Um novo capítulo para o amor
Capítulo oito
Nina afastou a questão de sua mente – ela estava bem, ela ficaria bem, algo apareceria, alguma solução, Ainslee voltaria para casa da faculdade ou algo assim. Ela estava tentando assimilar a coitada que Surinder estava ajudando – era ridículo –, quando uma mulher que ela conhecia de vista da cidade apareceu. Não era uma frequentadora da van nem nada assim.
– Olá?
A mulher era carrancuda, mais velha, com uma leve corcunda, os braços cruzados e uma expressão ligeiramente hostil.
– Oi – disse ela. – Posso colocar um aviso?
– Pode – confirmou Nina. – Custa uma libra por semana.
A mulher fungou.
– Roubo em plena luz do dia – disse ela.
– Não estou te obrigando a nada – retrucou Nina.
A mulher deu um passo adiante, resmungando, e entregou o dinheiro a Nina. Era um anúncio de “Precisa-se de ajuda”: babá, noites e fins de semana, procurar a Sra. MacGlone na propriedade The Beeches. Nina franziu o cenho, lembrando-se da garota polonesa. Ela olhou novamente para o panfleto.
– Foi uma pessoa chamada Surinder que a mandou aqui? – perguntou ela, desconfiada.
– O quê? – retrucou a mulher.
Nina olhou mais uma vez para o papel.
– Você… você veio lá do casarão?
– Sim.
– E está precisando… São três crianças?
– Sim – respondeu ela.
Nina ficou olhando para o anúncio.
– E é pra morar na casa?
A mulher deu de ombros.
– Tem espaço de sobra.
Nina ficou olhando para o papel por um bom tempo.
– Certo – disse ela por fim. – Me dá esse panfleto. Sem custo.
A mulher entregou a ela, surpresa.
– Quer ajuda pra escolher um livro? – ofereceu quando a mulher se virou para ir embora.
– Céus, não. Tem mais que o suficiente dessas porcarias lá na casa.
E partiu como um furacão pelos paralelepípedos cinza.