Emma

Jane Austen · Capítulo 39 de 113

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Emma

Capítulo I

Jantar um a vez com os Coles, e ter aj udado a organizar um baile que nunca chegou a se realizar. Posso entender o senhor (fazendo um gesto na direção de Mr. John Knightley ), a sua sorte de encontrar tantos de seus am igos reunidos aqui, de um a vez só, o deixa tão encantado que não pode deixar de m encionar. Mas o senhor (voltando-se para Mr. Knightley ), que sabe m uito bem com o raram ente fico m ais de duas horas afastada de Hartfield, não posso im aginar por que prevê tal dissipação da m inha parte. E quantos aos m eus queridos m eninos, se a Tia Em m a não tiver tem po para eles, não sei se estarão m ais bem servidos com o Tio Knightley, que fica fora de casa por cinco horas enquanto ela fica um a. E

que, além de tudo, quando está em casa passa o tem po lendo ou cuidando das contas.

Mr. Knightley parecia esforçar-se para não rir. E conseguiu controlar-se com facilidade, pois Mrs. Elton com eçou a falar com ele.

[1] Him eneu é o deus do casam ento na m itologia grega.

VOLUME III

CAPÍTULO I

Um a pequena e calm a reflexão foi suficiente para satisfazer Em m a quanto à natureza de sua agitação ao ouvir essas notícias sobre Frank Churchill.

Logo se convenceu de que não era por ela que estava apreensiva ou em baraçada, m as por ele. Seu sentim ento por Frank Churchill logo se reduziu a nada, nem valia a pena pensar nisso. Mas se ele, que sem dúvida era o m ais apaixonado dos dois, voltasse com os m esm os sentim entos ardorosos de quando partira, seria m uito angustiante. Se um a separação de dois m eses não o tivesse esfriado, teria perigos e m ales pela frente. Seria necessária cautela, por si m esm a e tam bém por ele. Não desej ava ver sua afeição novam ente envolvida, e teria a tarefa de evitar encoraj á-lo de qualquer m aneira que fosse.

Desej ava que ele se abstivesse de fazer um a declaração direta. Seria um a conclusão tão dolorosa para o seu relacionam ento! E assim m esm o ela não podia deixar de antecipar que algo decisivo aconteceria. Achava que a prim avera não term inaria sem trazer algum a crise, algum evento, ou outro fato que viesse alterar seu atual estado de espírito com posto e tranquilo.

Não dem orou m uito, apesar de dem orar m ais do que Mr. Weston previra, para que tivesse oportunidade de form ar um a opinião sobre os sentim entos de Frank Churchill. A fam ília de Enscom be não viera para a cidade tão cedo com o ele im aginava, m as ele viera a Highbury logo depois. Cavalgara por um as duas horas, pois não poderia ter feito m ais. Com o viera de Randalls direto para Highbury, ela pode então exercitar seu profundo poder de observação, e rapidam ente determ inar qual era a disposição dele e com o ela deveria agir. Encontraram -se com a m aior am izade. Não havia dúvida quanto ao grande prazer que ele sentia ao vê-la. Em m a teve, no entanto, um instante de dúvida quanto a Frank ainda sentir o m esm o por ela, ou que a ternura que dem onstrara ainda tivesse a m esm a intensidade. Ela o observou bem . Era evidente que estava m enos apaixonado. A ausência, assim com o a convicção da indiferença dela, produzira este efeito m uito natural e m uito desej ável.

Ele estava m uito anim ado, pronto para brincar e rir com o sem pre, e parecia deliciado em falar de sua visita anterior, recordando velhas histórias. Não parava de se agitar, não era na sua calm a que Em m a percebia a diferença de seus sentim entos. Mostrava-se bastante nervoso, seu espírito estava evidentem ente inquieto, não conseguia se tranquilizar. Frank Churchill sem pre fora vivaz, m as essa vivacidade não parecia m ais ser suficiente para satisfazê-lo.

O que a fez ter certeza de que havia algo diferente, porém , foi o fato dele passar apenas quinze m inutos em Hartfield, e depois correr a Highbury para fazer outras visitas. “Ele vira um grupo de am igos na rua quando passou – não podia

parar, é claro, não iria parar por nada no m undo – m as teve a vaidade de acreditar que eles ficariam desapontados se ele não os visitasse, e por m ais que desej asse ficar m ais tem po em Hartfield, devia se apressar”. Não havia dúvida que ele estava m enos apaixonado, m as seu espírito agitado e sua pressa em sair pareciam indicar que a cura talvez não tivesse sido perfeita. Ela preferia acreditar que isso significava o m edo de que os sentim entos voltassem , e um a discreta resolução de não confiar em si m esm o enquanto estivesse ao lado dela.

Esta foi a única visita de Frank Churchill em dez dias. Ele estava sem pre esperando, pretendendo vir, m as era sem pre im pedido. A tia ainda não podia suportar que ele a deixasse, pelo m enos foi o que contou em Randalls. Se fora sincero, se realm ente tentou vir, podia-se deduzir que a vinda de Mrs. Churchill para Londres de nada adiantara para a teim osia dela ou para a parte nervosa de sua doença. Que ela estava de fato doente era algo certo. Ele se declarou convencido disso em Randalls. Mesm o que um a parte da doença pudesse ser fantasia, não podia duvidar, quando olhava para trás, que ela estava em um estado de saúde pior do que há seis m eses. Ele não acreditava, no entanto, que acabasse se tornando tão grave que os cuidados e a m edicina não pudessem resolver, ou pelo m enos achava que ela tinha m uitos anos de vida pela frente.

Não podia dizer, apesar de todas as dúvidas do pai, que os m ales dela eram m eram ente im aginários, e que estava tão forte com o antes.

Logo se tornou evidente que Londres não era o local adequado para Mrs. Churchill. Não conseguia suportar o barulho. Seus nervos estavam sob continua tensão e sofria m uito, e ao fim de dez dias, a carta que o sobrinho enviou a Randalls com unicava um a m udança de planos. Iriam partir im ediatam ente para Richm ond. Recom endaram à Mrs. Churchill um com petente m édico naquela cidade, e ela sem pre tivera desej o de conhecer o lugar. Conseguiram um a casa m obiliada num local elegante e esperavam grandes benefícios com a m udança.

Em m a ouviu dizer que Frank escrevera com grande anim ação sobre essa nova decisão, e parecia encantado com a benção de ter diante de si dois m eses em um a vizinhança tão próxim a de tantos am igos queridos, pois a casa fora alugada pelos m eses de m aio e j unho. Disseram -lhe que agora ele escrevera com grande confiança de poder vê-los com frequência, quase tanto quanto podia desej ar.

Em m a viu com o Mr. Weston estava interpretando esses felizes proj etos.

Ele estava considerando que ela era a fonte de toda essa felicidade. Ela esperava que não. Dois m eses seriam o suficiente para prová-lo.

A própria felicidade de Mr. Weston era indiscutível. Estava de fato

deliciado. Era essa a circunstancia que ele tanto desej ava, agora sim teria Frank na vizinhança. O que eram quatorze quilôm etros para um hom em j ovem ? Um a viagem de um a hora. Ele viria vê-los sem pre. A diferença entre a distância de Londres e de Richm ond para Highbury, era a diferença entre vê-lo seguidam ente e não vê-lo quase nunca. Vinte e cinco quilôm etros – não, vinte e oito, pois deviam ser exatos vinte e oito quilôm etros até a Manchester Street – eram um sério obstáculo. Se ele conseguisse sair, o dia seria perdido apenas em ir e voltar.

Não havia vantagem em tê-lo em Londres, era com o se estivesse em Enscom be.

Mas Richm ond era a distância perfeita para um a viagem fácil. Era m elhor que estivesse tão perto!