A Primeira Luz da Madrugada

Clara Pinto Correia · Capítulo 10 de 57

Páginas do PDF

A Primeira Luz da Madrugada

Livro Primeiro: Cap. 2.º, Pt. Iii

 

Onde, pela primeira vez, Fra Mauro se apresenta à assembleia, a pretexto de expor modestamente algumas considerações passageiras sobre assuntos vagos que de certa forma têm a ver com Deus e com Cristo. E que ele tem vindo a escrever tão-somente com o intuito de melhorar o seu português.

Tantos nomes demos nós a Deus, suspira Eleazar Melkievstein. Tantas faces atribuímos a Cristo. E, no entanto, enquanto as palavras existiam íntegras e límpidas, nunca fomos capazes de dar-Lhes uma forma que nos satisfizesse a todos. E todos aqueles deístas do Iluminismo que tentaram fazer-nos ver que, basicamente, Deus ou a natureza eram a mesma coisa? Porque é não conseguiram sobreviver nem um século? Porque é que precisamos tanto de essências que não sabemos, não podemos, explicar?

É esta a altura de o homem dos óculos partidos, o ruivo de barbas afiadas dos dois lados da face de querubim, oferecer o seu contributo. O que vem propor aos outros é que escutem agora uma versão consoladora das coisas — já que, na sua opinião, esta versão existe sempre.

Camaradas, diz ele na sua voz suave. Deixem-me explicar quem sou a esta menina tão linda e tão promissora, ainda com tanta vida pela frente. Ana Maria, linda Dinamene, o meu nome é Mauro. Fra Mauro, cartógrafo da corte de Veneza. Sim, sou eu o irmão recluso da Ordem dos Camáldulos que, no século XVI, viveu no Mosteiro de San Michele di Murano, numa das ilhotas da laguna da cidade, de onde não podíamos contactar o mundo, mas onde o mundo vinha contactar-nos com as suas histórias. Mercadores, viajantes, académicos, embaixadores, representantes de coroas ou repúblicas estrangeiras em missão oficial, professores, missionários, militares, toda a gente que ou palmilhava ou organizava o mundo e queria desesperadamente domesticá-lo melhor — todos vinham falar comigo para que eu lhes desenhasse o mapa perfeito da nossa Terra. Dentro dos confins minúsculos da minha cela, dediquei-me a recolher as informações que os viajantes europeus me traziam das paragens onde tinham conseguido chegar, e as plantas, e alguns animais, e muitas pedras e curiosidades, e até pedaços dos linguajares das gentes que lá viviam. Eles partiam, e eu regressava à minha banqueta. Esperava-se de mim, e eu retribuí tanto quanto pude, que conseguisse ler em todas aquelas mensagens, tão novas e tão estranhas, a final e verdadeira configuração do mundo, que pudesse ficar para sempre inscrita nos mapas e orientar sem erro os passos dos homens. Eu ouvia-os, desenhava esferas, inventava linhas acima e abaixo do equador, fazia outras linhas cruzarem-se com elas na perpendicular, ia desenhando contornos trazidos pelos barcos, e depois adormecia. Era nos meus sonhos que eu via melhor o mundo. Eu e os irmãos que trabalhavam comigo, todos começámos a sonhar. Parecia-nos que Deus nos confinara inicialmente à Europa para testar a nossa Fé mantendo-nos trancados por mil e quinhentos anos em terras tristes, de climas desagradáveis e mares agrestes. De certa forma, testara-nos como já testara Abraão no Génesis, ordenando-lhe que imolasse o seu filho Isaac. Mas agora tinha chegado a Grande Abertura, e Deus libertava-nos para o mundo da felicidade. Florestas imensas, mares cristalinos de esmeralda e turquesa molhando as areias brancas onde cresciam palmeiras recheadas de cantares de pássaros belíssimos, adornados de todas as mais vibrantes cores do arco-íris. Paisagens de bálsamo, de plenitude, de imensidão. Sonhámos com um mundo criado para o amor e para o deleite, que Deus mantivera fora do nosso alcance quando na aventura humana ainda dávamos os primeiros passos. Mas que, agora, celebrando a chegada da nossa maturidade, nos reconhecia o direito a desfrutar. Então desenhávamos aqueles mapas tão belos, que nunca conseguíamos acabar de completar, porque nos chegavam permanentemente mais notícias de mais descobertas impossíveis, e nessas descobertas líamos cada vez mais claramente o amor que Deus nos tinha, e o amor em que agora nos convidava a vivermos nestoutro mundo maravilhoso de prazer e plenitude. E acreditámos, sinceramente acreditámos, que bastava que nos entregássemos todos ao convite divino para a felicidade e nunca mais teríamos guerras, nunca mais teríamos pestes, nunca mais conheceríamos o sal das lágrimas. E foi por isso, só por isso, que a ortodoxia começou a temer em nós outros o florescimento de uma nova seita de hereges, mais inspirada pela bênção do amor do que pela dor do calvário. Como dirigente do grupo de cartografia, fui primeiramente atacado por insinuações de que era cristão-novo e desrespeitava as normas. Também me acusaram de ser amigo dos árabes, ou dos povos bárbaros que viviam no Bornéu e sabiam reduzir as cabeças humanas ao tamanho de um punho, apenas porque, nos meus escritos, procurei entender os seus motivos e costumes em vez de descrevê-los simplesmente como terríveis selvagens. Eu era um asceta de notável renome, tendo aliás, depois de feitos os votos e envergado o hábito, embaraçado frequentemente a Ordem com os meus repetidos e sentidos pedidos de autorização para pelas minhas próprias mãos me castrar, e assim poder servir Deus mais tranquilamente. Se o fiz ou não, sendo que por essa mesma razão foi Origénio de Alexandria impedido de ser ordenado padre, nunca chegou a ser revelado; mas podes tirar as conclusões que quiseres da brandura da minha voz. No entanto, nem todos estes pormenores espúrios impediram o sussurro do veneno. Disseram de mim que o amor cuja partilha permitia aos meus irmãos da clausura não era só espiritual. A longa missiva que em resposta enviei ao nosso superior, versando a necessidade legítima, sentida ainda pelos irmãos noviços mais jovens e fogosos, de iniciarem o seu treino para o Bem Absoluto baseando o transe do amor espiritual no conforto do amor carnal, em nada reprovável desde que fosse amor deveras e no seu fogo glorificasse a infinita generosidade de Deus, bem, pois. É certo. Essa minha missiva, tão inescapavelmente sincera, imensamente agastou a Ordem e terrivelmente agravou a situação. Até em todos os símbolos da beleza terrena com que ornamentávamos os nossos mapas encontrou a hierarquia cristã motivos para calúnia. E todas essas calúnias, curiosamente, atraíam ao nosso mosteiro contadores de contos cada vez mais longínquos, com ideias e visões cada vez mais raras e complexas, e crescentemente mais livres dos espartilhos do pensamento ocidental. Obediente à Ordem, tudo relatava. Fiel aos meus votos, por todos nutria amor e com todos almejava a concórdia. Enfim. Para encurtar razões, que maçar-vos não quero, acabei por ser envenenado, provavelmente por indicações superiores, para que não se espalhasse demasiado a heterodoxia dos meus mundos. Os outros irmãos foram enviados para paragens distantes. E, tanto quanto sei, depois de terem tentado queimar todos os mapas, espécimes, artefactos e escritos que lá estavam dentro, o mosteiro fechou. Mas tanto em vida como em morte pensei de tal forma em Deus e nos Seus desígnios, que talvez alguma cousa possa dizer agora que, para todos nós outros, faça sentido — e assim nos ampare.

A Shoan concorda num assentimento mudo, e todos retomam os seus lugares entre as mantas, circulando outra vez a cafeteira de onde sai, cada vez mais vibrante, o aroma do cardamomo. Tenho andado a estudar português enquanto não há lixo para vazar vindo do Lidl, explica Fra Mauro à assembleia. Leio aqueles panfletos que eles lá distribuem, o jornal que eles lá têm, aquele, o Dica da Semana; e, sempre que vejo algum funcionário com um livro, peço-lho emprestado. Infelizmente, não há muitos funcionários com livros, e o português dos panfletos e do Dica da Semana é bastante restrito nos termos e nas conjugações, mesmo considerando a sua total ausência de verso na arte da alegoria, ou, pelo menos, da metáfora, e até da analogia, ou da comparação simples. Gramática e retórica já não devem os povos estudar hoje, deduzo modestamente do que leio. Mas enfim, claro, talvez o não façam por necessitarem de outros estudos que nós outros desconhecemos e destarte alguns conhecimentos originais tiveram que descartar, será possível. Mas eu, eu, para realmente aprender português, compreendi que precisava de mais do que aquilo que se encontrava hoje ao meu alcance. Então muni-me da ajuda de um dicionário que eles a certa altura tiveram lá em promoção e ninguém comprava de maneira que acabaram por oferecer a quem quisesse, e, como treino, decidi exactamente escrever um pequeno ensaio crítico sobre o cristianismo. Reparem, é a fé na qual fui formado, mas sobre ela pouco meditei na altura. Era, apenas, a única porta que tínhamos à nossa disposição quando éramos pobres mas brilhantes, e queríamos mesmo estudar. E bem, qualquer ensaio sobre o cristianismo leva a considerações sobre Cristo, e, claro, em última análise, pois, sobre Deus. O meu texto pode estar assaz incipiente e fragmentário, aliás, estará, de certeza, mas é um esforço modesto, de um homem modesto. Querem ouvir?

A assembleia volta a assentir. Porque não? Mais um intervalo. São tantos e tão longos os segundos de que se fazem os minutos, enquanto se espera pelo Segundo Regresso.

O homem que sonhou com um mundo feliz concebido por um Deus benigno puxa um papel garatujado do bolso das calças. Aclara a garganta. E lê. Partilha a sua contribuição modesta, de homem modesto que nunca deixou de sonhar, com os outros camaradas ilegais do Lidl.

“O cristianismo é uma forma de vida, que nasce da crença, sustentada por muitas testemunhas da

época, de que um homem chamado Jesus Cristo[9] nasceu, viveu, ensinou, foi crucificado; e seguidamente, ao fim de setenta e duas horas, ressuscitou dos mortos e apareceu várias vezes aos seus seguidores durante mais quarenta dias; depois do que regressou aos Céus de onde tinha vindo. Sendo assim, os cristãos não adoram um herói morto, mas antes uma figura inspiradora, abençoada com o dom da Vida Eterna. Ou seja, o cristianismo é uma religião simultaneamente histórica e sobrenatural.

“Durante a vida da primeira geração dos seguidores de Jesus, o cristianismo teve um apelo tremendo no mundo helénico do Império Romano. A partir dos dias de São Paulo, a tendência já presente no Evangelho de São João para expressar os acontecimentos do Evangelho na terminologia e quadro mental dos Gregos torna-se cada vez mais marcante. Esta sensibilidade do mundo grego às ideias dos cristãos estará muito provavelmente relacionada com o conforto que lhes traz a visão do mundo proposta pelo cristianismo.

“Tanto Aristóteles como Platão tinham ensinado que o processo do tempo é infinito, com civilizações a sucederem-se ciclicamente umas às outras. O estoicismo, a filosofia mais popular do século I, ensina que o Universo, feito a partir do fogo divino, correria o seu curso e se dissolveria outra vez no mesmo fogo divino, sendo depois sucedido por uma sucessão infinita de outros universos. O judaísmo, pelo contrário, ensinou que este Universo é a criação do Deus Único, que através da história mostra repetidas vezes o seu poder e capacidade de intervenção em “actos assombrosos”. O cristianismo complementa este sentido histórico dando-lhe, em Jesus Cristo, um símbolo humano e uma promessa repetida de vida eterna. É esta ideia da existência de um objectivo final na história, de um propósito na Criação, da possibilidade de redenção do mal e da salvação do indivíduo, que apelou aos povos helenizados, divididos entre os cultos de deuses menores e o sentido fatalista da vida. O cristianismo trouxe-lhes uma nova fé num modo de vida que faz exigências morais a cada indivíduo ao mesmo tempo que o enche com um novo poder divino (aquilo a que os cristãos chamam o Espírito Santo). E, mais ainda, deu-lhes, na ideia da vida eterna, uma nova qualidade do ser.

“Jesus e os seus seguidores eram todos judeus pela raça e pela religião. Iam regularmente à sinagoga,

visitavam o Templo em Jerusalém, e observavam o Pessach [10] judeu e outros feriados religiosos. A mensagem de Jesus também apelou a esses mesmos judeus que, como escreve São Lucas, ‘procuravam a consolação de Israel’. O que deixou o povo judeu de pé atrás foi a identificação repetida de Jesus como Messias através da associação à figura do ‘Servo Sofredor’ invocada por Isaías e Zacarias. Foi esta identificação, tantas vezes proclamada, que levou o desenrolar da vida de Jesus ao ponto da crucificação no Calvário — já que, segundo Moisés, haveria sempre uma maldição para quem fosse enforcado, sendo portanto mais prudente recorrer-se à crucificação, na época o equivalente romano do enforcamento judeu.

“É importante ter bem claro que, depois desta crucificação, muitos teriam abandonado o seguimento de Jesus se não tivesse ocorrido o milagre da Ressurreição. Sendo assim, é lícito afirmar que não são os ensinamentos de Jesus que formam a pedra basilar da Igreja cristã, mas antes a sua Ressurreição no dia da Páscoa. Mesmo os que questionam a validade histórica do ‘Sepulcro Vazio’ ou as narrativas da Ressurreição não podem negar a realidade da fé na Ressurreição que marcou a vida dos primeiros cristãos — assim chamados, note-se de passagem, não por eles próprios, mas antes como forma de ridicularização utilizada pelos seus inimigos.

“Como Jesus, os seus primeiros seguidores mantiveram a tradição de visitar a sinagoga aos sábados, pelo que não é de admirar que a Igreja tenha sido originalmente modelada segundo a organização do Templo judaico. A esta organização pertence a figura dos mais velhos que São Paulo começa depois a designar como bispos. O modelo do sábado mantém-se, apenas substituindo o sábado (último dia da semana) pelo domingo (primeiro dia da semana), agora apresentado também como o dia de adoração que comemora o domingo de Páscoa, o dia da Ressurreição, e a preparação da Ressurreição geral, que na época se pensava estar iminente. Saliente-se aqui que este domingo dos primeiros cristãos não tem qualquer conotação de dia de descanso até ao século IV: domingo e sábado são igualmente observados pelos primeiros cristãos.

“Júlio César tinha dado aos judeus o direito de religião lícita (ou seja, definiu-os como uma associação religiosa autorizada), o que lhes permitia não participarem em actividades do Estado que pudessem entrar em conflito com as suas crenças, como por exemplo o serviço militar, que os obrigaria a ignorarem o sábado, ou que os levaria a comerem alimentos não sancionados pelos rabinos. Os primeiros cristãos foram considerados como uma seita de judeus pelos romanos, pelo que gozavam dos mesmos privilégios. Chegaram a proteger São Paulo em Jerusalém com custódia militar quando ele estava em perigo de vida. Só a entrada de números crescentes de novos conversos para a seita e a hostilidade constante dos judeus em relação aos cristãos é que convenceram os romanos de que aquela fé já não devia ser judaica, mas antes constituía em si mesma uma nova religião.

“Esta nova religião foi marcada desde o início por confrontos periódicos com as autoridades na Ásia Menor e em Roma, porque os fiéis se recusavam a ir aos jogos devido às suas associações religiosas, ou a adorar os deuses romanos. Encontravam-se de noite à porta fechada, homens e mulheres, o que desencadeou rumores de imoralidade e incesto. Também se dizia que partilhavam o sangue de um recém-

nascido, um boato também associado aos judeus, de onde vem o insulto ‘bloodsucker’[11] ainda hoje usado por skinheads e outros neonazis, pelo que foram acusados de canibalismo. Um historiador romano acusou-os de ‘ódio pela raça humana’; e, quando Nero deitou fogo a Roma em 64, usou os cristãos como bode expiatório. Daqui resultaram episódios repetidos de perseguições, mas entre estas perseguições houve intervalos longos de paz e tolerância, que permitiram à fé cristã requisitar cada vez mais convertidos, até infiltrar a família imperial, tornando-se ‘um império dentro do império’.

“A origem romana do cristianismo manteve-se para dentro da Idade Média. A coroação do imperador franco Carlos Magno pelo papa em Roma, em 800, marcou o início do Sacro Império Romano, que se entendia como o sucessor do antigo Império Romano. Foi também assim que nasceu o conflito tremendo entre os poderes temporais e espirituais (os imperadores e o papa), um dos vários factores que haviam de levar à explosão da Reforma.

“Mas como viver agora com esta herança, dois mil anos depois do seu legado? Cite-se a este respeito Karen Amstrong, que foi freira durante mais de dez anos, e explica bem o dilema de numerosos cristãos modernos no seu tratado A History of God:

‘Ouvi uma boa dose de homilias sobre os fogos do Inferno. O Inferno parecia uma realidade muito mais poderosa do que Deus, porque era um lugar que a minha imaginação conseguia ver. Deus, pelo contrário, era uma figura bastante remota, definida não por imagens mas sim por abstracções intelectuais (…) Quando memorizei de cor as regras da minha Ordem, notei o facto estranho de que Deus praticamente não aparecia nelas. A atenção focava-se quase toda em detalhes periféricos e aspectos secundários da religião.’

“Esta passagem recorda-nos que a irrealidade de Deus tem agora incomodado gerações e gerações de crentes, mas durante muitos séculos não perturbou particularmente os monoteístas. Para estes, era claro que as ideias sobre Deus eram apenas uma solução de recurso e não deveriam ser sacrossantas. Não podiam ser outra coisa que não imagens concebidas pelos homens, e portanto bastante separadas da realidade insondável que descreviam. Vários pensadores enfatizaram de forma clara e audaciosa esta distinção fundamental. Um místico medieval chegou a afirmar que esta realidade última, a que nós erradamente chamamos Deus, nem sequer vem mencionada na Bíblia. A necessidade humana de procurar a transcendência é um facto constante da vida da nossa espécie. Mas nem todos a consideram divina: os budistas, por exemplo, negam que as suas visões e inspirações sejam de origem sobrenatural, considerando-as antes uma característica natural da humanidade. No entanto, quase todas as grandes religiões concordam que é impossível descrever esta transcendência numa linguagem conceptual corrente. Os monoteístas chamaram ‘Deus’ a esta transcendência, mas rodearam-na de limitações muito sérias. Os judeus não podem pronunciar o nome sagrado de Deus, e os muçulmanos não podem descrever o Divino em imagens visuais. Esta disciplina recorda-nos que o Divino a que chamamos Deus excede toda a expressão humana. Deixemo-Lo, pois, descansado. Reconheçamos as nossas limitações e vivamos tranquilos com elas. Virá um tempo em que subiremos a esferas mais altas e então tudo nos será revelado. Mas nunca antes da grande conflagração que vai marcar o Segundo Regresso, e testar radicalmente a qualidade dos homens.”