Os Pecados do Pai

Jeffrey Archer · Capítulo 12 de 48

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Os Pecados do Pai

Capítulo 10

 

— Bem-vinda aos Estados Unidos, srta. Barrington.

— Obrigada — disse Emma.

— Quanto tempo planeja ficar nos Estados Unidos? — perguntou o oficial da imigração enquanto verificava seu passaporte.

— Uma semana, duas no máximo — respondeu Emma. — Vim visitar minha tia-avó e, depois, vou voltar para a Inglaterra.

Era verdade que Emma tinha uma tia-avó que morava em Nova York, a irmã de Lorde Harvey, mas ela não tinha intenção alguma de visitá-la, ainda mais porque não queria que o resto da família descobrisse no que ela estava metida.

— O endereço da sua tia-avó?

— Rua 64 com Park.

O oficial da imigração fez uma anotação, carimbou o passaporte de Emma e o devolveu a ela.

— Aproveite sua estadia na Big Apple, srta. Barrington.

Após ter passado pela imigração, Emma entrou em uma longa fila de passageiros do Kansas Star. Outros vinte minutos se passaram antes de ela entrar na traseira de um táxi amarelo.

— Preciso de um hotel pequeno e a preços módicos localizado perto de Merton Street em Manhattan — disse ela ao motorista.

— Pode repetir, por favor? — disse o taxista, a guimba apagada do seu charuto pendurada no canto da boca.

Tendo achado difícil entender o que motorista falava, Emma deduziu que ele estava tendo o mesmo problema.

— Estou procurando um hotel pequeno e barato perto de Merton Street, na ilha de Manhattan — ela disse, pronunciando lentamente cada palavra.

— Merton Street — repetiu o taxista, como se fosse a única coisa que tivesse entendido.

— Isso mesmo — confirmou Emma.

— Por que você não disse logo da primeira vez?

O motorista partiu e só voltou a falar novamente quando baixou a bandeirada diante de um edifício de tijolos vermelhos com um estandarte que proclamava The Mayflower Hotel.

— São quarenta cents — disse o taxista, o charuto balançando para cima e para baixo com cada palavra.

Emma pagou a corrida com parte do salário ganho no navio. Depois de se registrar no hotel, ela pegou o elevador até o quarto andar e foi direto para o quarto. A primeira coisa que fez foi se despir e preparar um banho quente.

Quando saiu relutante da banheira, secou-se com uma toalha grande e macia, vestiu o que considerava ser um vestido recatado e voltou para o térreo. Estava se sentindo quase humana.

Emma achou uma mesa silenciosa no canto da cafeteria do hotel e pediu uma xícara de chá — eles não sabiam o que era Earl Grey — e um club sandwich, algo que ela desconhecia. Enquanto esperava ser servida, ela começou a redigir uma longa lista de perguntas em um guardanapo de papel na esperança de que houvesse alguém morando em 46 Merton Street disposto a respondê-las.

Depois de ter assinado a conta, Emma perguntou ao recepcionista como chegar à Merton Street. Três quarteirões ao norte, dois quarteirões a oeste, ele disse. Ela não havia percebido que todo nova-iorquino tinha uma bússola interna.

Emma gostou da caminhada e parou várias vezes para admirar vitrines cheias de mercadorias que ela nunca havia visto em Bristol. Chegou a um alto prédio de apartamentos pouco depois do meio-dia, incerta sobre o que faria caso a sra. Tibbet não estivesse em casa.

Um porteiro elegantemente vestido a cumprimentou e abriu a porta.

— Posso ajudá-la?

— Vim ver a sra. Tibbet — disse Emma, tentando dar a entender que estava sendo esperada.

— Apartamento trinta e um, terceiro andar — disse o porteiro, tocando a aba do chapéu.

Era verdade, um sotaque inglês parecia mesmo abrir portas.

Enquanto o elevador subia lentamente até o terceiro andar, Emma ensaiou algumas falas que esperava pudessem abrir uma outra porta. Quando o elevador parou, ela empurrou a grade, saiu para o corredor e começou a procurar o número 31. Havia um pequeno círculo de vidro encaixado no meio da porta dos Tibbet, o que fez Emma pensar no olho de um ciclope. Ela não conseguia enxergar lá dentro, mas deduziu que os moradores pudessem ver o lado de fora. Uma campainha, algo mais familiar, ficava na parede, ao lado da porta. Ela a apertou e esperou. Um certo tempo se passou até que a porta finalmente se abrisse, mas apenas alguns centímetros, revelando uma corrente de latão. Dois olhos a observavam.

— O que você quer? — perguntou uma voz que ela pelo menos conseguia entender.

— Lamento incomodá-la, sra. Tibbet, mas você pode ser minha última esperança — disse Emma. Os olhos pareciam desconfiados. — Sabe, estou tentando encontrar Tom desesperadamente.

— Tom? — repetiu a voz.

— Tom Bradshaw. Ele é o pai do meu filho — disse Emma, jogando sua última cartada para que aquela porta se abrisse.

A porta se fechou, a corrente foi removida e a porta se abriu mais uma vez, revelando uma jovem com um bebê nos braços.

— Sinto muito — disse ela —, mas Richard não gosta que eu abra a porta para estranhos. Entre, por favor — acrescentou e guiou Emma pela sala de estar. — Sente-se enquanto eu ponho Jake de volta no berço.

Emma sentou-se e correu os olhos pelo cômodo à sua volta. Havia várias fotografias de Kristin com um jovem oficial naval que ela deduziu ser Richard, o marido.

Kristin voltou alguns minutos mais tarde carregando uma bandeja de café.

— Preto ou com leite?

— Com leite, por favor — respondeu Emma, que nunca bebia café na Inglaterra, mas que estava rapidamente aprendendo que os americanos não tomam chá, nem mesmo de manhã.

— Açúcar? — perguntou Kristin depois de ter servido dois cafés.

— Não, obrigada.

— Então, Tom é seu marido? — perguntou Kristin enquanto se sentava na frente de Emma.

— Não, sou a noiva dele. Para ser sincera, ele não fazia ideia de que eu estava grávida.

— Como você me encontrou? — indagou Kristin, ainda soando um pouco apreensiva.

— O intendente do Kansas Star disse que você e Richard foram umas das últimas pessoas a ver Tom.

— É verdade. Estivemos juntos até ele ser preso pouco depois de pôr os pés em terra firme.

— Preso? — disse Emma, incrédula. — O que ele fez para ser preso?

— Ele foi acusado de assassinar o irmão — disse Kristin. — Mas você certamente sabe disso.

Emma caiu em prantos, suas esperanças estilhaçadas ao perceber que o sobrevivente devia ser mesmo Bradshaw, e não Harry. Se Harry tivesse sido acusado de matar o irmão de Bradshaw, teria sido fácil provar que eles haviam prendido o homem errado.

Se tivesse aberto a carta que estava sobre a lareira de Maisie, ela teria descoberto a verdade e não precisaria ter passado por aquele martírio. Emma chorou, aceitando pela primeira vez que Harry estava morto.