Os Pecados do Pai

Jeffrey Archer · Capítulo 46 de 48

Páginas do PDF

Os Pecados do Pai

Capítulo 44

 

 

Emma entrou correndo na biblioteca segurando uma carta. Como ela raramente interrompia Harry quando ele estava escrevendo, ele sabia que devia ser algo importante e largou a caneta.

— Desculpe, querido — ela disse enquanto arrastava uma cadeira —, mas acabei de receber uma notícia importante e precisava vir compartilhá-la com você.

Harry sorriu para a mulher que adorava. A noção de importante dela podia variar desde Seb jogando água no gato até “telefonema do gabinete do Lorde Chanceler, eles precisam falar com você com urgência”. Ele se recostou na cadeira e esperou para ver em que categoria a novidade se encaixaria daquela vez.

— Acabei de receber uma carta da tia-avó Phyllis — disse ela.

— Que todos nós veneramos — brincou Harry.

— Não caçoe, garoto — disse Emma. — Ela trouxe à tona um argumento que pode nos ajudar a provar que papai não era seu pai.

Harry não caçoou.

— Nós sabemos que seu grupo sanguíneo e o da sua mãe são Rh negativo — prosseguiu Emma. — Se meu pai for Rh negativo, ele não pode ser seu pai.

— Já discutimos isso em várias ocasiões — lembrou Harry.

— Mas se pudéssemos provar que o grupo sanguíneo do meu pai não era o mesmo que o seu, poderíamos nos casar. Isso se você ainda quiser se casar comigo.

— Não esta manhã, minha querida — disse Harry fingindo tédio. — Veja bem, estou no meio de um assassinato — acrescentou e riu. — De qualquer maneira, não temos a menor ideia de qual era o grupo sanguíneo do seu pai porque, apesar de muita pressão da sua mãe e de Sir Walter, ele sempre se recusou a fazer o teste. Então, talvez você deva responder explicando que esse mistério continuará sem solução.

— Não necessariamente — disse Emma, não se dando por vencida. — Porque a tia-avó Phyllis está seguindo o caso de perto e acha que pode ter encontrado uma solução na qual nenhum de nós dois pensou.

— Ela compra um exemplar do Bristol Evening News de uma banca de jornal na esquina da Rua 64 toda manhã, não é mesmo?

— Não, mas ela lê o The Times — disse Emma ainda não se dando por vencida —, embora com uma semana de atraso.

— E? — disse Harry querendo dar prosseguimento ao assassinato.

— Ela diz que agora os cientistas podem identificar grupos sanguíneos muito depois da morte de uma pessoa.

— Está pensando em usar Burke e Hare para exumar o cadáver do seu pai, querida?

— Eu, não — disse Emma —, mas ela também destaca que, quando meu pai foi assassinado, uma artéria foi seccionada e, portanto, uma grande quantidade de sangue deve ter sido derramada no carpete e nas roupas que ele estava usando naquele momento.

Harry se levantou, atravessou o aposento e pegou o telefone.

— Para quem você está ligando? — perguntou Emma.

— Para o inspetor-chefe Blakemore, que foi o responsável pelo caso. Pode ser uma possibilidade remota, mas juro nunca mais caçoar de você nem da sua tia-avó Phyllis.

 

— Importa-se se eu fumar, Sir Harry?

— Absolutamente, inspetor.

Blakemore acendeu um cigarro e tragou fundo.

— Um hábito terrível — disse. — Culpo Sir Walter.

— Sir Walter? — perguntou Harry.

— Raleigh, não Barrington, se o senhor me entende.

Harry riu enquanto se sentava na cadeira em frente ao detetive.

— Então, em que posso ajudá-lo, Sir Harry?

— Prefiro sr. Clifton.

— Como quiser, senhor.

— Eu esperava que o senhor pudesse me fornecer algumas informações ligadas à morte de Hugo Barrington.

— Receio que isso vá depender do meu interlocutor porque posso ter essa conversa com Sir Harry Barrington, mas não com o sr. Harry Clifton.

— Por que não com o sr. Harry Clifton?

— Porque só posso discutir detalhes de um caso com parentes.

— Então, nesta ocasião, voltarei a ser Sir Harry.

— Então, em que posso ajudá-lo, Sir Harry?

— Quando Barrington foi assassinado...

— Ele não foi assassinado — disse o inspetor-chefe.

— Mas as matérias de jornal me fizeram acreditar...

— O mais importante é o que os jornais não publicaram. Mas, para ser justo, eles não puderam examinar a cena do crime. Se o tivessem feito — disse Blakemore antes que Harry pudesse fazer a pergunta seguinte —, teriam visto o ângulo em que o abridor de cartas penetrou no pescoço de Sir Hugo e seccionou a artéria.

— Por que isso é importante?

— Quando examinei o corpo, notei que a lâmina do abridor de cartas estava voltada para cima, e não para baixo. Se eu quisesse assassinar alguém — continuou Blakemore, levantando-se da cadeira e pegando uma régua — e fosse mais alto e mais pesado do que minha vítima, levantaria o braço e golpearia o pescoço assim. Mas, se eu fosse mais baixo e mais leve do que a vítima e, sobretudo, se estivesse me defendendo — Blakemore se ajoelhou na frente de Harry, levantou a cabeça e olhou para ele apontando a régua para o seu pescoço —, isso explicaria o ângulo em que a lâmina penetrou no pescoço de Sir Hugo. Desse ângulo, é até possível que ele tenha caído sobre a lâmina, o que me levou a concluir que era muito mais provável que ele tivesse sido morto em legítima defesa do que assassinado.

Harry pensou sobre as palavras do inspetor-chefe antes de dizer:

— O senhor usou as palavras “mais baixo e mais leve”, inspetor, e “me defendendo”. Está sugerindo que uma mulher pode ter sido a responsável pela morte de Barrington?

— O senhor teria sido um detetive de primeira — observou Blakemore.

— E o senhor sabe quem é essa mulher? — perguntou Harry.

— Tenho minhas suspeitas — admitiu Blakemore.

— Então, por que não a prendeu?

— Porque é bastante difícil prender alguém que se jogou na frente de um trem expresso para Londres.

— Meu Deus! — disse Harry. — Eu nunca estabeleci nenhuma ligação entre esses dois incidentes.

— E por que deveria? O senhor nem sequer estava na Inglaterra na época.

— É verdade, mas, após ter recebido alta do hospital, vasculhei todos os jornais que em algum momento mencionaram a morte de Sir Hugo. O senhor chegou a descobrir quem era aquela mulher?

— Não, o corpo não tinha como ser identificado. Todavia, um colega da Scotland Yard que investigava outro caso na época me informou que Sir Hugo viveu com outra mulher em Londres por mais de um ano e ela deu à luz uma filha pouco depois de ele voltar para Bristol.

— Essa foi a criança encontrada no escritório de Barrington?

— Exatamente — disse Blakemore.

— E onde ela está agora?

— Não faço ideia.

— O senhor pode pelo menos me dizer o nome da mulher com quem Barrington viveu?

— Não tenho autorização para isso — disse Blakemore apagando o cigarro no cinzeiro cheio de guimbas. — No entanto, não é segredo que Sir Hugo contratou um detetive particular que agora está desempregado e talvez esteja disposto a falar mediante uma modesta remuneração.

— O manco — disse Harry.

— Derek Mitchell, um ótimo policial até ser obrigado a deixar a corporação por invalidez.

— Mas tenho mais uma pergunta à qual Mitchell não poderá responder e que talvez o senhor possa. O senhor disse que o abridor de cartas seccionou uma artéria; portanto, muito sangue deve ter jorrado.

— De fato, senhor — respondeu o inspetor-chefe. — Quando cheguei, Sir Hugo jazia em uma poça de sangue.

— O senhor tem alguma ideia do que foi feito do terno que Sir Hugo estava usando naquele momento ou mesmo do carpete?

— Não, senhor. Depois que uma investigação de homicídio é encerrada, todos os pertences pessoais do defunto são devolvidos aos parentes mais próximos. Quanto ao carpete, ainda estava no escritório quando completei minha investigação.

— O senhor foi muito útil, inspetor. Muito obrigado.

— Foi um prazer, Sir Harry — disse Blakemore, levantando-se e acompanhando Harry até a porta. — Permita-me dizer que gostei muito de O diário de um condenado e, embora eu normalmente não dê ouvidos a boatos, li que o senhor está escrevendo um romance policial. Após nossa conversa de hoje, aguardarei ansioso a publicação.

— O senhor estaria disposto a ler uma primeira versão e a dar sua opinião profissional?

— No passado, Sir Harry, sua família não deu muita importância para a minha opinião profissional.

— Posso garantir, inspetor, que o sr. Clifton dá — retrucou Harry.

 

Após ter saído da delegacia, Harry pegou o carro e foi até Manor House para contar as novidades a Emma. Ela escutou com atenção e, quando ele chegou ao fim, o surpreendeu com a sua primeira pergunta.

— O inspetor Blakemore disse o que aconteceu com a garotinha?

— Não, ele não parecia interessado, mas por que deveria estar?

— Porque ela pode ser uma Barrington e, portanto, minha meia-irmã.

— Que falta de consideração a minha! — disse Harry abraçando Emma. — Nunca me passou pela cabeça.

— Por que deveria ter passado? — perguntou Emma. — Você já tem muita coisa para resolver. Por que não começa ligando para o meu avô e perguntando se ele sabe o que aconteceu com o carpete, e deixe que eu me preocupo com a garotinha.

— Sou um homem de muita sorte, sabia? — disse Harry enquanto, relutante, a soltava.

— Mexa-se — disse Emma.

Quando Harry telefonou para Lord Harvey para perguntar sobre o carpete, foi surpreendido novamente.

— Eu o troquei alguns dias após o final da investigação policial.

— O que foi feito do antigo? — Harry perguntou.

— Eu pessoalmente o joguei em uma das fornalhas do estaleiro e o vi queimar até só sobrarem cinzas — Lord Harvey disse com considerável emoção.

Harry queria dizer “droga”, mas segurou a língua.

Quando se juntou a Emma para o almoço, perguntou à sra. Barrington se ela sabia o que havia sido feito das roupas de Sir Hugo. Ela disse a Harry que havia instruído a polícia a descartá-las da maneira que julgasse mais apropriada.

Depois do almoço, Harry voltou a Barrington Hall e ligou para a delegacia local. Perguntou ao sargento de plantão se ele se lembrava do que havia sido feito das roupas de Sir Hugo Barrington após o encerramento da investigação.

— Tudo deve ter sido registrado no Livro de Ocorrências da época, Sir Harry. Se me der um momento, vou verificar.

Vários momentos se passaram até que o sargento voltasse à linha.

— Como o tempo voa! — disse ele. — Eu não me lembrava mais de quando o caso havia acontecido. Mas consegui encontrar os detalhes que o senhor queria — informou e Harry prendeu o fôlego. — Jogamos fora a camisa, a roupa de baixo e as meias, mas demos um sobretudo cinza, um chapéu de feltro marrom, um terno de tweed verde-escuro e um par de sapatos de couro marrom para a srta. Penhaligon, que distribui todos os bens não reclamados em nome do Exército da Salvação. Não é das mulheres mais fáceis — acrescentou sem explicação.

 

A placa no balcão dizia: “Srta. Penhaligon”.

— Isso é totalmente irregular, Sir Harry — disse a mulher atrás do nome. — Totalmente irregular.

Harry estava feliz por ter levado Emma junto.

— Mas poderia se revelar incrivelmente importante para nós dois — ele disse segurando a mão de Emma.

— Não duvido, Sir Harry, mas, mesmo assim, é totalmente irregular. Não imagino o que meu supervisor vai pensar.

Harry não conseguia imaginar que a srta. Penhaligon tivesse um supervisor. Ela deu as costas para o casal e começou a examinar uma fila bem arrumada de caixas de arquivos sobre uma prateleira na qual a poeira não tinha permissão para ficar. Por fim, puxou uma caixa com a escrita “1943” e a pôs sobre o balcão. Abriu-a e teve de virar várias páginas antes de encontrar o que estava procurando.

— Ninguém parecia querer o chapéu de feltro marrom — ela anunciou. — Na verdade, meus registros mostram que ele ainda está no depósito. O sobretudo foi dado para um tal sr. Stephenson; o terno, para alguém que responde pelo nome Velho Joey; e os sapatos marrons, para um certo sr. Watson.

— A senhora tem alguma ideia de onde podemos encontrar esses cavalheiros? — perguntou Emma.

— Eles raramente estão separados — respondeu a srta. Penhaligon. — No verão, nunca se afastam muito do parque municipal, já no inverno, nós os acomodamos no nosso albergue. Acredito que, nesta época do ano, vocês os encontrarão no parque.

— Obrigado, srta. Penhaligon — disse Harry abrindo um sorriso caloroso. — A senhorita não poderia ter sido mais útil.

A srta. Penhaligon sorriu.

— Foi um prazer, Sir Harry.

— Posso acabar me acostumando a ser chamado de Sir Harry — ele disse a Emma enquanto os dois saíam do edifício.

— Não se você ainda tem alguma esperança de se casar comigo — ela disse — porque eu não tenho vontade alguma de ser Lady Barrington.

 

Harry o viu deitado em um banco do parque, de costas para eles. Estava envolto em um sobretudo cinza.

— Lamento incomodá-lo, sr. Stephenson — disse Harry tocando suavemente o ombro do homem —, mas precisamos da sua ajuda.

Uma mão sebenta despontou, mas ele não se virou. Harry pôs meia coroa na palma esticada. O sr. Stephenson mordeu a moeda antes de inclinar a cabeça para olhar mais de perto para Harry.

— O que você quer? — perguntou.

— Estamos procurando o Velho Joey — Emma disse baixinho.

— O cabo fica no banco número um por conta da sua idade e patente. Este é o banco número dois e eu vou assumir o banco número um quando o Velho Joey morrer, o que não deve demorar muito. O sr. Watson fica no banco número três e vai ocupar o número dois quando eu for para o número um. Mas sempre avisei que ele vai ter de esperar muito tempo.

— E, por acaso, o senhor sabe se o Velho Joey ainda tem um terno de tweed verde? — perguntou Harry.

— Nunca tira — respondeu o sr. Stephenson. — Ficou apegado, pode-se dizer — acrescentou com uma risadinha. — Ele ficou com o terno, eu fiquei com o sobretudo, e o sr. Watson, com os sapatos. Ele diz que está um pouco apertado, mas não reclama. Nenhum de nós quis o chapéu.

— Então, onde encontramos o banco número um? — perguntou Emma.

— Onde sempre esteve, no coreto, sob um teto. Joey o chama de palácio. Mas ele é meio tantã, já que ainda sofre de neurose de guerra.

O sr. Stephenson deu as costas para eles, já que achava que tinha feito jus à meia coroa.

Não foi difícil para Harry e Emma encontrar o coreto, ou o Velho Joey, que se revelou seu único ocupante. Ele estava sentado ereto no meio do banco número um como se estivesse acomodado em um trono. Emma não precisou ver as manchas marrons desbotadas para reconhecer o velho terno de tweed do pai, mas como eles fariam para que aquele homem se desfizesse dele?, ela pensou.

— O que vocês querem? — disse o Velho Joey desconfiado enquanto eles subiam os degraus até o seu reino. — Se estão atrás do meu banco, podem esquecer, porque a posse é um direito real, como eu vivo lembrando ao sr. Stephenson.

— Não — disse Emma com delicadeza —, não queremos seu banco, Velho Joey, mas estávamos nos perguntando se o senhor não gostaria de um terno novo.

— Não, obrigado, senhorita, estou muito feliz com o que tenho. Ele me mantém aquecido; portanto, não preciso de um novo.

— Mas nós daríamos um terno que o agasalharia da mesma maneira — observou Harry.

— O Velho Joey não fez nada de errado — disse ele, virando-se para encará-lo.

Harry observou a fila de medalhas em seu peito: a Estrela de Mons, a medalha por longos serviços, a Medalha Vitória e uma única faixa que havia sido costurada na manga.

— Preciso da sua ajuda, cabo — Harry disse.

O Velho Joey assumiu rapidamente a posição de atenção, bateu continência e disse:

— Baioneta armada, senhor, é só dar a ordem que os rapazes já estão prontos para cruzar o cume.

Harry sentiu-se envergonhado.

Emma e Harry voltaram no dia seguinte com um sobretudo de padronagem espinha de peixe, um novo terno de tweed e um par de sapatos para o Velho Joey. O sr. Stephenson desfilou pelo parque com seu novo blazer e suas novas calças de flanela cinza enquanto o sr. Watson, banco número três, ficou encantado com o seu paletó esportivo transpassado e suas calças de sarja, mas, como ele não precisava de outro par de sapatos, pediu que Emma os desse ao sr. Stephenson. Ela entregou o resto do guarda-roupa de Sir Hugo a uma grata srta. Penhaligon.

Harry saiu do parque com o terno de tweed verde-escuro manchado de sangue de Sir Hugo Barrington.

 

O professor Inchcape examinou as manchas de sangue com um microscópio durante algum tempo antes de dar uma opinião.

— Vou precisar realizar muitos outros testes antes de chegar a uma avaliação final, mas, em uma inspeção preliminar, estou bastante confiante de que poderei dizer a qual grupo sanguíneo essas amostras de sangue pertencem.

— Fico aliviado — disse Harry. — Mas quanto tempo vai demorar até o senhor ter os resultados?

— Uns dois dias, a meu ver — disse o professor —, três no máximo. Ligo assim que descobrir, Sir Harry.

— Tomara que o senhor tenha de ligar para o sr. Clifton.

 

— Telefonei para o gabinete do Lorde Chanceler — disse Lord Harvey — e informei que os testes do sangue estão sendo realizados nas roupas de Hugo. Se o grupo sanguíneo for Rh positivo, tenho certeza de que ele pedirá que os Lordes da Lei reconsiderem seu veredicto à luz das novas provas.

— Mas, se não obtivermos o resultado que esperamos — disse Harry —, o que vai acontecer?

— O Lorde Chanceler agendará um debate no calendário parlamentar logo após o final do recesso devido às eleições gerais. Mas tomara que os resultados do professor Inchcape tornem isso desnecessário. A propósito, Giles sabe o que vocês andam aprontando?

— Não, senhor, mas como vou passar a tarde com ele, poderei colocá-lo a par de tudo.

— Não me diga que ele convenceu você a tentar angariar votos.

— Receio que sim, embora ele saiba que vou votar nos Conservadores. Mas garanti que minha mãe e o tio Stan vão apoiá-lo.

— Não deixe que a imprensa descubra que você não vai votar nele porque eles vivem procurando uma oportunidade para dividir vocês dois. Amigos inseparáveis não interessam a eles.

— Mais um motivo para torcer que o professor chegue ao resultado esperado e ponha fim ao nosso sofrimento.

— Amém — disse Lord Harvey.

 

William Warwick estava prestes a desvendar o crime quando o telefone tocou. Harry ainda estava com a arma na mão enquanto atravessava a biblioteca e pegava o fone.

— Aqui é o professor Inchcape. Posso falar com Sir Harry?

A ficção foi substituída pela realidade em um instante cruel. Não era necessário informar a Harry o resultado dos testes com o sangue.

— É ele mesmo.

— Temo que as notícias não sejam exatamente as que o senhor esperava — disse o professor. — O tipo sanguíneo de Sir Hugo é Rh negativo; portanto, a possibilidade de ele ser seu pai não pode ser eliminada por esse motivo.

Harry ligou para Ashcombe Hall.

— Aqui fala Harvey — disse a voz que ele conhecia tão bem.

— É Harry, senhor. Receio que tenhamos de ligar para o Lorde Chanceler e informar que o debate deverá prosseguir.