Emma

Jane Austen · Capítulo 33 de 113

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Emma

Capítulo XIII

– E você, Em m a, que tem tão poucas oportunidades de dançar, está realm ente sem sorte. Está m esm o com pouca sorte!

Isso fora poucos dias antes que Em m a encontrasse Jane Fairfax, e pudesse j ulgar a honestidade de sua tristeza por esta lastim ável m udança. Mas quando se encontraram , a correta com postura dela foi odiosa. Jane estivera particularm ente m al, no entanto, sofrendo de terríveis dores de cabeça, a ponto

de sua tia declarar que, caso o baile acontecesse, Jane não teria podido participar.

E era caridoso im putar parte de sua inconveniente indiferença ao m al estar produzido pela doença.

CAPÍTULO XIII

Em m a continuou a acreditar que estava apaixonada. Sua ideia apenas m udava em relação à extensão desse am or. No início pensou que fosse m uito, m ais tarde achou que era pouco. Tinha grande prazer em ouvir falar dele. E, por afeto a ele, tinha um prazer ainda m aior em visitar Mr. e Mrs. Weston. Pensava nele frequentem ente e estava im paciente por receber um a carta, para que pudesse saber com o ele estava, qual era seu estado de ânim o, com o estava a tia dele, e qual era a chance dele vir a Randalls de novo nesta prim avera. Mas, por outro lado, não podia adm itir que estivesse triste, nem , após a prim eira m anhã, que estava m enos disposta para suas atividades habituais. Continuava ocupada e alegre, e apesar do quanto ele era agradável ela podia ainda im aginar que Frank Churchill tivesse defeitos. E, m ais do que pensar m uito nele, enquanto se sentava para desenhar ou trabalhar, criava m ilhares de esquem as divertidos para o progresso e o fim do seu relacionam ento; im aginava diálogos interessantes e inventava cartas elegantes; a conclusão de cada declaração im aginária da parte dele era que ela o recusava. O afeto deles sem pre se transform ava em am izade.

Cada cena terna ou encantadora era para m arcar sua separação, e sem pre deviam se separar. Quando percebeu isso, ocorreu-lhe a ideia de que não devia estar assim tão apaixonada, pois, a despeito de sua prévia determ inação de j am ais deixar o pai, de nunca se casar, um afeto de fato profundo devia provocar um a luta interna m aior do que ela podia adivinhar em seus próprios sentim entos.

“Não posso m e im aginar fazendo uso da palavra sacrifício” pensava Em m a. “Em nenhum a das m inhas respostas inteligentes, m inhas delicadas negativas, há algum a alusão a sacrifício. Suspeito que Frank Churchill não sej a realm ente necessário para a m inha felicidade. Tanto m elhor. Não vou m e persuadir a sentir m ais do que sinto, com certeza. Estou am ando o suficiente, e lam entaria se estivesse m ais”.

De form a geral, ela estava igualm ente contente com sua visão dos sentim entos dele.

“Ele certam ente está bem m ais apaixonado, tudo denota isto. Bem m ais apaixonado, de fato! E quando ele voltar, se a afeição dele perm anecer, devo cuidar para não encoraj á-lo. Seria im perdoável fazer outra coisa, j á que estou bastante decidida. Não que eu im agine que algum dia o tenha encoraj ado. Não, se ele acreditasse que eu correspondia aos seus sentim entos, não estaria tão infeliz. Se estivesse se sentisse encoraj ado, seus olhares e palavras ao partir teriam sido diferentes. Ainda assim devo ficar atenta. Isto na suposição de que seu afeto continue com o está agora, m as não sei se continuará. Não consigo vê-lo com o esse tipo de hom em . Tam bém não consigo confiar na sua firm eza ou

constância. Seus sentim entos são ardorosos, m as acho que m udam m uito. Em sum a, qualquer consideração que eu faça sobre esse assunto, m e faz agradecer pela grande felicidade de não estar m ais profundam ente envolvida. Devo m e sentir m uito bem de novo, depois de algum tem po. E, então, isso será um a boa lem brança. Dizem que todos am am pelo m enos um a vez na vida, e devo deixar que esse am or se acabe naturalm ente”.

Quando chegou a carta de Frank Churchill para Mrs. Weston, Em m a a leu com m uita atenção. E sentiu tal prazer e adm iração ao lê-la, que prim eiro sacudiu a cabeça ao pensar em suas próprias sensações, im aginando que subestim ara a força do que sentia. Era um a carta longa e bem escrita, explicando os porm enores da viagem e dos sentim entos dele; expressando toda a afeição, gratidão e respeito, o que era natural e honrado; e descrevendo com espírito e precisão cada detalhe exterior e local que pudesse ser considerado atraente. Não havia nenhum indício de desculpas ou preocupação. Era a expressão de real sentim ento por Mrs. Weston. E a transição de Highbury para Enscom be, o contraste entre os dois lugares em algum as das prim eiras bênçãos da vida social eram m encionados de form a breve, apenas o bastante para m ostrar quão profundam ente ele as sentia, e quanto m ais ele diria, se não fossem as restrições apropriadas. O charm e de seu próprio nom e não fora esquecido. Miss Woodhouse aparecia m ais de um a vez, e nunca sem algum a conexão agradável, sej a um cum prim ento ao seu gosto, ou um a lem brança de algo que ela havia dito. E na ultim a vez em que se seus olhos se haviam encontrado, quando haviam expressado os sentim entos dele sem nenhum a galanteria, ela ainda podia distinguir o efeito da sua influência e m odo de pensar, o que era o m aior cum prim ento de todos. Com prim idas no últim o canto vazio da folha de papel estavam estas palavras “Não tive tem po na terça, para despedir-m e da bela am iguinha de Miss Woodhouse. Por favor, m ande-lhe m inhas desculpas e despedidas”. Isso, Em m a não podia duvidar, era para ela m esm a. Harriet era lem brada apenas por ser am iga dela. As inform ações e proj etos dele para Enscom be não eram nada m ais do que Em m a havia antecipado. Mrs. Churchill estava se recuperando e ele não ousara ainda, m esm o em pensam ento, fixar um a data para seu retorno a Randalls.

A carta era bastante gratificante e m uito estim ulante no aspecto m aterial. Apesar disso, ao dobrá-la e devolvê-la a Mrs. Weston, ela descobriu que não adicionara nenhum entusiasm o que ela não pudesse sentir sem a influência de seu autor, e que ele devia aprender a viver sem ela. Suas intenções não haviam m udado. A decisão de recusá-lo apenas tornou-se m ais interessante pela adição de um esquem a para o subsequente consolo e felicidade dele. Sua lem brança de Harriet e as palavras que fecharam a carta, “bela am iguinha”, sugeriram -lhe a ideia de Harriet sucedê-la no afeto dele. Seria im possível?...

Não. Harriet era m uito inferior a ele em inteligência, m as o deixara bastante im pressionado com a beleza de seu rosto e a calorosa sim plicidade de seu tem peram ento. E todas as probabilidades de circunstancias e am izades estavam a favor dela. Para Harriet seria ao m esm o tem po vantaj oso e agradável.

“Não devo insistir nessa ideia” ela pensava. “Nem devo pensar nisso.

Conheço o perigo de fazer tais especulações. Mas coisas estranhas aconteceram ; e quando deixarm os de nos preocupar um com o outro, com o fazem os agora, será a m aneira de passarm os a ter um a am izade desinteressada, que j á posso vislum brar no futuro com m uito prazer”.

Era bom ter um a possibilidade à m ão, para o bem de Harriet, em bora fosse m ais sábio não perm itir que a im aginação tom asse conta, pois nestes casos o m al ficava à espreita. Assim com o a chegada de Frank Churchill sucedera o casam ento de Mr. Elton nas conversas de Highbury, o interesse m ais novo sem pre sepulta o anterior. Agora, com o desaparecim ento de Frank Churchill, as preocupações com Mr. Elton estavam de novo assum indo um a atração irresistível. O dia do casam ento foi anunciado. Logo ele estaria de novo em Highbury, j unto com a noiva. Mal houve tem po para com entar a prim eira carta vinda de Enscom be quando as palavras “Mr. Elton e sua noiva” j á estavam na boca de todos, e Frank Churchill foi esquecido. Em m a ficava doente só de ouvir. Ficara livre de Mr. Elton durante três felizes sem anas, e estava disposta a acreditar que a m ente de Harriet com eçara a recobrar-se nos últim os tem pos. E

tam bém com a perspectiva do baile de Mrs. Weston houvera grande desinteresse por outros assuntos. Mas agora estava bastante evidente que Harriet ainda não tinha atingido um estado de com postura que pudesse suportar a realidade que se aproxim ava: carruagem nova, sinos badalando e tudo o m ais.

A pobre Harriet ainda estava em um a confusão de sentim entos que requeria todos os arrazoados, incentivos e atenções, de todos os tipos, que Em m a pudesse lhe dar. Em m a sentia que não poderia fazer m uito por ela, e que Harriet tinha direito a toda a sua espontaneidade e toda a sua paciência. Mas era um trabalho difícil tentar ser convincente sem obter qualquer resultado. Apesar de concordarem , não conseguia fazer com que suas opiniões fossem as m esm as.

Harriet ouviu subm issa e disse “é verdade... exatam ente com o Miss Woodhouse disse que seria... não vale a pena pensar nisso... e ela não pensaria m ais nisso”.

No entanto, não adiantava m udar de assunto, pois na m eia hora seguinte voltava a ficar tão ansiosa e agitada a respeito dos Eltons com o antes. Por fim , Em m a resolveu atacar em outra frente.

– Perm itir-se ficar tão ocupada e tão infeliz a respeito do casam ento de Mr. Elton, Harriet, é a m aior reprovação que você pode fazer a mim. Não poderia reprovar-m e de m odo pior do que esse, pelo erro que com eti. Foi tudo obra

m inha, eu sei. Não m e esqueci disso, posso lhe assegurar. Decepcionei a m im m esm a por ter lhe causado tam anha decepção, e isso para m im será um a dor eterna. Não pense que corro o risco de esquecer.

Harriet sentiu tanto ao ouvir isso que não pôde pronunciar m ais que um as poucas palavras desconexas. Em m a continuou:

– Eu não lhe pedi que se esforçasse m ais por m inha causa; nem lhe pedi que pensasse m enos ou falasse m enos em Mr. Elton, por m inha causa.

Gostaria que isso acontecesse, não por m inha causa, m as por algo m ais im portante que a m inha tranquilidade: para que passe a ter o hábito do autocontrole, para que reflita sobre as suas obrigações, para que respeite o que é apropriado e faça um esforço para evitar as suspeitas dos outros; e tam bém para salvar sua saúde e sua reputação, e restaurar sua tranquilidade. Estes foram os m otivos pelos quais insisti com você. Eles são m uito im portantes – e estou m uito sentida, por ver que você não os considera o bastante para agir com o deve.

Poupar-m e da tristeza é um a consideração m uito secundária. Quero ver você a salvo de um a dor m aior. Gostaria de sentir que não irá esquecer o seu dever.

Este apelo à sua afeição fez m ais do que todo o resto. A ideia de estar faltando com a consideração e a gratidão à Miss Woodhouse, por quem tinha profundo afeto, angustiou Harriet por algum tem po. Mas quando a violência de sua dor foi suavizada, ainda lhe restava força suficiente para fazer o que era certo e para aj udá-la a suportar a situação de m odo tolerável.

– A senhorita, que foi a m elhor am iga que j á tive na vida... Que falta de gratidão da m inha parte! Ninguém é igual à senhorita! Não m e preocupo com ninguém , só com a senhorita! Oh, Miss Woodhouse! Com o tenho sido ingrata!

Tais expressões, que eram acom panhadas por olhares e gestos eloquentes, fizeram Em m a sentir que nunca am ara tanto Harriet, nem j am ais valorizara tanto sua am izade.