Emma

Jane Austen · Capítulo 26 de 113

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Emma

Capítulo VI

Mr. Woodhouse, por fim , perm itiu que fossem sozinhos; com um cordial aceno de um e um a graciosa reverência do outro, os dois cavaleiros partiram .

Em m a ficou bastante feliz com este início de am izade, e podia agora pensar em todos eles em Randalls a qualquer hora do dia, com plena confiança na felicidade dos am igos.

CAPÍTULO VI

A m anhã seguinte trouxe novam ente Mr. Frank Churchill. Ele viera com Mrs. Weston, a quem parecia considerar com m uita cordialidade, assim com o a Highbury. Estivera sentado com a m adrasta em casa, ao que parece, até que chegou a hora em que ela costum ava fazer sua cam inhada. Desej ando escolher o cam inho, Frank sugerira Highbury. “Ele não duvidava que houvesse vários cam inhos interessantes, m as se fosse deixado à sua escolha, sem pre iria escolher o m esm o. Highbury, essa arej ada, aprazível e feliz Highbury, seria sua atração constante”. Highbury, onde Mrs. Weston sem pre parava em Hartfield. Ela achava que o m esm o pensam ento se passava na m ente do enteado. Vieram então diretam ente.

Em m a não os esperava. Mr. Weston, que passara ali por alguns m inutos, nada sabia dos planos deles: ficara apenas o suficiente para ouvir que o filho era m uito bonito. Foi um a agradável surpresa para ela, portanto, vê-los chegar cam inhando de braços dados. Ela desej ava vê-lo de novo, especialm ente na com panhia de Mrs. Weston, pois sua opinião sobre o j ovem dependia do com portam ento dele para com a m adrasta. Se fosse deficiente nesse aspecto, não poderia haver reparação, m as Em m a ficou perfeitam ente satisfeita ao vê-los j untos. O rapaz não cum pria com seu dever apenas com palavras bonitas ou elogios hiperbólicos. Suas m aneiras para com Mrs. Weston não podiam ser m ais apropriadas ou gentis – nada podia denotar m ais agradavelm ente seu desej o de tê-la com o am iga e conquistar sua afeição. Em m a teve tem po bastante para form ar seu j ulgam ento, pois a visita estendeu-se pelo resto da m anhã. Estiveram cam inhando todos j untos por um a ou duas horas, prim eiro pelo bosque de Hartfield, depois por Highbury. Ele estava encantado com tudo, adm irou Hartfield suficientem ente para a alegria de Mr. Woodhouse, e quando se dispunham a ir m ais longe confessou seu desej o de ficar am igo de todos na cidade, e achou m uito m ais assuntos dignos de com entários e de interesse do que Em m a poderia supor.

Alguns dos seus obj etos de interesse dem onstravam os m ais louváveis sentim entos. Pediu para ver a casa onde seu pai vivera por longo tem po, e desej ava saber qual havia sido o lar de seu avô. Quando soube que um a velha senhora que havia sido sua am a ainda vivia, andou de um a ponta à outra da rua perguntando pela casinha dela; e apesar de não haver grande m érito em alguns pontos pelos quais dem onstrou interesse, m ostrava um a grande boa vontade em relação à Highbury de form a geral, o que im pressionou m uito bem as dam as com quem estava.

Em m a observava e decidiu que, à vista dos sentim entos que ele agora

dem onstrava, não seria j usto supor que ficara ausente dali por sua vontade.

Resolveu que ele não estava representando um papel ou fazendo declarações falsas, e que Mr. Knightley com certeza não lhe fizera j ustiça.

A prim eira parada deles foi na Hospedaria Crown, um prédio insignificante, apesar de ser o único do gênero, onde eram m antidos alguns pares de cavalos de aluguel, m ais para a conveniência da vizinhança do que para algum traj eto m ais longo na estrada. Suas com panheiras não esperavam ser detidas por nada de m ais interessante ali, m as ao passar contaram -lhe da grande sala que fora visivelm ente adicionada ao prédio. Tinha sido construída há m uitos anos para ser um salão de baile, e enquanto a população de Highbury era m aior e m ais adepta de danças, foi ocasionalm ente usada com o tal. Esses dias gloriosos, no entanto, há m uito haviam term inado e agora o local abrigava um clube de

uíste[1], do qual participavam os cavalheiros e os m enos cavalheiros do lugar. Mr.

Frank Churchill se interessou im ediatam ente. Sua qualidade de salão de baile prendeu-lhe a atenção e, ao invés de passar direto, ele parou durante alguns m inutos para olhar pelas duas j anelas decoradas que estavam abertas, im aginando sua capacidade e lam entando que não fosse m ais usado para seu propósito original. Não viu defeitos no salão, e não concordou com os defeitos que elas sugeriram . Não, o salão era longo o bastante, largo o bastante, bonito o bastante. Com portaria o núm ero certo de pessoas com conforto. Seria possível organizar bailes pelo m enos um a vez a cada quinze dias, durante o inverno. Por que Miss Woodhouse não revivia os velhos bons tem pos do lugar?... Ela podia fazer qualquer coisa em Highbury ! Mencionou-se a falta de fam ílias adequadas em núm ero suficiente na cidade, bem com o a certeza de que as fam ílias das vizinhanças não se sentiriam m otivadas a vir, m as ele não se contentou.

Recusava-se a acreditar que, com tantas casas bonitas que vira na vizinhança, não houvesse pessoas em núm ero bastante para um baile. E m esm o quando lhe deram os detalhes e descreveram as fam ílias, Mr. Frank Churchill não se dispunha a adm itir a inconveniência dessa m istura, que isso poderia ser ruim , ou que houvesse a m enor dificuldade em que todos retornassem para casa na m anhã seguinte. Falava com o um j ovem bastante apreciador de danças. Em m a ficou surpresa ao ver a personalidade dos Westons sobrepor-se aos hábitos dos Churchill. Ele parecia ter toda a vivacidade, o ânim o, os calorosos sentim entos e a disposição social de seu pai, e nada do orgulho e da reserva de Enscom be.

Orgulho, de fato, ele tinha m uito pouco. Sua indiferença à m istura de classes, beirava quase a deselegância. Não poderia j ulgar, todavia, o m al que não levava em conta. Esse entusiasm o não era senão a efusão de um espírito intenso.

Foi persuadido, afinal, a sair da frente da Crown, e com o agora passavam pela casa das Bates, Em m a lem brou-se da visita que ele pretendia fazer no dia anterior, e perguntou-lhe se de fato fora visitá-las.

– Ah, sim ! Sim ! – ele respondeu. – Eu ia j ustam ente m encionar isso.

Um a visita de grande sucesso, vi todas as três senhoras, e lhe agradeço m uito por haver-m e prevenido. Se a tia falante m e tivesse pego de surpresa teria sido a m orte para m im . Da form a com o foi, estava preparado para fazer um a visita razoável. Dez m inutos seria o suficiente, talvez até o m ais apropriado, então disse a m eu pai que provavelm ente estaria em casa antes dele. Mas não havia pausa no assunto, e para m eu espanto, quando m eu pai (não m e encontrando em lugar algum ) foi buscar-m e lá, descobri que havia passado ali quase três quartos de hora. A boa senhora não m e deu oportunidade de escapar antes.

– E o que achou da aparência de Miss Fairfax?

– Doente, m uito doente... isto é, se for perm itido achar que um a j ovem pode parecer doente. Mas é um a expressão pouco adm issível, não acha Mrs.

Weston? As dam as nunca devem parecer doentes. Mas, falando sério, Miss Fairfax é naturalm ente tão pálida que dá a im pressão de m á saúde. Um falta de cor na pele m uito lam entável.

Em m a não podia concordar com isso, e com eçou a defender calorosam ente a cor de pele de Miss Fairfax. “A pele dela não era brilhante, com certeza, m as não se podia dizer que tivesse aspecto doentio; além disso, tinha um a suavidade e delicadeza que conferiam um a elegância peculiar ao seu feitio de rosto”. Ele escutou com a devida atenção. Adm itiu que ouvira m uitas pessoas dizerem o m esm o... Mas ainda assim devia confessar que, para ele, nada poderia substituir o colorido de um a pele saudável. Quando os traços eram com uns, um belo tom de pele conferia-lhes beleza. E se os traços fossem belos, o efeito era... felizm ente ele não precisava tentar descrever esse efeito.

– Bem – disse Em m a – gosto não se discute. Afinal, o senhor a adm ira em tudo, exceto no tom da pele.

Ele balançou a cabeça e riu.

– Não consigo separar Miss Fairfax de seu tom de pele.

– O senhor a viu m uitas vezes em Wey m outh? Frequentavam o m esm o grupo social?

Nesse m om ento aproxim avam -se da Ford’s, e ele rapidam ente exclam ou:

– Ah! Essa deve ser a loj a à qual todo o m undo vem todos os dias de suas vidas, segundo m eu pai m e inform ou. Ele m esm o vem a Highbury seis dias por sem ana, e sem pre tem coisas a fazer na Ford’s. Se não for inconveniente para as senhoras, perm itam -m e entrar, assim sentirei que faço parte do lugar, que sou

um verdadeiro cidadão de Highbury. Preciso com prar algo na Ford’s. Isso vai garantir a m inha liberdade... Im agino que eles vendam luvas.

– Oh, sim ! Luvas e tudo o m ais. Adm iro seu patriotism o, vai ser adorado em Highbury. O senhor j á era bastante popular antes de vir, só por ser filho de Mr. Weston. Mas gaste apenas m eio guinéu na Ford’s e verá sua popularidade superar suas próprias virtudes.

Entraram na loj a, e enquanto os m acios e bem em brulhados pacotes de

“Men’s Beavers” e “York Tan” eram retirados das prateleiras e colocados no balcão, ele disse:

– Peço-lhe perdão, Miss Woodhouse, m as a senhorita estava dizendo algum a coisa bem no m om ento em que tive essa

explosão de amor patriae[2].

Não m e deixe perder o que ia dizer. Asseguro-lhe que nem a m ais clam orosa fam a pública m e com pensaria a perda dessa felicidade na m inha vida privada.

– Apenas perguntei se o senhor chegou a conhecer bem Miss Fairfax e o grupo que ela frequentava, em Wey m outh.

– Agora que sei o que perguntou, digo que essa questão é m uito inj usta.

É sem pre um direito da dam a decidir o grau de am izade. Miss Fairfax j á deve ter lhe feito seu relato. Não devo m e com prom eter dizendo m ais do que ela desej aria revelar.

– Sob m inha palavra! O senhor respondeu com m ais discrição ainda do que ela. Mas o relato de Miss Fairfax sobre qualquer coisa sem pre deixa m uito a desej ar; ela é tão reservada, tão relutante em dar qualquer inform ação sobre qualquer pessoa, que acho que o senhor pode dizer o que quiser a respeito de sua am izade com ela.

– Posso m esm o? Então vou falar a verdade, e nada m e é m ais conveniente. Eu a encontrava frequentem ente em Wey m outh. Conhecia os Cam pbells de vista, na cidade, m as em Wey m outh ficam os no m esm o grupo. O

coronel Cam pbell é um hom em m uito agradável e Mrs. Cam pbell é um a senhora m uito bondosa e am ável. Gosto m uito de todos eles.

– O senhor conhece a situação de Miss Fairfax, eu suponho, e o que ela está destinada a ser.

– Sim ... (um pouco hesitante) acredito que sim .

– Você está tocando em assuntos delicados, Em m a – disse Mrs. Weston, sorrindo – lem bre-se de que estou aqui. Mr. Frank Churchill m al sabe o que dizer quando você fala da situação de vida de Miss Fairfax. Vou m e distanciar um pouco.

– É verdade, m e esqueci de pensar nela – disse Em m a – pois sem pre considerei Mrs. Weston m inha am iga, m inha m elhor am iga.

Mr. Frank pareceu com preender totalm ente e adm irar tal sentim ento.

Quando j á haviam com prado as luvas e deixado a loj a, Frank Churchill disse:

– Você j á viu a m oça de quem falávam os tocando piano?

– Eu sem pre a ouço – respondeu Em m a. – O senhor se esquece do quanto ela pertence à Highbury. Eu a ouvi tocar durante cada ano de nossas vidas, desde que com eçam os. Ela toca de form a encantadora.

– Realm ente acha isso, não é?... Queria a opinião de alguém que pudesse avaliar de fato. Eu acho que ela toca m uito bem , com bastante gosto, m as não sou entendido no assunto. Adoro a m úsica, em bora não tenha a m enor habilidade para tocar nem o direito de j ulgar o talento de ninguém . Acostum ei-m e a ver que a elogiavam , e lem bro-m e de um a prova do quanto ela tocava bem . Um hom em , com m uito gosto por m úsica, e apaixonado por outra pessoa...

noivo desta outra, prestes a casar-se... nunca pedia que a própria noiva se sentasse ao piano, se a dam a em questão pudesse fazê-lo. Parecia nunca gostar de ouvir a noiva quando podia ouvir a outra. Acho que isso é um a prova, vinda de um hom em de conhecido talento m usical.

– É um a prova, de fato! – disse Em m a, achando m uito engraçado. –

Mr. Dixon é m uito m usical, então? Conseguim os saber m ais sobre todos eles em m eia hora, pelo senhor, do que Miss Fairfax dignou-se a nos dizer em m eio ano.

– Sim , essas pessoas eram Mr. Dixon e Miss Cam pbell. E penso que é um a prova m uito im portante.

– Com certeza... m uito im portante. Para dizer a verdade, m esm o sendo um a prova im portante, se eu fosse Miss Cam pbell, isso não seria agradável para m im . Não poderia adm itir que um hom em gostasse m ais da m úsica do que do am or... desse m ais im portância aos ouvidos do que aos olhos... tivesse um a sensibilidade m ais aguçada para os belos sons do que para os m eus sentim entos.

E Miss Cam pbell parecia gostar disso?

– Elas eram grandes am igas, a senhorita sabe.

– Grande consolo! – disse Em m a, rindo. – É m elhor ver um a estranha preferida a nossa m elhor am iga... um a estranha podem os deixar de encontrar, m as é terrível ter ao lado um a am iga intim a que faz tudo m elhor do que nós fazem os.. Pobre Mrs. Dixon! Bem , estou feliz que ela tenha ido m orar na Irlanda.

– A senhorita tem razão. Não era m uito lisonj eiro para Miss Cam pbell, m as ela realm ente parecia não sentir assim .

– Tanto m elhor... ou tanto pior. Não sei qual dos dois. Mas fosse isso doçura de tem peram ento ou estupidez, força da am izade ou lentidão de raciocínio... havia um a pessoa que devia ter se im portado com isso: a própria Miss Fairfax. Ela deve ter sentido a im propriedade e o perigo dessa distinção.

– Quanto a isso, eu não...

– Oh! Não pense que espero um relato dos sentim entos de Miss Fairfax, do senhor ou de qualquer outra pessoa. Eles não são conhecidos por nenhum ser hum ano, a não ser ela m esm a. Mas se ela continuava a tocar toda vez que Mr.

Dixon pedia, pode-se adivinhar o que cada um escolhe.

– Eles pareciam todos se dar perfeitam ente bem – ele com eçou, rápido. Pensou um pouco, porém , e acrescentou – se bem que é im possível dizer em que term os eles realm ente estavam ... Com o as coisas deviam ser além das aparências. Apenas posso dizer que eles aparentavam estar em harm onia. Mas a senhorita, que conhece Miss Fairfax desde criança, pode j ulgar m elhor do que eu o seu caráter e a sua conduta em situações críticas.

– Conheço-a desde criança, sem dúvida. Fom os crianças e nos tornam os adultas ao m esm o tem po. É natural supor que devíam os ser íntim as, que fizéssem os confidências um a à outra sem pre que ela visitava os am igos. Mas nunca foi assim . Mal posso saber com o isso aconteceu. Talvez por algum a fraqueza m inha que m e levou a sentir aversão por um a m enina tão idolatrada e louvada com o ela sem pre foi, pela tia e pela avó, e todos os seus am igos. E

depois, ela é m uito reservada... Nunca pude m e afeiçoar a alguém que fosse tão reservado.

– É um a qualidade que afasta as pessoas, de fato – disse ele. – Às vezes é bastante conveniente, sem dúvida, m as nunca é agradável. Há segurança na reserva, m as não atração. Não se pode am ar um a pessoa reservada.

– Não até que a reserva deixe de existir em relação a um a determ inada pessoa; então a atração pode vir a ser m aior do que nunca. Mas eu teria que estar m uito necessitada de um a am iga, ou de um a com panhia agradável, para m e dar ao trabalho de acabar com a reserva de alguém a fim de conquistar sua am izade.

Intim idade entre Miss Fairfax e eu está fora de questão. Não tenho m otivos para pensar m al dela, de m odo algum , exceto por sua extrem a e perpétua cautela no falar e no agir; esse m edo de dar um a ideia clara a respeito de qualquer pessoa, que passa a suspeita de que ela tem algo a esconder.

Ele concordava inteiram ente com ela. Depois de cam inharem j untos

por longo tem po, e pensarem de form a sem elhante, Em m a sentia-se tão próxim a dele que m al podia acreditar que era apenas o segundo encontro entre os dois.

Frank Churchill não era exatam ente o que ela esperava: m uitas de suas ideias não eram as de um hom em do m undo e tam bém não era um a criança rica e m im ada, o que vinha a ser m elhor do que ela esperava. Suas ideias pareciam m ais m oderadas e seus sentim entos m ais intensos do que pensara. Ela ficou particularm ente im pressionada por sua m aneira de considerar a casa de Mr.

Elton, que, assim com o a igrej a, ele quis visitar. Não concordou com elas, que viam m uitos defeitos na casa. Não, a casa não era assim tão m á, pelo m enos não era um a casa que nos fizesse ter pena de quem m orasse nela. Se fosse para dividir com a m ulher am ada, não se poderia ter pena do hom em que m orasse ali.

Devia haver peças am plas que propiciassem conforto. O hom em que desej asse m ais devia ser um estúpido.

Mrs. Weston riu e disse que ele não sabia do que estava falando.

Acostum ado com um a casa grande, e sem pensar em quantas vantagens e confortos estavam relacionados ao seu tam anho, Mr. Frank Churchill não podia j ulgar as privações que um a casa pequena trazia. Mas Em m a, em sua m ente, estava certa de que ele sabia do que estava falando, e que m ostrava um a agradável inclinação para estabelecer-se cedo na vida, e casar-se por m otivos dignos. Ele podia não estar a par dos problem as causados pela falta de um quarto para a governanta, ou um a copa inadequada, m as não havia dúvida de que ele pensava que Enscom be não podia torná-lo feliz. E que quando se apaixonasse, desistiria voluntariam ente de m uito de sua riqueza para ter seu próprio lar.