Pense Grande
Errar é parte do processo
Cafu, o jogador de futebol pentacampeão do mundo, foi recusado doze vezes antes de conseguir sua primeira aprovação para jogar.
A Ferrari, equipe italiana de Fórmula 1, passou dezesseis anos sem ganhar um único campeonato.
ERRAR É PARTE DO PROCESSO
Não há segredos. É preciso aceitar o erro como parte do processo, sem ver na falha o motivo de parar. Grandes talentos de hoje podem ter sido vistos como perdedores no passado.
O líder da banda U2, Bono Vox, viveu uma sucessão de fracassos nos primeiros dez anos de carreira.
Salvatore Ferragamo, fundador de uma das mais luxuosas e reconhecidas marcas de calçados e acessórios de luxo, mesmo produzindo produtos mais bonitos e confortáveis que quaisquer outros, era constantemente visitado pela ameaça da falência. Ele nunca desistiu e acabou construindo um império reconhecido internacionalmente.
A Revista Exame, no artigo Do que são feitas as grandes empresas, nos mostra que a gigante multinacional 3M, por exemplo, tropeçou por onze anos seguidos. Os negócios com mineração faliram após a venda de uma tonelada de material. E traz outros:
• A Ford experimentou um enorme fracasso
antes de lançar o modelo A e o modelo T.
• Antes de contratar Thomas J. Watson, a IBM
falhou nos primeiros anos, tendo sido cogitada a sua liquidação. Ele próprio repetia a seus
colaboradores: “Se você quer ser bem-
sucedido, duplique sua taxa de fracassos.”
• Para a Boeing, hoje renomada fabricante
de aviões, não foi diferente. O primeiro avião falhou nos testes. A empresa sobreviveu graças a empréstimos e à fabricação de móveis e
lanchas.
• A também famosa Motorola tropeçou nos
primeiros dois anos, com a produção e reparos de baterias para a Sears. Só conseguiu decolar após introduzir o conceito de rádios para
carros.
• A Sony, famosa no setor de eletro-eletrônicos, penou inicialmente com o fracasso de uma panela para arroz e de um toca-fitas. O primeiro sucesso levou dez anos para
acontecer.
• A Wal-Mart, que começou como uma franquia da rede de descontos Ben Franklin, perdeu a licença e a loja durante a década de 1950.
O campeão olímpico de natação Gustavo Borges revela: “Quando comecei, às vezes perdia das meninas, e não é difícil imaginar quanto isso incomoda um garoto de nove anos de idade!”. Ele relata sua admiração pelo excepcional nadador americano Matt Biondi, ganhador de dez medalhas olímpicas. Um ídolo em quem se espelhava. Após uma competição em que Matt havia chegado em primeiro lugar, Gustavo pediu para tirar uma foto ao seu lado. Ao ver a cena o treinador Gregg Troy disse: “Hoje você tira foto com ele, amanhã vai ganhar dele”. Em 1992, durante os jogos olímpicos de Barcelona, a profecia se concretizou.
Oscar Schmidt, quando começou sua carreira no basquete, treinava numa quadra aberta, de cimento. “Quando chovia, precisávamos secar a quadra. A tabela era de madeira, com o aro caído. Às vezes, sem redinha; a bola era esfolada, os uniformes muito simples, calçávamos tênis Conga ou Kichute, como qualquer moleque do Brasil naquela época, e com muito orgulho”, comenta.
Veja o exemplo de Pelé, apresentado por Alkindar de Oliveira, em Torne possível o impossível:
• Quando se encerrava o horário dos treinos
e todos iam embora, ele continuava treinando; • de tanto treinar, aprendeu a chutar muito
bem, tanto com a perna direita quanto com a perna esquerda;
• Ao cabecear a bola, ele fechava os olhos
(consequência do nosso reflexo natural);
• De tanto treinar, aprendeu a cabecear sem
fechar os olhos, para que, mesmo naquele
rápido instante, pudesse ter visão de jogo; • De tanto treinar, passou a ser também um
bom jogador na defesa e um excelente goleiro; • Apesar de sua genialidade, Pelé foi sempre humilde, colocando-se naturalmente apenas como um dos integrantes da equipe; • Considerando-se um eterno aprendiz, Pelé conversava constantemente com os
jogadores mais velhos, procurando aprender com a experiência deles.”
Seria possível a alguém tornar-se realmente bom em algo sem antes experimentar, treinar e praticar muito? Acredito que não. Por isso, Ayrton Senna estudava o motor da MacLaren nos finais de semana.
Obviamente, durante esse processo de constante experimentação, cometem-se erros, enfrentam-se obstáculos. Paradoxalmente, ao temer e evitar as derrotas, abre-se mão da necessidade de explorar o novo. Uma pessoa verdadeiramente talentosa sabe que suas aptidões foram desenvolvidas após um árduo processo de lapidação, de busca e de aprendizado, em vez de simplesmente sorte.