudesse querer mais naquele momento do que uma xícara enorme de chá, com pão e geleia frescos, quando Larissa apareceu à porta.

– Você saiu com tanta pressa hoje de manhã! – reclamou ela, exibindo um colete imenso, aparentemente velho, que com certeza pertencia a ele. – É lindo. Um verdadeiro clássico. Ah, a cozinha está maravilhosa! Oiê, pessoal! Que bom ver esses rostinhos lindos.

Mary bufou.

– Oi, Larissa – cumprimentou Zoe.

Larissa lhe lançou um olhar momentaneamente frio – ela não gostara nada da domesticidade da cena que tinha encontrado –, mas logo voltou a sorrir.

– Ah, olá! Você está fazendo um excelente trabalho aqui. Parabéns! E adorei o que você fez no cabelo.

O cabelo de Zoe estava tão bagunçado pelo vento que tinha até um graveto grudado.

– Ramsay, querido, detesto roubar você dos seus filhos adoráveis, mas você sabe que sábado tem o baile da caça, né? Não íamos conversar sobre o assunto?

Ramsay suspirou.

– Bem, sinceramente, eu não estou muito a fim de ir, então não vejo necessidade. As pessoas só fofocam e…

– Ah, não, todos são ótimos! Não é fofoca. As pessoas só estão com saudades de você! Querem saber como estão os negócios e tudo mais.

Ramsay soltou uma risada triste.

– Bem, vai ser uma conversa bem breve.

– Ah, meu bem, você não pode ficar isolado pra sempre, não é, Zoe?

Zoe piscou.

– Bem… não. Não deveria.

No entanto, ela sentia o oposto: qualquer tempo livre que ele tivesse, ele deveria passar com os filhos.

– É sério?

Ramsay olhou para Zoe, porque era exatamente isso que ele pensava que ela estava querendo dizer, e se sentiu bastante ofendido por ela não ter percebido que ele estava tentando melhorar.

– Vamos lá – insistiu Larissa. E novamente: – Você merece se divertir um pouco, querido!

As crianças Urquart ergueram os olhos ao ouvir aquilo, um medo instantâneo estampando seus rostos, como se o dia no bosque não tivesse, afinal, sido divertido o suficiente para seu pai.

Zoe foi para perto da pia para que seu rosto não deixasse transparecer seu humor. Ramsay olhou para ela e percebeu que ela tinha se mexido. Larissa notou e empregou seu sorriso mais apelativo.

– Por favooooor!

– Tá, tá, está bem – aquiesceu Ramsay, levantando-se. – Eu vou.

– “Poooorrrr favoooooooorrrrr” – imitou Mary em um tom maldoso assim que eles saíram. – “Pooooorrr favooooorrrr, case comigo e se livre dos seus filhos. Poooorrr favooooorrrr!”

– Mary! – ralhou Zoe. – Chega disso. Estou falando sério.

– Talvez você também fique feliz em se livrar da gente – disse Mary. – Todo mundo fica.

– Bom, sinto dizer que vocês vão ter que me engolir – respondeu Zoe. – Especialmente agora que o fantasma foi embora.

Houve um silêncio repentino. As três crianças se entreolharam e Zoe, que tinha assumido um risco calculado, ficou de repente estranhamente aliviada.

– Hum, que fantasma? – perguntou Mary inocentemente.

– Nós falamos pra você parar – ralhou Shackleton, irritado. – Só… Só pare.

– PARE DE SER UM FANTASMA IDIOTA! – gritou Patrick. – Eu não quero que o Hari vá embora!

– Não sei de que vocês estão falando – alegou Mary, marchando para fora da cozinha e batendo a porta.

– Ela parou mesmo? – quis saber Shackleton. – É um bom sinal se ela tiver parado; ela fez isso com todas as outras babás.

– Não totalmente – respondeu Zoe, pensando nos assobios ocasionais que vinham do corredor de madrugada. Era incrível como ela estava aliviada, mesmo que dissesse a si mesma que aquilo tudo era ridículo. – Mas espero que agora pare.

Zoe olhou para Shackleton, que ainda estampava uma expressão pensativa desde que Larissa tinha ido embora.

– Sabe – disse ela –, assim vocês vão ter que voltar pra escola em algum momento. Por que simplesmente não vão pra escola de Kirrinfief? Ou Inverness?

Shackleton lhe lançou um olhar quase feroz.

– “Ah, cadê a sua mãe, Shackleton? Por que você tem um nome tão esquisito? Tem fantasmas na sua casa?” Blá, blá, blá. Todo santo dia. Sem chance.

– Eles são absolutamente maus – concordou Patrick, que estava desenhando uma ilustração de dinossauro bem complexa para uma geleia. – “Por que você se acha tão inteligente, Patrick? Você vive se exibindo.”

Zoe sorriu.

– Eu gosto quando você se exibe – disse ela, bagunçando os cabelos dele.

– Eu NÃO me exibo – ralhou Patrick. – Só sou absolutamente inteligente.

– Você não é tão inteligente assim – ponderou Zoe. – A Mary usou toda a água quente de novo.

– Ah, não – exclamou Patrick, contente. – Nada de banho pra mim.