Os Pecados do Pai

Jeffrey Archer · Capítulo 17 de 48

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Os Pecados do Pai

Capítulo 15

 

Emma acendeu a luz ao lado da cama e, mais uma vez, estudou as fotografias de Harry em pé no convés do Kansas Star. Ele parecia muito feliz, muito relaxado e, obviamente, não sabia o que o esperava quando pisasse em terra firme.

Ela dormiu intermitentemente enquanto tentava entender por que Harry se dispôs a enfrentar um julgamento por assassinato e a se declarar culpado de deserção de uma marinha à qual ele nunca se alistara. Concluiu que só Sefton Jelks poderia fornecer tais respostas. A primeira coisa que precisava fazer era marcar horário para vê-lo.

Emma olhou novamente para o relógio na mesinha de cabeceira: 3h21. Saiu da cama, vestiu um robe, sentou-se diante da escrivaninha e encheu várias folhas do papel timbrado do hotel com anotações que a preparavam para o encontro com Sefton Jelks. Parecia que estava estudando para uma prova.

Às seis horas, tomou banho e se vestiu, depois desceu para o café da manhã. Uma cópia do New York Times havia sido deixada sobre a mesa e ela rapidamente a folheou, só parando para ler um artigo. Os americanos estavam se tornando pessimistas em relação à capacidade da Grã-Bretanha de sobreviver a uma invasão alemã, o que parecia cada vez mais provável. Sobre uma fotografia de Winston Churchill em pé nos penhascos de Dover olhando desafiadoramente para a outra margem do Canal da Mancha com um charuto, sua marca registrada, na boca, aparecia a manchete: “Vamos combatê-los nas praias.”

Emma sentiu-se culpada por estar longe da sua pátria. Ela precisava encontrar Harry e fazer com que ele fosse libertado da prisão para que voltassem juntos a Bristol.

O recepcionista do hotel procurou a Jelks, Myers & Abernathy na lista telefônica de Manhattan, anotou um endereço em Wall Street e o entregou a Emma.

O táxi a deixou diante de um enorme edifício de aço e vidro que se estendia rumo ao céu. Ela passou pelas portas giratórias e consultou um grande quadro na parede que listava os nomes de todas as firmas nos 48 andares. A Jelks, Myers & Abernathy estava localizada nos andares 20, 21 e 22; todas as informações na recepção, no vigésimo andar.

Emma se uniu a uma horda de homens em ternos de flanela cinza que encheram o primeiro elevador disponível. Quando desceu no vigésimo andar, deparou-se com três mulheres elegantes, vestindo blusas brancas com colarinhos abertos e saias pretas, sentadas atrás de uma mesa na recepção, mais uma coisa que ela jamais vira em Bristol. Emma seguiu confiante até a mesa.

— Eu gostaria de falar com o sr. Jelks.

— A senhorita tem hora marcada? — perguntou a recepcionista educadamente.

— Não — admitiu Emma, que só havia tido contato com um advogado local que sempre estava disponível toda vez que algum membro da família Barrington aparecia.

A recepcionista pareceu surpresa. Os clientes não apareciam do nada na frente da recepção esperando ver o principal sócio da firma; geralmente escreviam ou suas secretárias telefonavam para marcar um horário na atribulada agenda do sr. Jelks.

— Se puder me informar seu nome, vou dar uma palavrinha com o assistente dele.

— Emma Barrington.

— Por favor, sente-se, srta. Barrington. Logo alguém virá procurá-la.

Emma se sentou sozinha na pequena alcova. Esse logo se revelou mais de meia hora, quando outro homem de terno cinza apareceu carregando um bloco amarelo.

— Meu nome é Samuel Anscott — disse ele, estendendo a mão. — Disseram-me que a senhorita gostaria de falar com o sócio principal.

— Correto.

— Sou seu assistente legal — disse Anscott enquanto se sentava à frente de Emma. — O sr. Jelks me pediu para descobrir por que a senhorita deseja vê-lo.

— É uma questão pessoal — disse Emma.

— Receio que ele não vá concordar em recebê-la a menos que eu possa informá-lo do que se trata.

Emma franziu os lábios.

— Sou uma amiga de Harry Clifton.

Ela observou Anscott de perto, mas era óbvio que aquele nome não significava nada para ele, embora ele tenha feito uma anotação em seu bloco amarelo.

— Tenho motivos para acreditar que Harry Clifton foi preso pelo assassinato de Adam Bradshaw e que o sr. Jelks o representou.

Daquela vez, o nome surtiu efeito, e a caneta se deslocou mais rapidamente sobre o bloco.

— Eu gostaria de ver o sr. Jelks para descobrir como um advogado com a sua reputação permitiu que meu noivo tomasse o lugar de Thomas Bradshaw.

O jovem franziu com força a testa. Ele certamente não estava acostumado a pessoas se referindo ao seu chefe daquela maneira.

— Não faço ideia do que a senhorita está falando — disse ele e Emma suspeitou que fosse verdade. — Mas vou informar o sr. Jelks e lhe darei uma resposta. Talvez a senhorita possa me dar um endereço de contato.

— Estou hospedada no Mayflower Hotel — disse Emma — e estou disponível para me encontrar com o sr. Jelks a qualquer momento.

Anscott fez outra anotação em seu bloco, levantou-se, inclinou brevemente a cabeça, mas, daquela vez, não ofereceu um aperto de mão. Emma estava confiante de que não teria de esperar muito para que o sócio principal da firma concordasse em vê-la.

Pegou um táxi de volta até o Mayflower Hotel e ouviu o telefone tocar em seu quarto antes mesmo de abrir a porta. Atravessou correndo o quarto, mas, quando levantou o fone, a linha havia sido desconectada.

Sentou-se à escrivaninha e começou a escrever para a mãe para dizer que havia chegado com segurança, embora não tenha mencionado que estava convencida de que Harry estivesse vivo. Emma só faria isso quando o tivesse visto em carne e osso. Ela estava na terceira página da carta quando o telefone tocou novamente. Ela atendeu.

— Boa tarde, srta. Barrington.

— Boa tarde, sr. Anscott — respondeu ela, sem precisar que dissessem quem estava do outro lado da linha.

— Falei com o sr. Jelks a respeito do seu pedido de encontro, mas temo que ele não possa vê-la porque isso criaria um conflito de interesse com outro cliente que ele representa. Ele lamenta não poder ajudar mais.

A ligação foi terminada.

Emma ficou diante da escrivaninha, atônita, ainda com o telefone na mão, as palavras conflito de interesse ressoando em seus ouvidos. Será que havia realmente outro cliente e, nesse caso, quem poderia ser? Ou será que aquilo era apenas uma desculpa para não recebê-la? Ela pôs o fone de volta sobre o aparelho e ficou sentada por algum tempo imaginando o que o avô teria feito naquelas circunstâncias. Lembrou-se de uma de suas máximas favoritas: há mais de uma maneira de se esfolar um gato.

Emma abriu a gaveta da escrivaninha, ficou grata por encontrar um novo suprimento de papel de carta e redigiu uma lista das pessoas que poderiam preencher algumas das lacunas criadas pelo suposto conflito de interesse do sr. Jelks. Depois, desceu até a recepção, sabendo que estaria totalmente ocupada nos dias seguintes. A recepcionista tentou esconder a própria surpresa quando a jovem inglesa de fala mansa pediu o endereço de um tribunal, uma delegacia de polícia e uma prisão.

Antes de deixar o Mayflower, Emma passou na loja do hotel e comprou um bloco amarelo. Saiu e, na calçada, fez sinal para outro táxi.

O motorista a deixou em uma parte da cidade muito diferente da que era habitada pelo sr. Jelks. Ao subir os degraus do tribunal, Emma pensou em Harry e em como ele deve ter se sentido ao entrar naquele mesmo edifício em circunstâncias muito diferentes. Perguntou ao guarda na porta onde ficava a biblioteca de referência na esperança de descobrir quais haviam sido aquelas circunstâncias.

— Se a senhorita está se referindo ao arquivo, fica no porão — respondeu o guarda.

Depois de descer dois lances de escada, Emma perguntou a um atendente atrás do balcão se podia ver os registros do caso do Estado de Nova York contra Bradshaw. O atendente lhe entregou um formulário a ser preenchido que incluía a pergunta Você é um estudante?, que ela respondeu com um sim. Alguns minutos mais tarde, Emma recebeu três grandes caixas de arquivos.

— Fechamos daqui a duas horas — foi advertida. — Quando a campainha tocar, a senhorita deve devolver os registros a este balcão imediatamente.

Após ler algumas páginas dos documentos, Emma não conseguia entender por que o Estado não havia prosseguido com o julgamento de Tom Bradshaw por assassinato, já que parecia haver fortes argumentos contra ele. Os irmãos estavam dividindo um quarto de hotel; a garrafa de uísque estava coberta de digitais de Tom sujas de sangue e não havia indício algum de que outra pessoa tivesse entrado no quarto antes de o corpo de Adam ter sido encontrado caído em uma poça de sangue. Mas, pior ainda, por que Tom havia fugido da cena do crime e por que o promotor estadual aceitou uma declaração de culpa pela acusação menos grave de deserção? Ainda mais enigmático era como Harry se envolvera com tudo aquilo. Será que a carta sobre a lareira de Maisie continha respostas para todas aquelas perguntas ou será que Jelks simplesmente sabia de algo e não queria que ela descobrisse?

Seus pensamentos foram interrompidos por uma campainha estridente que exigia a devolução dos arquivos no balcão. Algumas perguntas foram respondidas, mas muitas outras permaneciam em aberto. Emma anotou dois nomes na esperança de que pudessem fornecer a maioria daquelas respostas, mas será que eles também alegariam um conflito de interesse?

Ela saiu do tribunal pouco depois das cinco da tarde levando consigo muitas outras folhas de papel cobertas por sua bela caligrafia. Comprou algo chamado Hershey Bar e uma Coca de um vendedor de rua antes de fazer sinal para outro táxi e pedir ao motorista para levá-la à 24ª Delegacia de Polícia. Comeu e bebeu durante a viagem, algo que sua mãe nunca teria aprovado.

Ao chegar à delegacia, Emma pediu para falar com o detetive Kolowski ou com o detetive Ryan.

— Os dois estão no turno da noite esta semana — ela foi informada pelo sargento de plantão —; portanto, só vão estar de volta ao serviço às dez horas.

Emma agradeceu e decidiu voltar ao hotel e jantar antes de retornar à 24ª Delegacia às dez.

Depois de uma Caesar Salad e do seu primeiro sundae de frutas, Emma voltou para o seu aposento no quarto andar. Deitou-se na cama e pensou no que precisava perguntar a Kolowski ou Ryan, presumindo que algum deles concordaria em vê-la. O tenente Bradshaw tinha um sotaque americano?

Emma caiu em um sono profundo e foi catapultada de volta à consciência pelo estranho som de uma sirene de polícia a todo volume na rua lá embaixo. Naquele momento, entendeu por que os quartos nos andares superiores eram mais caros. Verificou o relógio. Era 1h15.

— Droga — amaldiçoou enquanto pulava da cama, corria até o banheiro, umedecia uma flanela sob a torneira de água fria e cobria o rosto. Saiu rapidamente do quarto e pegou o elevador até o térreo. Ao sair do hotel, ficou surpresa ao ver que a rua estava tão movimentada, e a calçada tão cheia, quanto ao meio-dia.

Fez sinal para outro táxi e pediu que o motorista a levasse de volta à 24ª Delegacia. Outro sargento de plantão pediu que ela se sentasse e prometeu informar a Kolowski ou a Ryan que ela estava esperando na recepção.

Emma se preparou para uma longa espera, mas, para sua surpresa, ouviu alguns minutos mais tarde o sargento de plantão dizer:

— Ei, Karl, tem uma moça sentada ali dizendo que quer falar com você.

E gesticulou na direção de Emma.

O detetive Kolowski, com um café em uma mão e um cigarro na outra, aproximou-se e abriu um meio sorriso para Emma. Ela se perguntou com que rapidez aquele sorriso desapareceria quando ele descobrisse por que queria vê-lo.

— Como posso ajudá-la, senhorita? — o detetive perguntou.

— Meu nome é Emma Barrington — ela disse, exagerando seu sotaque inglês — e preciso do seu conselho em relação a uma questão pessoal.

— Então, vamos até o meu escritório, srta. Barrington — Kolowski disse e começou a atravessar um corredor até chegar a uma porta que ele abriu dando um coice com o salto do sapato.

— Sente-se — disse apontando para a única cadeira na sala. — Posso lhe oferecer um café? — perguntou enquanto Emma se sentava.

— Não, obrigada.

— Uma sábia decisão, senhorita — disse ele enquanto punha sua caneca sobre a mesa, acendia o cigarro e se sentava. — Então, em que posso ajudá-la?

— Sei que o senhor foi um dos detetives que prendeu meu noivo.

— Qual o nome dele?

— Thomas Bradshaw.

Ela tinha razão. O olhar, a voz, o comportamento do detetive, tudo mudou.

— Sim, isso mesmo. E posso dizer, senhorita, que era um caso ganho até Sefton Jelks ter se envolvido.

— Mas o caso nunca foi julgado — Emma lembrou a ele.

— Só porque Bradshaw tinha Jelks como advogado. Se aquele sujeito tivesse defendido Pôncio Pilatos, teria convencido o júri de que ele estava simplesmente ajudando um jovem carpinteiro que queria comprar uns pregos para uma cruz na qual estava trabalhando.

— O senhor está sugerindo que Jelks...

— Não — disse Kolowski sarcasticamente antes que Emma pudesse terminar a frase. — Sempre achei que fosse uma coincidência o Procurador Distrital ter se candidatado à reeleição naquele ano e alguns dos clientes de Jelks terem sido alguns dos que mais contribuíram para a sua campanha. De qualquer maneira — ele continuou após soltar uma grande nuvem de fumaça —, Bradshaw acabou pegando seis anos por deserção quando as apostas aqui na delegacia eram de que pegaria dezoito meses, dois anos no máximo.

— O que o senhor está sugerindo? — perguntou Emma.

— Que o juiz aceitou que Bradshaw era culpado — Kolowski fez uma pausa e soltou outra nuvem de fumaça antes de acrescentar — pelo assassinato.

— Concordo com o senhor e com o juiz — disse Emma. — Tom Bradshaw provavelmente era culpado pelo assassinato — acrescentou e Kolowski ficou surpreso. — Mas o homem que o senhor prendeu alguma vez disse que aquilo era um engano, que ele não era Tom Bradshaw, mas sim Harry Clifton?

O detetive olhou Emma mais de perto e pensou por um instante.

— Ele de fato disse alguma coisa no início, mas Jelks deve ter dito que aquilo não ia colar, pois nunca mais tocou no assunto.

— Estaria interessado, sr. Kolowski, se eu pudesse provar que aquilo ia colar?

— Não, senhorita — disse Kolowski com firmeza. — Esse caso foi encerrado há muito tempo. Seu noivo está cumprindo pena de seis anos por um crime pelo qual se declarou culpado e eu tenho trabalho demais sobre a minha mesa — acrescentou e pôs a mão sobre uma pilha de pastas — para reabrir uma velha ferida. Bem, a menos que a senhorita tenha algo mais com que eu possa ajudá-la...

— Eles me permitiriam visitar Tom em Lavenham?

— Não vejo por que não — respondeu Kolowski. — Escreva ao diretor. Ele lhe enviará uma ordem de visita. Depois de preenchê-la e mandá-la de volta, eles marcarão uma data. Não deve demorar mais do que seis ou oito semanas.

— Mas eu não tenho seis semanas — protestou Emma. — Preciso voltar à Inglaterra em duas semanas. Não há nada que eu possa fazer para acelerar o processo?

— Isso só é possível por razões humanitárias — disse o detetive — e isso se limita a esposas e parentes.

— E quanto à mãe do filho do prisioneiro? — retrucou Emma.

— Em Nova York, senhorita, isso lhe dá os mesmos direitos de uma esposa, desde que possa ser comprovado.

Emma tirou duas fotos da bolsa, uma de Sebastian e outra de Harry em pé no convés do Kansas Star.

— Isso é suficiente para mim — disse Kolowski devolvendo o retrato de Harry sem tecer comentários. — Se a senhorita prometer que me deixará em paz, falo com o diretor e vejo o que pode ser feito.

— Obrigada — disse Emma.

— Como posso encontrá-la?

— Estou hospedada no Mayflower Hotel.

— Manterei contato — disse Kolowski fazendo uma anotação. — Mas não quero que a senhorita tenha dúvida alguma de que Tom Bradshaw matou o irmão. Tenho certeza disso.

— E eu não quero que o senhor tenha dúvida alguma de que o homem preso em Lavenham não é Tom Bradshaw. Tenho certeza disso.

Emma pôs a fotografia de volta na bolsa e se levantou para ir embora.

O detetive franziu o cenho enquanto ela saía da sala.

Emma retornou ao hotel, tirou a roupa e voltou direto para a cama. Permaneceu acordada se perguntando se Kolowski podia estar em dúvida em relação a ter prendido o homem certo. Ela ainda não conseguia entender por que Jelks permitira que Harry fosse condenado a seis anos quando teria sido mais fácil para ele provar que Harry não era Tom Bradshaw.

Ela finalmente adormeceu, grata por não ser acordada por nenhum visitante noturno.

 

O telefone tocou enquanto Emma estava no banheiro, mas, quando ela o atendeu, ouviu apenas o sinal de discar.

A segunda ligação aconteceu quando ela estava fechando a porta do quarto a caminho do café da manhã. Ela voltou correndo para dentro, agarrou o telefone e reconheceu a voz que vinha do outro lado da linha.

— Bom dia, agente Kolowski — respondeu ela.

— As notícias não são boas — disse o detetive, que não perdia tempo e ia direto ao assunto. Ela se jogou na cama, temendo o pior. — Falei com o diretor de Lavenham pouco antes de terminar meu turno e ele me disse que Bradshaw deixou claro que não quer nenhum visitante, sem exceções. Parece que o sr. Jelks emitiu uma ordem para que ele nem sequer seja informado quando alguém pedir para vê-lo.

— O senhor não poderia tentar enviar uma mensagem para ele de alguma maneira? — implorou Emma. — Tenho certeza de que se ele soubesse que sou eu...

— Sem esperança — disse Kolowski. — A senhorita não faz ideia do alcance dos tentáculos de Jelks.

— Ele consegue prevalecer sobre um diretor de presídio?

— Um diretor de presídio é peixe pequeno. O promotor distrital e metade dos juízes em Nova York estão na palma da mão dele. Mas não fale para ninguém que eu disse isso.

A ligação terminou abruptamente.

Emma não sabia quanto tempo havia se passado até ouvir alguém batendo à porta. Quem poderia ser? A porta se abriu e um rosto amistoso surgiu.

— Posso limpar o quarto, senhorita? — perguntou uma mulher que empurrava um carrinho.

— Vou demorar só alguns minutos — respondeu Emma.

Verificou o relógio e ficou surpresa ao descobrir que eram 10h10. Ela precisava desanuviar a cabeça antes de pensar no próximo lance e decidiu dar um longo passeio no Central Park.

Caminhou pelo parque antes de tomar uma decisão. Estava na hora de visitar a tia-avó e pedir seu conselho sobre o que fazer em seguida.

Emma encaminhou-se para a Rua 64 e Park Avenue, e estava tão absorta pensando em como explicaria à tia-avó Phyllis por que não a visitara antes que não registrou plenamente o que viu. Ela parou, deu meia-volta e fez o percurso inverso verificando cada vitrine até chegar à Doubleday’s. Uma pirâmide de livros dominava a vitrine central, ao lado da fotografia de um homem com cabelos negros penteados para trás e um bigodinho fino. Ele estava sorrindo para ela.

O D IÁRIO D E U M CO N D EN AD O

M inha pena na prisão de segurança m áxim a de Lavenham

de

M ax Lloyd

O autor do best-seller estará autografando

livros nesta loja às 17h de terça-feira.

Nã o p er c a a op or tunida de de c onhec er o a utor .