Emma

Jane Austen · Capítulo 57 de 113

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Emma

Capítulo XIX

Algum as vezes elas com certeza irão im por-se... Mas com o pode buscá-las deliberadam ente?

Ele tinha m uito a dizer em resposta, e de m odo bastante divertido.

Em m a, porém , concordava com Jane nessa questão. Ao deixar Randalls, Em m a com eçou naturalm ente a fazer um a com paração entre os dois hom ens. Sentia que, m esm o bastante contente por ter encontrado Frank Churchill e apesar de apreciar sua am izade, nunca estivera m ais consciente da im ensa superioridade de caráter de Mr. Knightley. Para Em m a, a felicidade m aior que com pletou um dia em si tão feliz, foi o alegre reconhecim ento dos grandes m éritos do noivo, que a com paração com o outro produzira.

CAPÍTULO XIX

Em m a ainda tinha, de vez em quando, certo sentim ento de ansiedade em relação à Harriet. Tinha até um a dúvida m om entânea de que fosse possível para ela curar-se realm ente de seu afeto por Mr. Knightley, e estar realm ente disposta a aceitar outro hom em de form a im parcial. Não sofreria destas incertezas por longo tem po, porém . Dentro de poucos dias o grupo chegou de Londres, e Em m a logo teve um a oportunidade de passar um a hora sozinha com Harriet, quando ficou perfeitam ente satisfeita ao saber que – por m ais inacreditável que fosse! – Robert Martin havia suplantado totalm ente Mr.

Knightley nas afeições da m oça e representava agora todos os seus sonhos de felicidade.

Harriet ainda estava um pouco angustiada, e pareceu insegura logo que se encontraram . Ao adm itir, porém , que fora presunçosa e tola, e que decepcionara a si m esm a, sua dor e confusão pareciam dissolver-se com as palavras; dem onstrava não se im portar m ais com o passado, e estava exultante quanto ao presente e o futuro. Harriet tem ia que a am iga não aprovasse sua decisão, m as Em m a im ediatam ente a tranquilizou quanto a qualquer m edo dessa natureza, recebendo-a com as m ais sinceras congratulações. Harriet ficou bastante feliz de lhe contar todos os detalhes da noite no Astley ’s e do j antar do dia seguinte. Podia falar disso com a m aior felicidade, m as o que esses detalhes significavam ? Em m a agora percebia que Harriet sem pre gostara de Robert Martin, e o fato dele continuar a am á-la era algo irresistível. Qualquer coisa além disso seria sem pre um m istério para ela.

O reencontro, porém , foi m uito alegre, e a cada dia Em m a tinha novas razões para pensar assim . Descobriu-se a paternidade de Harriet. Ela era a filha de um com erciante, rico o bastante para m antê-la com o conforto que sem pre desfrutara, e decente o bastante para sem pre ter desej ado esconder a verdade.

Esse era o sangue nobre que Em m a antigam ente estava tão disposta a atestar!

Era provavelm ente m enos contam inado que o sangue de m uitos nobres, m as que ligação ela estivera preparando para Mr. Knightley... ou para os Churchill... ou m esm o para Mr. Elton! A m ancha da ilegitim idade, não suavizada pela nobreza ou pela riqueza, teria sido sem pre um a m ancha.

Não houve obj eção algum a da parte do pai de Harriet, e o rapaz foi tratado com liberalidade. Tudo correu com o esperado, e quando Em m a passou a conhecer Robert Martin, que foi apresentado em Hartfield, reconheceu nele todo o bom senso e a retidão que desej aria para sua am iga. Em m a não tinha dúvida da felicidade de Harriet com qualquer hom em de bom tem peram ento, m as com Robert Martin, e no lar que ele lhe oferecia, havia esperança de m ais: segurança,

estabilidade e prosperidade. Estaria entre pessoas que a am avam e que tinham m elhor senso do que ela própria, viveria retirada o bastante para estar segura e ocupada o bastante para ser alegre. Nunca estaria exposta a tentações, nem ficaria sem proteção, m as seria respeitável e feliz. Em m a acreditava que Harriet tivera a m aior sorte do m undo por ter inspirado um afeto tão firm e e perseverante num hom em com o ele. E, se não era a m ais protegida pela sorte, vinha logo depois da própria Em m a.

Harriet passou a ir cada vez com m enos frequência a Hartfield, por conta de seus com prom issos com os Martins, e isso não era m otivo para lam entar. A intim idade entre elas devia dim inuir, e sua am izade iria transform ar-se num tipo de calm o relacionam ento entre pessoas conhecidas.

Afortunadam ente, o que devia acontecer j á estava com eçando, de form a gradual e com m uita naturalidade.

Antes que o m ês de setem bro chegasse ao fim Em m a acom panhou Harriet à igrej a e viu sua m ão ser concedida a Robert Martin. Sentia tam anha satisfação que nenhum a lem brança poderia em panar, nem m esm o aquelas ligadas a Mr. Elton quando se colocou de pé diante deles para celebrar. Talvez até, a esta altura, ela não visse Mr. Elton senão com o o clérigo cuj a próxim a benção nupcial devia recair sobre ela. Apesar de ser o últim o casal a ficar noivo entre os três, Robert Martin e Harriet Sm ith era o prim eiro a casar-se.

Jane Fairfax j á deixara Highbury e estava desfrutando do conforto de seu am ado lar j unto aos Cam pbells. Os dois Churchills tam bém estavam na capital, esperando apenas a chegada do m ês de novem bro, quando term inaria o luto.

O m ês interm ediário, outubro, foi o escolhido por Em m a e Mr.

Knightley, tanto quanto se perm itiam esperar. Haviam determ inado que seu casam ento devia acontecer enquanto John e Isabella ainda estivessem em Hartfield, a fim de perm itir que partissem para um a program ada viagem de quinze dias ao litoral. John e Isabella, assim com o todos os seus am igos, aprovaram a ideia. Mas quanto a Mr. Woodhouse... com o poderiam induzi-lo a consentir nisso?... Logo ele, que ainda falava no casam ento de Em m a com o um evento distante.

Quando falaram no assunto pela prim eira vez ele ficou tão infeliz que eles quase perderam as esperanças... Um a segunda alusão ao assunto, no entanto, provocou m enos dor. Ele com eçou a aceitar que isso iria acontecer, e que não teria com o im pedir... um degrau m uito prom issor da m ente no cam inho da resignação. No entanto, ele não estava feliz. Parecia, de fato, tão infeliz que a coragem de Em m a com eçou a fraquej ar. Ela não suportava vê-lo sofrer,

sabendo que se sentiria abandonado. E ainda que Mr. Knightley e o irm ão lhe assegurassem que, um a vez acontecido o casam ento, ele logo deixaria de ficar tão angustiado, ela hesitava... não podia prosseguir com os planos.

Nesse estado de suspense eles foram aj udados, não por algum a súbita ilum inação na m ente de Mr. Woodhouse, nem por algum a m udança no seu sistem a nervoso, m as pela atuação desse m esm o sistem a nervoso de outra m aneira. Um a noite, todos os perus do aviário de Mrs. Weston foram roubados...

Outros aviários das redondezas tam bém sofreram o m esm o dano. Para Mr.

Woodhouse, o furto significava que havia ladrões arrombando as casas. Ele ficou m uito alarm ado. E teria continuado assim por todas as noites restantes de sua vida se não fosse o senso de proteção de seu genro. A força, a resolução e a presença de espírito dos dois irm ãos Knightley foram determ inantes para sua com pleta rendição. Enquanto um dos dois estivesse ali para protegê-lo e aos seus, Hartfield estaria segura. Mas Mr. John Knightley devia voltar a Londres no final da prim eira sem ana de novem bro.

O resultado dessa angústia foi que, com um consentim ento m uito m ais voluntário e alegre do que sua filha teria sequer im aginado naquele m om ento, ele foi capaz de m arcar a data do casam ento. Mr. Elton foi então novam ente cham ado, m enos de um m ês depois do casam ento de Mr. e Mrs. Robert Martin, para unir Mr. Knightley e Miss Woodhouse.