Emma
Capítulo XIV
“Não existe m aior encanto que a ternura de coração” pensava Em m a consigo m esm a, m ais tarde. “Nada se com para a isso. Calor e ternura de coração, aliadas a um tem peram ento afetuoso e franco, são m uito m ais atraentes que toda a clareza e inteligência do m undo, estou certa disso. É o coração terno que torna m eu querido pai tão am ado por todos, e o que dá a Isabella toda a sua popularidade. Não possuo essa qualidade, m as sei com o valorizá-la e respeitá-la.
Harriet é superior a m im por todo o encanto e felicidade que essa ternura lhe confere. Querida Harriet! Eu não a trocaria pela m ulher m ais inteligente, de m elhor discernim ento ou m ais sensata desse m undo. Ah! A frieza de um a Jane Fairfax! Harriet vale cem vezes m ais... E com o esposa, esposa de um hom em sensível, seu valor é incalculável. Não vou m encionar nom es, m as feliz do
hom em que trocar Em m a por Harriet!”
CAPÍTULO XIV
Mrs. Elton foi vista prim eiro na igrej a. Mas apesar da devoção poder ser interrom pida, a curiosidade não podia ser satisfeita apenas com a visão de um a noiva num banco de igrej a. Isso devia ser deixado para as visitas que seriam feitas, e que serviriam para determ inar se ela era de fato m uito bonita, apenas um pouco bonita, ou não era bonita de m odo algum .
Em m a tinha sentim entos, m enos de curiosidade do que de orgulho ou senso de propriedade, que a fizeram decidir que não seria a últim a a apresentar seus respeitos ao casal. Fez questão de que Harriet fosse com ela, pois era m elhor acabar logo com esse assunto desagradável.
Não poderia entrar de novo na casa, nem estar na m esm a sala em que entrara graças ao vão artifício de am arrar o cadarço da botina, três m eses atrás, sem que as lembranças a atingissem . Teve m il pensam entos vexatórios.
Cum prim entos, charadas e horríveis asneiras. E era de se supor que a pobre Harriet tam bém estivesse se lem brando. Mas ela se com portou m uito bem , apesar de estar um pouco pálida e silenciosa. A visita foi curta, evidentem ente, m as havia tanto em baraço e as m entes se ocupavam tanto em dim inuí-lo, que Em m a não pôde se perm itir form ar um a opinião definitiva sobre a dam a, e não tinha nada para falar, além dos term os banais “m uito elegante e agradável”.
Em m a realm ente não gostou de Mrs. Elton. Não pretendia se apressar em encontrar falhas, m as suspeitava que não houvesse verdadeira elegância nela; desem baraço, sim , m as não elegância. Estava quase certa que para um a j ovem , um a estranha, um a recém casada, havia desem baraço dem ais. Sua aparência era bastante aceitável, o rosto não era feio, m as nem as feições, nem o j eito, nem a voz, nem os m odos eram elegantes. Em m a pensou, por fim , que acabaria sendo assim m esm o.
Quanto a Mr. Elton, suas m aneiras não pareciam ... Mas não, ela não se perm itiria qualquer gracej o sobre as m aneiras dele. Era um a cerim ônia em baraçosa, a qualquer tem po, receber visitas de cum prim entos pelo casam ento, e um hom em necessita de toda sua presença de espírito para suportar isso com desenvoltura. A m ulher se sente m ais à vontade, pois tem a aj uda de belas roupas e o privilégio da tim idez, m as o hom em só pode contar com seu bom senso. E quando ela considerava o quanto Mr. Elton devia estar particularm ente infeliz, por estar na m esm a sala em com panhia da m ulher com quem acabara de se casar, da m ulher com quem ele desej ava se casar e da m ulher com quem se esperava que se casasse, ela podia conceder-lhe o direito de parecer pouco inteligente e de estar tão em ocionalm ente afetado e
em baraçado quanto fosse possível.
– Bem , Miss Woodhouse – disse Harriet, quando deixaram a casa, após esperar em vão que a am iga falasse prim eiro. – Bem , Miss Woodhouse (com um suave suspiro), o que pensa dela?... Não acha que é encantadora?
Houve um a pequena hesitação antes que Em m a respondesse.
– Oh, sim , m uito... um a j ovem m uito agradável.
– Acho que é bonita... m uito bonita.
– Muito bem vestida, com certeza; usava um vestido notavelm ente elegante.
– Não m e surpreende que ele tenha se apaixonado.
– Ah, não... não é m esm o para surpreender, de form a nenhum a. Um a bela fortuna! E ela se atravessou no cam inho dele.
– Eu ouso dizer – continuou Harriet, suspirando outra vez – eu ouso dizer que ela está m uito apaixonada por ele.
– Talvez estej a, m as não é o destino dos hom ens casarem -se com as m ulheres que m ais os am am . Miss Hawkins talvez quisesse ter seu próprio lar, e achou que essa era a m elhor oferta que poderia receber.
– Sim – disse Harriet, com ar sério – e penso que ela fez m uito bem , ninguém teria um a oferta m elhor. Bem , desej o-lhes felicidades, de todo o coração. E agora, Miss Woodhouse, não acho que m e im portaria se tivesse que vê-los novam ente. Ele continua tão superior com o sem pre... m as agora está casado, o que é m uito diferente. Não, Miss Woodhouse, a senhorita não precisa se preocupar, agora posso sentar-m e e adm irá-lo sem m e sentir m uito infeliz. E
saber que ele não se desesperou é um grande conforto!... Ela parece um a j ovem encantadora, j usto o que ele m erece. Que criatura feliz! Ele a cham ou de
“Augusta”. Que rom ântico!
Quando o casal retornou a visita Em m a j á estava preparada. Podia agora observar m ais e j ulgar m elhor. Com o Harriet não se encontrava em Hartfield no m om ento, e com seu pai entretido com Mr. Elton, ela pode conversar unicam ente com a j ovem dam a durante um quarto de hora, e observá-la com calm a. Esse quarto de hora foi suficiente para convencê-la que Mrs. Elton era um a m ulher superficial, extrem am ente satisfeita consigo m esm a, e que valorizava dem ais sua própria im portância. Pretendia ser brilhante e superior, m as com o suas m aneiras vieram de um a escola ruim , parecia apenas atrevida e sem cerim ônia. Todas as suas noções provinham de um único tipo de
pessoas e de um único estilo de vida. Se não era tola, era ignorante, e um a associação desse tipo não faria nenhum bem a Mr. Elton.
Harriet teria sido um a escolha m elhor. Se ela m esm a não era refinada ou inteligente, poderia levá-lo a conviver com pessoas que fossem . Mas Miss Hawkins, com o se podia facilm ente supor pelo alto conceito que tinha de si m esm a, devia ser o m elhor que havia em seu grupo social. O rico cunhado que vivia perto de Bristol – orgulhoso de sua casa e suas carruagens – era o trunfo desse casam ento.
O prim eiro assunto da conversa, logo que se sentaram , fora com parar Maple Grove “o lar de m eu cunhado, Mr. Suckling” com Hartfield. Os cam pos de Hartfield não eram m uito grandes, m as eram bonitos e bem cuidados, e a casa era m oderna e sólida. Mrs. Elton pareceu m uito im pressionada pelo tam anho da sala, a entrada e tudo que podia ver ou im aginar. “Parece tanto com Maple Grove!... Estava m uito im pressionada com a sem elhança!... Esta sala tinha o m esm o tam anho e form ato da sala do café da m anhã em Maple Grove, a sala preferida de sua irm ã”. Mr. Elton foi cham ado a confirm ar. “Não era im pressionante a sem elhança?... Ela podia até se im aginar em Maple Grove”.
– E a escada... – ela continuou. – A senhorita sabe? Quando cheguei eu logo vi com o a escada é parecida, colocada exatam ente na m esm a parte da casa. Não pude deixar de m e espantar! Eu lhe asseguro, Miss Woodhouse, é m uito agradável para m im ser lem brada de um lugar pelo qual tenho tanta afeição com o Maple Grove. Passei tantos m eses felizes lá! (com um pequeno suspiro de saudade). Um lugar encantador, sem dúvida. Todo m undo que o vê fica im pressionado com sua beleza, m as para m im tem sido um verdadeiro lar.
Sem pre que se é obrigada a viver longe de casa, com o eu, Miss Woodhouse, não im agina a delicia que é encontrar um lugar quase igual ao que deixam os para trás. Eu sem pre digo que este é um dos m ales do casam ento.
Em m a respondeu tão brevem ente quanto pôde, m as foi o bastante para Mrs. Elton, que só queria continuar falando.
– Tão parecida com Maple Grove! E não é apenas a casa... os terrenos tam bém , tanto quanto pude observar, são extrem am ente parecidos, eu lhe asseguro. Os loureiros em Maple Grove crescem em profusão, assim com o aqui, e estão quase nos m esm os lugares, logo após o gram ado. E vislum brei um a árvore m uito grande, com um banco em volta, que m e lem brou tanto de lá!
Minha irm ã e m eu cunhado ficariam m aravilhados com este lugar. As pessoas que possuem grandes propriedades sem pre ficam encantadas quando veem qualquer outra no m esm o estilo.
Em m a duvidava da veracidade desse sentim ento. Ela sabia que as
pessoas que possuíam grandes extensões de terra ligavam m uito pouco para as grandes extensões de terra dos outros. Mas não valia a pena discutir por um erro tão grosseiro, então disse apenas em resposta:
– Quando a senhora tiver visto m ais desta região, tem o que vá achar que valorizou Hartfield dem ais. Surry possui m uitas belezas.
– Oh, sim , estou consciente disso. É o j ardim da Inglaterra, a senhorita sabe. Surry é o j ardim da Inglaterra!
– Sim , m as não devem os aceitar essa distinção. Muitas regiões, eu creio, são consideradas o j ardim da Inglaterra, tanto quanto Surry.
– Não, acho que não – respondeu Mrs. Elton, com um sorriso satisfeito.
– Nunca ouvi outra região ser cham ada assim , apenas Surry.
Em m a ficou em silêncio.
– Meu cunhado e m inha irm ã prom eteram nos visitar na prim avera ou, o m ais tardar, no verão – continuou Mrs. Elton – e esse será o período para explorações. Quando estiverem aqui devem os fazer m uitos passeios, ouso dizer.
Eles virão com seu landau[1], é claro, que com porta m uito bem quatro pessoas.
Portanto, sem precisar utilizar a nossa carruagem , poderem os explorar as diferentes belezas daqui com extrem o conforto. Nessa época do ano acho que não virão com a caleche, na verdade, m as quando o tem po m elhorar, eu decididam ente recom endarei que venham com o landau. Será bem m elhor.
Quando alguém vem para um a região tão linda com o essa, Miss Woodhouse, a senhorita sabe que desej am os que vej am tantas belezas quanto for possível, e Mr.
Suckling adora explorações. Estivem os explorando King’s Weston duas vezes no verão passado, logo que eles com praram o landau, e foi delicioso. Suponho que aqui costum em fazer m uitos passeios com o esse no verão, não é Miss Woodhouse?
– Não, aqui não. Estam os um pouco distantes dessas belezas tão im pressionantes que possam atrair o tipo de grupos a que a senhora se refere. E
som os m uito caseiros, de fato. Preferim os ficar em casa a nos aventurar em viagens de prazer.
– Ah! Não há nada com o ficar em casa para ter conforto de verdade.
Ninguém pode ser m ais devotada ao lar do que eu. Isso j á era um a tradição em Maple Grove. Mais de um a vez Selina disse, quando estava indo para Bristol “eu realm ente não consigo que essa m enina saia de casa. Preciso m esm o ir, apesar de detestar andar sozinha no landau, m as Augusta, por sua própria vontade, nunca passaria do j ardim ”. Mais de um a vez ela disse isso, m as m esm o assim não sou a favor da com pleta reclusão. Eu acho, pelo contrário, que quando as pessoas se
isolam totalm ente da sociedade, é m uito ruim . É m uito m ais aconselhável m isturar-se ao m undo em um grau adequado, sem dedicar-se a ele dem ais nem de m enos. Entendo perfeitam ente sua situação, no entanto, Miss Woodhouse (olhando para Mr. Woodhouse). O estado de saúde de seu pai deve ser um grande im pedim ento. Por que ele não vai a Bath? Ele devia ir, sem dúvida. Perm ita-m e recom endar-lhe que vá a Bath, eu lhe asseguro que fará m uito bem a seu pai.
– Meu pai j á tentou isso m ais de um a vez, tem pos atrás, m as não obteve benefício algum . E Mr. Perry, de quem a senhora j á deve ter ouvido falar, não crê que isso possa ser de algum a utilidade agora.
– Ah! É realm ente um a pena. Eu lhe asseguro, Miss Woodhouse, que quando as águas concordam , é m aravilhoso o alívio que proporcionam . Nas m inhas tem poradas em Bath, vi isso m uitas vezes! E é um lugar tão alegre, que não deixaria de fazer bem ao espírito de Mr. Woodhouse, que, pelo que entendi, às vezes fica m uito deprim ido. E quanto às recom endações para a senhorita, im agino que não precise fazer um esforço para dizer-lhe quais são. As vantagens de Bath para os j ovens são bastante conhecidas. Seria um a apresentação encantadora para a senhorita, que viveu um a vida tão reclusa. Posso lhe apresentar à m elhor sociedade local. Bastaria que eu escrevesse um a linha para lhe garantir um pequeno séquito de am igos. E m inha am iga particular, Mrs.
Partridge, a dam a com quem sem pre m e hospedo quando vou a Bath, ficaria felicíssim a de recebê-la com todas as atenções, e seria a pessoa adequada para a senhorita aparecer em público.
Era m ais do que Em m a podia suportar sem ser m al educada. A ideia de que devesse a Mrs. Elton o que ela cham ava de apresentação, e, além de tudo, sair em público sob os auspícios de um a am iga de Mrs. Elton – provavelm ente algum a viúva vulgar e escandalosa, que fazia o possível para sobreviver com a aj uda de algum as pensionistas!... A dignidade de Miss Woodhouse, de Hartfield acabaria por afundar, sem dúvida!
Ela se controlou, no entanto, evitando dar um a das respostas que passaram por sua m ente, e apenas agradeceu friam ente a Mrs. Elton
“infelizm ente não havia com o irem a Bath agora, e não tinha certeza se o lugar faria m ais bem a ela do que fizera ao pai”. E então, para evitar qualquer outro ultraj e ou desconsideração, m udou im ediatam ente de assunto.
– Não vou lhe perguntar se a senhora aprecia m úsica, Mrs. Elton.
Nesses casos, a reputação de um a dam a geralm ente a precede, e Highbury há m uito tem conhecim ento que a senhora é um a exím ia m usicista.
– Oh, não! Na verdade não. Devo protestar contra tal ideia. Um a exím ia m usicista!... Bem longe disso, lhe asseguro. Considere que a sua
inform ação veio de um a fonte m uito parcial. Tenho profundo gosto por m úsica –
um a verdadeira paixão, e m eus am igos dizem que não sou inteiram ente destituída de bom gosto, m as quanto ao resto, lhe dou m inha palavra que m inha execução é medíocre, no m áxim o. Mas a senhorita, Miss Woodhouse, eu j á ouvi falar que toca divinam ente. Posso lhe garantir que para m im foi a m aior satisfação, conforto e alegria saber que eu estou prestes a entrar em um a deliciosa sociedade m usical. Eu não vivo sem m úsica, absolutam ente. Para m im é um a necessidade vital, e com o sem pre fui acostum ada a fazer parte de um a sociedade onde se cultiva m uito a m úsica, tanto em Maple Grove com o em Bath, teria sido um sacrifício m uito grande ficar longe dela. Eu disse isso sinceram ente a Mr. E quando ele estava falando do nosso futuro lar. Ele expressou sua preocupação de que a tranquilidade do lugar pudesse ser desagradável, e tam bém quanto à inferioridade da casa, sabendo a que estou acostum ada...
naturalm ente que ele estava apreensivo. Quando ele falava dessa form a, eu honestam ente disse que poderia desistir do mundo – festas, bailes, j ogos – pois não tenho m edo de m e isolar. Abençoada com tantos recursos em m im m esm a, o m undo não era necessário para mim. Posso passar m uito bem sem ele. Para aqueles que não possuem recursos, as coisas são diferentes, m as m eus recursos m e tornam bastante independente. E quanto às salas serem m enores do que eu estava acostum ada, não dei a m enor im portância. Esperava estar à altura de qualquer sacrifício desse tipo. Certam ente m e acostum ei com todo o luxo de Maple Grove, m as eu lhe assegurei que duas carruagens não eram necessárias para a m inha felicidade, e nem acom odações espaçosas. “Mas”, eu disse, “para ser honesta não acredito que poderia viver sem m úsica. Não im ponho nenhum a outra condição, m as sem m úsica, a vida não teria sentido para m im ”.
– Não é de se supor – disse Em m a, sorrindo – que Mr. Elton tenha hesitado em lhe assegurar que existe um a sociedade muito m usical em Highbury.
E espero que ele não tenha ultrapassado a verdade para além do que é perm itido, considerando seus m otivos.
– Não, realm ente, não tenho a m enor dúvida nesse sentido. Estou encantada por encontrar-m e em tal círculo. Espero que possam os fazer alguns pequenos concertos j untas. Acho, Miss Woodhouse, que a senhorita e eu podem os criar um clube m usical e ter encontros sem anais regulares, na sua casa ou na nossa. Não seria um belo plano? Se nos esforçarm os acho que logo terem os m uitos associados. Algo assim seria particularm ente interessante para mim, pois m e aj udaria a m anter a prática. As m ulheres casadas, a senhorita sabe... há m uitas histórias tristes. Em geral estão sem pre prontas a desistir da m úsica.
– Mas a senhora, que gosta extrem am ente de m úsica, não corre esse risco, eu im agino...
– Espero que não, m as quando olho à m inha volta, para m inhas am igas, chego a trem er. Selina desistiu inteiram ente da m úsica, nem sequer chega perto do piano, apesar de tocar de form a m uito doce. O m esm o pode ser dito de Mrs.
Jefferey s – Clara Partridge, quando solteira – e das duas Milm ans, agora Mrs.
Bird e Mrs. Jam es Cooper; e tantas outras que poderia enum erar. Dou-lhe m inha palavra que isso m e dá m edo. Eu costum ava ficar m uito zangada com Selina, m as agora com eço a com preender que um a m ulher casada tem m uitas coisas a exigir-lhe a atenção. Creio que passei m eia hora esta m anhã fechada com m inha governanta.
– Mas as coisas desse tipo – disse Em m a – logo estarão correndo de form a regular...
– Bem – disse Mrs. Elton, rindo – verem os.
Em m a, percebendo que ela estava determ inada a não negligenciar sua m úsica, não encontrou m ais nada para dizer. E, após um a pausa, Mrs. Elton encontrou outro assunto.
– Estivem os visitando Randalls – disse ela – e encontram os os dois em casa. São pessoas m uito agradáveis. Gostei extrem am ente deles. Mr. Weston parece um a excelente criatura... j á é um dos m eus favoritos, lhe asseguro. E ela parece tão bondosa, de verdade... Há algum a coisa de m aternal e de bom coração em Mrs. Weston que nos conquista de im ediato. Ela foi sua governanta, eu creio...
Em m a ficou quase chocada dem ais para responder, m as Mrs. Elton dificilm ente esperava pela confirm ação antes de continuar.
– Sabendo disso, eu fiquei um tanto espantada de achá-la tão parecida com um a verdadeira dam a! Mas ela é realm ente m uito gentil.
– As m aneiras de Mrs. Weston – disse Em m a – sem pre foram particularm ente boas. Seu caráter, sim plicidade e elegância, fazem dela o m elhor m odelo para qualquer j ovem dam a.
– E quem a senhorita acha que apareceu enquanto estávam os lá?
Em m a ficou sem saber o que dizer. O tom dela indicava que devia ser algum a am izade antiga. Mas com o ela poderia adivinhar?
– Knightley ! – continuou Mrs. Elton – O próprio Knightley ! Não foi um a sorte? Com o eu não estava em casa quando ele veio nos visitar, não o conhecia pessoalm ente. E, é claro, sendo um am igo tão próxim o de Mr. E eu estava bastante curiosa. “Meu am igo Knightley ” foi pronunciado tantas vezes que eu estava im paciente
para conhecê-lo. E devo fazer j ustiça ao m eu caro sposo[2]
ao lhe dizer que ele não tem m otivo para se envergonhar de seu am igo.
Knightley é um verdadeiro cavalheiro! Gostei m uitíssim o dele. Decididam ente, acho que ele é um verdadeiro cavalheiro.
Felizm ente, chegara a hora de se despedirem . Eles se foram , e Em m a pôde voltar a respirar.
“Mulher insuportável!” foi sua im ediata exclam ação m ental. “Ela é m uito pior do que eu im aginava. Absolutam ente insuportável! Knightley ! Nem pude acreditar nisso. Knightley !... Nunca o viu na vida e o cham a de Knightley !... E descobriu que ele é um cavalheiro! Um a pequena arrogante, um a criatura vulgar, com seu Mr. E, e seu caro sposo, e seus recursos, e todos os seus ares de pretensão e fineza m al educada. Realm ente, descobrir que Mr. Knightley é um cavalheiro! Duvido que ele vá retribuir o cum prim ento descobrindo que ela é um a dam a. Nem pude acreditar nisso. E propor que nos unam os para form ar um grupo m usical! Vão im aginar que som os am igas íntim as. E Mrs. Weston!...
Adm irar-se que a pessoa que m e criou sej a um a dam a! Pior e pior. Nunca conheci ninguém igual. Muito pior do que eu esperava. Harriet j á está desgraçada por qualquer com paração. Oh! O que Frank Churchill diria dela, se estivesse aqui? Com o ficaria zangado e divertido! Ah! Aqui estou eu pensando de novo nele. Sem pre a prim eira pessoa em quem eu penso! Com o m e pego em erro. Frank Churchill a toda hora m e vem à m ente!”
Tudo isso passava depressa pela sua m ente, m as quando o pai se recom pôs após o alvoroço da partida dos Eltons, e estava pronto para falar, ela j á se achava em condições de se com portar de m aneira tolerável.
– Bem , m inha querida – ele com eçou, entrando no assunto –
considerando que nunca a vim os antes ela parece um a j ovem dam a m uito bonita. E ouso dizer que gostou m uito de você. Ela fala um pouco rápido dem ais, e essa rapidez às vezes fere os ouvidos. Mas acho que m e com portei bem . Não gosto de vozes estranhas, e ninguém fala com o você e a pobre Miss Tay lor. No entanto, ela parece m uito am ável e bem educada, sem dúvida vai ser um a boa esposa para Mr. Elton. Apesar de eu achar que ele não devia ter se casado.
Desculpei-m e o m elhor que pude por não ter podido visitar a ela e a Mr. Elton, por ocasião do casam ento. Disse que talvez eu possa durante o verão. Mas eu devia ter ido antes. Não visitar um a noiva é um a falta im perdoável. Ah! Isso m ostra que triste inválido eu m e tornei! Mas não gosto da esquina da alam eda do Vicariato.
– Acredito que suas desculpas tenham sido aceitas, senhor. Mr. Elton o conhece bem .
– Sim , m as um a j ovem dam a – um a noiva – eu deveria ter ido
apresentar m eus respeitos a ela, se possível. Foi um a grande deficiência.
– Mas, m eu querido papai, o senhor não é a favor do m atrim ônio. Por que então ficar tão ansioso para apresentar seus respeitos a um a noiva? Não seria um a boa recom endação para o senhor. Se fizesse isso estaria encoraj ando as pessoas a se casarem .
– Não, m inha querida, nunca encoraj ei ninguém a se casar, m as sem pre dem onstrei a atenção devida a um a dam a... e um a noiva, especialm ente, não deve ser negligenciada. Ela tem direito ao m aior reconhecim ento. Um a noiva, você sabe, m inha querida, é sem pre a prim eira nas atenções, deixa os outros em segundo plano.
– Bem , papai, se isso não é encoraj ar o m atrim ônio, não sei o que possa ser. E nunca esperaria que o senhor desse sua aprovação a essas tais vaidades-iscas para as pobres j ovens dam as.
– Minha querida, você não está m e entendendo. Isso é um a m era questão de polidez com um e boa educação, não tem nada a ver com encoraj ar as pessoas a se casarem .