Um novo capítulo para o amor
Capítulo dez
Na verdade, Nina não estava tendo a gravidez que pensara que teria logo que viu aquele risquinho no teste. Ela vivia vomitando, esquecendo coisas, dormindo até tarde e se debulhando em lágrimas, arrumando a casa enlouquecidamente e caindo em prantos de novo.
E ela andava tão exausta… Ela não tinha imaginado que isso aconteceria. Era como se o bebê a estivesse devorando de dentro para fora. Embora estivesse superfeliz, transbordando de amor, ela também se sentia transbordando de enjoo, inchaço, refluxo gástrico e vontade de ir ao banheiro a cada cinco minutos. Erguer as pesadas caixas de livros se tornou um problema, embora Lennox ajudasse tanto quanto podia. E sempre havia, é claro, o risco de sua van quebrar. Ela tinha se forçado a ler os livros sobre manutenção de automóveis que eles tinham no estoque, irritada porém ciente da sabedoria neles contida, então sabia trocar um pneu, checar o óleo e tudo mais – mas se conseguiria fazer isso com seus seios já saltando para fora de tudo que ela vestia e sua barriga dando todos os sinais de estar prestes a fazer o mesmo, já era outra história.
Olhou novamente para o currículo que a moça de Londres tinha enviado. Tinha referências maravilhosas – mas como funcionária de uma creche, não como vendedora de livros. Por outro lado, ela parecia honesta, trabalhadora…
Nina suspirou. Do lado de fora, o dia estava tranquilo, o que era estranho; a bruma que pairava sobre o lago havia se dissipado e o ar estava fresco e adorável. Essa era a graça das Terras Altas, ela percebeu. O tempo podia estar meio feio e você conformado em passar o dia dentro de casa, e aí, de repente – embora isso pudesse acontecer duas ou três vezes na semana –, o sol aparecia para confundir e encantar as pessoas, brilhando no orvalho da alvorada, erguendo-se acima das montanhas roxas ao longe, e você novamente perdoava a Escócia por todas aquelas manhãs molhadas e noites escuras, só para testemunhar a mera glória de como um dia perfeito podia ser muito perfeito.
Então talvez ninguém quisesse entrar na van, pensou Nina: o mundo lá fora estava convidativo para as bicicletas e, para os verdadeiramente ousados (e os donos de tapetes impermeáveis), até mesmo um piquenique, se você conseguisse encontrar um local abrigado, onde o sol pudesse aquecer e o vento não arruinasse tudo.
Enfim. Ela havia conversado com a mulher do casarão e avisado que talvez tivesse encontrado alguém para ela, e a mulher tinha perguntado “É uma criminosa?”, e Nina respondera que não, e a mulher dissera “Ah, que pena”, e Nina perguntara se a pessoa que ela tinha em mente precisaria conhecer as crianças e a mulher dissera que era melhor não.
Nina pegou o telefone.