Pense Grande

Alex Bonifácio · Capítulo 9 de 54

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Pense Grande

Quem são os caçadores de recompensas?

Os Caçadores de Recompensas são aquelas pessoas que pautam seus objetivos por recompensas extrínsecas. Basta lhes perguntar quais são seus sonhos e objetivos e as respostas mais frequentes envolverão o prêmio final por uma iniciativa e não a iniciativa em si: ser presidente da empresa, ter uma casa de praia, dobrar o salário nos próximos cinco anos, ser famoso, ficar rico.

Quantas pessoas, em algum momento, já não agiram como um caçador de recompensas? Mas quem não ficaria feliz com o elogio, o reconhecimento da família e dos amigos, a admiração dos colegas de trabalho e da sociedade como um todo, e ainda, com uma boa grana no bolso? Não existe esse mártir que não se sinta bem com isso, mas a característica peculiar em alguém do tipo caçador de recompensas é a priorização desses prêmios em detrimento do contato com aquilo que realmente poderia ativar o seu máximo potencial, a sua energia vital.

É fácil identificar um caçador de recompensas no ambiente de trabalho: é aquele sujeito que faz somente o que lhe foi pedido, nada além. Está preocupado consigo e, depois, com os outros.

Um caçador de recompensas que exerce uma função de chefia, por exemplo, se sente constantemente ameaçado por seus subordinados. Para ele, há sempre alguém querendo “puxar seu tapete”. Não compartilha informações e dificilmente contrata alguém que se mostre mais hábil que ele próprio. Diante de iniciativas próprias de subordinados dispara: “Quem lhe pediu isso?”. Para eles, o trabalho é fonte de desgaste e estresse. Domingo à tarde fica abatido e ansioso em função da segunda-feira que se aproxima.

Expressões do tipo “isso é muito difícil”, “é muito complicado”, “já foi tentado antes e não deu certo” são muito comuns entre esses caçadores. Para eles, parece haver sempre um terceiro culpado por seus insucessos: a crise, o mercado, os outros. Jamais eles próprios.

Inconscientemente, o caçador de recompensas cria todo cenário e condições para reduzir seu próprio desempenho e suas chances de usufruir das recompensas que tanto almeja.

Robert Quinn, professor da Universidade de Michigan, especialista em mudanças e desenvolvimento dentro das empresas, traz um exemplo:

“Keith é um exemplo dos muitos gerentes que conheci que passaram uma década ou mais tentando desesperadamente impressionar seus superiores para conseguir uma promoção. Ele trabalhava setenta horas ou mais por semana, mesmo quando sabia que não era necessário, negligenciando a família e o crescimento pessoal. Para aumentar a vantagem competitiva, Keith assumia todos os créditos dos seus feitos, mesmo quando isso significava deixar seus colegas ou subordinados fazer má figura. Mas, apesar de todos os esforços, ele era sempre preterido quando se tratava de promoções importantes. Finalmente, Keith conformou-se com o que alcançara em sua carreira e decidiu procurar maior gratificação em outro lugar. Começou a passar mais tempo com a família, a se dedicar a um hobby, a envolver-se em atividades comunitárias. Como ele não estava mais lutando tão duramente, seu comportamento no trabalho ficou mais maleável, menos egoísta, mais objetivo. Na realidade, ele começou a agir como um líder, cujos interesses pessoais são secundários em relação ao bem-estar da companhia. Agora, sim, o diretor geral ficou impressionado. Esse é o tipo de pessoa de que precisamos no leme. Keith foi promovido logo após ter abandonado sua ambição. Seu caso não é raro de modo algum: para que lhe seja confiado um cargo de liderança, ajudar outras pessoas a atingir seus objetivos é tão importante quanto você atingir os seus”.

Quando a recompensa passa a ser o objetivo principal, a crítica, a censura, a desaprovação ou falta de dinheiro surgem como grandes obstáculos. Se o objetivo é o reconhecimento público, invariavelmente as críticas recebidas terão um peso muito maior na decisão de prosseguir ou desistir. Se a finalidade é ficar rico, os primeiros meses de dureza poderão ser um importante motivador para o conformismo etc.