Um novo capítulo para o amor

Jenny Colgan · Capítulo 21 de 50

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Um novo capítulo para o amor

Capítulo dezoito

 

Embora ela tivesse passado pouco tempo na cozinha, o clima já tinha mudado, a bruma tinha se dissipado ainda mais e havia mais raios de sol na grama. Hari olhou ao redor, perplexo. Zoe o tinha levado a Brighton uma ou duas vezes, mas sempre estava totalmente abarrotada de gente por toda parte e não era nada divertido relaxar em uma praia de pedras ásperas.

Aquilo ali, por outro lado…

Eles desceram até a pequena enseada de areia. A praia era dourada – uma cor que Zoe não poderia ter imaginado. Aquelas pessoas deviam ter a própria praia. Que extraordinário, ter a própria praia! Ela balançou a cabeça, deslumbrada.

O lago – loch, como chamavam os escoceses – era vastíssimo; parecia se estender até o horizonte. Ela não conseguia ver um fim em qualquer direção, exceto bem à frente, onde enormes montanhas emergiam da neblina, mas a que distância elas estavam ela não sabia dizer.

Além disso, havia apenas as lambidas de pequenas ondas na margem do lago, perto do barco abandonado. Ela se ajoelhou e colocou a mão na água. Era extremamente fria e límpida. Talvez pudesse tomá-la, embora não estivesse disposta a experimentar naquele momento. Zoe tomou um gole de seu café. Ela percebeu, com certa surpresa, que até mesmo café instantâneo puro e sem leite em uma velha caneca lascada tinha um sabor absolutamente delicioso quando se estava na beira de uma praia, em uma manhã gloriosa – embora fria.

De repente uma mãozinha puxou a barra de sua camisola freneticamente.

– O quê? O que foi? – perguntou ela, abaixando-se. Hari estava apontando para o meio do lago. – O que foi, Hari?

O dedo trêmulo dele se manteve esticado, apontando furiosamente para algum lugar, mas, claro, não havia nada.

Ela prestou atenção. Pássaros voavam em círculos sobre a água.

– Eu sei – disse ela. – Olhe os pássaros. Não são lindos?

Bem quando estava refletindo sobre aquilo, ela ouviu um grasnido alto e quase morreu de susto. Hari arfou. Eles se viraram, com o coração palpitando, e foram confrontados por um pavão gigantesco, com as penas distintamente apontadas para baixo, os olhinhos pretos e pungentes os fitando e o bico pontudo totalmente aberto.

– CAAAAAARK!

– Ai, caramba! – exclamou Zoe. – Você me assustou, Sr. Pavão. Aqui. – Ela apanhou o pão que tinha pegado na cozinha antes de sair. – Experimente isto.

Ela jogou uns pedacinhos na direção do pavão e deu um pouco para Hari fazer o mesmo, impedindo-o de segurar o pão para que o animal não se aproximasse mais; parecia que o bicho poderia arrancar os dedos dele com uma bicada.

– CAAAAAARK!

O pássaro parecia estar alertando-os de que não estava particularmente apaziguado pelas migalhas que eles tinham jogado – enquanto as devorava mesmo assim –, então eles contornaram o bicho com cuidado, retornando à segurança da cozinha.

– É lindo lá fora! – exclamou Zoe, ainda em choque.

Patrick fungou.

– Todas elas dizem isso NO COMEÇO – comentou ele, sombrio.

Outra figura desceu as escadas ruidosamente. Ele era muito diferente dos outros dois: grande, corpulento, cabelos claros. Estava no início da puberdade e parecia todo desengonçado. As mãos e os pés eram enormes, absurdamente desproporcionais ao corpo, e ele se sentou com um suspiro, depois de colocar seis fatias de pão para torrar.

– Hum, bom dia.

O rapaz a examinou de cima a baixo.

– Babá Sete! – anunciou Patrick.

– Não preciso de babá – afirmou o garoto, e Zoe foi obrigada a admitir que ele tinha razão: ele parecia quase pronto para competir no campeonato de rúgbi Seis Nações.

– Ótimo, porque não sou babá – respondeu Zoe. – Olá. Sou a Zoe. Estou aqui pra ser a sua au pair.

– Shackleton – grunhiu o garoto, e era um nome tão incomum para uma pessoa tão jovem que Zoe precisou perguntar outra vez.

– Não pergunte o nome dele, ele ODEIA – informou Patrick. – Se eu tivesse nascido antes, teria ficado com o nome. E com a propriedade – refletiu ele.

– Pode ficar, é peixe miúdo – retorquiu Shackleton.

– Vou ficar – respondeu Patrick. – E nenhum de vocês vai poder vir aqui. NUNCA, NUNCA, NUNCA.

– Eu não vou sair – afirmou Mary. – Então pronto!

– Vai, SIM! Você VAI sair da minha casa, você VAI, sua idiota!

De repente Patrick avançou nela em uma onda de fúria. Mais por instinto do que por qualquer outra coisa, Zoe estendeu as mãos e o afastou.

Patrick enrijeceu assim que ela o tocou.

– Me deixe em paz!

– Está bem, só… deixe a sua irmã em paz.

– Isso, me deixe em paz – repetiu Mary, mostrando a língua, enquanto Zoe sentia o garotinho tremer de raiva.

– Quem quer mais torrada? – perguntou ela, olhando com esperança para a torradeira, mas Shackleton já havia espalhado um monte de manteiga e quase um pote de geleia em todas as seis fatias e devorava tudo estoicamente.

– Foi mal – disse ele com a boca cheia e migalhas caindo por todo lado.

– Acho que acabei com tudo.