Eu, primata

Frans de Waal · Capítulo 39 de 48

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Eu, primata

A Generosidade Compensa

Antes de Darwin e Westermarck, idéias semelhantes haviam sido expressas por David Hume, o filósofo escocês que ressaltou os sen mentos morais, e muito antes de todos eles pelo sábio chinês Mêncio (372-289 a. C ) , seguidor de Confúcio. Grafados em ras de bambu legadas a seus descendentes, os textos de Mêncio mostram que não há nada de novo sob o sol. Mêncio acreditava que as pessoas tendem para o bem tão naturalmente como a água flui montanha abaixo. Isso se evidencia em seu comentário sobre nossa incapacidade de suportar o sofrimento de outros: Se homens subitamente vêem uma criança prestes a cair em um poço, sem exceção têm um sen mento de inquietação e aflição. Sentem-se assim não porque podem incorrer nas boas graças dos pais da criança, não porque possam estar desejando elogios de seus vizinhos e amigos, e não por terem aversão à reputação de ficarem insensíveis diante de tal coisa. Com esse exemplo podemos perceber que o sen mento de comiseração é essencial ao homem.

Todos os possíveis mo vos egoístas mencionados por Mêncio (como desejar as boas graças ou elogios) são relatados com detalhes na literatura moderna. A diferença, obviamente, é que Mêncio rejeitou tais explicações como demasiado forçadas, tendo em vista a qualidade imediata e a força do impulso de simpa a. A manipulação da opinião pública é totalmente possível em outros momentos, disse Mêncio, mas não quando uma criança está prestes a cair em um poço.

Concordo cem por cento. A evolução nos equipou com impulsos genuinamente coopera vos e inibições contra atos que possam prejudicar o grupo do qual dependemos. Aplicamos esses impulsos sele vamente, é verdade, mas ainda assim somos afetados por eles. Não sei se as pessoas no fundo são boas ou más, mas sei que, apesar de sua inteligência impressionante, o sr. Spock não seria capaz de resolver problemas morais de um modo que nos sa sfaria. Ele os trataria de maneira lógica demais. Empurraria o homem da ponte e ficaria perplexo com os protestos da ví ma e com a nossa indignação.

 

A GENEROSIDADE COMPENSA

Numa agradável noite no Zoológico de Arnhem, quando o tratador chamou os chimpanzés para dentro, duas fêmeas adolescentes não quiseram entrar no prédio. O tempo estava esplêndido. Elas veram a ilha toda para si, e adoraram. A regra no zoológico era que nenhum dos primatas ganhava comida enquanto todos não houvessem entrado. As obs nadas adolescentes deixaram os outros muito mal-humorados. Quando finalmente elas entraram, horas depois, o tratador as pôs em um dormitório separado, para evitar represálias. Mas isso as protegeu só temporariamente. Na manhã seguinte, lá fora na ilha, a colônia inteira extravasou a frustração causada pelo atraso do jantar com uma perseguição em massa que terminou na surra das culpadas. À noite, as duas foram as primeiras a entrar. A punição dos transgressores relaciona-se com o segundo pilar da moralidade: os recursos. As jovens fêmeas haviam deixado a colônia toda de estômago roncando. Novamente estamos falando em corpo, embora de um modo diferente. O estômago precisa ser enchido regularmente. Disso resulta a compe ção. Ter ou não ter, apropriar-se, roubar, retribuir, ser justo, tudo isso está ligado à divisão de recursos, uma preocupação essencial da moralidade humana. Mas talvez eu tenha uma noção singular de moralidade e deva explicá-la. Para mim, moralidade relaciona-se com ajudar ou não prejudicar, e estas são a tudes interligadas. Se você está se afogando e eu não ajudo, para todos os efeitos estou prejudicando você. Minha decisão de ajudar ou não é, efe vamente, uma decisão moral. Qualquer coisa desvinculada de ajudar ou não prejudicar, mesmo se for apresentada como questão moral, não é da esfera da moralidade. Provavelmente é mera convenção. Por exemplo, um dos meus primeiros choques culturais quando me mudei para os Estados Unidos foi a no cia de que uma mulher fora presa por amamentar dentro de um shopping. Não entendi por que isso podia ser visto como uma transgressão. O jornal de minha cidade descreveu a prisão em termos morais, alguma coisa ligada à decência pública. Mas, como o comportamento materno natural não pode prejudicar ninguém, aquilo não passava de uma violação de normas. Já aos dois anos as crianças dis nguem entre princípios morais (“não roubar”) e normas culturais (“não usar pijama na escola”). Percebem que violar certas regras prejudica outros, enquanto transgredir outras apenas viola expecta vas. Este úl mo po de regra é culturalmente variável. Na Europa ninguém pisca diante de seios nus, que podem ser vistos em qualquer praia. Mas se lá eu dissesse que tenho um revólver em casa todo mundo ficaria muito preocupado e se perguntaria o que é que deu em mim. Uma cultura tem mais medo de revólveres do que de seios, e outra, vice-versa. Muitas convenções são cercadas com a linguagem solene da moralidade, mas na verdade pouco têm a ver com ela.

Os recursos crí cos relacionados com a díade ajudar/não prejudicar são alimentos e parceiros sexuais, e ambos estão sujeitos a regras de posse e troca. O alimento é de suma importância para as fêmeas primatas, especialmente durante a gravidez e a amamentação (seus estados freqüentes). Parceiras sexuais são de máxima importância para os machos, cuja reprodução depende do número de fêmeas fecundadas. É lógico, portanto, que as trocas de sexo por comida entre os grandes primatas não humanos, nas quais a cópula leva ao compar lhamento de comida, sejam assimétricas: machos procuram sexo; fêmeas, comida. Como o dar e receber ocorrem quase simultaneamente, essas permutas são uma forma simples de reciprocidade. A verdadeira reciprocidade é um pouco mais complexa. Muitas vezes fazemos favores que são retribuídos dias ou meses depois, o que significa que dependemos de confiança, memória, gra dão e senso de obrigação. A tal ponto isso faz parte de nossa sociedade que nos espantaríamos se alguém não compreendesse a idéia de reciprocidade. Digamos que ajudo você a descer com um piano pela escadaria estreita do seu prédio. Três meses depois, estou de mudança. Telefono e lhe digo que também tenho um piano. Se você me despachar dizendo “boa sorte!” posso lembrá-lo do favor que lhe fiz, embora isso seja exasperante. E se, ainda assim, você não oferecer ajuda, posso mencionar explicitamente a idéia do toma-lá-dá-cá. Para mim, será muito embaraçoso. Agora, se a sua resposta for: “Ah, mas eu não estou nem aí para a reciprocidade!”, isso seria muito perturbador. Seria a negação total da razão de nós, humanos, vivermos em grupo, da razão por que fazemos favores uns aos outros. Quem é que vai querer tratar com você? Mesmo se compreendermos que retribuir um favor nem sempre é possível (por exemplo, se você precisar estar fora da cidade no dia da minha mudança, ou se sofre da coluna), é di cil entender alguém que nega abertamente o toma-lá-dá-cá. A negação faz de você um pária: uma pessoa a quem falta uma tendência moral crucial. Quando perguntaram a Confúcio se exis a uma única palavra que pudesse servir de receita para toda a vida, ele pensou bastante e respondeu: “Reciprocidade”. Esse elegante e abrangente princípio é um universal humano, cuja origem há tempos interessa aos biólogos. Ainda me lembro da empolgação em 1972 quando, com alguns estudantes da Universidade de Utrecht, analisamos o ar go “The evolu on of reciprocal altruism” [Evolução do altruísmo recíproco], de Robert Trivers. Esse ainda é um de meus ar gos favoritos porque, em vez de simplificar a relação entre genes e comportamento, atenta sobretudo para as emoções e os processos psicológicos. Dis ngue vários pos de cooperação, baseados no que cada par cipante dá e recebe. Por exemplo, a cooperação com recompensas imediatas não cons tui altruísmo recíproco. Se dez pelicanos formam um semicírculo em um lago raso e batem as patas para arrebanhar pequenos peixes, todos os pelicanos se beneficiam quando apanham juntos as presas. Devido à recompensa instantânea, esse

po de cooperação é muito disseminado. O altruísmo recíproco, por sua vez, custa algo antes de compensar.

É mais complicado.

Quando Yeroen apoiou os esforços de Nikkie pela dominância, não nha como saber se teria sucesso com tal a tude. Era uma aposta. Mas, quando Nikkie chegou ao topo, Yeroen imediatamente deixou claro seu intuito, tentando acasalar-se com fêmeas debaixo do nariz de Nikkie. Por óbvias razões, nenhum outro macho se atrevia a fazer isso, mas Nikkie dependia do apoio do velho macho, por isso a este era preciso permi r. Essa é a reciprocidade clássica: uma transação que beneficia ambas as partes. Depois de analisar milhares de alianças nas quais indivíduos se apoiam mutuamente em lutas, concluímos que os chimpanzés a ngem níveis elevados de reciprocidade. Ou seja: apoiam quem os apoia.

Também retribuem no sen do nega vo: eles conhecem a vingança. A vingança é o outro lado da reciprocidade. Nikkie costumava acertar contas pouco depois de sofrer uma derrota ocasional por uma aliança. Encurralava um membro do grupo que par cipara da aliança quando o via sozinho. Com os outros aliados longe, esse indivíduo passava por maus bocados. Como resultado, cada escolha nha várias conseqüências, tanto boas como ruins. É obviamente arriscado, para um indivíduo de baixa posição hierárquica, vingar-se de alguém de mais alto coturno. Mas, se este já estiver sob ataque, pode haver uma chance de fazêlo sangrar. Revidar é apenas questão de tempo. Ao fim de minha temporada no Zoológico de Arnhem, eu estava tão a par da dinâmica da colônia que podia prever quem entraria em ação, quando e como. Observava uma fêmea, Tepel, que no começo da semana fora ferida por outra, Jimmie, para ver o que Tepel faria quando Jimmie es vesse perdendo uma luta contra Mama, a rainha inconteste. Como eu previa, Tepel via ali uma ó ma oportunidade para acrescentar seus dois centavos à derrota de Jimmie, Jembrando-lhe assim de ter mais cuidado ao escolher seus inimigos. Outra fêmea, Puist, certa vez se deu ao trabalho de ajudar seu amigo Luit a perseguir Nikkie. Quando este, mais tarde, fez o que costumava fazer — escolher Puist para revidar —, ela naturalmente procurou Luit, que estava por perto. Estendeu-lhe a mão e pediu apoio, mas Luit não levantou um dedo para ajudá-la. Imediatamente após Nikkie deixar a cena, Puist voltou-se contra Luit, gritando furiosa. Perseguiu-o por toda a jaula. Se sua fúria ver realmente sido resultado da omissão do amigo depois que ela o ajudara, esse incidente indica que a reciprocidade entre os chimpanzés é regida por expecta vas semelhantes às que vigoram entre os humanos. Um modo fácil de descobrir a reciprocidade é analisar a par lha de alimento entre os chimpanzés. Na natureza eles saem à caça de macacos até capturarem algum, e então o despedaçam para dividi-lo por todo o grupo. A caçada que vi nas montanhas Mahale obedeceu a este padrão: os machos, na copa de uma árvore, pediram uma parte da carcaça. A carne estava em poder do macho que fizera a captura, mas em certo momento ele deu metade para seu melhor amigo, que imediatamente se tornou o centro de um segundo grupo de pedintes. Demorou duas horas, mas no fim pra camente todos na árvore estavam com um pedaço. Fêmeas com intumescimento genital veram mais êxito que as outras na hora de ganhar comida. E sabe-se que, entre os machos, os que caçam favorecem outros caçadores quando dividem a carne. Até o macho mais dominante, se não houver par cipado da caçada, pode ficar de mãos vazias. Esse é outro exemplo de reciprocidade: os que contribuíram para o sucesso têm prioridade na divisão do produto. Provavelmente o compar lhamento de comida começou como incen vo para que os caçadores tornassem a caçar no dia seguinte: não pode haver caçada em grupo sem recompensa em grupo. Uma charge de Gary Larson que está entre minhas favoritas mostra um grupo de homens primi vos voltando da floresta com pás e uma cenoura gigantesca. A legenda diz: “Vegetarianos primi vos voltando da caça”. A cenoura era grande o bastante para alimentar todo o clã. Isso é de uma ironia profunda, considerando a improbabilidade de vegetais terem do algum papel na evolução do compar lhamento de comida. As folhas e frutos que os primatas coletam na floresta são muito abundantes e muito pequenos para ser par lhados. Compar lhar só tem sen do quando se trata de alimentos muito valorizados, di ceis de obter e em quan dade grande demais para um só indivíduo. Qual é o prato principal quando as pessoas se reúnem à mesa do jantar? O peru de Natal, o leitão no espeto ou a gela de salada? Compar lhar remonta à época em que éramos caçadores, o que explica o fato de ser uma prá ca raramente vista em outros primatas. Os três primatas mais notáveis no compar lhamento público, isto é, com quem não é da família, são os humanos, os chimpanzés e os macacos-capuchinhos. As três espécies adoram carne, caçam em grupo e par lham até entre os machos adultos, o que é compreensível, pois os machos são responsáveis pelo grosso das caçadas.

Se o gosto por carne realmente ver sido o alicerce do compar lhamento, fica di cil escapar à conclusão de que a moralidade humana é impregnada de sangue. Quando damos esmola a estranhos, remetemos alimentos a massas famintas ou votamos a favor de medidas para beneficiar os pobres, seguimos impulsos moldados desde que nossos ancestrais rodeavam o dono da carne. No centro do círculo original está algo desejado por muitos, mas possível de obter somente com força ou habilidade excepcional. O compar lhamento de comida presta-se de forma admirável ao estudo da reciprocidade. Em vez de esperar pacientemente por eventos espontâneos, o que faço é dar a comida na mão de um dos meus chimpanzés e acompanhar a economia da divisão paula na até que todos os outros tenham recebido uma parte. Esse procedimento me permite determinar quem tem o que para vender no “mercado de serviços”, que abrange apoio polí co, proteção, grooming, comida, sexo, tranqüilização e uma infinidade de outros favores. (É claro que não sou tão cruel a ponto de dar presas vivas a meus chimpanzés; às vezes eles mesmos apanham um racum ou um gato na estação de campo, mas não o comem, pois são bem alimentados e não têm tradição de caça.) Damos a eles melancias ou um feixe bem amarrado de ramos com folhas —grande o bastante para par lhar, mas também fácil de monopolizar. O compar lhamento não se originou associado a esses alimentos, mas, agora que a tendência existe, podemos medi-la durante refeições vegetarianas.

Quando nos vêem chegar com a comida da colônia, os chimpanzés irrompem em uma “celebração”: beijam-se e abraçam-se durante alguns minutos. Depois disso, jogo um feixe de ramos na direção de May, por exemplo. May, uma fêmea de baixa posição na hierarquia, olha em volta antes de pegar os ramos. Se Socko se aproximar ao mesmo tempo, May não toca na comida. Dá um passo atrás e deixa tudo para Socko. Mas se ela chegar primeiro e pegar a comida, é dela. Isso é notável, pois as pessoas acham que os indivíduos dominantes podem ter direito a tudo. Não entre os chimpanzés. Jane Goodall relatou com certo espanto que o macho mais dominante do grupo que ela observava precisava pedir sua parte da comida. Isso é chamado de “respeito pela posse”. Não se aplica aos jovens, que perdem sua comida bem depressa, mas até o adulto de mais baixa posição hierárquica pode manter sua porção sem ser incomodado. Minha explicação, nesse caso, novamente se relaciona com a reciprocidade. Se Socko roubasse a comida de May, esta nada poderia fazer. Mas o ocorrido seria gravado na memória de May, e isso não seria bom para Socko, pois há muitos serviços sobre os quais ele não tem controle. Se ele ofendesse fêmeas do grupo com in midação, o que seria dele quando es vesse encrencado com um rival, precisasse de grooming, quisesse alguém para cuidar de suas feridas ou desejasse sexo? Em um mercado de serviços, todo mundo tem seu valor. Em geral o compar lhamento ocorre com notável tranqüilidade. Os pedintes estendem a mão com a palma para cima, como fazem nossos mendigos. Há gemidos e choramingos, mas confrontos são raros. Estes ocorrem se o dono do alimento quiser que alguém deixe o círculo, bater-lhe na cabeça com a comida ou gritar esganiçadamente até ser deixado em paz. A comida é ob da graças à tolerância. Os pedintes estendem a mão hesitantemente para pegar uma folha e, se não encontrarem resistência, ousam mais, pegando um ramo inteiro ou arrancando um pedaço. Amigos e parentes do dono hesitam menos. May é uma das que par lham com mais generosidade. Às vezes fica com os melhores ramos para si (como os brotos de amora-preta ou sassafrás), mas dá todo o resto aos outros. Isso não se deve a seu status inferior. Outra fêmea de baixo escalão, Geórgia, é tão avarenta que ninguém se dá ao trabalho de lhe pedir comida. Geórgia tende a ficar com tudo para si. Por isso, é impopular. Quando ela quer a comida de alguém, tem de pedir por mais tempo que os demais. Já May, se quiser comida, entra direto no círculo e começa a comer. Eis a beleza da reciprocidade: a generosidade compensa.

Em nosso projeto, medimos o grooming entre os chimpanzés de manhã e comparamos com a alimentação à tarde. Um grande número de observações permi u-nos relacionar o êxito na obtenção de comida com o grooming feito anteriormente. Quando Socko fazia grooming em May, por exemplo, suas chances de ganhar dela alguns ramos aumentavam notavelmente em comparação com os dias em que não lhe fizera grooming. Esse nosso trabalho foi o primeiro estudo sobre animais a demonstrar esta s camente a troca de favores após um intervalo de várias horas. Além disso, as trocas se davam com parceiros específicos, ou seja, a tolerância de May beneficiava especificamente Socko, que lhe fizera grooming, e não outros.

Como nós mesmos nos comportamos de modo bem parecido, esses resultados nos parecem bem óbvios. Mas consideremos as habilidades envolvidas. Uma delas é a memória de eventos prévios. Isso não é grande coisa para os chimpanzés, que conseguem se recordar de um rosto depois de uma década. May simplesmente precisava se lembrar do grooming de Socko. A segunda habilidade é colorir essa memória de modo que ela desencadeie sen mentos cordiais. Entre nós, chamamos esse processo de “gra dão”, e os chimpanzés parecem possuir a mesma habilidade. Não está claro se eles também têm senso de obrigação, mas é interessante que a tendência a dar comida em troca de grooming não seja a mesma para todos os relacionamentos. Em indivíduos que se associam freqüentemente, como May e suas amigas ou filhas, uma única sessão de grooming não gera muitos efeitos. Entre elas ocorre todo po de troca diariamente, talvez sem que elas “contabilizem” cada troca. Tudo faz parte do vínculo entre elas. Só em relacionamentos mais distantes, como o de May e Socko, uma sessão de grooming ganha destaque e é especificamente recompensada. Conosco não é diferente. Durante o jantar em um seminário sobre reciprocidade social, um dos especialistas confidenciou que anotava no computador diariamente o que ele fazia para sua mulher e o que esta fazia para ele. Grande foi o vaivém dos garfos entre os pratos e bocas enquanto tentávamos processar o que acabáramos de ouvir. O consenso foi que aquilo não era bom, pois, quando alguém se põe a contabilizar os atos dos amigos, e mais ainda os da esposa, provavelmente alguma coisa está errada. O homem estava falando de sua terceira mulher e hoje vive com a quinta, portanto talvez