Os Pecados do Pai
Capítulo 37
— O sr. Prendergast telefonou várias vezes esta manhã, presidente — disse a srta. Potts enquanto entrava atrás de Sir Hugo no escritório —, e da última vez enfatizou que era urgente.
Se ela ficou surpresa ao ver o presidente com a barba por fazer e vestindo um terno de tweed todo amarrotado, nada disse.
O primeiro pensamento de Hugo ao ouvir que Prendergast queria falar com ele com urgência foi que a transação de Broad Street devia ter fracassado e o banco esperava que ele devolvesse as £800 imediatamente. Prendergast podia tirar o cavalinho da chuva.
— E Tancock — disse a srta. Potts verificando o bloco de anotações — diz que tem notícias de que o senhor não vai querer ouvir — completou sem que o presidente fizesse algum comentário. — Contudo, o mais importante — prosseguiu — é a carta que deixei sobre a sua mesa. Sinto que o senhor vai querer lê-la imediatamente.
Hugo foi pegando a carta antes mesmo de se sentar. Em seguida, leu-a pela segunda vez, mas continuou sem conseguir acreditar. Levantou a cabeça e olhou para a secretária.
— Meus parabéns, senhor.
— Ligue para Prendergast — latiu Hugo — e, em seguida, quero ver o diretor executivo e Tancock, nessa ordem.
— Pois não, presidente — disse a srta. Potts e saiu apressadamente da sala.
Enquanto Hugo esperava que Prendergast atendesse, leu a carta do Ministério da Navegação pela terceira vez.
Prezado Sir Hugo,
É com grande prazer que informo que a Barrington’s Shipping obteve o contrato para...
O telefone tocou na mesa de Hugo.
— O sr. Prendergast está na linha — anunciou a srta. Potts.
— Bom dia, Sir Hugo — a deferência voltara à voz. — Achei que o senhor gostaria de saber que a sra. Clifton finalmente concordou em vender o terreno em Broad Street por mil libras.
— Mas eu já assinei um contrato de venda do resto das minhas propriedades na rua para a United Dominion por quatro mil.
— E esse contrato continua sobre a minha mesa — disse Prendergast. — Para azar deles e sorte sua, o primeiro horário que eles conseguiram marcar comigo foi hoje às dez horas da manhã.
— Você trocou os contratos?
— Sim, Sir Hugo, sem dúvida.
O coração de Hugo quase parou de bater.
— Para quarenta mil libras.
— Não estou entendendo.
— Depois que garanti à United Dominion que o senhor estava de posse do terreno da sra. Clifton, além de todos os outros da rua, eles emitiram um cheque com o valor total.
— Muito bem, Prendergast. Eu sabia que podia confiar em você.
— Obrigado, senhor. Tudo o que o senhor precisa fazer agora é assinar o contrato de venda da sra. Clifton e, em seguida, posso descontar o cheque da United Dominion.
Hugo olhou para o relógio de pulso.
— Como já são quatro horas da tarde, vou passar no banco no primeiro horário amanhã de manhã.
A tossida de Prendergast.
— O primeiro horário, Sir Hugo, é às nove horas. E permita-me perguntar se o senhor ainda tem o adiantamento de oitocentas libras em espécie que lhe dei ontem.
— Tenho. Mas que importância isso pode ter.
— Acho que seria prudente, Sir Hugo, pagar as mil libras da sra. Clifton antes de descontarmos o cheque de quarenta mil da United Dominion. Não queremos perguntas constrangedoras do escritório central mais tarde.
— Exato — disse Hugo enquanto olhava para a mala, aliviado por não ter gastado um tostão das £800.
— Nada mais me resta a dizer — foi se despedindo de Prendergast — além de parabenizá-lo pelo fechamento de um contrato de grande sucesso.
— Como você sabe do contrato?
— Não entendi, Sir Hugo — disse Prendergast com um tom um pouco confuso.
— Ah, achei que você estivesse falando de outra coisa — disse Hugo. — Não importa, Prendergast. Esqueça que toquei nesse assunto — acrescentou enquanto desligava o telefone.
A srta. Potts entrou novamente no escritório.
— O diretor-executivo está esperando para vê-lo, presidente.
— Mande-o entrar imediatamente.
Enquanto Compton entrava no escritório, Hugo disse:
— Ouviu as boas-novas, Ray?
— De fato, presidente, e não podiam ter chegado em melhor hora.
— Não sei se entendi bem — disse Hugo.
— O senhor deverá apresentar o resultado anual da empresa na reunião do conselho no próximo mês e, embora ainda tenhamos de declarar um prejuízo pesado este ano, o novo contrato vai garantir a volta ao lucro no ano que vem.
— E pelos cinco anos seguintes — Hugo lembrou, balançando a carta do ministro com ar triunfante. — Prepare a pauta para a reunião do conselho, mas não inclua a notícia sobre o contrato do governo. Prefiro fazer o anúncio pessoalmente.
— Como quiser, presidente. Farei com que todos os documentos relevantes estejam sobre a sua mesa amanhã até o meio-dia — Compton acrescentou antes de sair.
Hugo leu a carta do ministro pela quarta vez.
— Trinta mil por ano — disse em voz alta no exato momento em que o telefone sobre a mesa tocou novamente.
— Um tal sr. Foster, da Savills, agência imobiliária, está na linha — disse a srta. Potts.
— Passe a ligação.
— Bom dia, Sir. Hugo. Meu nome é Foster. Sou sócio majoritário da Savills. Achei que deveríamos nos encontrar para discutir suas instruções para vender Barrington Hall. Talvez um almoço no meu clube?
— Não precisa se incomodar, Foster. Mudei de ideia. Barrington Hall não está mais no mercado — Hugo disse e desligou o telefone.
Ele passou o resto da tarde assinando uma pilha de cartas e cheques que a secretária pôs à sua frente e foi só depois das seis da tarde que finalmente tampou de novo a caneta.
Quando a srta. Potts voltou para recolher toda a correspondência, Hugo disse:
— Vou receber Tancock agora.
— Sim, senhor — disse a srta. Potts com um toque de desaprovação.
Enquanto esperava que Tancock aparecesse, Hugo se ajoelhou e abriu a mala. Olhou para as £800 que teriam permitido que ele sobrevivesse nos Estados Unidos enquanto esperava os fundos obtidos com a venda de Barrington Hall. Agora as mesmas £800 seriam usadas para que ele lucrasse uma fortuna com Broad Street.
Quando ouviu baterem à porta, Hugo fechou logo a mala e voltou rapidamente para a mesa.
— Tancock, senhor — disse a srta. Potts antes de fechar a porta atrás de si.
O estivador entrou confiante no escritório e se aproximou da mesa do presidente.
— Então, que notícia é essa que não pode esperar?
— Vim receber as outras cinco pratas que o senhor me deve — disse Tancock com um olhar de triunfo.
— Não devo nada a você — disse Hugo.
— Mas convenci minha irmã a vender aquele terreno que o senhor queria, não foi?
— Concordamos com duzentas libras e acabei tendo de pagar cinco vezes essa quantia; portanto, como eu disse, não devo nada a você. Saia do meu escritório e volte para o trabalho.
Stan não arredou pé.
— E tenho aquela carta que o senhor disse que queria.
— Que carta?
— A carta que Maisie recebeu daquele médico do navio americano.
Hugo havia esquecido completamente da carta de condolências do colega de tripulação de Harry Clifton e não achava que ela teria serventia alguma depois de Maisie ter concordado com a venda do terreno.
— Pago uma libra por ela.
— O senhor disse que me daria cinco.
— Sugiro que você saia do meu escritório enquanto ainda tem um emprego, Tancock.
— Tudo bem, tudo bem — disse Stan, voltando atrás —, pode ficar com ela por uma libra. O que me importa?
Ele tirou um envelope amassado do bolso traseiro e o entregou ao presidente. Hugo tirou uma nota de dez xelins da carteira e a pôs sobre a mesa.
Stan não se mexeu enquanto Hugo guardava a carteira no bolso interno do paletó e olhava com ar de desafio para ele.
— Você pode ficar com a carta ou com a nota de dez xelins. Faça sua escolha.
Stan pegou a nota de dez xelins e saiu do escritório resmungando.
Hugo pôs o envelope de lado, recostou-se na cadeira e pensou sobre como gastaria parte do lucro obtido com a transação de Broad Street. Depois de ir ao banco e assinar todos os documentos necessários, ele atravessaria a rua até a concessionária de automóveis. Estava de olho em um Aston Martin 2.0 de quatro lugares modelo 1937. Em seguida atravessaria a cidade em seu novo carro para visitar o alfaiate — nem se lembrava mais de qual fora a última vez em que mandara fazer um terno — e, depois da prova, almoçaria no clube, onde pagaria a conta pendurada no bar. Durante a tarde, trataria de reabastecer a adega de Barrington Hall e talvez até fosse à loja de penhores para resgatar algumas joias das quais a mãe parecia sentir muita falta. À noite... Bateram à porta.
— Estou de saída — informou a srta. Potts. — Quero ir aos correios antes das sete para pegar a última entrega. O senhor precisa de mais alguma coisa, senhor?
— Não, srta. Potts. Mas talvez eu chegue um pouco tarde amanhã, pois tenho um encontro com o sr. Prendergast às nove horas.
— Claro, presidente — disse a srta. Potts.
Enquanto a porta se fechava atrás dela, os olhos de Hugo pousaram sobre o envelope amarrotado. Ele pegou um abridor de cartas de prata, rasgou o envelope e tirou lá de dentro uma única folha de papel. Seus olhos vasculharam impacientes a página em busca de frases relevantes.
Nova York,
8 de setembro de 1939.
Minha querida mãe,
...não morri quando o Devonian foi afundado... fui resgatado do mar... uma esperança vã de que, em algum momento no futuro, eu possa provar que Arthur Clifton, e não Hugo Barrington, é meu pai... devo implorar que a senhora guarde meu segredo com a mesma firmeza com que guardou o seu por tantos anos.
Com amor, do seu filho,
Harry
O sangue de Hugo congelou. Todos os triunfos do dia evaporaram em um instante. Aquela não era uma carta que ele queria ler pela segunda vez ou, acima de tudo, da qual ele quisesse que alguém tomasse conhecimento.
Abriu a primeira gaveta da mesa e tirou uma caixa de Swan Vestas. Acendeu um fósforo, segurou a carta sobre a lixeira e só a soltou quando as frágeis cinzas viraram pó preto. Os melhores dez xelins que ele jamais gastara.
Hugo estava confiante de que era a única pessoa a saber que Clifton ainda estava vivo e tinha toda intenção de manter tudo como estava. Afinal, se Clifton mantivesse sua palavra e continuasse a usar o nome de Tom Bradshaw, como outra pessoa seria capaz de descobrir a verdade?
De repente, sentiu-se nauseado ao lembrar que Emma ainda estava nos Estados Unidos. Será que ela havia de alguma maneira descoberto que Clifton estava vivo? Mas aquilo certamente era impossível sem que ela tivesse lido a carta. Ele precisava descobrir por que a filha havia ido para os Estados Unidos.
Hugo pegou o telefone e começou a discar o número de Mitchell quando pensou ter ouvido passos no corredor. Abaixou novamente o fone, deduzindo que devia ser o vigia noturno verificando se a luz dele ainda estava acesa.
A porta se abriu e ele olhou para uma mulher que havia esperado nunca mais ver.
— Como você passou pelo guarda no portão? — perguntou.
— Disse que tínhamos uma hora marcada com o presidente; um encontro que já devia ter acontecido há muito tempo.
— Nós? — perguntou Hugo.
— Sim, trouxe um pequeno presente para você, embora não seja possível presentear alguém com algo que já é da própria pessoa.
Ela pôs uma cesta de vime sobre a mesa de Hugo e levantou a aba de um delicado corte de musselina, revelando um bebê adormecido.
— Achei que estava na hora de você ser apresentado à sua filha — Olga disse dando um passo para o lado para permitir que Hugo a admirasse.
— O que faz você pensar que eu teria o menor interesse na sua bastarda?
— Porque ela também é sua bastarda — disse Olga calmamente — portanto, presumo que você queira proporcionar a ela as mesmas oportunidades que proporcionou a Emma e Grace.
— Por que eu levaria em consideração um gesto tão ridículo?
— Porque você tirou de mim tudo o que eu tinha e agora está na hora de assumir suas responsabilidades. Não pense que você vai sempre se safar.
— A única coisa de que me safei foi você — disse Hugo com um esgar. — Portanto, pode tratar de cair fora e leve essa cesta com você, pois não vou levantar um dedo para ajudá-la.
— Então eu talvez deva procurar alguém que possa estar disposto a levantar um dedo para ajudá-la.
— E quem seria? — disparou Hugo.
— Sua mãe seria um bom lugar para começar, embora ela provavelmente seja a última pessoa no mundo a ainda acreditar em alguma coisa que você diz.
Hugo pulou da cadeira, mas Olga nem piscou.
— E, se eu não conseguir convencê-la — prosseguiu —, minha próxima parada será Manor House, onde eu tomaria um chá da tarde com a sua ex-mulher e poderíamos conversar sobre o fato de ela já ter se divorciado de você muito antes de nos conhecermos.
Hugo saiu de trás da mesa, mas isso não impediu que Olga continuasse:
— E, se Elizabeth não estiver em casa, posso sempre visitar o castelo de Mulgelrie e apresentar Lord e Lady Harvey a outro dos seus rebentos.
— Por que acha que eles acreditariam em você?
— Por que você acha que eles não acreditariam?
Hugo foi na direção dela e só parou quando os dois estavam a poucos centímetros de distância, mas Olga ainda não havia terminado.
— E, por fim, acho que seria meu dever visitar Maisie Clifton, uma mulher que admiro muito, pois se tudo o que ouvi a seu respeito...
Hugo agarrou Olga pelos ombros e começou a sacudi-la. Só ficou surpreso por ela não tentar se defender de modo algum.
— Trate de me ouvir, sua judia! — ele gritou. — Se você ousar insinuar a quem quer que seja que sou o pai dessa criança, vou desgraçar tanto sua vida que você vai lamentar não ter sido levada pela Gestapo junto com os seus pais.
— Você não me amedronta mais, Hugo — disse Olga com um ar de resignação. — Só me resta um interesse na vida: não deixar que você se safe pela segunda vez.
— Pela segunda vez? — repetiu Hugo.
— Você acha que não sei de Harry Clifton e seu direito ao título de família?
Hugo a soltou e deu um passo para trás, visivelmente abalado.
— Clifton está morto. Enterrado no mar. Todos sabem disso.
— Você sabe que ele ainda está vivo, Hugo, por mais que queira que todos acreditem que não.
— Mas como você pode saber...
— Porque aprendi a pensar como você, me comportar como você e, sobretudo, agir como você. Por isso decidi contratar meu próprio detetive particular.
— Mas você teria levado anos... — iniciou Hugo.
— Não se você tivesse cruzado com alguém que está desempregado, cujo único cliente fugiu pela segunda vez sem pagar os últimos seis meses do seu salário.
Olga sorriu quando Hugo cerrou os punhos, um sinal certeiro de que suas palavras acertaram o alvo. Mesmo quando ele ergueu o braço, ela não se encolheu, apenas manteve-se firme no lugar.
Quando o primeiro golpe atingiu em cheio seu rosto, ela foi lançada para trás, com as mãos sobre o nariz quebrado, e, logo em seguida, um segundo soco golpeou sua barriga, fazendo com que ela se curvasse.
Hugo deu um passo para trás e riu enquanto ela cambaleava de um lado para outro, tentando ficar de pé. Estava prestes a golpeá-la uma terceira vez quando as pernas de Olga cederam e ela caiu no chão como uma marionete cujos fios haviam sido cortados.
— Agora você sabe o que pode esperar se for suficientemente tola para me incomodar novamente — gritou Hugo olhando do alto para ela. — E, se você não quiser mais do mesmo, vai sair enquanto ainda tem chance. E trate de levar essa bastarda de volta para Londres com você.
Olga se levantou lentamente do chão e se ajoelhou, o sangue ainda escorria do nariz. Tentou ficar em pé, mas estava tão fraca que tropeçou para a frente e só conseguiu evitar a queda porque se agarrou à borda da escrivaninha. Parou por um instante e respirou fundo várias vezes tentando se recuperar. Quando finalmente levantou a cabeça, foi distraída por um objeto de prata que brilhava em um círculo de luz emitido pela luminária sobre a mesa.
— Você não ouviu o que eu disse? — Hugo berrou enquanto avançava, agarrava seus cabelos e puxava sua cabeça para trás.
Com toda a força que conseguiu reunir, Olga jogou a perna para trás e cravou o salto do sapato na virilha de Hugo.
— Sua vagabunda! — gritou Hugo enquanto soltava seus cabelos e caía para trás, dando a Olga uma fração de segundo para pegar o abridor de cartas e escondê-lo na manga do vestido.
Ela se virou para encarar seu algoz. Quando recuperou o fôlego, Hugo mais uma vez partiu na direção dela. Ao passar por uma mesinha lateral, pegou um pesado cinzeiro de vidro e o ergueu bem acima da própria cabeça, decidido a desferir um golpe do qual ela não se recuperaria tão facilmente.
Quando ele estava a apenas um passo de distância, ela puxou a manga para cima, agarrou o abridor de cartas com ambas as mãos e apontou a lâmina para o coração de Hugo. Justo quando estava prestes a acertar a cabeça de Olga com o cinzeiro, ele avistou a lâmina pela primeira vez, tentou se esquivar para um lado, tropeçou e perdeu o equilíbrio, caindo pesadamente sobre sua adversária.
Houve um momento de silêncio antes de ele se ajoelhar lentamente e soltar um grito que teria acordado todo o Hades. Olga o observou agarrar o cabo do abridor de cartas. Permaneceu atônita como se estivesse assistindo a um trecho em câmera lenta de um filme. Não deve ter demorado mais do que um instante, embora tenha parecido um tempo interminável para Olga, até Hugo finalmente desfalecer e cair no chão aos seus pés.
Ela baixou a cabeça e ficou olhando para a lâmina do abridor de cartas. A ponta estava saindo pela nuca deles e o sangue jorrava em todas as direções, como um hidrante fora de controle.
— Me ajude — Hugo gemeu tentando levantar uma das mãos.
Olga se ajoelhou ao lado dele e segurou a mão de um homem que um dia ela amou.
— Não há nada que eu possa fazer para ajudar você, meu querido — ela disse. — Na verdade, nunca houve.
A respiração de Hugo estava ficando mais irregular, embora ele continuasse a segurar a mão de Olga com força. Ela se curvou para ter certeza de que ele conseguiria ouvir todas as palavras.
— Você só tem mais alguns instantes de vida — sussurrou — e eu não gostaria de que você fosse para o túmulo sem saber os detalhes do último relatório de Mitchell.
Hugo fez um último esforço para falar. Seus lábios se mexeram, mas nenhuma palavra saiu.
— Emma encontrou Harry — disse Olga — e sei que você ficará feliz em saber que ele está vivo e com boa saúde — prosseguiu sem que Hugo desviasse os olhos enquanto ela se aproximava ainda mais dele. — E ele está voltando para a Inglaterra para reivindicar sua herança legítima.
Só quando a mão de Hugo se tornou flácida ela acrescentou:
— Ah, mas esqueci de dizer: também aprendi a mentir como você.
O Bristol Evening Post e o Bristol Evening News publicaram manchetes diferentes nas primeiras edições do dia seguinte:
S IR HU G O B ARRIN G T O N
M O RT O A FACAD AS
Foi a manchete em letras garrafais no Post, enquanto o News preferiu dar o seguinte destaque:
M U LHER D ES CO N HECID A S E JO G A
N A FREN T E D O EXPRES S O PARA LO N D RES
Apenas o detetive-inspetor Blakemore, chefe do Departamento de Investigações Criminais local, deduziu a ligação entre as duas.