Eu, primata
No Lugar do Outro
“Reações emocionais de ratos à dor em outros”. {2} O ar go relatou que ratos param de acionar uma alavanca que lhes fornece comida se isso provocar um choque elétrico no rato ao lado. Por que os ratos simplesmente não con nuavam a obter comida sem fazer caso do outro animal pulando de dor sobre uma grade elétrica? Em experimentos clássicos (que por mo vos é cos não quero replicar), macacos apresentaram inibição ainda mais pronunciada. Ao ver que causava um choque no companheiro toda vez que puxava uma maçaneta para ganhar comida, um macaco parou de fazê-lo por cinco dias, e outro por doze dias. Para não infligir dor em outros, esses macacos estavam se matando de fome.
Em todos esses estudos, a explicação provável não é a preocupação com o bem-estar de outros, mas a aflição causada pela aflição alheia. Tal reação tem enorme valor para a sobrevivência. Se outros demonstram medo e aflição, pode haver boas razões para que você também se preocupe. Se um pássaro de um bando que está no chão subitamente sair voando, todos os outros o farão, mesmo antes de saber o que se passa. O que ficar para trás pode ser a presa. É por isso que o pânico se alastra tão depressa, inclusive entre as pessoas.
Fomos programados para sen r absoluta aversão a ver e ouvir a dor de outros. Por exemplo, é comum crianças pequenas ficarem transtornadas, de olhos marejados, e correrem para a mãe em busca de segurança quando vêem outra criança cair e chorar. Elas não estão preocupadas com a outra, mas perturbadas com as emoções que esta demonstra. Só quando mais velhas, ao adquirir a capacidade de dis nguir entre si mesmas e os outros, é que separarão as próprias emoções das de terceiros. Mas o desenvolvimento da empa a começa sem tal dis nção, talvez mais ou menos como as vibrações de uma corda desencadeiam vibrações em outra, produzindo um som harmônico. Emoções tendem a suscitar emoções equivalentes, sejam provenientes de riso e alegria, sejam do conhecido fenômeno da sala cheia de bebês chorando. Hoje sabemos que o contágio emocional reside em partes do cérebro tão primi vas que as temos em comum com os mais diversos animais: ratos, cães, elefantes, macacos etc.
NO LUGAR DO OUTRO
Cada época oferece à humanidade sua própria dis nção. Nós nos consideramos especiais e estamos sempre em busca da confirmação dessa singularidade. Talvez a primeira delas tenha sido a definição do homem, por Platão, como a única criatura sem pêlos que anda com duas pernas. Isso pareceu absolutamente correto até que Diógenes soltou uma galinha depenada no salão de conferência e ironizou: “Eis o homem de Platão”. Dali por diante, a definição de Platão incluiu “e que tem unhas largas”. Muito tempo depois, o fabrico de ferramentas foi considerado tão especial que ensejou a publicação de um livro in tulado Man, the tool-maker [Homem, o fabricante de ferramentas]. Essa definição perdurou até a descoberta de chimpanzés selvagens que faziam esponjas com folhas mascadas ou desfolhavam ramos de árvore para usar como varas. Corvos já foram vistos curvando um pedaço de arame para fazer um gancho e pescar comida dentro de uma garrafa. Lá se foi o “homem, o fabricante de ferramentas”. A próxima candidata foi a linguagem, inicialmente definida como comunicação simbólica. Mas, quando os lingüistas veram no cia de que grandes primatas não humanos possuem habilidades de linguagem de sinais, perceberam que o único modo de manter fora esses intrusos seria abandonar a definição da comunicação simbólica e enfa zar a sintaxe. O lugar especial da humanidade é marcado por definições abandonadas e traves de gol móveis.
A reivindicação da vez à singularidade baseia-se na empa a. Não a conexão emocional em si, coisa di cil de negar em outros animais, mas a chamada “teoria da mente”. Essa expressão canhestra refere-se à capacidade de reconhecer estados mentais de outros indivíduos. Se você e eu nos encontrarmos em uma festa e eu achar que você acha que nunca nos vimos antes (embora eu tenha certeza de que já nos vimos), tenho uma teoria sobre o que se passa na sua cabeça. Ver da perspec va de outro revoluciona o modo como uma mente se relaciona com outra. Dado que alguns cien stas apontam essa habilidade como unicamente humana, é irônico que todo o conceito de teoria da mente tenha surgido com um estudo sobre primatas na década de 1970. Uma chimpanzé chamada Sarah, quando lhe davam fotografias para escolher, preferia a de uma chave quando via uma pessoa se esforçar para abrir uma porta fechada, ou a de alguém subindo numa cadeira se ela visse um homem pulando para alcançar uma banana. Concluiu-se que Sarah reconhecia as intenções de outros. Desde essa descoberta, floresceu toda uma indústria de pesquisas sobre a teoria da mente em crianças, ao passo que as pesquisas com primatas nessa área veram altos e baixos. Alguns experimentos com grandes primatas não humanos fracassaram, levando alguns a concluir que esses animais não possuem uma teoria da mente. Mas é di cil interpretar resultados nega vos. Como se costuma dizer, ausência de prova não é prova de ausência. Quando se comparam grandes primatas não humanos e crianças, um problema é que o experimentador é invariavelmente humano, portanto apenas para os não humanos ocorre a barreira entre espécies. E quem garante que esses primatas acreditam que as pessoas estão sujeitas às mesmas leis que os regem? Para eles, devemos parecer seres de outro planeta.
Recentemente, por exemplo, minha assistente me telefonou avisando sobre uma luta da qual Socko saíra ferido. No dia seguinte fui até lá e pedi a Socko que virasse o corpo. Ele gen lmente me atendeu, pois me conhecia desde pequeno, e me mostrou o corte em seu traseiro. Pensemos nesse ato da perspec va desses grandes primatas. Eles são animais espertos e estão sempre tentando entender o que se passa. Socko deve ter se perguntado como é que eu sabia sobre seu ferimento. Se formos vistos como deuses oniscientes, seremos inadequados para experimentos sobre a ligação entre ver e saber, que é o cerne da teoria da mente. A maioria desses experimentos só testou a teoria dos grandes primatas não humanos sobre a mente humana. O melhor é nos concentrarmos na teoria dos primatas sobre a mente primata. Quando um estudante cria vo, Brian Hare, conseguiu dispensar o experimentador humano, descobriu que os grandes primatas não humanos percebem que, se o outro viu comida escondida, esse indivíduo sabe. Brian testou nossos chimpanzés ins gando um indivíduo de baixa posição hierárquica a pegar comida diante de outro de posição mais elevada. O subordinado escolheu pedaços que o outro não poderia ter visto. Em outras palavras, os chimpanzés sabem o que os outros sabem e usam essa informação em bene cio próprio. Isso pôs novamente na berlinda a teoria da mente em animais. Em uma guinada imprevista (porque o debate gira em torno de humanos e grandes primatas não humanos), na Universidade de Kyoto um macaco-capuchinho recentemente executou com grande êxito uma série de tarefas do po “ver-saber”. Bastam alguns resultados posi vos desse po para pôr um colossal ponto de interrogação diante dos resultados negativos anteriores.
Isso me lembra um período na história do quase centenário Centro de Primatas Yerkes quando os psicólogos tentavam aplicar técnicas skinnerianas em chimpanzés. Uma estratégia consis a em privar os animais de alimento até perderem 20% do peso corporal. Essa técnica aumenta a mo vação em ratos e pombos nas tarefas relacionadas com comida. Mas com os grandes primatas não deu resultado. Na melhor das hipóteses, eles se tornavam demasiado rabugentos e obcecados por comida para conseguir prestar atenção em qualquer tarefa proposta. Os primatas precisam gostar de alguma coisa para fazê-la bem. Os drás cos procedimentos dos psicólogos de ratos criaram tensões no centro, levando até funcionários preocupados a alimentar secretamente os animais. Quando os pesquisadores foram reclamar para o diretor que seus chimpanzés não eram tão espertos quanto lhes fora dito que seriam, o diretor encolerizou-se e proferiu o célebre lembrete de que “não existem animais estúpidos, apenas experimentos inadequados”. Cer ssimo. O único modo de obter uma idéia adequada da inteligência de um grande primata não humano é conceber experimentos que o absorvam intelectual e emocionalmente. Pedacinhos de comida escondidos sob xícaras quase não prendem a atenção deles. Eles se interessam é por situações sociais envolvendo indivíduos que lhes são próximos. Salvar um infante de um ataque, passar a perna em um rival, evitar conflito com o manda-chuva, esgueirar-se sem ser visto com um parceiro sexual, esses são os pos de problema que tais primatas gostam de resolver. O modo como Lolita virou seu bebê para eu ver, o modo como Kuni tentou salvar o passarinho, o modo como outros bonobos conduziram Kidogo pela mão, tudo isso sugere que problemas da vida real às vezes são resolvidos adotando o ponto de vista de outro indivíduo. Mesmo se cada uma dessas histórias se referir a um evento que não se repe u, considero-as muito importantes. Eventos únicos podem ser imensamente significa vos. Afinal, um passo do homem na Lua bastou para afirmarmos que ir até lá é uma capacidade nossa. Portanto, se um observador experiente e confiável relatar um incidente notável, é bom a ciência prestar atenção. E não temos apenas uma ou duas histórias sobre grandes primatas não humanos adotando a perspec va de outro; temos muitas, como se vê nos exemplos a seguir.
O fosso de dois metros de profundidade defronte à an ga jaula dos bonobos no Zoológico de San Diego fora esvaziado para limpeza. Depois de lavarem o fosso e soltarem os bonobos, os tratadores foram abrir a válvula para tornar a enchê-lo de água. De repente, Kakowet, um macho idoso, apareceu na janela gritando e agitando frene camente os braços para chamar a atenção. Depois de tantos anos, ele conhecia bem a ro na da limpeza. Acontece que vários bonobos jovens haviam entrado no fosso seco e não conseguiam sair. Os tratadores puseram uma escada e todos os bonobos saíram, exceto o menor, que foi puxado para fora pelo próprio Kakowet. Essa história condiz com minhas observações do fosso nessa mesma jaula uma década depois. Na época, o zoológico sabiamente decidira remover de uma vez a água, pois os primatas não nadam. Deixaram uma corrente permanentemente pendurada, e por ela os bonobos desciam para visitar o fosso sempre que desejavam. Mas às vezes, quando Vernon, o macho alfa, ia lá para baixo, Kalind, um macho mais jovem, puxava depressa a corrente e ficava olhando para Vernon lá de cima, dando palmadas na borda do fosso, com a boca aberta e cara de quem está pregando uma peça. Essa expressão é equivalente à risada humana: Kalind estava se diver ndo à custa do chefe. Em várias ocasiões, Lore a, a outra adulta do grupo, corria ao local e resgatava seu parceiro jogando a corrente para baixo e montando guarda até ele subir. As duas observações nos dizem algo sobre a adoção da perspec va de outros. Kakowet pareceu perceber que encher o fosso enquanto os jovens ainda estavam lá dentro era má idéia, muito embora isso não o afetasse pessoalmente. Tanto Kalind como Lore a pareciam saber que serven a nha a corrente para alguém que estava no fundo do fosso, e agiam de acordo com esse conhecimento: um, atormentando; a outra, ajudando o necessitado.
Durante um inverno no Zoológico de Arnhem, depois de limparem a jaula e antes de soltarem os chimpanzés, os tratadores lavaram todos os pneus e os enfiaram em um tronco preso horizontalmente por uma das pontas no trepa-trepa dos primatas. Um belo dia, Krom quis um pneu no qual ainda havia água acumulada. Mas esse pneu estava justamente em úl mo lugar na fila, com seis ou mais pneus pesadões na frente. Krom puxou, puxou, e nada de conseguir rar o pneu do tronco. Puxou-o para trás, então, mas por ali também não conseguiu rá-lo, pois era barrado pelo trepatrepa. Ela passou dez minutos tentando em vão resolver o problema, ignorada por todos exceto por Jakie, um chimpanzé de sete anos de quem ela cuidara quando pequeno. Imediatamente após Krom desis r e se afastar, Jakie foi até o local. Sem hesitação, rou os pneus do tronco um a um, começando pelo da frente, como faria qualquer chimpanzé sensato. Chegando ao úl mo pneu, Jakie removeu-o com cuidado para não derramar água, levou-o direto para sua a e o pôs em pé diante dela. Krom aceitou o presente sem nenhum reconhecimento especial, e já estava pegando a água nas mãos em concha quando Jakie se foi.
Não é tão inusitado o fato de Jakie ter ajudado a a. Especial é o fato de ele ter feito, como Sarah nos experimentos originais sobre a teoria da mente, a suposição correta sobre o que Krom desejava. Ele percebeu o obje vo da a. Essa ajuda para uma necessidade específica, conhecida como targeted help, é pica dos grandes primatas não humanos, mas rara ou ausente na maioria dos outros animais.
Como vimos no caso de Kuni e o passarinho, os grandes primatas não humanos preocupam-se com outras espécies. Isso pode parecer paradoxal, dado que, na natureza, os chimpanzés matam e comem macacos. Mas é assim tão di cil de compreender? Nós também somos ambivalentes. Amamos nossos bichos de es mação, mas também matamos animais (às vezes de es mação). Assim, o fato de chimpanzés às vezes mostrarem uma reação benéfica a uma potencial presa não nos deveria surpreender. Vi certa vez toda a colônia de Yerkes observar atentamente os funcionários capturarem na floresta ao redor de sua jaula um macaco Rhesus que fugira. As tenta vas de atrair o macaco de volta ao seu cercado haviam fracassado. A situação piorou quando ele subiu numa árvore. Ouvi Bjorn, na época um filhote, choramingar e agarrar a mão de uma fêmea mais velha ao seu lado. A aflição de Bjorn coincidiu com o momento em que o macaco agarrou-se a um galho mais baixo da árvore: ele acabara de ser a ngido por um dardo tranqüilizante. Estavam esperando por ele embaixo da árvore com uma rede. Embora não fosse uma situação pela qual Bjorn já vesse passado, ele parecia iden ficar-se com o macaco: soltou outro gemido no instante exato em que o fujão caiu na rede.
Em momentos emocionalmente significa vos, os grandes primatas não humanos podem se pôr no lugar de outros. Poucos animais têm essa capacidade. Por exemplo, todos os cien stas que procuraram detectar a prá ca do consolo em macacos voltaram de mãos vazias. Propuseram-se a coletar os mesmos dados que temos para os chimpanzés, mas não registraram nada. Os macacos não consolam sequer quando suas crias foram mordidas. Eles protegem os filhotes, mas não os abraçam nem afagam como faz a mãe grande primata para acalmar sua cria aflita. Isso faz o comportamento dos grandes primatas não humanos lembrar muito mais o nosso. O que é que diferencia os humanos e demais grandes primatas dos outros animais? Parte da resposta pode ser o fato de que eles têm mais consciência de si. Um segundo contraste foi observado há mais tempo ainda que o do consolo. Os grandes primatas não humanos são os únicos primatas, com exceção de nós, que reconhecem o próprio reflexo. O auto-reconhecimento é testado marcando-se o indivíduo, sem que ele perceba, com uma pincelada de nta em um local que não seja diretamente visível, como acima da sobrancelha, por exemplo. Depois disso, dá-se um espelho a ele. Guiados pela imagem refle da, os grandes primatas não humanos esfregam com a mão o local pintado e examinam os dedos; portanto, reconhecem que a mancha colorida no espelho realmente estava neles. Macacos não fazem tal associação.
Toda manhã quando nos barbeamos ou nos maquiamos, usamos essa habilidade. Reconhecer-nos na imagem do espelho é totalmente lógico para nós, mas não algo que esperaríamos de outro animal. Imagine o seu cachorro indo até o espelho no quarto e parando de chofre ao ver algo errado, como fazemos quando alguma coisa nos chama a atenção. Ele inclina a cabeça, observa sua imagem no espelho, sacode a cabeça para desdobrar uma orelha ou remover uma folhinha no pêlo. Seria de pasmar! Cães nunca fazem isso, mas esse é exatamente o po de atenção que os grandes primatas não humanos prestam em si mesmos. Se estou de óculos escuros, que costumo usar no verão, e me aproximo dos meus chimpanzés, eles fitam os óculos e fazem caretas esquisitas. Sacodem a cabeça na minha direção até eu rar os óculos e aproximálos deles. Então se olham nas lentes como em um espelho. As fêmeas viram-se para examinar o traseiro — uma obsessão lógica, considerando a atra vidade dessa parte de seu corpo. E a maioria deles abre a boca, examina, toca os dentes com a língua ou os cutuca com o dedo, guiando-se pelas lentes espelhadas. Às vezes até se “embelezam”. Em um zoológico alemão, quando deram um espelho à orangotango Suma, ela foi buscar salada e folhas de couve em sua jaula, fez uma pilha e botou na cabeça. Olhando no espelho, ajeitou me culosamente seu chapéu vegetal. Quem visse poderia jurar que ela estava se arrumando para um casamento! Ter consciência de si afeta o modo como se lida com os outros. Mais ou menos na época em que as crianças começam a se reconhecer no espelho — entre dezoito e 24 meses de vida —, elas também adquirem a capacidade de ajudar segundo as necessidades dos outros. Seu desenvolvimento é análogo à transformação pela qual passamos ao longo da evolução: o auto-reconhecimento e as formas superiores de empa a emergiram juntos no ramo que originou os humanos e os outros grandes primatas. Uma ligação entre essas capacidades foi predita décadas atrás por Gordon Gallup, psicólogo americano pioneiro no uso de espelhos em testes com primatas. Gallup supôs que a empatia requer a consciência de si. Talvez funcione assim: para agir em bene cio de outrem, o indivíduo precisa separar suas próprias emoções e situação das do outro. É preciso que ele veja esse outro como uma en dade independente. A mesma dis nção entre si e os outros permite ao indivíduo reconhecer que sua imagem refle da no espelho, que age exatamente como ele, não é uma entidade independente. Daí ele conclui que ela deve representá-lo. Mas não devemos descartar a possibilidade de essas capacidades exis rem também em outros animais. Muitos deles são extremamente sociais e coopera vos, portanto excelentes candidatos para formas superiores de empa a. Duas espécies que logo nos vêm à mente são os elefantes e os golfinhos. Sabemos que os elefantes usam a tromba e as presas para erguer companheiros fracos ou caídos. Também emitem roncos surdos para tranqüilizar os jovens. Há relatos de golfinhos que salvaram companheiros roendo cordas de arpão, libertando outro golfinho que ficou preso em redes de pescar atum e sustentando um doente próximo à super cie para que não se afogasse. Esses animais ajudam pessoas do mesmo modo, como contaram quatro nadadores que foram escoltados por golfinhos para longe de um tubarão de três metros na costa da Nova Zelândia.
As semelhanças com as prá cas de consolo e ajuda par cula - rizada dos grandes primatas não humanos suscitam uma questão: como é que os elefantes e golfinhos reagem a um espelho? Existe um paralelo também nisso? No caso dos elefantes a questão con nua em aberto. Mas, quanto aos golfinhos, dificilmente poderia ser coincidência que eles sejam os únicos não-primatas para os quais há indícios de auto-reconhecimento no espelho. Quando golfinhos-nariz-de-garrafa no Aquário de Nova York foram marcados com manchinhas de nta, passaram mais tempo diante de um espelho do que quando não estavam marcados. A primeira coisa que fizeram ao chegar à frente do espelho (que estava distante do local onde haviam sido pintadas as marcas) foi dar uma volta para olhar bem suas marcas.