Emma

Jane Austen · Capítulo 45 de 113

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Emma

Capítulo VII

Alguns ficaram m uito felizes ao ver Frank Churchill, outros o receberam com form alidade. Mas todos sem exceção ficaram perturbados e angustiados quando foi explicado o desaparecim ento de Miss Fairfax. A conclusão foi que todos resolveram que era hora de irem em bora. E, com um a rápida com binação para o passeio do dia seguinte, eles partiram . A pouca vontade de Frank Churchill de participar do grupo aum entou m uito, tanto que suas últim as palavras para Em m a foram :

– Bem , se a senhorita desej a que eu fique e vá ao passeio am anhã, eu irei.

Ela sorriu, concordando. Nada, a não ser um a convocação para voltar a Richm ond, seria capaz de levá-lo de volta antes da noite seguinte.

[1] Tête à tête – conversa a sós, entre duas pessoas. Em francês no original.

CAPÍTULO VII

O dia estava lindo para ir a Box Hill, e todos os dem ais detalhes de organização, acom odação e pontualidade colaboraram para um passeio agradável. Mr. Weston organizou tudo, dirigindo os grupos de Hartfield e do Vicariato, e todos estavam prontos a tem po. Em m a e Harriet foram j untas, Miss Bates e a sobrinha, com os Eltons e os cavalheiros, a cavalo. Mrs. Weston ficou com Mr. Woodhouse. Nada m ais faltava, a não ser que fossem felizes quando chegassem lá. Viaj aram onze quilôm etros na expectativa de diversão, e todos tiveram exclam ações de adm iração quando chegaram . Mas, no côm puto geral do dia, houve deficiência. Havia um langor, um a falta de ânim o, um a falta de união que não podiam passar despercebidos. Separaram -se em grupos m uito pequenos. Os Eltons cam inhavam j untos, Mr. Knightley tom ou conta de Miss Bates e de Jane, e Em m a e Harriet ficaram sob os cuidados de Frank Churchill.

Mr. Weston tentou, em vão, fazer com que se harm onizassem m elhor. No início pareceu um a divisão acidental, m as os grupos perm aneceram os m esm os. Mr. e Mrs. Elton, na verdade, dem onstravam disposição para se j untar aos dem ais, e eram tão agradáveis quanto podiam . Mas durante as duas horas que passaram na colina, pareceu haver um princípio de separação entre os outros grupos, forte dem ais para ser rem ovido por qualquer perspectiva m ais aprazível, pela ótim a refeição fria ou pela alegria de Mr. Weston.

Em m a sentiu-se decididam ente entediada, a princípio. Nunca vira Frank Churchill tão silencioso e letárgico. Não disse nada que valesse a pena ouvir, olhava sem ver, adm irava sem conhecim ento, ouvia sem entender o que ela dizia. Com o ele se m ostrava tão lerdo, não é de se estranhar que Harriet fosse igualm ente lerda, e os dois estavam insuportáveis.

Quando se sentaram todos j untos as coisas m elhoraram , e para o gosto de Em m a m elhoraram m uito, pois Frank Churchill tornou-se falante e alegre, dedicando-se a ela. Qualquer gesto de atenção que tivesse era dirigido a Em m a.

Parecia que tudo o que desej ava era diverti-la e ser agradável aos seus olhos, e Em m a, feliz por ser notada e apreciando m uito ser elogiada, ficou alegre e tranquila tam bém , e deu-lhe todo o am igável encoraj am ento e o direito de ser galante com o nunca fizera no período inicial e m ais intenso de seu relacionam ento. Mas agora, no que lhe dizia respeito, isso j á não significava nada. No j ulgam ento das pessoas que assistiam à cena, no entanto, apenas um a palavra na língua inglesa poderia descrever com exatidão o que viam : flerte.

“Mr. Frank Churchill e Miss Woodhouse estão flertando em excesso”. Eles estavam m erecendo esse tipo de com entário, e ele foi escrito em um a carta enviada a Maple Grove por um a dam a, e em outra carta para a Irlanda, rem etida por outra dam a. Não que Em m a estivesse alegre por sentir um a felicidade real, era m ais porque se sentia m enos feliz do que esperava. Ela ria porque estava desapontada, e ainda que apreciasse as atenções dele – m esm o que fossem de am izade, de adm iração, de brincadeira ou extrem am ente j udiciosas – não estavam reconquistando seu coração. Ainda tinha intenções de tê-lo apenas com o am igo.

– Quanta gentileza da sua parte – disse ele –ter insistido para que eu viesse hoj e! Se não fosse pela senhorita, eu perderia toda a alegria deste passeio.

Eu estava determ inado a voltar ontem .

– Sim , o senhor estava m uito m al-hum orado. E não sei bem a razão, exceto que chegou atrasado para colher os m elhores m orangos. Fui um a am iga m ais bondosa do que m erecia. Mas o senhor é hum ilde, im plorou para ser convidado a vir.

– Não diga que eu estava m al-hum orado. Eu estava fatigado por causa do calor.

– Hoj e está ainda m ais quente do que ontem .

– Não para os m eus sentidos. Hoj e estou perfeitam ente confortável.

– Está confortável porque está sob controle.

– Controlado pela senhorita?... Sim , claro.

– Talvez eu pretendesse ouvir isso tam bém , m as na verdade quis dizer autocontrole. O senhor ultrapassou alguns lim ites ontem , de um a form a ou de outra, e escapou de seu próprio controle, m as hoj e retornou a ele. Com o não posso estar sem pre com o senhor, é m elhor que m antenha seu tem peram ento sob seu próprio com ando do que sob o m eu.

– Vem a ser a m esm a coisa. Não posso ter autocontrole sem um m otivo. A senhorita m e controla, quer expresse isso em voz alta ou não. E pode estar sem pre com igo. Está sem pre com igo.

– Desde ontem às três da tarde. Minha influência perpétua não pode ter com eçado antes, ou o senhor não teria se descontrolado tanto.

– Desde ontem às três da tarde! Então essa é a sua data. Pensei que a tivesse conhecido em fevereiro.

– Sua galanteria é realm ente insuperável. Mas (baixando a voz) ninguém está falando a não ser nós dois. E é dem ais ficar falando bobagens para a diversão de sete pessoas silenciosas.

– Não m e envergonho de nada – ele respondeu, com atrevida im prudência. – Eu a vi pela prim eira vez em fevereiro. Deixe que todos aqui m e escutem , se quiserem . Deixe que m inhas palavras ecoem até Mickleham de um lado e Dorking do outro. Eu a conheci em fevereiro. – E então, sussurrando –

Nossos com panheiros são m uito lerdos. O que podem os fazer para anim á-los?

Qualquer bobagem serve. Eles devem falar. Dam as e cavalheiros! Miss Woodhouse (que, onde quer que se encontre, é quem com anda) ordenou-m e que lhes dissesse que desej a saber o que todos estão pensando.

Alguns riram e responderam bem hum orados. Miss Bates falou bastante; Mrs. Elton reclam ou da ideia de Miss Woodhouse com andar. A resposta de Mr. Knightley foi a m ais distinta:

– Miss Woodhouse tem certeza que gostaria de ouvir o que todos estam os pensando?

– Oh, não, não... – exclam ou Em m a, rindo da form a m ais encantadora que conseguiu. – Por nada deste m undo. O im pacto seria forte dem ais para que eu pudesse suportar. Digam -m e qualquer coisa, m enos o que estão pensando realm ente. Não m e refiro a todos. Há um ou dois, talvez (dando um rápido olhar para Mr. Weston e Harriet), cuj os pensam entos não tenho m edo algum de conhecer.

– É o tipo de coisa – exclam ou Mrs. Elton, enfática – que eu não m e considero privilegiada o suficiente para perguntar. Exceto, talvez, com o a guardiã moral do grupo... nunca estive em um círculo... grupos de exploração... j ovens dam as... m ulheres casadas...

Seus m urm úrios eram basicam ente para o m arido, e ele m urm urava tam bém em resposta.

– É verdade, m inha querida, é verdade... Exatam ente isso, de fato... não ouvi bem ... Mas há dam as que dizem o que querem . Melhor deixar passar com o brincadeira. Todos sabem m uito bem quem você é.

– Não vai dar certo – sussurrou Frank para Em m a – a m aioria deles ficou ofendida. Vou fazer-lhes um ataque m ais certeiro. Dam as e cavalheiros!

Miss Woodhouse ordenou-m e que dissesse que ela renuncia a seu direito de saber exatam ente o que todos estão pensando e apenas pede que digam algum a coisa engraçada, de form a geral. Aqui estão sete pessoas, além de m im (que, ela tem o prazer de dizer, j á fui divertido o bastante.) Ela apenas pede que digam um a coisa inteligente, sej a em prosa, em verso, original ou conhecida, ou duas coisas m odestam ente inteligentes, ou três coisas decididam ente tolas, e prom ete de coração rir de todas elas.

– Oh, m uito bem ! – exclam ou Miss Bates. – Então não preciso m e preocupar. “Três coisas m uito tolas”, de fato. Isso serve m uito bem para m im , vocês sabem . Tenho certeza que digo m ais de três coisas m uito tolas sem pre que abro a boca, não é? (olhou ao redor contando com a divertida concordância de todos). Não concordam com igo?

Em m a não pôde resistir.

– Ah, m adam e, há um a dificuldade. Perdoe-m e, m as existe um a lim itação de núm ero: som ente três coisas de cada vez.

Miss Bates, enganada pela im itação cerim oniosa que Em m a fizera de suas m aneiras, a princípio não entendeu bem . Mas, quando entendeu, não ficou zangada, apenas corou levem ente, m ostrando o quanto se sentira ofendida.

– Ah, bem ... Certam ente... Sim , entendo o que ela quer dizer... (virando-se para Mr. Knightley ) Tentarei segurar m inha língua. Devo ter sido m uito desagradável, ou ela não teria dito um a coisa dessas a um a velha am iga.

– Gosto da sua ideia – exclam ou Mr. Weston. – De acordo, de acordo.

Farei o m elhor possível. Estou fazendo um a charada. Um a charada conta m uitos pontos?

– Tem o que conte m uito pouco, senhor – respondeu-lhe o filho – m as serem os indulgentes. Especialm ente com a pessoa que nos trouxe aqui.

– Não, não – disse Em m a – não conta pouco, não. Um a charada de Mr.

Weston contará por ele e pela pessoa que estiver ao seu lado. Por favor, senhor, perm ita-m e ouvir sua charada.

– Eu m esm o duvido que sej a m uito inteligente – disse Mr. Weston. – É

bem com um , m as aí está. Quais são as duas letras do alfabeto que expressam perfeição?

– Duas letras!... Expressam perfeição?... Tenho certeza que não sei. – Ah, nunca vai adivinhar. A senhorita (para Em m a), tenho certeza que nunca irá adivinhar. Mas eu vou lhe dizer. São o M e o A... Em -m a... Entende agora?

A com preensão e a gratificação vieram j untas. Era um a adivinhação um tanto sim plória, m as Em m a riu m uito e gostou, assim com o Frank e Harriet.

O resto do grupo, porém , não pareceu igualm ente tocado. Alguns olhavam com um olhar um tanto tolo, e Mr. Knightley disse:

– Bem , isso explica o tipo de coisa inteligente que foi solicitada. Mr.

Weston saiu-se m uito bem , m as tirou a oportunidade do resto do grupo. A

perfeição não deveria vir tão depressa.

– Oh! Por m im eu peço que m e dispensem – disse Mrs. Elton – eu realm ente não consigo fazer isso... não gosto nem um pouco deste tipo de coisa.

Um a vez alguém fez um acróstico com o m eu nom e do qual eu não gostei nada.

Lem bro-m e de quem o m andou, era um rapaz abom inável! Você sabe de quem eu falo (fazendo um sinal para o m arido). Essas coisas ficam m uito bem no Natal, quando sentam os ao redor do fogo. Mas em m inha opinião ficam fora de lugar num passeio ao ar livre, no verão. Miss Woodhouse deve desculpar-m e.

Não sou daquelas que tem coisas inteligentes à disposição dos outros. Não pretendo ser um a intelectual. Tenho grande vivacidade ao m eu próprio estilo, m as quero que m e perm itam decidir quando devo falar e quando devo segurar m inha língua. Eu passo, se m e perm ite, Mr. Churchill. Mr. E tam bém passa, assim com o Knightley, Jane e eu m esm a. Não tem os nada inteligente para dizer, nenhum de nós.

– Sim , sim , eu passo tam bém , por favor – disse seu m arido, com um tipo de sorriso escarninho. – Eu não tenho nada a dizer que possa entreter Miss Woodhouse, ou nenhum a outra j ovem . Sou um velho hom em casado, que não serve m ais para nada. Vam os cam inhar, Augusta?

– Com m uito prazer. Estou cansada de ficar parada tanto tem po em um m esm o lugar. Venha, Jane, tom e o m eu outro braço.

Jane declinou, e o casal afastou-se.

– Que casal feliz! – disse Frank Churchill, logo que eles se distanciaram .

– Com o são perfeitos um para o outro! Tiveram m uita sorte de casar-se com o fizeram , depois de se conhecerem apenas em um lugar público!... Creio que se conheceram apenas durante um as poucas sem anas em Bath! Tiveram um a sorte peculiar! Pois em Bath, ou qualquer outro lugar público, o conhecim ento que se pode ter de um a pessoa é praticam ente nenhum . Som ente quando se conhece um a m ulher em sua própria casa, entre as pessoas com quem convive, com o ela é realm ente, pode-se form ar algum j ulgam ento m ais preciso. Fora isso, o resto é adivinhação e sorte... o que geralm ente significa m á-sorte. Quantos hom ens j á se com prom eteram após um curto conhecim ento e se arrependeram pelo resto de suas vidas!

Miss Fairfax, que praticam ente não falara antes, exceto com aqueles de seu pequeno grupo, falou nesse m om ento.

– Essas coisas podem acontecer, sem dúvida.

Foi interrom pida por um acesso de tosse, e Frank Churchill virou-se para ouvir m elhor.

– A senhorita estava dizendo... – disse ele, gravem ente.

Ela recobrou a voz.

– Eu ia apenas observar que, em bora estas circunstâncias infelizes possam ocorrer às vezes, tanto com hom ens quanto com m ulheres, não acho que sej am m uito frequentes. Pode surgir um a ligação apressada e im prudente, m as geralm ente há tem po para recuperar-se dela depois. O que eu quero dizer é que apenas as pessoas de caráter fraco e indeciso, cuj a felicidade sem pre estará ao sabor do acaso, perm item que um a ligação m enos afortunada se torne um inconveniente, um a opressão para sem pre.

Ele não respondeu, sim plesm ente olhou e m eneou a cabeça em assentim ento. Logo depois, disse num tom anim ado:

– Bem , tenho tão pouca confiança em m eu próprio j ulgam ento que quando vier a m e casar espero que alguém escolha a esposa para m im . A senhorita fará isso? (virando-se para Em m a) Escolherá um a esposa para m im ?...

Tenho certeza que gostarei de qualquer pessoa escolhida pela senhorita. Estará trabalhando pelo bem da fam ília, com o sabe (com um sorriso para seu pai).

Encontre alguém para m im . Não tenho pressa, adote-a, eduque-a.

– Para torná-la parecida com igo.

– Pode ser, se conseguir.

– Muito bem , eu aceito a m issão. O senhor terá um a esposa encantadora.

– Ela deve ser anim ada e ter olhos castanhos. Não exij o m ais nada.

Devo viaj ar para o exterior por um ou dois anos, e quando retornar virei procurá-la para conhecer m inha esposa. Não esqueça.

Em m a não corria o risco de esquecer. Era o tipo de m issão que tocava cada um dos seus sentim entos favoritos. Não era Harriet exatam ente a criatura que ele descrevera? Fora os olhos, m ais dois anos a tornariam tudo o que ele desej ava. Ele j á poderia até estar pensando em Harriet no m om ento. Quem poderia dizer? O fato de referir-se à educação da futura esposa parecia indicar que falava dela.

– Bem , m adam e – disse Jane para a tia – podem os nos j untar à Mrs.

Elton?

– Se desej a, m inha querida. Com todo o m eu coração. Já estou pronta.

Eu j á estava pronta para ir com ela antes, m as vam os agora. Logo vam os ultrapassá-la. Aí esta ela!... Não, é outra pessoa. É um a das dam as do grupo

irlandês, não parece com ela... Bem , eu acho que...

Elas se afastaram , im ediatam ente seguidas por Mr. Knightley. Ficaram apenas Mr. Weston, o filho, Em m a e Harriet. A anim ação do rapaz aum entara, a ponto de se tornar quase desagradável. Até Em m a j á estava cansada de lisonj as e divertim entos; preferia cam inhar tranquila com qualquer um dos outros, ou sentar-se sozinha e despreocupada, apreciando a linda vista. A visão dos criados a procurá-los para dar notícias sobre as carruagens foi um alívio para ela. E

m esm o a agitação dos preparativos para a partida, e a ansiedade de Mrs. Elton em ter sua carruagem preparada prim eiro, foram suportadas com alegria, na perspectiva da tranquila viagem de volta que encerraria os divertim entos um tanto questionáveis desse dia de prazer. Ela esperava nunca m ais ser envolvida num esquem a desse tipo, com posto por pessoas tão m al escolhidas.

Enquanto esperava a carruagem , Em m a notou que Mr. Knightley estava ao seu lado. Ele olhou ao redor, para ver se não havia m ais ninguém por perto, e então disse:

– Em m a, preciso falar com você m ais um a vez de m odo franco, com o tenho feito. Sei que é um privilégio m ais suportado do que perm itido, talvez, m as ainda assim devo usá-lo. Não posso vê-la agindo errado, sem fazer-lhe um a advertência. Com o pôde ser tão insensível com Miss Bates? Com o pôde ser tão insolente usando sua sagacidade com um a m ulher com o caráter, a idade e a situação dela? Em m a, j am ais pensei que isso fosse possível.

Em m a relem brou a situação, ficou corada, lam entou e tentou rir.

– Com o poderia evitar dizer o que disse? Ninguém poderia evitar. Não foi tão ruim assim , acho que ela nem entendeu direito.

– Posso lhe afirm ar que ela entendeu. Com preendeu exatam ente o que você quis dizer, e desde então só fala disso. Gostaria que tivesse ouvido com o ela falou a respeito... com tanta candura e generosidade. Gostaria que tivesse ouvido com o era agradecida pela sua paciência em conceder a ela tantas atenções, com o aquelas que ela sem pre recebeu de você e de seu pai, quando a com panhia dela é tão aborrecida.

– Oh! – exclam ou Em m a – sei que não há criatura m elhor no m undo.

Mas o senhor deve adm itir que tudo o que é bom e o que é ridículo estão m isturados nela, infelizm ente.

– Realm ente estão – disse ele – eu reconheço. Se ela fosse rica, eu poderia adm itir que há um ocasional dom ínio do ridículo sobre o bom . Se ela fosse um a m ulher de fortuna, deixaria qualquer absurdo inofensivo dela seguir seu curso, não discutiria com você por tom ar essa liberdade. Se ela tivesse a

m esm a situação que você... m as, Em m a, pense quão longe isso está de ser verdade. Ela é pobre, perdeu os confortos com os quais nasceu, e se viver m uitos anos perderá ainda m ais. A situação dela deveria garantir sua com paixão. Você fez m uito m al, sem dúvida! Logo você, que ela conhece desde criança, a quem ela viu crescer, quando a atenção dela era um a honra. E ver você agora, com a m aior desatenção e num m om ento de orgulho, rir dela, hum ilhá-la... e na frente da sobrinha. E perante os outros, tam bém ... m uitos dos quais (ou, pelo m enos, alguns) serão levados a dispensar a ela o m esm o tratam ento que você. Isso não é agradável para você, Em m a, e está longe de ser agradável para m im . Mas eu posso, e devo, dizer-lhe algum as verdades enquanto puder, satisfeito em provar que sou seu am igo e confiável conselheiro, acreditando que um dia ou outro você m e fará m ais j ustiça do que faz agora.

Enquanto falavam iam avançando na direção da carruagem , que j á estava preparada. E antes que ela pudesse falar algum a coisa ele estendeu-lhe a m ão para aj udá-la a subir. Mr. Knightley entendera errado os sentim entos que a faziam m anter o rosto baixo e a boca calada. Tratava-se apenas de raiva contra si m esm a, m ortificação e profunda inquietação. Ela não fora capaz de falar, e entrando na carruagem , recostou-se nas alm ofadas por um m om ento. Depois se reprovou por não ter dito nada, por não ter reconhecido seu erro, e ter partido aparentem ente ofendida. Olhou para fora pronta a m ostrar-lhe que não se tratava disso, m as j á era tarde dem ais. Ele voltara-lhe as costas e os cavalos j á com eçavam a m ovim entar-se. Em m a continuou a olhar para trás, m as em vão.

E no que parecia um a velocidade m aior do que o norm al, logo estavam a m eio cam inho colina abaixo, e tudo ficou para trás. Sentia-se angustiada além do que poderia expressar, quase m ais do que conseguiria esconder. Nunca, em nenhum a circunstância de sua vida, se sentira tão agitada, m ortificada e triste. Estava m uito im pressionada. Não havia com o negar a verdade do que ele havia dito. Sentiu isso dentro do coração. Com o pudera ser tão brutal, tão cruel com Miss Bates?

Com o pudera expor-se a um a opinião tão cruel de alguém a quem estim ava tanto? E com o pudera perm itir que ele a deixasse sem dizer-lhe um a palavra de gratidão, de concordância, ou de sim ples bondade?