Emma

Jane Austen · Capítulo 35 de 113

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Emma

Capítulo XV

Em m a não disse m ais nada. Seu pai estava ficando nervoso, e não podia entendê-la. Sua m ente retornou às ofensas de Mrs. Elton, que a ocuparam por um longo, longo tem po.

[1] Carruagem de quatro rodas, com dois bancos situados frente a frente, e dupla capota que pode ser levantada ou abaixada. Deve seu nom e à cidade alem ã de Landau, onde foi produzida.

[2] C aro sposo = querido esposo. Em italiano no original

CAPÍTULO XV

Em m a não fez nenhum a descoberta subsequente que a fizesse retratar-se de sua m á opinião sobre Mrs. Elton. Suas observações haviam sido absolutam ente corretas. Da m esm a form a que se m ostrara em seu segundo encontro, Mrs. Elton tam bém se m ostrara nos encontros que se seguiram –

arrogante, presunçosa, atrevida, ignorante e m al educada. Tinha algum a beleza e algum talento, m as um j ulgam ento tão falho a ponto de acreditar que possuía um conhecim ento superior do m undo, e por isso poderia enriquecer e m elhorar seus vizinhos do cam po. Im aginava que, com o Miss Hawkins, ocupara um lugar tão elevado na sociedade que só a im portância de Mrs. Elton poderia sobrepuj ar.

Não havia razões para supor que Mr. Elton pensasse de form a diferente da esposa. Ele parecia não apenas feliz com ela, m as orgulhoso. Tinha o ar de quem se congratulava intim am ente por ter trazido tal m ulher para Highbury, a quem nem Miss Woodhouse poderia se igualar. E grande parte de seus novos am igos, dispostos a aprovar, ou não tendo o hábito de j ulgar, m ostrava-se satisfeita com ela, seguindo a liderança da boa natureza de Miss Bates, ou tom ando com o certeza que a noiva era tão inteligente e agradável com o ela m esm a se dizia. Assim , os elogios a Mrs. Elton passavam de boca em boca, com o devia ser, sem intervenção da parte de Miss Woodhouse, que prontam ente confirm ava sua prim eira opinião, dizendo com extrem a graça que ela era “m uito agradável e m uito bem vestida”.

Num aspecto, porém , Mrs. Elton tornou-se ainda pior do que a princípio se m ostrara. Seus sentim entos se m odificaram em relação à Em m a.

Provavelm ente ofendida pelo pouco entusiasm o que suas propostas de intim idade haviam despertado, ela recuou e se tornou aos poucos m ais fria e distante.

Apesar de o resultado ser agradável, a m á vontade que o acom panhava estava aum entando a antipatia de Em m a em relação a ela. As m aneiras do casal eram m uito desagradáveis para com Harriet. Eram sarcásticos e negligentes. Em m a esperava que isso apressasse a cura da j ovem , m as as sensações provocadas por tal com portam ento abatiam m uito as duas m oças. Não havia dúvida de que o afeto dem onstrado pela pobre Harriet tinha intenções m atrim oniais, e seu próprio papel na história provavelm ente tam bém fora com unicado à esposa com um colorido desfavorável a ela e favorável a ele. Harriet, é claro, era o obj eto do desprezo do casal. Quando não tinham nada para falar, era fácil com eçarem a dizer coisas m aldosas sobre Miss Woodhouse; e a anim osidade e o desrespeito que não ousavam dem onstrar abertam ente por ela, encontrara um obj etivo m ais adequado no tratam ento desprezível que davam a Harriet.

Mrs. Elton teve grande sim patia por Jane Fairfax, e desde o início. Não

apenas porque a guerra declarada a um a m ulher supostam ente a inclinasse a gostar de outra, m as fora assim desde o princípio. E ela não ficava satisfeita em dem onstrar um a afeição natural e razoável, m as sem nenhum a solicitação, privilégio ou desculpa, desej ava por todos os m eios ser am iga de Miss Fairfax.

Antes que Em m a houvesse lhe recusado sua confiança, na terceira vez que se encontraram , tivera que ouvir todo o quixotism o de Mrs. Elton a respeito do assunto.

– Jane Fairfax é absolutam ente encantadora, Miss Woodhouse... Eu a adoro, de verdade! Que criatura doce e interessante! Tão m eiga, educada... e tão talentosa! Ela tem um talento extraordinário, posso lhe assegurar. Não tenho escrúpulos em dizer que ela toca extrem am ente bem . Conheço o suficiente de m úsica para dar m inha opinião cabal sobre isso. Oh! Ela é absolutam ente encantadora! Você vai rir do m eu entusiasm o, m as dou-lhe m inha palavra que não consigo falar de outra coisa além de Jane Fairfax! E a situação dela é de cortar o coração! Miss Woodhouse, devem os j untar nossos esforços para fazer algo por ela. Precisam os am pará-la. Um talento com o o dela não pode perm anecer desconhecido. Acredito que a senhorita conheça estes belos versos do poeta:

Muitas flores desabrocham para não serem vistas

E desperdiçam sua fragrância no ar do deserto

Não podem os perm itir que isso aconteça com a doce Jane Fairfax.

– Acho que não há perigo de que isso aconteça – foi a calm a resposta de Em m a – e quando a senhora ficar conhecendo m elhor a situação de Jane Fairfax e entender o tipo de lar que ela teve, com o coronel e Mrs. Cam pbell, tenho certeza que irá perceber que seu talento j am ais passará despercebido.

– Mas, querida Miss Woodhouse, ela está agora em tal isolam ento, tal obscuridade, tão desperdiçada. Qualquer vantagem que possa ter usufruído com os Cam pbells agora está chegando ao fim ! E acho que ela sente isso. Estou certa que sim . Ela é m uito tím ida e silenciosa, m as pode-se ver que sente a falta de encoraj am ento. Gosto ainda m ais dela por isso. Devo confessar que essa m aneira de ser é um a recom endação para m im . Sou um a grande defensora da tim idez, e estou certa que não se encontra isso com frequência. Mas naqueles que são inferiores em tudo, é extrem am ente sim pático. Oh! Jane Fairfax tem um caráter adorável, posso lhe assegurar, e m e interessa m ais do que posso expressar.

– A senhora parece gostar m uito dela. Mas não sei por que a senhora, ou qualquer outra conhecida de Miss Fairfax aqui, nenhum a daquelas que a conhecem há m ais tem po do que a senhora, possam m ostrar por ela m ais atenção do que...

– Minha querida Miss Woodhouse, m uita coisa pode ser feita por aqueles que ousam agir. A senhorita e eu não precisam os ter m edo. Se nós derm os o exem plo, m uitos nos seguirão enquanto puderem , apesar de não se encontrarem na nossa situação. Nós tem os carruagens para pegá-la e levá-la em casa, e nós vivem os em um estilo em que a adição de Jane Fairfax não causará o m enor inconveniente, em tem po algum . Eu ficaria m uito contrariada se tivesse que retribuir o convite que Wright nos fez para j antar, e depois m e lam entasse por não ter insistido m ais para que Jane Fairfax participasse dele. Não tenho ideia de com o são essas coisas. Não é de se esperar que eu tenha, considerando o nível a que estou acostum ada. Meu grande risco, talvez, com o dona de casa, seria bem o contrário, de fazer dem ais, e ser m uito descuidada com as despesas. Maple Grove acabaria por ser m eu m odelo, m ais do que deveria, pois não podem os, de m odo algum , nos igualar ao m eu cunhado, Mr. Suckling, em term os de renda. No entanto, m inha decisão está tom ada quanto a conhecer m elhor Jane Fairfax. Eu sei, com certeza, que a terei frequentem ente em m inha casa, vou apresentá-la aonde eu for, farei saraus m usicais para m ostrar seu talento, e vou estar sem pre em busca de um a situação adequada para casam ento. Tenho tantas am izades, que não duvido de encontrar alguém conveniente para ela. Eu devo apresentá-la, naturalm ente, para m inha irm ã e m eu cunhado, quando vierem nos visitar. Tenho certeza de que vão gostar dela extrem am ente. E quando Jane os conhecer m elhor seus tem ores deixarão de existir, pois as m aneiras deles são bastante conciliadoras. Devo recebê-la m uitas vezes enquanto eles estiverem com igo, e tenho certeza que vam os encontrar um lugar para ela no nosso landau quando sairm os em exploração.

“Pobre Jane Fairfax!” pensava Em m a. “A senhorita não m erece isso.

Mesm o que tenha agido errado em relação a Mr. Dixon essa é um a punição m uito além do que a senhorita m erece! A bondade e a proteção de Mrs. Elton!

‘Jane Fairfax isso, Jane Fairfax aquilo’ Deus do Céu! Espero que ela não faça o m esm o com igo, e saia falando o tem po todo de Em m a Woodhouse por aí! Mas parece não haver lim ite para a licenciosidade da língua dessa m ulher”.

Em m a não iria ouvir tais disparates novam ente, pelo m enos nenhum tão diretam ente dirigido a ela, tão desagradavelm ente enfeitado com um

“querida Miss Woodhouse”. Logo em seguida Mrs. Elton m udou de lado e ela foi deixada em paz. Nem foi forçada a ser a am iga m uito especial de Mrs. Elton, nem , sob o com ando de Mrs. Elton, ser a ativa benfeitora de Jane Fairfax.

Passara a conviver com elas de m odo geral, sabendo o que era sentido, o que

pensado e o que era feito.

Ela observava tudo com algum divertim ento. A gratidão de Miss Bates pelas atenções de Mrs. Elton para com Jane era naquele seu estilo de franca sim plicidade e calor. Ela era um a pessoa das m ais valiosas, a m ais am igável, m ais afável e m ais adorável m ulher que havia, tão talentosa e condescendente quanto Mrs. Elton pretendia ser considerada. Em m a só ficou surpresa por Jane Fairfax aceitar tais atenções e tolerar Mrs. Elton com o ela parecia fazer. Passava o tem po todo ouvindo que Jane fora passear com os Eltons, que se sentara com os Eltons, que passara o dia com os Eltons! Era espantoso! Ela não podia acreditar que fosse possível que o gosto ou o orgulho de Miss Fairfax pudesse aceitar m anter o tipo de am izade que os m oradores do Vicariato tinham para oferecer.

“Ela é um enigm a, um verdadeiro enigm a!” pensava Em m a. “Escolher ficar aqui, m ês após m ês, sofrendo privações de todo tipo! E agora preferir a m ortificação da am izade de Mrs. Elton e a penúria de sua conversa, em vez de retornar para a com panhia m uito superior daqueles que sem pre a am aram com real e generosa afeição”.

Jane viera para Highbury por três m eses, em princípio. Os Cam pbells foram para a Irlanda por três m eses, m as agora haviam prom etido à filha que ficariam pelo m enos até a m etade do verão, e um novo convite foi enviado a Jane para j untar-se a eles lá. De acordo com Miss Bates – as inform ações vinham todas dela – Mrs. Dixon havia escrito insistindo para que ela fosse. Se Jane resolvesse ir, tom ariam as providências, enviariam criados, pediriam a aj uda dos am igos e não haveria dificuldade algum a para viaj ar. Mas, ainda assim , ela recusou!

“Jane Fairfax deve ter algum m otivo, m ais poderoso do que parece, para recusar o convite” foi a conclusão de Em m a. “Ela deve estar sofrendo algum castigo, infligido pelos Cam pbells ou por ela m esm a. Existe um grande m edo, um a grande cautela, e um a grande determ inação em algum lugar. Ela não deve visitar os Dixons. Alguém dera essa ordem . Mas por que ela concordava em ficar com os Eltons? Essa era um a outra charada”.

Quando Em m a falou de suas especulações a respeito para os poucos que conheciam sua opinião sobre Mrs. Elton, Mrs. Weston arriscou esta j ustificativa para Jane:

– Não podem os supor que ela tenha grande divertim ento no Vicariato, m inha querida Em m a, m as é m elhor que estar sem pre em casa. Sua tia é um a criatura m uito boa, m as deve ser cansativa com o com panheira constante.

Devem os pensar no que Miss Fairfax evita, antes que possam os condenar seu gosto por aquilo que aceita.

– A senhora está certa, Mrs. Weston – disse Mr. Knightley, de form a calorosa – Miss Fairfax é tão capaz com o nós de form ar um a opinião j usta sobre Mrs. Elton. Se ela pudesse escolher as pessoas com quem se associa, não a teria escolhido. Mas (com um sorriso de reprovação para Em m a), ela recebe atenções de Mrs. Elton que m ais ninguém lhe concede.

Em m a sentiu que Mrs. Weston dava-lhe um olhar de relance. Ela m esm a estava espantada com a veem ência dele, e ruborizando levem ente respondeu:

– Essas atenções de Mrs. Elton, eu creio, deviam antes desgostar do que gratificar Miss Fairfax. Preferiria qualquer coisa, m enos aceitar os convites de Mrs. Elton.

– Pergunto-m e – disse Mrs. Weston – se Miss Fairfax não foi levada a isso, contra sua própria vontade, apenas pela ansiedade de sua tia em aceitar as atenções de Mrs. Elton. A pobre Miss Bates m uito possivelm ente com prom eteu a sobrinha e levou-a a m ostrar m ais intim idade do que seu bom senso teria recom endado, a despeito de algum desej o natural de um pouco de m udança.

As duas estavam ansiosas para ouvir a opinião de Mr. Knightley e, depois de alguns m inutos de silêncio, ele disse:

– Outra coisa tam bém deve ser levada em consideração... Mrs. Elton não fala tanto com Miss Fairfax quanto fala de Miss Fairfax. Todos sabem os a diferença entre os pronom es ele, ela e você, os m ais sim plesm ente usados entre nós. Todos sentim os a influência de algo além da sim ples boa educação nas nossas relações com os outros, algum a coisa im plantada anteriorm ente. Não podem os dar a ninguém a desagradável im pressão de que estam os aborrecidos pelo que fizem os na hora anterior. Sentim os as coisas de form a diferente. Além disso, com o princípio geral, pode-se estar certo de que Miss Fairfax im pressiona Mrs. Elton por sua superioridade, tanto de m ente com o de m aneiras. E que, face a face, Mrs. Elton a trata com todo o respeito que ela m erece. Um a m ulher com o Jane Fairfax provavelm ente nunca apareceu na vida de Mrs. Elton antes, e nenhum grau de vaidade pode im pedir que essa senhora reconheça sua própria inferioridade, tanto em atitudes com o em pensam entos.

– Sei o quanto o senhor aprecia Jane Fairfax... – disse Em m a.

Pensava no pequeno Henry, e um m isto de alarm e e delicadeza im pediu-a de dizer m ais.

– Sim – ele respondeu – todos devem saber o quanto eu a aprecio.

– Mesm o assim ...

Em m a com eçou a falar com um olhar atravessado, m as se conteve.

Então achou que era m elhor que ele soubesse logo do pior, e apressou-se em dizer:

– Talvez o senhor não possa avaliar o quanto a aprecia. A extensão de sua adm iração pode surpreendê-lo qualquer dia desses.

Mr. Knightley estava ocupado neste m om ento, m exendo nos botões de suas grossas polainas de couro e, sej a pelo esforço de abotoá-los, sej a por qualquer outro m otivo, ficou ruborizado enquanto respondia:

– Ah! Você j á chegou a esse ponto?... Pois saiba que está m iseravelm ente atrasada. Mr. Cole j á m e insinuou a m esm a coisa seis sem anas atrás.

Ele se calou. Em m a sentiu que Mrs. Weston cutucava-lhe o pé, e ela m esm a não sabia o que dizer. Um m om ento depois, ele continuou:

– Isso nunca vai acontecer, posso lhe assegurar. Ouso dizer que Miss Fairfax não m e aceitaria se eu a pedisse. E tenho absoluta certeza de que j am ais pedirei.

Em m a cutucou o pé de Mrs. Weston por sua vez. E foi com satisfação que exclam ou:

– O senhor não é fútil, Mr. Knightley. Adm iro isso no senhor.

Ele m al pareceu ouvi-la, estava pensativo. Pouco depois ele disse, aparentando desagrado:

– Então você andou decidindo que devo m e casar com Jane Fairfax?

– Não, na verdade, não. O senhor m e repreendeu dem ais sobre m inha m ania de tentar fazer casam entos para que eu possa tom ar tal liberdade a seu respeito. O que acabei de dizer não significa nada. Falam os esse tipo de coisas, é claro, sem nenhum significado sério. Oh, não! Dou-lhe m inha palavra que nunca desej ei que o senhor se casasse com Jane Fairfax nem com Jane nenhum a. O

senhor não poderia m ais vir e sentar-se conosco com o faz agora se fosse casado.

Mr. Knightley ficou pensativo de novo. O resultado de seu devaneio foi:

– Não, Em m a, não acho que a extensão de m inha adm iração por ela algum dia vá m e pegar de surpresa. Nunca pensei nela dessa form a, lhe asseguro. Jane Fairfax é um a m oça m uito encantadora, m as nem Jane Fairfax é perfeita. Ela tem um defeito. Não tem o tem peram ento franco que um hom em desej a em um a esposa.

Em m a só podia se alegrar por saber que ela tinha um defeito.

– Bem – disse ela – im agino que o senhor tenha silenciado Mr. Cole im ediatam ente.

– Sim , im ediatam ente. Ele m e fez um a insinuação clara. Eu disse-lhe que estava enganado. Ele pediu-m e desculpas e não disse m ais nada. Cole não quer ser m ais inteligente ou m ais esperto que seus vizinhos.

– Quanto a isso, com o é diferente da querida Mrs. Elton, que quer ser m ais inteligente e m ais esperta do que todo o m undo! Im agino com o ela fala dos Coles, com o os cham a! Que apelido será que lhes deu, com sua vulgaridade sem cerim ônia? Se ela cham a o senhor de Knightley... com o será que cham a Mr.

Cole? E ainda assim eu não deveria estar surpresa de Jane aceitar suas atenções e consentir em ser sua am iga. Mrs. Weston, seu argum ento tem grande peso sobre m im . Posso cair m ais prontam ente na tentação de afastar-m e de Miss Bates, do que acreditar no triunfo da m ente de Miss Fairfax sobre a de Mrs. Elton. Não acredito que Mrs. Elton se dê conta de sua inferioridade, sej a em pensam ento, palavra ou ação, ou que tenha qualquer contenção, além de sua deficiente regra a respeito de ser bem nascido. Não creio que ela deixe de insultar sua visitante com elogios, encoraj am entos e ofertas de favores. Que não estej a continuam ente detalhando suas m agníficas intenções, tanto em conseguir-lhe um a situação perm anente, com o em incluí-la nessas m aravilhosas excursões de exploração que devem ter lugar no landau do cunhado.

– Miss Fairfax possui intuição – disse Mr. Knightley – não a estou acusando de não ter intuição. Sua sensibilidade, im agino, é poderosa, e tem um tem peram ento excelente no que se refere à paciência e ao autocontrole, m as falta-lhe franqueza. Ela é reservada, m ais reservada, eu acho, do que costum ava ser. E eu gosto de um tem peram ento franco, aberto. Não, até que Cole aludisse ao m eu suposto interesse por ela, isso nunca tinha passado pela m inha m ente. Eu sem pre vi e conversei com Jane Fairfax com adm iração e prazer, m as nunca tive um pensam ento além disso.