A Primeira Luz da Madrugada
Livro Primeiro: Cap. 2.º, Pt. Ii, Adenda
Onde, pela primeira vez, Nestor Ibn Hâyan se apresenta à assembleia, depois do que se dá a tentativa de compreender a história da Igreja Nestoriana do século IV aos nossos dias, tal como assaz curiosamente contada por uma mulher anónima do século XX.
Ora, resmunga o miúdo malandreco. Leu tanto, viajou tanto, e depois, a caminho do Segundo Regresso, é que resolveu perder-se.
Não foi uma resolução, protesta aquele que alcançou em vida a glória rara de vestir mitenas de Licorne. Fui induzido em erro. São as pistas e os sinais organizados pelo engenho humano que hoje cobrem a face da Terra, tal como destarte invadem os espaços entre os planetas, e se infiltram nos fundos escondidos dos mares. São máquinas cegas, que tudo envenenam de demasiado daquele ruído que é menor e rudimentar, de tal forma que um peregrino já dificilmente logra conseguir caminhar sobre as pegadas certas, debaixo das constelações correctas. Ouçam, Camaradas. A arrogância imediatista da obra humana que nestes dias mapeia o mundo tem vindo a desnortear incontáveis sábios. Porque é não havia de desnortear-me a mim, um mero caçador de prodígios do século XIII? Encheram as profundezas terrenas e as abóbodas celestiais de cabos submarinos, de radares, de satélites, de minas e de ogivas e de carcaças das suas próprias criações transitórias e incorrectas, tudo a emitir radiações, tudo a mandar sinais numa cacofonia indigna, até já no ozono fizeram buracos, já nem as baleias conseguem migrar correctamente para irem amar-se em segredo nas imensidões geladas da Antárctida. E tu queres que um pobre homem, que não passa de um homem, se oriente sozinho num pandemónio onde até as baleias, ouviste bem, até as baleias se perdem?
Está bem, abelha, contra-ataca o miúdo. O que é certo é que ias para Turlock e vieste parar à Cruz Quebrada.
Turlock?, interroga-se Ana Maria.
Na Califórnia, responde laconicamente o caçador de prodígios, com todo o ar de quem não quer dizer nem mais uma palavra sobre o assunto.
Recentíssimo, Ana Maria, explica com toda a seriedade o professor Eleazar Melkievstein. Tornado vivo no mapa há tão pouco tempo, que é impossível, para seja quem for, chegar lá tentando ler a memória das pedras e o rumo das estrelas. Inventado tão fora de tempo, que não conseguiu descer à grande rota universal que ordena as pistas entre os marcos miliários do mundo. Não foram só os novos ruídos dos homens, essas linguagens bárbaras e desconexas que agora atravessam por todos os lados a grande cadeia do ser e arruínam os códigos cósmicos, que taparam o caminho à passagem deste homem, menina bonita que ainda não sabes quem és. Ele também não conseguiu lá chegar porque Turlock só começou a tentar erguer-se quando as verdadeiras construções já se tinham tornado impossíveis pela cegueira da arrogância humana.
Os outros não resistem a trocar alguns galhardetes a este respeito.
Como é que podia estar no verdadeiro mapa, essoutra paragem aleivosa? Uma cousa, ó cerdas da raça dos porcos javardos, uma cousa que a tropa sabe que existe porque o moço magano a encontrou na Internet.
Pois, a Internet não sei. Nada sabemos. Humanum nihil allienum, mas nunca chegámos a discutir essoutro ponto, e destarte nunca decidimos se pode entrar para dentro do que se entende por conhecimento. E mais vos digo, por todos os vapores sulfurosos do enxofre do Inferno, que também não almejo ser eu agora a fazer juízos de valor, que aliás já me parecem que vêm um bocado tarde para argumentações a bem dizer escolásticas, assim tão perto do Segundo Regresso. Mas o grande problema é que aquilo, enfim, pensem bem, aquilo fica na América.
Nem mais. Na terra incognita. E estoutro aqui, ai pobre dele coitado, chegava lá como? Pois se correu o mundo conhecido a caçar prodígios quando toda a sua gente estava na Babilónia a traduzir os clássicos para árabe, e assim.
Não, desculpa. Cuidado com o magister dixit. Se bem me lembro da história, estoutro aqui foi dos que a certa altura se cansaram da errância comercial e em retorno receberam a chamada da fé, e destarte partiram como missionários para as vastas estepes da Mongólia, e lá ficaram para sempre ao serviço dos khans e dos seus sonhos, sempre em cima de uns cavalos que são mais rápidos que o vento. E, no entretanto, sempre a fazerem chegar à Europa aquelas mensagens mal explicadas, segundo as quais o Grande Khan ou já se tinha convertido ao cristianismo, ou ia converter-se, ou tinham-se convertido ou uma das mulheres, ou todas as mulheres, ou noutras versões a própria mãezinha, uma confusão de murmúrios que destarte estava continuamente a criar novos sonhos de novas alianças contra o islão, enfim. Quimeras.
Quimeras, Amigo? Mas como podes tu, as tuas razões terás mas eu as desconheço e te peço que de pronto me esclareças, como podes tu pretender que é quimera o que deveras lança o homem no caminho do Conhecimento? Não foi por mor dessas notícias, e certamente desses sonhos, que os franciscanos atravessaram o Volga? E nos mandaram a notícia dos caracteres chineses, e dos rituais budistas, e das rotas da seda? E dizes tu, nobre Camarada, que o nosso conceito da semelhança do mundo não avançou nada com isso?
Não interessa. O que eu estava a dizer é que estoutro aqui até pode ter ido a pé da Babilónia à Mongólia, mas continua tudo a passar-se numa altura em que a América nem sequer existia.
Tal como continua a não existir, vejamos.
Ai que Deus nos valha mas existe deveras. Vivem lá pessoas. E até há quem diga que encontrou o Ash a vagabundear por essoutros lugares, mais precisamente em Boston, com o nome de Peter Rugg.
Não interessa. São americanos.
Não quer dizer nada, ó tu, fundamentalista que de súbito descartas a consciência no fogo duvidoso das crenças cegas. Há americanos que são pessoas.
Mentes pela gorja, vilão. Não pode ser uma entidade meritória de lugar no mapa, um país onde o prato nacional é o hambúrguer. Não acredito que eles possam andar a comer hambúrgueres todos os dias, e, ao mesmo tempo, continuar a ser pessoas. Desculpa se nos meus arroubos me excedo, mas eu outrossim ouso discordar e por tanto peço a vossa desculpa, mas creio que há muito que concordámos que nem tudo é mutuamente compatível no que respeita à alma humana.
Professor, murmura Ana Maria. Não estou a perceber.
Eu leio-te isto, garina, propõe o rapaz despenteado coberto de sal, que já está a puxar do bolso das calças duas páginas brilhantes de uma qualquer revista. Posso ser o mais novo e mais oriental da assembleia, mas olha que sou o único destes reaccionários que é capaz de ir fazer uma pesquisa à Internet, sempre que é preciso, pois que em terra de lobos uiva-se com eles. Ainda estudei matemática e física teórica com um dos melhores mestres jesuítas que estavam em Macau a traduzir os clássicos para chinês, e até os mestres eu impressionava. As artes da memória que aprendi com o meu pai faziam o meu conhecimento expandir-se como que por magia. E o que o meu pai me ensinou, agora, é-nos extremamente útil. Como é que tu julgas que eles sabem aquilo de Turlock estar on-line, eh? Tudo obra aqui do rapaz. Também sou o único que consegue pesquisar literatura moderna nos caixotes do lixo. Eles nem a entendem. Como esta coisa aqui, estás a ver? É um bocado de uma crónica, ou de uma tentativa de alguém que experimenta conseguir falar agora com o mundo onde vive, não sei. Faltam partes. Tinha no canto superior esquerdo de uma foto, que deve ser de quem escreveu, uma mulher, mas não dava para lhe ver o rosto nem para saber o nome. É engraçado, o que eles fazem agora para ainda tentarem esclarecer-se uns aos outros. Nunca estiveram tão perdidos antes, isso é evidente. Pois por acaso ontem encontrei este vestígio desta mensagem naqueles caixotes grandes com o lixo que nos entregam ao fim do dia para irmos separar no ecoponto, e nós antes de darmos conta do recado vasculhamos tudo em grande minúcia, à procura tanto de novas pistas como de alguma comida. E, às vezes, encontramos lá os segredos que pressentimos estarem por perto. Querem ouvir, vocês? De certeza que era para aqui que ia o Ibn Hâyan quando se pôs ao caminho.
Gera-se de pronto uma nova altercação.
Ibn Hâyan? Este usurpador usa o nome do pai de toda a alquimia, o imenso e majestoso Jâbir Ibn Hâyan que viveu na Pérsia do século IX? Não brinquem comigo, Camaradas. Um nome assim não pode
ser usado por qualquer homem. Mesmo na Europa do século XIII, quando o papa Gerberto fugiu do convento para descer até Sevilha, onde queria estudar com os grandes mestres islâmicos de maneira a poder perpetuar em latim o corpo árabe da tradição jabírica, teve a decência de chamar Geber a si próprio, nos escritos que nos deixou, fossem dele próprio ou fossem sabe-se lá de quem que o seguia e admirava. Geber, enfim, mas nunca Jâbir. E ainda menos Ibn Hâyan, bendita seja mil vezes a Divina Providência.
Pois. Anda o pobre do Jâbir nestoutro mundo a perseguir o sonho da criação de vida humana pelas suas próprias mãos, a inventar o segredo da máquina de vidro que se for construída correctamente poderá funcionar até ao fim dos tempos e dar a cabeça de um velho a um rapaz novo ou o rosto de uma jovem a uma matrona, a vasculhar todos os sinais que provam que a matéria possui suficientes poderes internos para conseguir animar-se de vida por si própria, e agora vem aqui um nestoriano reclamar um nome sagrado para si próprio. É indevido. Mais do que indevido.
Ouçam lá, responde devagar, com os olhos postos nas brasas, o homem que partiu da Babilónia. Queridos Camaradas, seus judeus e cristãos ignaros, vós outros desculpem mas isto é falta de conhecimento de causa a mais. Ibn apenas quer dizer filho, e eu não tenho culpa nenhuma de que o meu pai tenha tomado para si o nome de Hâyan quando o califado invadiu a Pérsia, onde os seguidores do patriarca Nestor tinham ido procurar refúgio. Aliás, sempre me disse que o tinha feito exactamente em sinal expresso de reverência para com o poder da tradição jabírica. Mas nunca cismou sequer crismar-me de Jâbir. Como muitas das crianças que nasceram onde eu nasci quando eu nasci, sempre carreguei comigo o nome de Nestorius. Já me bastam os profanos dos Estrangeiros e Fronteiras, e da Segurança Social, e disso tudo que agora existe a barrar-nos os caminhos, que gozam sempre com o Nestor Ibn Hâyan quando é preciso tratar dos papéis com eles. Para não falar da face descrente da dama bem gorda do Lidl que nos faz as tarjetas de identificação. Sou de um tempo em que os grandes nomes se veneravam, o que é que vós outros querem? E, já agora. Não estava à espera de ouvir uma assembleia de homens tão cultos falar com tanta ligeireza da nossa tradução dos clássicos para árabe. Como se vós outros não tivessem todos beneficiado dela.
Eu cada vez percebo menos, suspira Ana Maria.
Então deixem-me ler este fragmento que eu não sei do que é, nem de quem é, mas que, pelo menos, fala de Turlock, propõe o rapaz despenteado. Que é para esclarecermos devidamente esta menina e depois passarmos todos tranquilamente à frente, boa?
Os da Shoan instalam-se melhor, puxam de cigarros, alguns enrolam-se em mantas. O rapaz de olhos de amêndoa levanta-se, vem cuidadosamente até à ponta da estrela desenhada em torno do Sepher Yetzirah que aponta para o Oeste, aclara a garganta, sorri o sorriso de quem sabe o que os outros não sabem, e depois lê.
“Turlock, Califórnia
“Cidade americana situada no Stanislaus County (ou seja, na área do famoso Silicone Valley), com uma população de 59 mil habitantes.
“Quem entrar em Turlock através do site da povoação na Internet, em breve irá parar a um mundo curioso e completamente inesperado. Há uma ligação para o webzine Zinda Magazine, que tem por lema “Think Assyrian” e por anúncio “Where Assyrians Get Their News”. A revista oferece rubricas como The Lighthouse (Aleppo Massacre of 1850), Good Morning Bet-Nahrain (Franso Hariri Assassin Killed in PUK; ou Iran’s Khatami Reaches out to Vatican to Avoid Religious War), News Digest (3 Assyrian Men Kicked Off Flight Sue United Airlines, ou Assyrian Women Among 8 Captured Aid Workers in Kabul), Surfs Up! (But Assyrians Are Not Arabs!, ou Never Like it in the Middle East!), Surfers Corner (Terrorist-Enabling Neighboors), e também entradas de carácter mais cultural ou de estilo de vida, como Literatus (Eastern Report: Part II) ou Bravo (Shoopra Restaurant in San Francisco). Há a newsletter da Saint John Assyrian Presbyterian Church, actualizada todas as semanas, com horários dos serviços, dos ensaios do coro, ou das aulas de educação religiosa. Há a entrada directa para um sector premiado da Enciclopédia Britânica, Ninive On Line, que tem clics para temas tão diversos como Australian Recognizes Assyrian Genocide, ou Mandeans: the True descendents of the Ancient Babylonians and Chaldeans, páginas dedicadas ao hino, dicionário, e história dos Assírios, páginas de opinião, páginas de publicação académica, e até a crítica detalhada de um filme de realizador assírio com John Turturro num dos papéis principais que parece ter impressionado significativamente os comentadores dos festivais de cinema independente.
“Que se passa em Turlock?
“É simples.
“Algures no século XV, a Igreja Nestoriana sofreu uma cisão interna, de onde resultaram o Grupo do Oeste, ainda sediado em Babilónia (agora Bagdade), pelo que o seu patriarca reteve o título de Grande Patriarca de Babilónia; e o Grupo do Leste, cujo patriarca passou a designar-se apenas Grande Patriarca do Oriente. Em 1561, o Grupo do Oeste fundiu-se com a Igreja Católica. Da antiga pujança dos nestorianos, que os viajantes e missionários medievais descreviam tão repetidamente encontrar em
grupos bem instalados tanto na Terra Santa como na Costa do Malabar[8], tanto na Cathay de Marco Polo como na Tartaria dos diplomatas medievais franciscanos, restava agora nada mais que o Grupo do Leste, já sem sede nem infra-estruturas. Fiel ao seu estilo de vida desde a condenação de heresia lançada contra Nestor nos primeiros tempos da cristandade, este grupo errou por várias partes do mundo, sem nunca deixar de ser perseguido. Finalmente, em 1948, o patriarca do Leste sediou-se em Chigaco, Ilinóis. Mais tarde mudou-se para Turlock, Califórnia, onde a comunidade nestoriana se encontra agora a viver uma nova Renascença.
“E, já agora, quem são estes nestorianos que parecem ter sido tão importantes, e de quem por estes dias já todo o mundo menos Turlock parece ter-se esquecido?
“Nestor, ou Nestorius, nasceu no século IV numa região da então chamada Syria Euphratensis, que agora se chama Maras e pertence à Turquia. Morreu por volta de 451, em Panoplis, no Egipto. Podemos venerá-lo como o homem fundamental para a estruturação da cultura europeia tal como a conhecemos hoje, e podemos celebrá-lo como figura central de uma dessas ironias sofisticadas com que a história nos ensina algumas das suas lições mais importantes: ao convocar o Concílio de Éfeso em 431, Nestor lançou as bases de uma das maiores heresias cristãs, que ainda hoje se chama nestorianismo — e foi graças a essa heresia que o mundo cristão recuperou dos árabes o conhecimento dos clássicos dizimado pelos godos durante a queda do Império Romano, e foi do baptismo de Aristóteles oficiado no século XIII por
São Tomás Aquino que nasceu o pensamento cristão destinado a governar a Europa dos séculos que se seguiram.
“O fulcro da dissidência que separou os seguidores de Nestor dos outros cristãos do seu tempo foi a legitimidade ou não do emprego do termo “Teotokos” (“Mãe de Deus”, ou, mais especificamente, “Portadora de Deus”) em referência à Virgem Maria, uma vez que esta expressão poderia pôr em causa a autenticidade da natureza humana de Jesus. Além disso, para Nestor, referir uma mulher como portadora da divindade implicava um lapso dramático de cedência ao pensamento pagão, porque a nomenclatura tenderia necessariamente a transformar essa mulher numa deusa. Para o historiador Sócrates, seu contemporâneo, “esta palavra, Teotokos, assustava-o como se fosse um fantasma terrível”. Na corruptela popular que se seguiu ao escândalo de Éfeso, os nestorianos passaram a ser considerados (e, entre os fiéis mais simples, a considerarem-se a si próprios) como aqueles que defendiam ter sido Jesus um homem concebido como qualquer outro, que após a nascença se convertera no filho adoptivo de Deus. A questão pode parecer-nos bizantina, mas estamos, de facto, em Bizâncio. Em 451, o Concílio da Calcedónia condenou definitivamente o nestorianismo como heresia, remeteu Nestor para o exílio, primeiro num mosteiro da Antioquia e depois no oásis de Kharijah, agora considerado parte do deserto sírio. Os seus seguidores e apoiantes foram expulsos para fora das fronteiras cristãs.
“Em consequência, os grandes nichos de nestorianismo formaram-se no Iraque, na Síria e no Irão, e a importância intelectual da Escola Persa de Nisibis deu origem a um vasto movimento de estudo e divulgação dos textos clássicos que estes homens de grande cultura tinham trazido consigo. Em 637, a Pérsia foi conquistada pelos árabes, e o califado reconheceu esta Igreja (a chamada “Igreja do Leste”) como uma comunidade religiosa distinta, meritória de protecção especial. Durante mais de três séculos esta Igreja prosperou no califado, e expandiu-se com ele pelo mundo. Floresceu em íntima associação com os poderes locais, dos confins da Tartaria aos confins da Etiópia, implantou-se no cerne da cultura muçulmana e presidiu ao movimento laborioso da tradução dos grandes tratados gregos e romanos para árabe.
“E, como toda a gente sabe, se não fosse o manancial vastíssimo de literatura clássica traduzida para as escolas árabes, as hostes de Alarico teriam varrido da face do mundo o conhecimento acumulado em mais de mil anos pelo Império Romano, quando a Cidade Eterna foi saqueada pelos ostrogodos. Foi da tradução do árabe para latim que a Europa recuperou o mundo que começara por pertencer-lhe. E, sem os nestorianos e o seu itinerário histórico, o mais provável é que Aristóteles e Ptolomeu nunca tivessem conhecido traduções em árabe.”
O grupo que se aquece e corporiza de roda da fogueira que arde em torno da estrela tece comentários pouco entusiásticos sobre a forma como se escreve hoje em dia, a avaliar pelo estranho linguajar que todos acabam de ouvir. Pareceu-lhes uma articulação de sonoridades e ideias que já está mesmo só a um passo de pertencer à sombra onde não existem palavras. Depois voltam a fazer circular a cafeteira, onde alguém deitou cardamomo para abrir o aroma que vem do pó assente no fundo.