Emma

Jane Austen · Capítulo 51 de 113

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Emma

Capítulo XIII

Knightley não viria m ais para confortar as noites deles! Não chegaria m ais cam inhando a qualquer hora, com o se quisesse trocar seu próprio lar pelo deles!

Com o iria suportar isso? E se tivessem que perdê-lo pelo bem de Harriet, se dali em diante ele achasse na com panhia de Harriet tudo o que precisava, se Harriet fosse a escolhida, a prim eira, a m ais querida, a am iga, a esposa em quem ele buscaria as m aiores bênçãos da existência... O que poderia aum entar ainda m ais a infelicidade de Em m a, a não ser a reflexão que estaria sem pre em sua m ente de que tudo fora obra sua?

Quando chegava a esse ponto não podia im pedir um sobressalto, ou um suspiro profundo, ou m esm o levantar-se e cam inhar pela sala por alguns m om entos. A única fonte de consolo ou qualquer coisa sem elhante que possuía era a resolução de m elhorar sua conduta, e a esperança de que, em bora o inverno seguinte, ou qualquer outro inverno de sua vida futura fosse inferior em alegria e anim ação, iria encontrá-la m ais racional, conhecendo m elhor a si m esm a, e deixaria m enos arrependim entos ao ir em bora.

CAPÍTULO XIII

O tem po continuou o m esm o durante toda a m anhã seguinte. A m esm a solidão e a m esm a m elancolia pareciam reinar em Hartfield. Mas o clim a m elhorou durante a tarde, o vento tornou-se um a brisa suave, as nuvens se dispersaram , o sol voltou a brilhar: era verão novam ente. Com todo o entusiasm o trazido por um a m udança dessa ordem , Em m a decidiu sair de casa tão logo fosse possível. Nunca a deliciosa vista, o cheiro, a sensação da natureza, a tranquilidade, o calor e o brilho que surgiam após um a tem pestade foram tão atraentes para ela. Ansiava pela serenidade que eles gradualm ente trariam . E

quando Mr. Perry chegou, logo após o j antar, para fazer sua costum eira visita ao pai dela, Em m a não perdeu m ais tem po e se apressou em direção ao bosque. Ali, com o espírito renovado e os pensam entos m ais aliviados, deu algum as voltas, até que viu Mr. Knightley passando pela porta do j ardim e vindo em sua direção. Era a prim eira notícia que tinha de que ele retornara de Londres. Havia pensado nele m om entos antes, com o se estivesse a vinte e cinco quilôm etros de distância.

Havia tem po apenas para recom por os pensam entos rapidam ente. Ela devia m ostrar-se tranquila e com posta. Em m eio m inuto estavam j untos. Os “com o vai” foram calm os e constrangidos de am bos os lados. Ela perguntou pelos parentes com uns. Estavam todos bem ... E quando ele deixara Londres? Apenas esta m anhã... Devia ter cavalgado sob a chuva. Sim ... Em m a achou que ele pretendia cam inhar com ela. Ele então dissera que “acabara de olhar na sala de j antar, e com o vira que sua presença não era necessária ali, preferiu sair para os j ardins”... Ela percebeu que ele não falava nem parecia alegre ou anim ado. A prim eira causa possível que Em m a encontrou, em seu pensam ento, era que ele devia ter com unicado seus planos ao irm ão, e estava incom odado pela m aneira com que foram recebidos.

Cam inharam j untos. Mr. Knightley estava silencioso. Em m a achou que ele a olhava a todo o m om ento, tentando ver m elhor a expressão do rosto dela, m ais do que m ostrava. E essa crença produziu outro tem or. Talvez ele quisesse falar com ela do seu afeto por Harriet. Devia estar esperando ser encoraj ado para com eçar. Ela não podia, não queria nem pensar em levar o assunto nessa direção. Ele devia fazer tudo por si. Ainda assim , Em m a não podia suportar esse silêncio, que era tão pouco natural nele. Ela considerou, decidiu e, tentando sorrir, com eçou:

– O senhor tem algum as notícias para ouvir, agora que voltou, que vão surpreendê-lo bastante.

– Tenho? – disse ele, calm am ente, olhando para ela. – De que natureza?

–Oh! Da m elhor natureza possível: um casam ento.

Depois de esperar um m om ento, com o se pretendesse ter certeza de que ela não diria m ais nada, ele respondeu:

– Se você se refere à Miss Fairfax e Frank Churchill, eu j á soube.

– Com o é possível? – exclam ou Em m a.

Virou o rosto ruborizado para ele. Enquanto falava, ocorreu-lhe que ele poderia ter passado na casa de Mrs. Goddard no cam inho.

– Recebi um bilhete de Mr. Weston sobre negócios esta m anhã, e no final ele m e fez um breve relato do que aconteceu.

Em m a ficou m uito aliviada, e pôde então dizer, com um pouco m ais de com postura.

– Provavelm ente, o senhor ficou m enos surpreso do que qualquer um de nós, pois j á suspeitava disso. Não esqueci que um a vez tentou m e advertir a respeito. Se ao m enos eu o tivesse ouvido... Mas (com um a voz baixa e olhar triste) parece que fui condenada à cegueira.

Por um m om ento ou dois nada foi dito, e Em m a não suspeitava ter despertado qualquer interesse, até que ele tom ou seu braço e apertando sua m ão contra o peito, disse em voz baixa, com grande em oção:

– O tem po, m inha querida Em m a, o tem po vai curar a ferida. Seu próprio bom senso, seus esforços para o bem de seu pai... sei que não vai se perm itir... – Sua m ão foi apertada novam ente, enquanto ele acrescentava, num tom m enos seguro – Os sentim entos da m ais calorosa am izade... Indignação...

Abom inável patife! – E com voz m ais firm e, concluiu – Ele logo irá em bora.

Logo os dois estarão em Yorkshire. Sinto pena dela, m erecia um destino m elhor.

Em m a com preendeu-o, e logo que pode se recobrar da onda de prazer provocada por essa terna consideração, respondeu:

– O senhor é m uito bom , m as está enganado... e devo corrigi-lo. Não necessito desse tipo de com paixão. Minha cegueira para o que estava acontecendo levou-m e a agir em relação a eles de um m odo de que sem pre m e envergonharei. Fui tolam ente tentada a dizer e fazer coisas que poderiam m e expor a considerações desagradáveis. A única coisa que tenho a lam entar, no entanto, é não ter sabido do segredo antes.

– Em m a – exclam ou ele, olhando-a com ansiedade – isso é verdade? –

Interrom pendo-se em seguida. – Não, não, eu a com preendo... perdoe-m e. Fico feliz de ouvi-la dizer até m esm o algo assim . Ele não é m otivo de lam entações, de

fato! E não falta m uito, eu espero, para que sua razão leve esse conhecim ento ao seu coração. Por sorte, sua afeição não foi totalm ente com prom etida!... Confesso que nunca consegui ter certeza, pela m aneira que você agia, da extensão dos seus sentim entos... Só tinha certeza que havia um a preferência... e um a preferência que nunca achei que ele m erecesse. Ele é um a desgraça para o sexo m asculino...

e recebe com o prêm io essa doce criatura? Jane, Jane, você vai ser m uito infeliz.

– Mr. Knightley – disse Em m a, tentando ser eloquente, m as na verdade estava confusa – eu m e encontro em um a situação extraordinária. Não posso perm itir que continue persistindo em seu engano. E, no entanto, talvez porque m inhas m aneiras deram essa im pressão, tenho tantas razões para m e sentir envergonhada de confessar que nunca, em absoluto, estive apaixonada pela pessoa de quem falam os – tanto quanto seria natural para um a m ulher sentir em confessar exatam ente o contrário. Mas eu nunca estive, de fato.

Ele ouviu em perfeito silêncio. Em m a desej ava que ele falasse, m as Mr. Knightley não o fez. Ela achou que devia dizer m ais algum a coisa, antes que conseguisse obter a sua clem ência, m as era difícil ser obrigada a degradar-se ainda m ais na opinião dele. No entanto, ela continuou:

– Tenho m uito pouco a dizer sobre a m inha conduta. Fui tentada pelas atenções dele, e m e perm iti ser apreciada. É um a história antiga, provavelm ente, um caso com um ... não m ais do que j á aconteceu com centenas de pessoas do m eu sexo antes. Ainda assim não serve com o desculpa para alguém com o eu, que tem em alta conta a inteligência. Muitas circunstâncias colaboraram para a tentação. Ele é o filho de Mr. Weston... estava sem pre aqui... eu o achava m uito agradável. Em resum o (suspirando), deixe que eu separe as causas tão engenhosam ente criadas por m im para lhe dizer... bem , elas se resum em em um a coisa: m inha vaidade se sentiu recom pensada e por isso aceitei as atenções.

Nos últim os tem pos, no entanto... j á há algum tem po, na verdade, elas não significavam coisa algum a para m im . Tratava-as com o um hábito, um j ogo, nada que exigisse seriedade da m inha parte. Ele m e im pressionou, m as não m e ofendeu. Nunca estive apaixonada por ele. E agora posso com preender em parte seu com portam ento. Ele nunca pensou em m e dar sua afeição, era só um a cortina para esconder sua real situação com outra pessoa. Era sua intenção cegar a todos, e ninguém , tenho certeza, poderia ser m ais útil para esse propósito do que eu... Exceto pelo fato de que eu não estava cega, e essa foi a m inha sorte. Em sum a, de um m odo ou de outro eu m e salvei.

Ela parou para esperar um a resposta... Algum as palavras que dissessem que sua conduta fora, ao m enos, com preensível. Mas Mr. Knightley m antinha-se em silêncio e, tanto quanto ela podia perceber, im erso em pensam entos. Por fim , quase no seu tom norm al de voz, ele disse:

– Nunca tive um a boa opinião de Frank Churchill. Suponho, no entanto, que devo tê-lo subestim ado. Meu conhecim ento dele foi superficial. E m esm o que eu não o houvesse subestim ado até esse ponto, ele ainda poderia sair-se bem .

Com um a m ulher com o Jane ele tem um a chance. Não tenho m otivos para desej ar-lhe m al, e para o bem dela, cuj a felicidade dependerá do bom caráter e conduta dele, eu certam ente desej o-lhe o bem .

– Não tenho dúvidas de que serão felizes j untos – disse Em m a. –

Acredito que os dois estão sinceram ente apaixonados um pelo outro.

– Ele é um hom em afortunado! – continuou Mr. Knightley, com energia. – Tão cedo na vida, aos vinte e três anos, um período em que, se um hom em escolhe um a esposa, geralm ente escolhe m al. Aos vinte e três anos ganhar um prêm io dessa ordem ! Quantos anos de felicidade esse hom em , por todos os cálculos hum anos, tem diante de si! Certo do am or de tal m ulher, um am or desinteressado, pois o caráter de Jane Fairfax m ostra seu total desinteresse.

Tudo está a favor dele... igualdade de situação, pelo m enos no que se refere à sociedade, e todos os hábitos e m odos que são im portantes. Igualdade em todos os pontos, m enos um . E este um , j á que a pureza do coração dela é indubitável, o que m uito aum enta a sua felicidade, perm itirá a ele proporcionar-lhe a única vantagem que falta a ela. Um hom em sem pre desej a dar a um a m ulher um lar m elhor do que aquele do qual ele a tirou. E aquele que consegue isso, desde que não haj a dúvida do am or dela, deve, no m eu entender, ser o m ais feliz dos m ortais. Frank Churchill é, sem dúvida, um favorito da sorte. Todas as coisas se resolvem para o bem dele. Ele conhece um a j ovem em um a estação de águas, ganha o coração dela, não consegue afastá-la nem com seu tratam ento negligente... e m esm o que ele e toda a sua fam ília procurassem um a esposa ao redor do m undo, não poderiam ter encontrado ninguém superior a ela. A tia está no cam inho... a tia m orre. Ele nada m ais precisa fazer a não ser falar, e seus am igos estão ansiosos para prom over a sua felicidade. Ele usou todo m undo, e todos ficam deliciados em perdoá-lo! Ele é um hom em de m uita sorte, de fato!

– O senhor fala com o se o invej asse.

– E eu de fato o invej o, Em m a. Em um aspecto ele é obj eto da m inha invej a.

Em m a não pôde dizer m ais nada. Pareciam estar a ponto de falar de Harriet, e o prim eiro sentim ento de Em m a foi evitar o assunto, se pudesse.

Elaborou um plano. Falaria de algo totalm ente diferente... seus sobrinhos de Brunswick Square, por exem plo. Respirou fundo e ia com eçar a falar quando Mr.

Knightley a surpreendeu, dizendo:

– Não vai m e perguntar qual é o ponto em que o invej o?... Está

determ inada, pelo que vej o, a não ser curiosa. Sábia decisão... m as eu não posso ser sábio, Em m a. Devo dizer-lhe aquilo que não quer perguntar, m esm o que, no m om ento seguinte, m e arrependa de ter falado.

– Oh! Então não fale, não fale – ela exclam ou, ansiosam ente. – Espere um pouco, pense no assunto, não se com prom eta.

– Obrigado – disse ele, num tom de profunda m ortificação. E não falou nem m ais um a sílaba.

Em m a não suportava provocar-lhe sofrim ento. Ele desej ava fazer-lhe um a confidência, talvez até consultá-la... Custasse o que custasse, deveria ouvi-lo.

Devia aj udar na decisão dele, ou reconciliá-lo com sua decisão. Devia fazer os j ustos elogios a Harriet ou, m ostrando-lhe sua própria independência, aliviá-lo desse estado de indecisão, que era o que podia haver de pior para um a m ente com o a dele. Nesse m om ento chegaram a casa.

– Você vai entrar, im agino? – disse ele.

– Não – respondeu Em m a, confirm ando suas apreensões pelo tom depressivo com que ele falava. – Gostaria de dar m ais um a volta. Mr. Perry ainda não saiu.

Depois de andarem alguns passos, ela acrescentou:

– Eu o interrom pi de form a desgraciosa agora há pouco, Mr. Knightley, e tem o que o tenha ofendido. Mas se o senhor tem algum desej o de m e falar abertam ente com o am igo, ou pedir m inha opinião sobre algum assunto com o am iga, pode falar. Vou ouvir o que desej ar m e contar, e lhe direi exatam ente o que penso.

– Com o am iga! – repetiu Mr. Knightley. – Em m a, o que eu tem o é um a palavra... Não, não desej o... Espere... Sim , por que estou hesitando?... Já fui longe dem ais para tentar esconder algum a coisa... Em m a, aceito sua oferta, por m ais extraordinário que possa parecer eu aceito, e vou m e dirigir a você com o am igo... Diga-m e, então, tenho algum a chance de ser bem sucedido?

Ele parou na sua seriedade para ver com o ela receberia a pergunta, e a expressão dos olhos dele subj ugou-a.

– Minha querida Em m a – ele disse – pois você sem pre será querida, não im porta o resultado dessa hora de conversa. Minha querida, m inha am ada Em m a... Diga-m e de um a vez. Diga “não” se essa for a sua resposta.

Ela não conseguia dizer um a palavra.

– Você fica em silêncio – exclam ou ele, com grande anim ação. –

Absolutam ente silenciosa! No m om ento, não peço m ais nada.

Em m a estava a ponto de sucum bir à agitação desse m om ento. O m edo de ser despertada de um sonho feliz foi talvez o sentim ento predom inante.

– Não sei fazer discursos, Em m a – ele logo recom eçou, num tom de sincera e decidida ternura, que foi bastante convincente. – Se eu a am asse m enos, poderia ser capaz de dizer m ais sobre isso. Mas você sabe com o eu sou, não vai ouvir de m im senão a verdade. Eu a culpei e a repreendi, e você suportou isso com o nenhum a m ulher na Inglaterra teria feito. Peço que suporte as verdades que vou lhe dizer agora, querida Em m a, tão bem com o suportou as outras. O m odo com o vou dizer, talvez, faça pouco por recom endá-las. Deus sabe que tenho sido um apaixonado m uito indiferente. Mas você m e entende...

Sim , vej a, você entende m eus sentim entos... e irá retribuí-los, se puder. No m om ento desej o apenas ouvir sua voz, pelo m enos um a vez.

Enquanto ele falava a m ente de Em m a estava trabalhando depressa e, graças à espantosa velocidade de seu pensam ento, sem perder um a palavra, foi capaz de ouvir e com preender exatam ente o sentido do que ele dizia. Foi capaz de ver que as esperanças de Harriet eram inteiram ente infundadas, um erro, um a ilusão, um a com pleta ilusão com o qualquer um a das suas... Que Harriet não representava nada, e que ela era tudo! Com preendeu que o que havia dito em relação à Harriet foi entendido com o a linguagem de seus próprios sentim entos.

E que sua agitação, suas dúvidas, sua relutância, seu desânim o, tinham sido recebidos com o desalento da parte dela... Entendeu que chegara o m om ento de convencer-se dessas verdades, com todo o brilho de felicidade que prom etiam , e que devia se alegrar por não ter revelado o segredo de Harriet, que ele não devia e não seria revelado. Isso era tudo o que ela podia fazer agora por sua pobre am iga, pois não possuía o heroísm o de sentim entos que a teria levado a rogar a Mr. Knightley que transferisse sua afeição dela para Harriet, que era a m ais m erecedora das duas. Tam bém não podia realizar o sublim e gesto de recusá-lo de um a vez para sem pre, sem apresentar nenhum m otivo, um a vez que ele não poderia casar-se com as duas. Sentia por Harriet, dolorosa e contritam ente. Mas nenhum a louca generosidade, oposta a tudo que podia ser provável ou razoável, apoderou-se de sua m ente. Ela levara a am iga a erro, e sem pre se reprovaria por isso. Mas seu j uízo era tão forte quanto seus sentim entos, e tão forte com o sem pre fora, reprovando um a aliança que fosse desigual e degradante para ele.

O cam inho a seguir era claro, ainda que não fosse suave... Ela falou, então. O

que ela disse? Só o que devia, claro. Um a dam a sem pre age assim . Disse o suficiente para m ostrar que não havia necessidade de desespero... e para convidá-lo a dizer m ais. Ele tinha se desesperado por um tem po, recebera esse silêncio e cautela com o o fim de qualquer esperança... Ela com eçara por recusar-se a ouvi-lo. A m udança talvez tenha sido um tanto repentina. A proposta

dela de cam inhar um pouco m ais, depois voltar atrás e renovar a conversa que ela m esm a term inara talvez tivesse sido um pouco extraordinária! Ela sentia que estava sendo inconsistente, m as Mr. Knightley foi am ável o suficiente para deixar isso de lado e não pedir explicações adicionais.

Raram ente, m uito raram ente a verdade é totalm ente revelada; raram ente acontece de não ficar algum a parte um pouco disfarçada, ou um pouco m al com preendida. Mas num caso com o esse, onde apesar da conduta estar errada os sentim entos estão certos, não pode haver m aiores consequências.

Mr. Knightley não poderia exigir de Em m a um coração m ais brando do que ela possuía, ou um coração m ais disposto a aceitá-lo.

Na verdade, Mr. Knightley não suspeitava da sua própria influencia. Ele a seguira até o j ardim sem intenção de tentar nada. Viera ansioso para saber com o ela estava suportando o noivado de Frank Churchill, sem nenhum a intenção egoísta, sem nenhum a intenção, na verdade. Pretendia apenas tentar consolá-la ou aconselhá-la, caso ela lhe desse algum a oportunidade. O resto fora obra do m om ento, o efeito im ediato daquilo que ouvira sobre os seus sentim entos. A deliciosa certeza de que Em m a era totalm ente indiferente a Frank Churchill, e que estava com o coração com pletam ente livre para ele, dera lugar à esperança de que, com o tem po, pudesse conquistar a afeição dela. Mas não havia esperanças para o presente. No m om ento em que a ansiedade sobrepuj ou a razão, ele desej ava apenas saber que ela não proibiria sua tentativa de fazer-se am ado. As suprem as esperanças que foram gradualm ente aum entando, era o m ais encantador de tudo. A afeição que ele desej ava apenas ter perm issão para criar, j á pertencia a ele! Em apenas m eia hora passara de um estado m ental de profundo desespero para algo bem parecido com a felicidade perfeita, ou algo que não m erecia qualquer outro nom e.

A m udança nela havia sido igual. Essa m eia hora dera a cada um deles a m esm a preciosa certeza de ser am ado, tirara de cada um o m esm o grau de desconhecim ento, ciúm e ou desconfiança. Da parte dele havia ciúm es de longa data, desde a chegada de Frank Churchill, e até antes, desde a expectativa da chegada do j ovem . Ele estava apaixonado por Em m a e com ciúm es de Frank Churchill desde essa época. Provavelm ente, um sentim ento j ogara luz sobre o outro e o alertara. Fora o ciúm e de Frank Churchill que o fizera afastar-se de Highbury. A excursão à Box Hill o levara à decisão de ir em bora. Queria evitar testem unhar novam ente aquelas atenções perm itidas e encoraj adas. Partira para aprender a ser indiferente. Mas tinha ido para o lugar errado. Havia m uita felicidade dom éstica na casa do irm ão, o papel da m ulher era agradável dem ais, e Isabella era m uito parecida com Em m a, diferia apenas naquelas notáveis inferioridades que sem pre fizeram a outra brilhar ainda m ais perante ele. E, no entanto, ele ficara lá, esforçando-se para fazer o m elhor, suportando tudo com