Emma

Jane Austen · Capítulo 54 de 113

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Emma

Capítulo XVI

A proposta dele, de que se casassem e continuassem em Hartfield, quanto m ais Em m a a considerava, m ais agradável lhe parecia. Os problem as pareciam dim inuir, as vantagens para ela aum entavam , e o bem de todos parecia superar qualquer inconveniente. Ter tal com panheiro j unto dela nas horas de ansiedade e alegria que viriam no futuro! Um com panheiro com o ele para aj udá-la em todos aqueles cuidados e obrigações, que com o tem po apenas aum entariam em m elancolia!

Ela estaria m uito feliz, se não fosse pela pobre Harriet. Cada benção que caía sobre ela, porém , parecia aum entar os sofrim entos da am iga, que agora deveria ser até m esm o excluída de Hartfield. O delicioso grupo fam iliar que Em m a estava assegurando para si não poderia contar, por caridosa cautela, com a presença da pobre Harriet. Ela seria desafortunada em qualquer sentido e Em m a não podia deplorar a sua futura ausência com o qualquer dim inuição de seu próprio prazer. Em tal grupo Harriet seria m ais um peso m orto que o contrário, m as para a pobre m oça devia parecer um a necessidade cruel e peculiar, que a colocaria em um estado de punição im erecida.

Com o tem po, é claro, Mr. Knightley seria esquecido, isto é, suplantado, m as não se poderia esperar que fosse logo. Mr. Knightley, por si m esm o, nada faria para apressar a cura, com o Mr. Elton fizera. Mr. Knightley, sem pre tão bondoso, tão sensível, tão cheio de consideração por todos, nunca m ereceria ser m enos adorado do que era agora. E seria dem ais esperar, m esm o de Harriet, que ela se apaixonasse por m ais do que três hom ens no m esm o ano.

CAPÍTULO XVI

Foi um grande alívio para Em m a perceber que Harriet estava tão desej osa de evitar um encontro quanto ela própria. Sua com unicação por carta j á fora dolorosa o suficiente, quanto pior seria se elas fossem obrigadas a se encontrar!

Harriet expressou-se m uito m elhor do que seria de se esperar, sem reprovações ou consciência aparente de ter sido m altratada. Em m a im aginava, no entanto, que devia haver um pouco de ressentim ento, algo que parecia envolver o sentido de suas palavras, o que aum entava a conveniência de ficarem separadas. Podia ser apenas sua própria consciência, m as lhe parecia que só um anj o não se ressentiria diante de tal golpe.

Em m a não teve dificuldade em obter um convite de Isabella, e foi afortunada em ter um bom m otivo para isso sem recorrer a m entiras. Harriet tinha um problem a nos dentes e, j á há algum tem po, desej ava realm ente consultar um dentista. Mrs. John Knightley ficara encantada em aj udar, tudo que se referisse a problem as de saúde era um a recom endação para ela. Em bora não confiasse tanto num dentista quanto em Mr. Wingfield ficou ansiosa para ter Harriet sob seus cuidados. Depois de acertar tudo com a irm ã, Em m a fez a proposta para a am iga, e achou-a bastante receptiva. Harriet resolveu aceitar e foi convidada a ficar pelo m enos quinze dias; a carruagem de Mr. Woodhouse deveria levá-la. Foi tudo organizado e acertado, e logo depois Harriet estava a salvo em Brunswick Square.

Agora Em m a podia, de fato, apreciar as visitas de Mr. Knightley. Agora podia falar e ouvir com verdadeira felicidade, sem ser acom etida por aquela sensação de inj ustiça, de culpa, ou até de algo m ais doloroso que a assom brava quando se lem brava da am iga, ali tão perto dela e com o coração partido. Era difícil pensar em quanto Harriet devia estar triste no m om ento, suportando um sofrim ento que fora provocado por ela.

A diferença de Harriet na casa de Mrs. Goddard ou em Londres era bastante grande para os sentim entos de Em m a. Talvez fosse até pouco razoável, m as ela não podia pensar na am iga em Londres sem ter diversas coisas para diverti-la e ocupá-la, que fariam com que evitasse pensar no passado, levando-a a superar.

Em m a não perm itiria que outra preocupação tom asse o lugar que Harriet tinha ocupado em sua m ente. Havia um a com unicação que apenas ela era encarregada de fazer: a confissão de seu noivado ao pai. Mas não faria nada no m om ento, resolvera postergar a revelação até que Mrs. Weston estivesse

tranquila e bem . Nenhum a outra agitação deveria surgir nesse período entre aquelas pessoas a quem am ava... Não se perm itiria sofrer por antecipação, antes do tem po certo. Devia ter para si pelo m enos quinze dias de lazer e paz de espírito, para coroar aquele cálido deleite, sem qualquer preocupação.

Ela logo decidiu, tanto por dever com o por prazer, usar m eia hora desse período tão tranquilo para visitar Miss Fairfax. Devia ir, realm ente, e estava ansiosa por vê-la. A sem elhança de suas situações aum entava os m otivos que j á tinha para dem onstrar sua boa vontade. Seria um a satisfação secreta, m as a consciência de que estavam diante de perspectivas bastante sim ilares com certeza aum entava m uito o interesse com que ela esperava qualquer coisa que Jane desej asse confidenciar-lhe.

Ela foi, afinal. Já havia batido na porta sem sucesso um a vez, m as não havia entrado na casa desde a m anhã seguinte ao passeio a Box Hill, quando a pobre Jane estava de tal form a angustiada que a enchera de com paixão, ainda que não suspeitasse a causa do seu m aior sofrim ento. O m edo de ser novam ente m al recebida, apesar da certeza de que estavam em casa, levou-a a esperar no corredor e pedir que anunciassem seu nom e. Ouviu que Patty a anunciava, m as não houve a agitação que houvera da outra vez, quando a pobre Miss Bates se alarm ou. Não, desta vez não ouviu nada além da im ediata resposta “Peça-lhe que suba”. Um m om ento depois foi recebida ainda na escada pela própria Jane, que se adiantara ansiosam ente, com o se nenhum a outra recepção fosse digna dela. Em m a nunca a vira tão bem , tão adorável, tão cativante. Havia nela confiança, anim ação e vivacidade; havia tudo que sem pre faltara à sua aparência e m aneiras. A m oça adiantou-se com a m ão estendida e disse, com voz baixa e bastante em ocionada:

– É m uita bondade sua, sem dúvida!... Miss Woodhouse, é im possível para eu expressar... espero que acredite... Desculpe-m e por estar com pletam ente sem palavras.

Em m a ficou gratificada, e logo m ostraria que a ela não faltavam palavras, se não ouvisse a voz de Mrs. Elton vinda da sala de estar. Ao invés de falar, Em m a teve que expressar todos os seus sentim entos de am izade e congratulações num sincero e entusiasm ado aperto de m ãos.

Mrs. Bates fazia com panhia a Mrs. Elton. Miss Bates não estava, o que contribuía para a tranquilidade do am biente. Em m a desej aria que Mrs. Elton estivesse em qualquer outro lugar, m as seu hum or atual a levava a ter paciência com todos. E com o Mrs. Elton cum prim entou-a com um a am abilidade pouco usual, ela esperou que o encontro não a aborrecesse.

Logo percebeu o que se passava na cabeça de Mrs. Elton, e entendeu

por que essa senhora estava, assim com o ela, em tão bom hum or. Ela estivera ouvindo as confidências de Miss Fairfax, e im aginava saber de algo que ainda era um com pleto segredo para todo m undo. Em m a logo viu sintom as disso na expressão do seu rosto e, enquanto cum prim entava Mrs. Bates e aparentava ouvir a gentil resposta da velha senhora, viu Mrs. Elton dobrar um a carta – que aparentem ente estivera lendo em voz alta para Miss Fairfax – com gestos m isteriosos, e colocá-la na pequena bolsa cor de púrpura e dourada que estava ao seu lado. Em seguida disse, com acenos significativos:

– Podem os term inar isso outra hora, você sabe. Não faltarão oportunidades para você nem para m im . E, na verdade, você j á ouviu o principal. Eu apenas queria provar-lhe que Mrs. S. aceitou nossas desculpas e não está ofendida. Você viu com o ela escreve de form a deliciosa! Oh! Ela é um a doce criatura! Você teria gostado dela, se fosse para lá. Mas não falem os m ais disso. Vam os ser discretas... e m anter o bom com portam ento. Silêncio!...

Lem bra-se daqueles versos... esqueci o poem a no m om ento...

Quando uma dama está em relevância

Tudo o mais perde a importância...

Mas eu diria que no nosso caso, m inha querida, quando se fala em dama deve-se entender... Hum m ! Não devo dizer m ais nada... Estou m uito anim ada hoj e, não acha? Mas quero deixar você tranquila com relação à Mrs. S.

A minha intervenção acalm ou-a bastante.

E, m ais um a vez, assim que Em m a virou a cabeça para olhar o tricô que Mrs. Bates fazia, ela acrescentou, num sussurro:

– Não m encionei nenhum nome, você viu... Oh! Não! A cautela é um a questão de estado. Sei lidar com isso m uitíssim o bem .

Em m a não tinha a m enor dúvida. Era um lugar com um , repetido sem pre que havia ocasião. Depois que falaram um pouco, em com pleta harm onia, sobre o tem po e Mrs. Weston, Mrs. Elton dirigiu-se abruptam ente a Em m a, dizendo:

– A senhorita não acha, Miss Woodhouse, que nossa esperta am iguinha recuperou-se encantadoram ente? Não acha que Perry tem um alto crédito por tê-la curado? (e lançou um olhar m uito significativo para Jane) Posso lhe afirm ar que Perry restaurou-lhe a saúde num tem po espantosam ente curto!... Ah! Se a senhorita a tivesse visto, com o eu, quando ela estava m uito pior!...

No m om ento em que Mrs. Bates dizia algum a coisa para Em m a, Mrs.

Elton voltou a sussurrar:

– Não dissem os nada sobre algum a consulta que Perry possa ter feito.

Nem um a palavra sobre certo j ovem m édico de Windsor. Oh, não! Perry deve ter todo o crédito.

– Raram ente tive o prazer de vê-la, Miss Woodhouse, desde a excursão a Box Hill – ela recom eçou logo em seguida. – Um passeio m uito agradável.

Ainda assim acho que faltou algum a coisa. As coisas pareciam um tanto... quer dizer, algum as pessoas estavam um tanto som brias... Pelo m enos foi o que achei, m as posso ter m e enganado. De qualquer form a, acho que deveríam os fazer esse passeio outra vez. O que vocês duas acham de reunirm os o m esm o grupo e irm os de novo lá enquanto o tem po ainda está bom ? Tem que ser o m esm o grupo, exatam ente o m esm o, sem uma exceção sequer.

Logo depois disso, Miss Bates chegou e Em m a não pôde evitar se distrair com a perplexidade da prim eira resposta dela. Achava que, pelo visto, isso se devia ao fato de Miss Bates não saber o que dizer, e tam bém à im paciência para dizer tudo.

– Obrigada, Miss Woodhouse, a senhorita é tão bondosa... É im possível expressar... Sim , de fato, entendo perfeitam ente... As perspectivas da querida Jane, quero dizer, não sei se... Mas ela está bastante recuperada... Com o está Mr.

Woodhouse?... Fico tão feliz... Não está em m inhas m ãos... Que bela reunião tem os aqui... Sim , de fato... Um j ovem encantador!... Isto é... Tão am igável.

Refiro-m e ao nosso querido Mr. Perry ! Foi tão atencioso com Jane!...

Pela dem onstração de sua enorm e, sua m ais do que habitual enorm e delícia de ver Mrs. Elton ali, Em m a suspeitou que devesse ter havido algum ressentim ento em relação à Jane, da parte do Vicariato, e que agora j á estava graciosam ente superado. Após m ais alguns sussurros, que só vieram confirm ar as suspeitas de Em m a, Mrs. Elton falou de novo em voz alta:

– Sim , aqui estou, m inha boa am iga. E aqui estou há tanto tem po que acredito ser necessário desculpar-se. A verdade é que estou esperando pelo m eu am o e senhor. Ele prom eteu vir buscar-m e aqui e apresentar-lhes seus respeitos.

– Com o? Então terem os o prazer de um a visita de Mr. Elton? Seria um a grande honra, de fato! Eu sei que os cavalheiros não gostam de fazer visitas m atinais, e ele está sem pre tão ocupado!

– Dou-lhe m inha palavra que é m esm o assim , Miss Bates. Ele realm ente vive ocupado da m anhã à noite. Não dá para contar a quantidade de pessoas que o procuram , por um m otivo ou outro. Os m agistrados, os

supervisores, os adm inistradores da igrej a estão sem pre lhe pedindo opiniões.

Parece que não são capazes de fazer nada sem ele! “Pelo am or de Deus, Mr. E”

eu lhe digo sem pre “antes o senhor do que eu... não sei o que seria dos m eus lápis de desenho ou do m eu piano, se eu tivesse a m etade dos seus requerentes”. O

pior de tudo é que venho negligenciando a m úsica e a pintura até um grau im perdoável. Não creio que tenha tocado um acorde sequer na últim a quinzena.

Bem , ele está chegando, posso assegurar. Não creio que devam esperar m uito. –

Então colocou um a m ão sobre a boca, para que Em m a não ouvisse o que ia dizer

– Um a visita de congratulações, com o sabe... Oh, sim ! É indispensável!

Miss Bates olhava para ela com tanta felicidade!

– Ele prom eteu que viria assim que conseguisse se liberar da reunião com Knightley. Ele e Knightley estão j untos em profunda consulta. Mr. E é o braço direito de Knightley.

Em m a não iria sorrir por nada deste m undo, e apenas perguntou:

– Mr. Elton foi a pé até Donwell? Vai ser um a cam inhada um tanto quente.

– Oh, não! É um a reunião na Crown, um a das reuniões periódicas.

Weston e Cole vão estar lá tam bém , m as devem os falar apenas dos que dirigem .

Im agino que Mr. E e Knightley façam as coisas todas do seu m odo.

– A senhora não se enganou sobre o dia? – disse Em m a. – Estou quase certa de que a reunião na Crown será am anhã... Mr. Knightley esteve em Hartfield ontem e disse que seria no sábado.

– Oh, não, não, a reunião é hoj e, com certeza – foi a abrupta resposta, que dem onstrava a im possibilidade de qualquer erro da parte de Mrs. Elton. –

Acredito – continuou ela – que esta sej a a paróquia m ais cheia de problem as que j á existiu, nunca ouvi falar de tais coisas em Maple Grove.

– Mas a paróquia de lá deve ser pequena – disse Jane.

– Dou-lhe m inha palavra que não sei, m inha querida, j am ais ouvi falar disso.

– Mas está provado pelo pequeno tam anho da escola, da qual a senhora m e falou, que está sob os cuidados da sua irm ã e de Mrs. Bragge. É a única escola, e não tem m ais de vinte e cinco crianças.

– Ah, criatura esperta, é verdade. Que cabecinha pensante você tem !

Olhe, Jane, fico pensando em que criatura perfeita nós faríam os, se fôssem os m isturadas. Minha vivacidade e a sua firm eza produziriam a perfeição. Não que

eu pretenda insinuar que alguém não im agine que você j á é perfeita com o está.

Mas, silêncio! Nem um a palavra, por favor.

Parecia um a cautela desnecessária, pois Jane pretendia falar com Miss Woodhouse e não com Mrs. Elton, com o Em m a claram ente notou. O desej o de distingui-la, tanto quanto a civilidade perm itia, era bastante evidente, em bora não pudesse m uitas vezes passar de um olhar.

Mr. Elton chegou, e sua esposa saudou-o com um pouco de sua lum inosa vivacidade.

– Muito bonito, m eu senhor! Mandar-m e para cá, para estorvar m eus am igos até que o senhor se dignasse vir buscar-m e!... Mas conhece a criatura obediente com a qual está lidando. Sabe que eu não iria em bora até que m eu am o e senhor aparecesse. Estive aqui na últim a hora, dando a essas dam as um exem plo de obediência conj ugal... pois quem poderá dizer, você sabe, se logo não irão precisar dela?

Mr. Elton estava com tanto calor, e tão cansado, que toda essa esperteza parecia desperdiçada. No entanto, devia apresentar seus cum prim entos às outras dam as. Logo em seguida com eçou a lam entar-se sobre o calor que sentia e a cam inhada que fizera à toa.

– Quando cheguei a Donwell – ele disse – não encontrei Knightley.

Muito esquisito! Inexplicável, até, depois do bilhete que m andei esta m anhã e que ele respondeu dizendo que estaria em casa até a um a hora.

– Donwell! – exclam ou sua esposa. – Meu querido Mr. E, você não foi a Donwell!... Você quer dizer a Crown, está voltando da reunião na Crown.

– Não, não, essa reunião é am anhã, e eu queria conversar com Knightley hoj e, j usto sobre isso. Que m anhã terrivelm ente quente! Eu fui pelos cam pos, tam bém ... (falando num tom de profunda irritação) o que tornou tudo ainda pior. E no final não o achei em casa! Garanto-lhe que não estou nem um pouco satisfeito. Ele não deixou nem um bilhete de desculpas. A governanta disse que ele não sabia de nada sobre a m inha vinda... Realm ente extraordinário! E

ninguém sabia sequer a direção que tom ou. Talvez tivesse ido a Hartfield, talvez a Abbey -Mill, talvez para os bosques. Miss Woodhouse, isso não é próprio de Mr.

Knightley ! Será que pode explicar?

Em m a divertiu-se m uito em dizer que era realm ente extraordinário, m as que não tinha nada a dizer sobre ele.

– Não posso im aginar – disse Mrs. Elton (sentindo a indignação que se espera de um a esposa) – não posso im aginar com o ele pôde fazer um a coisa

dessas com você, entre todas as pessoas no m undo! A últim a pessoa que se im aginaria pudesse ser esquecida!... Meu querido Mr. E, ele deve ter lhe deixado um a m ensagem , tenho certeza que deixou. Nem m esm o Knightley pode ser tão excêntrico. Talvez os em pregados tenham esquecido a m ensagem , pode contar que foi isso que aconteceu. E isso só poderia ter acontecido com os criados de Donwell que, com o eu m esm a observei, são todos m uito desaj eitados e relapsos.

Tenho certeza que não gostaria de ter aquele tal de Harry na nossa sala de j antar, de m aneira nenhum a. E quanto a Mrs. Hodges... Wright acha que ela é m uito vulgar, de fato. Prom eteu um a receita para Wright e nunca a enviou.

– Encontrei William Larkins – continuou Mr. Elton – quando estava perto da casa, e ele m e disse que não encontraria seu patrão em casa, m as não acreditei nele. William parecia um tanto m al hum orado. Disse que não sabia o que estava acontecendo com o patrão ultim am ente, m as que raram ente conseguia falar com ele. Não sei nada das necessidades de William , m as é realm ente m uito im portante que eu converse com Knightley hoj e. E foi um transtorno m uito sério, fazer essa cam inhada no calor a troco de nada.

Em m a sentiu que o m elhor a fazer era ir para casa diretam ente. Era provável que j á estivessem esperando por ela, e talvez conseguisse evitar que Mr.

Knightley fosse ainda m ais agressivo com relação a Mr. Elton, para não falar de William Larkins.

Ela ficou contente, quando saiu, de ver que Miss Fairfax estava determ inada a acom panhá-la na saída da sala, descendo até m esm o as escadas com ela. Isto lhe forneceu um a oportunidade para que ela logo aproveitasse para dizer:

– Talvez sej a m elhor que eu não tenha tido a possibilidade de falar-lhe a sós. Se a senhorita não estivesse cercada de am igos, talvez eu ficasse tentada a m encionar um determ inado assunto, a fazer perguntas, e acabaria falando m ais abertam ente do que seria estritam ente correto. Sinto que, com certeza, teria sido im pertinente.

– Oh! – exclam ou Jane, com um rubor e um a hesitação que Em m a achou que lhe ficavam infinitam ente m elhor que toda a elegância de sua com postura habitual. – Não haveria perigo algum . O perigo teria sido eu incom odá-la. A senhorita não poderia m e agradar m ais do que m anifestando seu interesse. Na verdade, Miss Woodhouse (falando m ais recatadam ente), com a consciência que tenho de ter errado em m inha conduta, e errado bastante, é um grande consolo saber que aqueles entre os m eus am igos cuj a opinião é m ais im portante para m im , não ficaram desgostosos com igo ao ponto de... Não tenho tem po para dizer nem a m etade do que gostaria. Eu ansiava por m e desculpar,

j ustificar m inhas atitudes. Sei que é m eu dever. Mas, infelizm ente... Em resum o, se a sua com paixão m e perm itir ser sua am iga...

– Ah, a senhorita é m uito escrupulosa, de fato é – exclam ou Em m a, calorosam ente, pegando a m ão da am iga. – A senhorita não m e deve desculpas, e todas as pessoas com quem acha que deve se desculpar estão tão satisfeitas, até m esm o deliciadas...

– A senhorita é m uito bondosa, m as eu sei com o m e com portei com a senhorita... Fui tão fria e artificial!... Estava sem pre representando. Foi um a vida de farsa, de enganos! Sei que devo tê-la desgostado.

– Por favor, não diga m ais nada. Sou eu que devo pedir todas as desculpas. Vam os perdoar um a à outra de um a vez por todas. Façam os isso o m ais breve possível para que nossos sentim entos não percam m ais tem po com isso. Espero que tenha notícias boas de Windsor?

– Muitas.

– E a próxim a notícia, eu creio, é que devem os perdê-la... j usto quando com eço a conhecê-la.