Os Pecados do Pai
Emma Barrington - 1941
EMMA BARRINGTON
1941
14
Emma queria deixar o apartamento de Kristin assim que possível, fugir de Nova York e voltar à Inglaterra. Assim que voltasse a Bristol, ela poderia encarar seu luto sozinha e devotar a própria vida à criação do filho de Harry. Mas fugir não estava se revelando tão fácil.
— Sinto muito — disse Kristin, pondo um braço em torno dos ombros de Emma. — Eu não fazia ideia de que você não sabia o que aconteceu com Tom.
Emma deu um sorriso fraco.
— Quero que você saiba — continuou Kristin — que Richard e eu nunca duvidamos por um momento que fosse da inocência dele. O homem do qual cuidei como enfermeira não era capaz de cometer um assassinato.
— Obrigada — disse Emma.
— Tenho algumas fotos de Tom quando ele estava conosco no Kansas Star. Você gostaria de vê-las? — perguntou Kristin.
Emma anuiu educadamente, embora não tivesse interesse algum em ver fotografias do tenente Thomas Bradshaw. Decidiu que, assim que Kristin tivesse deixado o cômodo, ela sairia sorrateiramente do apartamento e voltaria para o hotel. Ela não tinha vontade alguma de continuar a fazer papel de boba na frente de uma estranha.
Assim que Kristin saiu, Emma se levantou. Ao fazê-lo, derrubou no chão a xícara que estava sobre a mesa, derramando café no tapete. Ajoelhou-se e começou a chorar novamente no mesmo instante em que Kristin voltou para a sala com um punhado de fotografias nas mãos.
Quando viu Emma de joelhos e em prantos, ela tentou consolá-la.
— Por favor, não se preocupe com o tapete, não é importante. Tome, por que você não dá uma olhada enquanto eu vou pegar algo para limpar tudo?
Entregou as fotografias para Emma e saiu rapidamente da sala novamente.
Emma aceitou que não podia mais realizar sua fuga, então voltou à poltrona e, relutante, começou a olhar as fotos de Tom Bradshaw.
— Meu Deus! — ela disse em voz alta. Olhou incrédula para uma foto de Harry em pé no convés de um navio com a Estátua da Liberdade ao fundo e, depois, para outra com os arranha-céus de Manhattan como cenário. Lágrimas brotaram em seus olhos mais uma vez, embora ela não fosse capaz de explicar como aquilo era possível. Emma esperou impaciente a volta de Kristin. Logo em seguida, a conscienciosa dona de casa reapareceu, ajoelhou-se e começou a remover a pequena mancha marrom com um pano úmido.
— Você sabe o que aconteceu com Tom depois que ele foi preso? — Emma perguntou ansiosa.
— Ninguém contou a você? — perguntou Kristin, levantando a cabeça. — Ao que parece, não havia provas suficientes para julgá-lo por assassinato e Jelks conseguiu que retirassem a queixa. Ele foi acusado de deserção da marinha, se disse culpado e pegou uma sentença de seis anos.
Emma não entendia como Harry podia ter ido parar na cadeia por um crime que obviamente não cometera.
— O julgamento aconteceu em Nova York?
— Sim — respondeu Kristin. — Como seu advogado era Sefton Jelks, Richard e eu presumimos que ele não precisava de ajuda financeira.
— Não sei se entendi bem.
— Sefton Jelks é o sócio majoritário de um dos escritórios de advocacia de maior prestígio de Nova York, então, Tom pelo menos estava sendo bem representado. Quando nos procurou para falar de Tom, o advogado parecia verdadeiramente preocupado. Sei que ele também visitou o dr. Wallace e o capitão do navio, e garantiu a todos nós que Tom era inocente.
— Você sabe para qual prisão ele foi mandado? — Emma perguntou baixinho.
— Lavenham, no interior do Estado de Nova York. Richard e eu tentamos visitá-lo, mas o sr. Jelks nos disse que ele não queria ver ninguém.
— Vocês foram muito gentis — disse Emma. — Talvez eu possa pedir mais um favorzinho antes de partir. Eu poderia ficar com uma dessas fotos?
— Fique com todas. Richard tirou dúzias delas, como sempre faz. A fotografia é seu hobby.
— Não quero mais ocupar seu tempo — disse Emma quando se levantava cambaleante.
— Você não está ocupando meu tempo — Kristin respondeu. — O que aconteceu com Tom nunca fez sentido para nenhum de nós dois. Quando você o vir, por favor, mande lembranças nossas — disse ela enquanto saía da sala com Emma. — E, se ele quiser uma visita, ficaríamos felizes em ir até lá.
— Obrigada — disse Emma enquanto a corrente era removida mais uma vez.
Enquanto abria a porta, Kristin disse:
— Nós dois percebemos que Tom estava desesperadamente apaixonado, mas ele não nos disse que você era inglesa.