Os Pecados do Pai

Jeffrey Archer · Capítulo 26 de 48

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Os Pecados do Pai

Hugo Barrington - 1939-1942

HUGO BARRINGTON

 

1939-1942

24

 

Hugo Barrington não conseguia tirar o sorriso do rosto quando leu no Bristol Evening News que Harry Clifton havia sido enterrado no mar poucas horas após a guerra ter sido declarada.

Finalmente os alemães fizeram algo válido. O comandante de um submarino havia resolvido, sozinho, seu maior problema. Hugo começou a acreditar que até seria possível, no seu devido tempo, voltar a Bristol e reassumir o posto de vice-presidente do conselho da Barrington’s Shipping Line. Ele começaria a amaciar a mãe com telefonemas regulares a Barrington Hall, mas só depois da partida quotidiana do pai para o trabalho. À noite, ele saiu para comemorar e chegou em casa bêbado como um gambá.

Quando foi para Londres após o casamento abortado da filha, Hugo alugou um apartamento em um porão em Cadogan Gardens por uma libra por semana. A única coisa boa a respeito daquelas acomodações e seus três aposentos era o endereço, que criava a impressão de que ele era um homem abastado.

Embora ainda tivesse alguns trocados no banco, seu dinheiro logo minguou enquanto ele ainda tinha tempo à disposição e nenhuma fonte regular de renda. Não demorou muito até ele ter de se desfazer do Bugatti, o que o manteve solvente por mais algumas semanas, mas apenas até o primeiro cheque voltar. Ele não podia pedir ajuda ao pai, que o deserdara, e, francamente, Sir Walter ajudaria Maisie Clifton antes de levantar um dedo para ajudar o próprio filho.

Depois de alguns infrutuosos meses em Londres, Hugo tentou encontrar um emprego. Mas não era fácil: se algum empregador em potencial conhecesse seu pai, ele não conseguiria uma entrevista e, quando conseguisse, seu novo chefe esperaria que ele trabalhasse em horários dos quais ele nem sabia da existência e por um salário que não teria coberto nem sua conta no bar do clube.

Hugo começou a mexer no pouco que ainda tinha na Bolsa de Valores. Ouvia muitos velhos amigos falarem de transações que não tinham como não dar certo e até se envolveu em um ou dois empreendimentos mais obscuros que o puseram em contato com o que a imprensa descrevia como “personagens duvidosos” e seu pai os teria considerado uns salafrários.

Em um ano, Hugo havia recorrido a empréstimos de amigos e até de amigos de amigos. Mas, sem meio algum para pagar as dívidas, você acaba sendo eliminado da maioria das listas de convidados para jantares e não é mais chamado para caçadas no campo durante o fim de semana.

Toda vez que estava desesperado, Hugo ligava para a mãe, mas só após ter certeza de que o pai estava no escritório. Era sempre possível contar com mamãe para conseguir dez libras, da mesma maneira que ela sempre lhe dava dez xelins nos tempos da escola.

Um velho amigo de escola, Archie Fenwick, também servia para um almoço ocasional em seu clube ou um convite para seus elegantes coquetéis em Chelsea. E foi lá que Hugo conheceu Olga. Não foi seu rosto nem sua silhueta que chamaram imediatamente a atenção de Hugo, mas suas pérolas, três fileiras, enroladas em volta do pescoço. Hugo puxou Archie para o canto e perguntou se eram de verdade.

— Claro que são — respondeu ele. — Mas saiba que você não é o único que gostaria de pôr as patinhas naquele pote de mel.

Archie contou que Olga Piotrovska chegara recentemente a Londres, tendo fugido da Polônia após a invasão alemã. Seus pais foram levados pela Gestapo pelo simples motivo de serem judeus. Hugo franziu a testa. Archie não pode dizer muito mais ao amigo a respeito dela, a não ser que ela morava em uma casa magnífica em Lowndes Square e tinha uma bela coleção de arte. Hugo nunca se interessara muito por arte, mas até ele tinha ouvido falar de Picasso e Matisse.

Atravessou o salão e se apresentou à srta. Piotrovska. Quando Olga contou a ele por que teve de ir embora da Alemanha, ele se mostrou ultrajado e garantiu que sua família se orgulhava de negociar com judeus havia mais de um século. Afinal de contas, seu pai, Sir Walter Barrington, era amigo dos Rothschild e dos Hambro. Muito antes de a festar terminar, ele havia convidado Olga para almoçar no Ritz no dia seguinte, mas, como não tinha mais autorização para assinar a conta, teve de convencer Archie a lhe emprestar mais cinco libras.

O almoço correu bem e, nas semanas seguintes, Hugo cortejou Olga assiduamente, dentro dos limites de seus recursos. Disse que havia deixado a esposa após ela ter admitido um caso extraconjugal com seu melhor amigo e havia pedido ao seu advogado para dar entrada no processo de divórcio. Na verdade, Elizabeth já se divorciara dele e o juiz lhe concedera Manor House e tudo o que Hugo não havia levado após sua partida tão apressada.

Olga foi muito compreensiva e Hugo prometeu que, assim que estivesse livre, a pediria em casamento. Ele não parava de decantar sua beleza e de dizer como seus esforços bastante desenxabidos na cama eram excitantes se comparados a Elizabeth. Hugo sempre lembrava que, quando o pai morresse, suas dificuldades financeiras temporárias se resolveriam com a herança da propriedade de família e ela se tornaria Lady Barrington. Ele talvez tenha criado a impressão de que o pai era muito mais velho e menos robusto do que de fato era. “Decaindo depressa” era a expressão que ele usava.

 

Algumas semanas mais tarde, Hugo se mudou para Lowndes Square e, nos meses seguintes, retomou um estilo de vida que considerava ser seu direito. Vários amigos comentaram que era muita sorte ele ter a companhia de uma mulher tão charmosa e bonita, e alguns deles não conseguiam resistir e acrescentavam: “E com uns trocados de sobra.”

Hugo quase se esquecera de como era fazer três refeições por dia, usar roupas novas e ser transportado de chofer pela cidade. Quitou a maioria das dívidas e logo as portas que até então estavam sendo batidas na sua cara começaram a se abrir novamente. No entanto, ele estava começando a se perguntar quanto tempo aquilo podia durar, pois ele certamente não tinha intenção alguma de se casar com uma refugiada judia de Varsóvia.

 

Derek Mitchell embarcou no trem expresso de Temple Meads para Paddington. O detetive particular estava novamente trabalhando em tempo integral para seu antigo empregador agora que seu salário estava mais uma vez sendo pago no primeiro dia do mês e suas despesas reembolsadas imediatamente. Hugo esperava que Mitchell relatasse a ele uma vez por mês o que a família Barrington andava fazendo. Em especial, Hugo estava interessado nas idas e vindas do pai, de sua ex-mulher, Giles, Emma e até mesmo de Grace, mas continuava paranoico em relação a Maisie Clifton e esperava que Mitchell lhe informasse a respeito de tudo o que ela fazia, tudo mesmo.

Mitchell ia a Londres de trem e os dois se encontravam na sala de espera em frente à plataforma sete da estação de Paddington. Um hora mais tarde, Mitchell tomava o trem de volta para Temple Meads.

Foi assim que Hugo soube que Elizabeth continuava morando em Manor House, já Grace raramente ia para casa após ter ganhado uma bolsa de estudos para Cambridge. Emma dera à luz um filho, ao qual batizou de Sebastian Arthur. Giles se alistara no regimento Wessex como soldado raso e, após completar um treinamento básico de doze semanas, foi enviado para a Unidade de Treinamento de Oficiais Mons.

Hugo ficou surpreso com essa notícia, pois sabia que Giles fora considerado inapto para o serviço ativo pelo regimento Gloucester logo após o início da guerra, já que, como o pai e o avô, ele era daltônico. Hugo havia usado a mesma desculpa para evitar ser convocado em 1915.

 

Com o passar dos meses, Olga começou a perguntar cada vez com mais frequência quando o divórcio de Hugo seria finalizado. Ele sempre tentava dar a impressão de que era algo iminente, mas foi só quando ela sugeriu que ele deveria voltar para o apartamento em Cadogan Square até confirmar que os documentos tivessem sido apresentados ao tribunal que Hugo decidiu fazer algo a respeito. Ele esperou mais uma semana até dizer que os advogados haviam dado entrada no processo.

Mais alguns meses de harmonia doméstica se seguiram. O que ele não disse a Olga foi que tinha dado ao proprietário do apartamento em Cadogan Square um pré-aviso de um mês para a entrega do imóvel no dia em que se mudou para a casa dela. Se ela o pusesse na rua, ele não teria onde morar.

 

Foi cerca de um mês mais tarde que Mitchell telefonou para Hugo e disse que precisava vê-lo com urgência, um pedido muito estranho. Eles concordaram em se encontrar às 16h do dia seguinte no local de sempre.

Quando Mitchell entrou na sala de espera da estação, Hugo já estava sentado em um banco, escondido atrás de um exemplar do Evening News londrino. Estava lendo a respeito do saqueio de Tobruk por parte de Rommel, embora nem sequer fosse capaz de apontar Tobruk em um mapa. Continuou a ler quando Mitchell se sentou ao seu lado. O detetive particular falou baixo e nunca olhou na direção de Hugo.

— Achei que o senhor gostaria de saber que sua filha mais velha arrumou um emprego como garçonete no Grand Hotel usando o nome de srta. Dickens.

— Não é lá que Maisie Clifton trabalha?

— Sim, ela é a gerente do restaurante e foi a chefe da sua filha.

Hugo não conseguia imaginar por que Emma queria trabalhar como garçonete.

— A mãe dela sabe?

— Deve saber, porque Hudson a deixava a cem metros do hotel todas as manhãs às 5h45. Mas não é por isso que eu precisava encontrá-lo.

Hugo virou a página do jornal e viu uma fotografia do general Auchinleck em pé do lado de fora da sua barraca no deserto falando com as tropas.

— Sua filha tomou um táxi até as docas ontem de manhã. Ela estava carregando uma mala quando embarcou em um navio de passageiros chamado Kansas Star, no qual conseguiu um emprego na recepção. Ela disse à mãe que ia a Nova York visitar a tia-avó Phyllis, que acredito ser a irmã de Lord Harvey.

Hugo teria ficado fascinado em saber como Mitchell havia conseguido aquela informação específica, porém, ainda estava tentando imaginar por que Emma quis arrumar um emprego no navio em que Harry Clifton havia morrido. Nada daquilo fazia sentido. Ele instruiu Mitchell a se aprofundar no caso e relatar imediatamente qualquer novidade sobre o que Emma estava aprontando.

Pouco antes de sair para pegar o trem de volta a Temple Meads, Mitchell disse a Hugo que os bombardeiros alemães haviam destruído totalmente Broad Street. Hugo não conseguia imaginar por que aquilo poderia ter algum interesse para ele até que Mitchell lembrou que aquela era a rua onde se situava a casa de chá Tilly’s. Ele achou que o sr. Barrington devia saber que alguns construtores estavam se interessando pelo antigo local da sra. Clifton. Hugo agradeceu a Mitchell pela informação sem sugerir que aquilo pudesse ser realmente do seu interesse.

 

Hugo telefonou para o sr. Prendergast no National Provincial Bank assim que voltou a Lowndes Square.

— Creio que o senhor está ligando a respeito de Broad Street — foram as primeiras palavras do gerente do banco.

— Sim, ouvi dizer que o lote da casa de chá Tilly’s talvez esteja à venda.

— A rua inteira está à venda depois do bombardeio — disse Prendergast. — A maioria dos comerciantes perdeu o próprio sustento e, como se tratou de um ato de guerra, não podem acionar o seguro.

— Então, será que consigo comprar o lote da Tilly’s por um preço razoável?

— Sinceramente, o senhor poderia comprar a rua inteira por quase nada. Na verdade, se o senhor tiver dinheiro sobrando, sr. Barrington, seria um investimento astuto, a meu ver.

— Isso presumindo que venceremos a guerra — lembrou Hugo.

— Admito que é arriscado, mas o retorno pode ser muito bom.

— De quanto estamos falando?

— Pelo lote da sra. Clifton, acho que posso convencê-la a aceitar duzentas libras. Na verdade, metade dos comerciantes daquela rua tem contas comigo. Acredito que o senhor poderia comprar tudo por cerca de trezentas. É como jogar Banco Imobiliário com um dado adulterado.

— Vou estudar a possibilidade — Hugo disse antes de desligar o telefone. O que ele não podia dizer a Prendergast era que ele não tinha dinheiro algum, nem de Banco Imobiliário.

Hugo tentou pensar em alguma maneira de conseguir aquela quantia, embora todos os seus contatos de sempre não estivessem dispostos a lhe emprestar nem cinco libras. Ele não podia pedir a Olga mais dinheiro, a menos que estivesse disposto a se casar com ela, algo fora de cogitação.

Ele não teria pensado mais no assunto se não tivesse esbarrado com Toby Dunstable em uma das festas de Archie.

Toby e Hugo foram contemporâneos em Eton. Hugo não conseguia lembrar muito a respeito de Dunstable, a não ser que ele costumava se servir sem pagar na loja de doces dos garotos menores. Quando ele finalmente foi pego retirando uma nota de dez xelins de um dos armários dos meninos, todos acharam que ele seria expulso, o que poderia ter acontecido se ele não fosse o segundogênito do conde de Dunstable.

Quando Hugo perguntou o que ele andava fazendo, Toby disse, de forma bastante vaga, que se ocupava de imóveis.

Hugo falou com o ex-colega sobre a oportunidade de investimento que Broad Street representava, mas ele não pareceu muito interessado. Na verdade, Hugo não pôde deixar de notar que Toby não tirava os olhos do colar de diamantes que reluzia no pescoço de Olga.

Toby deu a Hugo seu cartão de visitas e disse:

— Se você algum dia precisar de dinheiro na mão, acho que não vai ser muito difícil conseguir, se é que você me entende, meu chapa.

Hugo entendeu perfeitamente, mas não levou nem um pouco a sério a proposta insinuada até Olga lhe perguntar um dia durante o café da manhã se uma data já havia sido marcada para a sentença provisória de divórcio. Hugo garantiu que era algo iminente.

Ele saiu de casa, foi direto para o clube, verificou o cartão de visita e telefonou para Toby. Eles marcaram um encontro em um pub em Fulham no qual se sentaram sozinhos em um canto e, tomando dois gins duplos, conversaram sobre a campanha dos soldados ingleses no Oriente Médio. Só mudaram de assunto quando tiveram certeza de que não podiam ser ouvidos por ninguém.

— Tudo o que vou precisar é de uma chave do apartamento — disse Toby — e a localização exata das joias.

— Isso não deve ser muito difícil de arrumar — garantiu Hugo.

— A única coisa que você vai precisar fazer, meu chapa, é garantir que vocês dois ficarão fora tempo suficiente para eu poder realizar o trabalho.

Quando Olga sugeriu durante o café da manhã que gostaria de assistir a uma produção de Rigoletto em Sadler’s Wells, Hugo concordou em reservar dois ingressos. Normalmente, ele teria inventado alguma desculpa, mas, naquela ocasião, concordou prontamente e até sugeriu que jantassem no Savoy depois para comemorar.

— Comemorar o quê? — perguntou ela.

— Minha sentença provisória foi proferida — disse ele casualmente. Ela o abraçou. — Mais seis meses, minha querida, e você será a sra. Barrington.

Hugo tirou uma pequena caixa de couro do bolso e presenteou com um anel de noivado comprado sob condição de possível devolução na Burlington Arcade no dia anterior. Ela aprovou. Ele tinha intenção de devolvê-lo em seis meses.

A ópera parecia ter duração de três meses, e não de três horas, como sugerido no programa. Todavia, Hugo não reclamou, pois sabia que Toby estaria usando bem aquele tempo.

Durante o jantar no River Room, Hugo e Olga conversaram sobre onde passariam a lua de mel, já que não poderiam viajar para o exterior. Olga gostava de Bath, que ficava um pouco próxima demais de Bristol para o gosto de Hugo, mas, como aquilo nunca ia acontecer mesmo, ele concordou de bom grado com a sugestão da noiva.

No táxi de volta para Lowndes Square, Hugo ficou pensando quanto demoraria até que Olga descobrisse que seus diamantes haviam sumido. Menos do que ele esperava, pois, quando eles abriram a porta, viram que a casa toda havia sido saqueada. Tudo o que sobrou nas paredes em que quadros ficavam pendurados eram as marcas mais claras dos espaços que eles haviam ocupado.

Enquanto Olga caiu em um estado de histeria, Hugo pegou o telefone e discou 999. A polícia demorou várias horas para completar um inventário de tudo o que estava faltando porque Olga não conseguia ficar suficientemente calma para responder às perguntas por mais do que alguns minutos de cada vez. O inspetor-chefe encarregado do caso garantiu a eles que os detalhes dos objetos roubados seriam enviados aos principais mercadores de diamantes e marchands de Londres em até 48 horas.

Hugo deu um ataque quando encontrou com Toby Dunstable em Fulham na tarde seguinte. Seu velho colega de escola ouviu tudo com uma calma inabalável. Quando Hugo finalmente se acalmou, Toby empurrou uma caixa de sapato para o outro lado da mesa.

— Não preciso de um novo par de sapatos — disparou Hugo.

— Talvez não, mas você poderá comprar uma sapataria com o que tem aqui dentro — rebateu Toby batendo na caixa.

Hugo levantou a tampa e olhou para dentro da caixa, que não continha sapato algum, mas estava repleta de notas de cinco libras.

— Nem precisa se dar ao trabalho de contar — disse Toby. — Você vai encontrar aí dentro dez mil libras em dinheiro vivo.

Hugo sorriu, repentinamente calmo outra vez.

— Você é um bom sujeito — disse enquanto fechava a caixa e pedia outros dois gins-tônicas duplos.

À medida que as semanas passavam sem que a polícia conseguisse apresentar nenhum suspeito, o inspetor-chefe deixou claro para Hugo que acreditava se tratar de um golpe arquitetado nas internas, uma expressão que ele usava todas as vezes que os dois se encontravam. Entretanto, Toby garantiu que a polícia jamais pensaria em prender o filho de Sir Walter Barrington, a menos que tivesse provas concretas de sua culpa capazes de convencer um júri sem deixar dúvida alguma.

Olga perguntou a Hugo de onde vinham seus novos ternos e como ele podia se dar ao luxo de ter um Bugatti. Ele mostrou a ela o livro de bordo do carro que confirmava que ele era o dono já antes de os dois terem se conhecido. O que ele não contou a Olga era que teve muita sorte porque a concessionária para a qual vendera relutante o automóvel ainda não o havia revendido.

Como o prazo para proferimento da sentença final de separação estava se aproximando rapidamente, Hugo começou a se preparar para o que é chamado nos círculos militares de estratégia de retirada. Foi então que Olga anunciou que tinha uma notícia maravilhosa para compartilhar com ele.

Wellington uma vez disse a um oficial subalterno que a ocasião era tudo na vida, e quem era Hugo para discordar do vencedor de Waterloo, especialmente quando a profecia do grande homem estava prestes a ser aplicada a ele?

Ele estava lendo o The Times durante o café da manhã quando viu no obituário uma foto do pai olhando em sua direção. Hugo tentou ler sem que Olga descobrisse que a vida de ambos estava prestes a mudar.

Na opinião de Hugo, o jornal tinha dado ao velho uma boa despedida, mas foi o último parágrafo que mais lhe interessou. Sir Walter Barrington é sucedido por seu único filho vivo, Hugo, que herdará o título.

Contudo, o que o The Times não acrescentou foi: e tudo o mais aí incluído.