Pense Grande
O ponto de ebulição
Este livro trata de pessoas de alto desempenho. Aquelas que alcançaram objetivos significativos e realizaram feitos que poucos ou nenhum outro ser humano foi capaz. São pessoas de sucesso, cujo potencial é tão elevado, que foram capazes de obter resultados impressionantes; conheceram seu real papel dentro da sociedade; e, por fim, serviram de instrumento para levar inspiração a um número maior de pessoas. Atingiram a autorrealização. Estima-se que cerca de 5% das pessoas desfrutam do sentimento de que nada é impossível. Como veremos adiante, passarei a tratá-las como o “Grupo dos 5%” ou “Grupo Metadesempenho”. O que teria esse seleto grupo a nos revelar?
Os participantes do Grupo dos 5% chegam a alcançar resultados ditos impossíveis. Os valores e atitudes que eles carregam passam a ser investigados desde já. E nada melhor para começar nossa jornada do que explorar como emerge (nas pessoas realizadoras de grandes feitos) o desejo de produzir algo. De que maneira ocorre o início de uma jornada interior até se alcançar o “Ponto de Ebulição”, que conduz a um novo patamar de desempenho?
Normalmente, a criação de algo surge a partir de mentes inquietas tentando preencher uma lacuna. São homens, mulheres e até mesmo crianças inconformadas e insatisfeitas em relação a algum aspecto de suas vidas ou da realidade que percebem e vivenciam. Grandes mudanças surgem dos inquietos, daqueles exploradores que questionam o mundo e visualizam oportunidades onde muitos só enxergam problemas. O sociólogo italiano Domenico de Masi observa que, antes de 1687, tantas maçãs caíram na cabeça de várias pessoas, mas só Newton soube deduzir a teoria da gravidade, porque há anos atormentava-se com o problema.
O treinador Bernardinho, da seleção brasileira de vôlei, afirma que a excelência “se constrói muito a partir do inconformismo, da eterna insatisfação, da sensação eterna de achar que o trabalho pode levá-lo mais adiante”.
Walter Isaacson, ao relatar a vida de Albert Einstein, conta que havia no início do século XX uma atmosfera modernista que contribuía para o rompimento das certezas sociais. Segundo ele, foi sob o cenário desse “não conformismo imaginativo” que surgiram figuras como Picasso, Joyce, Freud e outros. Ele descreve Einstein, em todas as suas fases, como um homem de natureza não conformista, um “pensador independente”, “estimulado por uma imaginação que rompia o confinamento da sabedoria convencional”, cujas ideias seriam responsáveis por tantos produtos tecnológicos atuais, como as células fotoelétricas, os lasers, as fibras óticas, os semicondutores etc. Einstein era o próprio ícone do não-conformismo, que manteve por toda a vida a curiosidade de uma criança.
Será que Zilda Arns, a médica sanitarista sobre a qual falamos há pouco, dedicaria seus talentos e esforços a criar uma organização como a Pastoral da Criança, destinada a combater a mortalidade infantil por desnutrição, se não se sentisse realmente incomodada com o elevado índice de mortalidade infantil? Muhammad Yunus criaria o Grameen Bank, um banco cujo objetivo é emprestar dinheiro somente aos pobres, em suas aldeias, estimulando-os ao empreendedorismo que os libertaria da miséria, se não fosse tomado pelo sentimento de indignação ao se deparar com pessoas morrendo de fome na frente de sua confortável casa?