Pense Grande
Crise, que crise?
O mascate Samuel Klein sempre se mostrou um homem apaixonado pelo trabalho. Sua percepção sobre o mercado deixava confusos os concorrentes que não conseguiam compreender sua lógica negocial: fazia grandes aquisições de mercadorias dos fabricantes justamente nos momentos de maior crise econômica ou retração de mercado; oferecia 50% de desconto para os inadimplentes e ainda parcelava o saldo remanescente em dez parcelas, enquanto os concorrentes executavam os títulos dos devedores; elevava fortemente seus estoques no momento em que o mercado dizia que estoques altos representavam altos custos. Normalmente, para um comerciante, o surgimento de um concorrente na vizinhança gera preocupação. Mas quando isso acontecia com Klein, ele dizia: “Que bom, isso significa que teremos mais fregueses na região. O sol nasceu para todos”. Outra máxima repetida por ele com frequência: “Quanto maior o problema, maior a oportunidade”61.
Steve Jobs também sabia aproveitar momentos de crise econômica: “Quando todo mundo estava cortando gastos, decidimos que iríamos investir em nosso caminho durante a crise. Íriamos gastar em pesquisa e desenvolvimento, inventar um monte de coisas, de tal modo que, quando a crise acabasse, estaríamos muito à frente de nossos concorrentes”62, concluiu. E assim ele construiu uma empresa que, em maio de 2010, superou a Microsoft e tornou-se a mais valiosa empresa de tecnologia do mundo e que, pouco tempo depois, valeria 70% mais que sua mais próxima concorrente.
Enquanto para muitas empresas ocidentais um defeito é um erro a ser extirpado, para os japoneses “um defeito é um tesouro”, ensina Fredy Kofman.
Enquanto para alguns a reclamação do cliente é uma chateação a ser administrada, para outros é um presente que possibilita os ajustes que evitarão a perda de clientes.