Emma

Jane Austen · Capítulo 55 de 113

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Emma

Capítulo XVII

– Bem , quanto a isso nada foi decidido ainda. Vou ficar aqui até ser cham ada pelo coronel e Mrs. Cam pbell.

– Talvez nada tenha sido decidido ainda – disse Em m a, sorrindo – m as, perdoe-m e, j á devem ter pensado a respeito.

Jane sorriu tam bém , ao responder:

– A senhorita está certa, j á pensam os nisso. E vou lhe confessar... (tenho certeza que guardará o segredo) que j á está tudo acertado quanto a viverm os com Mr. Churchill, em Enscom be. Devem os aguardar pelo m enos três m eses, por causa do luto fechado, m as quando esse período term inar im agino que não terem os m ais m otivo para esperar.

– Obrigada, m uito obrigada... Era disso que eu queria ter certeza. Ah, se a senhorita soubesse quanto fico feliz que as coisas estej am decididas e claras!

Adeus, adeus.

CAPÍTULO XVII

Todos os am igos de Mrs. Weston ficaram m uito felizes de saber que ela estava bem . E se fosse possível aum entar a satisfação de Em m a em ver a am iga bem de saúde, só podia ser por saber que ela se tornara m ãe de um a m enininha.

Em m a decidira torcer pela chegada de um a senhorita Weston, e não adm itiria j am ais que era com intenção de conseguir-lhe um casam ento com algum dos m eninos de Isabella. Estava convencida, porém , que um a m enina seria o m elhor para os dois, pai e m ãe. Seria um grande conforto para Mr. Weston quando com eçasse a envelhecer – m esm o que Mr. Weston só fosse com eçar a envelhecer dali a uns dez anos – ter ao seu lado j unto à lareira o alento das brincadeiras e diversões, dos caprichos e fantasias de um a criança que nunca precisasse ser banida do lar. E quanto a Mrs. Weston, ninguém podia duvidar que um a filha fosse o m elhor para ela, pois seria um a pena que alguém tão capacitada para educar um a criança não pudesse m ais exercitar suas aptidões e habilidades.

– Ela teve a vantagem , sabe, de praticar com igo – continuou Em m a –

com o a baronesa d’Alm ane fez com a condessa d’Ostalis, em

“Adelaide e Theodore”, de Madam e de Genlis. [1] Agora poderem os ver Mrs. Weston educar a sua própria Adelaide de acordo com o plano m ais perfeito.

– Isso quer dizer – respondeu Mr. Knightley – que ela vai ser ainda m ais indulgente com a filha do que foi com você, acreditando que não está, em absoluto, sendo indulgente. Será a única diferença.

– Pobre m enina! – exclam ou Em m a – Desse j eito, o que será dela?

– Nada de m uito ruim . Terá o m esm o destino de m ilhares de outras.

Será desagradável na infância e aprenderá a se corrigir na m edida em que crescer. Estou perdendo toda m inha am argura contra crianças m im adas, m inha querida Em m a. Logo eu, que devo toda m inha felicidade a você, não estaria sendo terrivelm ente ingrato se fosse severo para com elas?

Em m a riu e respondeu:

– Mas eu contei com todos os seus esforços no sentido de contrabalançar a indulgência das outras pessoas. Duvido que m eu próprio bom senso tivesse m e corrigido, se não fosse isso.

– Acha m esm o? Eu não tenho dúvidas, a natureza lhe deu com preensão e Miss Tay lor lhe deu princípios. Você teria se saído bem . Minha interferência poderia causar tanto bem quanto m al. Seria m uito natural para você dizer “que direito ele tem de m e repreender?”... E tem o que tam bém seria natural se

achasse que eu o fazia de form a m uito desagradável. Não acho que tenha lhe feito algum bem . O bem foi todo para m im , por fazer de você o obj eto da m inha m ais terna afeição. Não poderia pensar tanto em você, se não lhe tivesse am or, apesar das suas falhas. E à custa de im aginar tantos erros, acabei m e apaixonando por você desde que tinha no m ínim o treze anos.

– Tenho certeza que foi m uito útil para m im – exclam ou Em m a. –

Muitas vezes fui influenciada positivam ente por você, m ais do que podia adm itir na época. Estou bastante certa que m e aj udou m uito. E se a pobrezinha da Anna Weston vier a ser m im ada, seria um gesto de grande hum anidade de sua parte fazer por ela o m esm o que fez por m im ... exceto apaixonar-se pela m enina quando tiver treze anos.

– Quantas vezes, quando era um a garotinha, você m e dizia, com um daqueles olhares atrevidos “Mr. Knightley, pretendo fazer isso e aquilo; papai diz que posso” ou então “Tenho a perm issão de Miss Tay lor”... Era algo que você sabia que eu não aprovava. Nesses casos, m inha interferência lhe dava dois sentim entos ruins, ao invés de um .

– Que criaturinha agradável eu era!... Não é de adm irar que guarde lem branças tão afetuosas dos m eus desm andos...

– “Mr. Knightley ”... Você sem pre m e cham ava de Mr. Knightley e, por força do hábito, não m e parecia tão form al. Mas, ainda assim , é m uito form al.

Gostaria que m e cham asse de outra coisa, m as não sei de quê.

– Eu m e lem bro de tê-lo cham ado de “George” um a vez, quando estava em um a das m inhas disposições m ais am igáveis, há uns dez anos atrás.

Falei aquilo porque queria ofendê-lo, m as com o você não reclam ou, nunca m ais o cham ei desse m odo.

– E não pode m e cham ar de George agora?

– É im possível!... Nunca poderei cham á-lo de outra coisa que não sej a

“Mr. Knightley ”. Não prom eto nem igualar a elegante concisão de Mrs. Elton, cham ando-o de Mr. K... Mas prom eto – ela acrescentou, rindo e ficando ruborizada – prom eto que vou cham á-lo pelo seu nom e de batism o pelo m enos um a vez. Não posso dizer quando, m as talvez você adivinhe onde... No recinto onde os noivos recebem um ao outro, para o m elhor e o pior.

Em m a afligia-se por não poder falar m ais abertam ente sobre algo em que o bom senso dele teria sido de grande valia, pois poderia dar-lhe o conselho que a salvaria da pior de todas as suas tolices fem ininas: sua obstinada am izade com Harriet Sm ith. O assunto, porém , era m uito delicado... Não podia falar disso, Harriet raram ente era m encionada entre eles. Da parte dele, isso podia

sim plesm ente significar que não pensava m uito na m oça. Mas Em m a estava m ais inclinada a achar que ele agia assim por delicadeza, e por um a suspeita, provocada por algum as evidências, de que a am izade delas estava declinando.

Em m a tinha consciência de que, fossem outras as circunstâncias, elas certam ente estariam se correspondendo com m ais frequência, e que as notícias de Harriet não viriam , com o era o caso, apenas das cartas de Isabella. Ele devia ter observado isso. No entanto, a dor de ter que esconder algum a coisa dele era ainda m enor que a dor de ter feito Harriet infeliz.

Isabella m andava relatos tão bons sobre a visitante quanto seria de se esperar. Logo que Harriet chegara, Isabella havia achado que ela estava um tanto desanim ada, o que parecia bastante natural, visto que teria que consultar um dentista. Mas, um a vez feito isso, ela não parecia achar que Harriet estivesse diferente de quando chegara. Isabella, com certeza, não era um a observadora m uito boa, m as se Harriet não estivesse disposta a brincar com as crianças ela teria notado. Em m a sentiu-se m ais confortável e segura, porém , ao saber que Harriet deveria ficar por m ais tem po. Seus quinze dias acabariam se tornando um m ês, pelo m enos. Mr. e Mrs. John Knightley deveriam vir a Hartfield em agosto, e a convidaram a ficar até que pudesse fazer a viagem de volta em com panhia deles.

– John nem sequer m enciona sua am iga – disse Mr. Knightley. – Eis a carta, se quiser ver.

Era a resposta à carta em que Mr. Knightley com unicava ao irm ão sua intenção de casar-se. Em m a pegou-a ansiosam ente, im paciente para saber o que ele diria a respeito, e nem um pouco preocupada em saber que sua am iga não fora m encionada.

– John aceita a m inha felicidade com o um irm ão deve fazer –

continuou Mr. Knightley – m as não é pródigo em elogios. E m esm o que eu saiba que ele tem , provavelm ente, o afeto de um verdadeiro irm ão por você, ele está longe de fazer floreios, e qualquer outra m ulher acharia que está sendo frio dem ais na m aneira com o se expressa. Mas não tem o que você vej a o que ele escreveu.

– Ele escreve com o um hom em sensível – respondeu Em m a, após ler a carta. – Louvo a sinceridade dele. Está m uito clara sua convicção de que a vantagem do casam ento é inteiram ente para m im , m as tem esperanças de que, com o tem po, eu venha a m e tornar m erecedora do seu afeto, da form a que você j á m e considera agora. Se ele tivesse se expressado de form a diferente, eu não teria acreditado na sua sinceridade.

– Minha Em m a, ele não quis dizer isso. Apenas quis dizer...

– Eu e ele diferim os m uito pouco em nossas opiniões a respeito um do outro – interrom peu ela, com um sorriso um pouco triste – m enos, talvez, do que ele im agina, se é que podem os falar sobre esse assunto sem reserva ou cerim ônia.

– Em m a, m inha querida Em m a...

– Oh! – exclam ou ela, com m ais alegria. – Se você acha que seu irm ão não m e faz j ustiça, espere até que m eu querido pai estej a de posse do nosso segredo, e dê a opinião dele. Escute o que digo, ele estará ainda m ais distante de fazer j ustiça a você. Vai achar que toda a felicidade, todas as vantagens serão suas, e todo o m érito será m eu. Espero que ele não m e deixe oprim ida com m uitos “pobre Em m a” da parte dele. Mas sua terna com paixão para com os oprim idos não vai além disso.

– Ah! – ele exclam ou. – Espero que seu pai sej a tão facilm ente convencido com o John será, de que nós dois tem os os m esm os direitos de serm os felizes j untos. Fiquei divertido com um a parte da carta de John... Você reparou?...

Onde ele diz que a notícia não o pegou inteiram ente de surpresa, que ele j á esperava ouvir algum a coisa desse tipo.

– Se entendi bem o seu irm ão, ele apenas disse algo sobre você ter planos de se casar. Não pensava a m eu respeito, estava com pletam ente despreparado para isso.

– Sim , sim ... Mas acho interessante que ele tenha conseguido enxergar tão longe nos m eus sentim entos. Com base em que ele teria feito esse j ulgam ento? Não tenho consciência de ter m udado algum a coisa na m inha disposição ou no m eu m odo de conversar, que possa tê-lo preparado para a ideia de que eu iria m e casar neste m om ento e não em outro. Mas assim foi, eu creio.

Ouso dizer que houve algum a diferença na m inha estadia com eles, nessa últim a vez. Acho que não brinquei com as crianças com o sem pre fiz. Lem bro-m e que um a tarde, os pobres garotos disseram “O titio parece que está sem pre cansado, agora”.

Chegara a hora em que as notícias deviam ser espalhadas, para que fosse testada a sua recepção por outras pessoas. Logo que Mrs. Weston recuperou-se o suficiente para receber as visitas de Mr. Woodhouse, Em m a, pensando que a gentil com preensão dela podia ser em pregada em proveito de sua causa, resolveu prim eiro anunciar ao pai, e depois em Randalls. Mas com o dar a notícia ao pai, afinal? Pensou em fazer isso em um a hora em que Mr.

Knightley estivesse ausente, ou quando seu coração não aguentasse m ais e ela tivesse que falar. Mas Mr. Knightley chegou j usto nessa hora, e com o j á tinha com eçado, viu-se obrigada a continuar. Teve que contar tudo ao pai, e de m odo

alegre. Ela não devia transform ar a notícia em m otivo de tristeza para ele, falando-lhe em tom m elancólico. Não devia parecer que considerava isso um a infelicidade. Com todo o controle que conseguiu reunir, preparou-o prim eiro para ouvir algo estranho, e então, com poucas palavras, disse que, caso ele concordasse em dar seu consentim ento e aprovação – que ela esperava seria concedido sem dificuldade, pois se tratava de um plano para prom over a felicidade de todos – ela e Mr. Knightley desej avam se casar. Dessa m aneira, Hartfield receberia o acréscim o da com panhia de um a pessoa que ela sabia que m erecia o afeto dele e que, depois das filhas e de Mrs. Weston, era quem ele m ais am ava no m undo.

Pobre hom em !... No início ficou m uito chocado, e tentou sinceram ente fazê-la desistir da ideia. Lem brou a filha de que ela sem pre dissera que j am ais se casaria, e assegurou-lhe que seria m uito m elhor se continuasse solteira. Falou da pobre Isabella, e da pobre Miss Tay lor... m as não adiantou. Em m a abraçou-o afetuosam ente, sorriu e disse que devia ser assim . Pediu-lhe que não a com parasse com Isabella ou Mrs. Weston, cuj os casam entos fizeram com que se afastassem de Hartfield, produzindo, é verdade, um a m elancólica m udança. Ela não sairia de Hartfield, estaria sem pre ali, e não haveria m udança algum a nos seus hábitos ou confortos, a não ser para m elhor. Ela estava bastante certa de que ele ficaria m uito m ais feliz por ter Mr. Knightley sem pre à disposição, assim que se acostum asse com a ideia. Ele não adorava Mr. Knightley ? Não poderia negar isso, ela sabia. A quem ele sem pre consultava a respeito de negócios, se não Mr.

Knightley ? Quem era tão útil para ele, sem pre disposto a ler suas cartas, sem pre feliz em auxiliá-lo? Quem era tão gentil, tão atencioso e tão apegado a ele? Será que não gostaria de tê-lo sem pre por perto?... Sim . Tudo isso era verdade. Mr.

Knightley não podia ficar em Hartfield tanto quanto ele desej ava. Ficaria contente de vê-lo todos os dias. Mas eles o viam todos os dias, do j eito que as coisas estavam agora... Por que não podiam continuar assim ?

Mr. Woodhouse não podia aceitar a situação tão prontam ente, m as o pior estava feito, a ideia fora lançada. O tem po e a constante repetição deviam fazer o resto. Aos rogos e prom essas dela seguiram -se os de Mr. Knightley, cuj os enorm es elogios a Em m a levaram a situação a um ponto m ais favorável. E ele logo se acostum ou a ouvi-los falar do assunto, sem pre que havia um a oportunidade. Receberam todo o apoio de Isabella, que enviava ao pai cartas com a m ais decidida aprovação. No prim eiro encontro que tiveram , Mrs. Weston tam bém estava pronta a considerar a situação sob a luz m ais favorável; prim eiro, com o coisa j á acertada e, segundo, com o excelente ideia, sabendo da im portância quase igual dessas duas recom endações para a m ente de Mr.

Woodhouse. Houve um a concordância geral a respeito, e todos aqueles cuj a opinião Mr. Woodhouse m ais respeitava, asseguraram -lhe que isso seria para a

sua felicidade. Com o ele m esm o tinha alguns sentim entos que o levavam a quase dar sua aprovação, com eçou a pensar que dali a algum tem po, dentro de um ou dois anos, talvez, não seria assim tão ruim se o casam ento se realizasse.

Mrs. Weston não estava representando um papel nem fingindo algum sentim ento em tudo que dissera a favor do casam ento... Havia ficado extrem am ente surpresa, com o nunca acontecera antes, quando Em m a contou-lhe sobre o assunto. Mas viu nisso um aum ento da felicidade de todos, e não teve escrúpulos em encoraj ar Mr. Woodhouse a aceitar. Tinha tanto afeto por Mr.

Knightley, a ponto de pensar que ele m erecia até m esm o a sua querida Em m a. E

seria, em todos os aspectos, um a ligação apropriada, conveniente e irrepreensível. E havia m ais um aspecto, pelo m enos, da m aior im portância: a união era tão perfeitam ente adequada, tão singularm ente afortunada que agora lhe parecia que Em m a j am ais poderia apaixonar-se de m odo seguro por qualquer outro hom em no m undo, e que ela m esm a havia sido a m ais estúpida das criaturas, por não ter pensado nisso antes e prom ovido essa união há m uito tem po... Quantos hom ens em condições de pretender a m ão de Em m a teriam renunciado ao próprio lar para viver em Hartfield? E quem , além de Mr.

Knightley, podia conhecer bem e aceitar as m anias de Mr. Woodhouse, a ponto de im aginar um arranj o tão conveniente? A dificuldade da situação do pobre Mr.

Woodhouse sem pre fora sentida nos planos dela e do m arido, quando pensavam num casam ento entre Frank e Em m a. Com o com binar as necessidades de Enscom be e Hartfield era um constante im pedim ento – m enos conhecido de Mr.

Weston do que dela m esm a – m as m esm o ele nunca conseguia term inar o assunto sem dizer “Essas coisas se arranj am por si m esm as, os j ovens encontrarão um a m aneira de resolvê-las”. Mas, agora, não havia nada para ser m udado, se fosse feita qualquer especulação quanto ao futuro. Estava tudo certo, tudo claro, tudo igual. Não haveria nenhum sacrifício de algum a das partes que m erecesse esse nom e. Era um a união que trazia em si m esm a a m ais alta prom essa de felicidade, sem que houvesse nenhum a dificuldade real ou racional para opor-se a ela ou adiá-la.

Mrs. Weston, com o bebê no colo, perm itindo-se pensar em coisas com o essas, era um a das m ulheres m ais felizes do m undo. Se algum a coisa podia aum entar sua felicidade era perceber que o bebê logo teria crescido o bastante para não caber m ais no seu prim eiro conj unto de roupinhas.

A notícia foi um a surpresa universal, onde quer que se fizesse ouvir. E

Mr. Weston teve seus cinco m inutos de participação nisso; m as, com sua m ente rápida, cinco m inutos foram suficientes para que se fam iliarizasse com a ideia.

Viu a conveniência da união e se alegrou com ela tanto quanto sua esposa. Mas logo o espanto inicial passou e, em m enos de um a hora, ele não estava longe de acreditar que sem pre previra isso.

– Isso deve ficar em segredo, eu concluo – disse ele. – Essas coisas sem pre são secretas, até que se descobre que todo m undo j á sabia. Só m e avise quando vou poder falar do assunto. Fico im aginando se Jane tem algum a suspeita...

Ele foi a Highbury na m anhã seguinte e satisfez sua curiosidade quanto a esse ponto. Contou-lhe a notícia, afinal ela não era um a espécie de filha, sua filha m ais velha?... Devia contar-lhe! E com o Miss Bates estava presente, assim que ouviu a noticia passou-a, é claro, para Mrs. Cole, em seguida para Mrs.

Perry e im ediatam ente após para Mrs. Elton. Isso não era nada m ais do que os principais interessados esperavam . Tinham calculado quanto tem po a notícia levaria para se espalhar por toda Highbury, desde que fosse ouvida em Randalls.

E quando chegou o entardecer j á eram considerados m uito sagazes, em vários círculos fam iliares da redondeza.

De form a geral, o casam ento foi m uito bem aprovado. Alguns achavam que era ele o m ais afortunado, outros pensavam que era ela. Um a parte achava que eles deviam se m udar para Donwell e deixar Hartfield para a fam ília de John Knightley ; a outra parte previa desentendim entos entre os criados das duas casas. Ainda assim , tudo considerado, ninguém levantou nenhum a obj eção séria, exceto os m oradores do Vicariato... Lá, a surpresa não foi atenuada por nenhum sentim ento de satisfação. Mr. Elton não ligou m uito para isso, com parado à sua esposa. Ele apenas esperava que “o orgulho da j ovem dam a agora estivesse satisfeito” e im aginava que “ela sem pre pretendera ‘fisgar’

Knightley, se pudesse”. Quanto a viverem em Hartfield, exclam ou ousadam ente:

– Antes ele do que eu!...

Mrs. Elton ficou m uito m ais perturbada, na verdade.

– Pobre Knightley ! Pobre hom em !... Que situação triste para ele...

Ela estava m uito preocupada, pois, apesar de um pouco excêntrico, ele tinha m uitas qualidades. Com o se deixara agarrar dessa m aneira? Não podia im aginar que ele estivesse apaixonado... de form a algum a! Pobre Knightley ! As alegres conversas com ele agora teriam fim ... Com o ele ficava feliz de j antar com eles, sem pre que o convidavam ! Mas tudo isso agora iria acabar. Pobre hom em ! Não haveria m ais passeios de exploração em Donwell organizados especialm ente para ela. Oh, não! Haveria um a Mrs. Knightley para j ogar água fria em tudo. Era extrem am ente desagradável! Mas não lam entava ter falado m al da governanta dele, no outro dia... Que plano m ais chocante esse de viverem todos j untos. Nunca iria dar certo. Conhecia um a fam ília, perto de Maple Grove, que havia tentado algo assim e fora obrigada a separar-se em m enos de três m eses.

[1] Madam e de Genlis (1746-1830): Governanta e escritora francesa. Foi governanta da fam ília Bourbon e do futuro rei francês Luis Felipe e precursora de m odernos m étodos educacionais que seriam adotados m ais tarde. Escreveu diversos livros sobre suas teorias em educação, além de novelas e rom ances históricos. A obra citada, “Adelaide e Theodoro”, escrita em 1783, era bastante popular na Inglaterra, onde a própria escritora gozava de m uito prestígio, desde o final do século XVIII. O livro trata da educação da m enina Adelaide, e é considerado parte do cânone que discute a educação fem inina naquele período.