Pense Grande
Livre-se das amarras e amplie suas oportunidades
Ao abandonar o controle e as amarras do pensamento tradicional, repleto de paradigmas, abre-se caminho para visualizar as inúmeras oportunidades que estão presentes no ambiente. Essa é uma nítida diferença entre o Grupo dos 5% e os demais. Enquanto os últimos se queixam constantemente dos problemas da vida e do mundo, os primeiros desfrutam da privilegiada posição de quem pode escolher entre inúmeras alternativas que percebem disponíveis.
Uma boa maneira de começar é eliminando os “se” do modelo mental. É muito comum ouvir expressões do tipo: “Se eu tivesse mais dinheiro, poderia iniciar meu próprio negócio”, “Se eu pudesse me aposentar agora, poderia aproveitar a vida”, “Se eu tivesse mais tempo, prepararia um jantar surpresa para minha esposa”, “Se eu tivesse alguém para me ajudar, terminaria o trabalho mais cedo”. Ao eliminar essa condicionante conformista, permite-se desafiar a mente a fazer uma busca mais intensa de informações, como veremos logo mais à frente ao tratarmos das equações impossíveis.
Para perceber as alternativas que rondam o ambiente é preciso modificar o modelo mental intoxicado por anos ou décadas de condicionamento.
Albert Einstein, em sua máxima, “nenhum problema pode ser resolvido a partir da mesma consciência que o criou”63, instiga as pessoas a abandonarem esses velhos modelos mentais.
Nilton Bonder, em O Segredo Judaico de Resolução de Problemas, afirma que a “impossibilidade é uma condição momentânea, e quem sabe disso não desiste”. Tomemos um de seus exemplos para melhor ilustrar a ideia:
“Conta-se de um incidente durante a Idade Média em que uma criança de um lugarejo foi encontrada morta. Imediatamente, acusaram um judeu de ter sido o assassino, e alegaram que a vítima fora usada para a realização de rituais macabros. O homem foi preso e ficou desesperado. Sabia que era um bode expiatório e que não teria a menor chance em seu julgamento. Pediu então que trouxessem um rabino com quem pudesse conversar. E assim foi feito.
Ao rabino lamuriou-se, inconsolável pela pena de morte que o aguardava; tinha certeza de que fariam tudo para executá-lo. O rabino o acalmou e disse:
– Em nenhum momento acredite que não há solução. Quem tentará você a agir assim é o próprio Sinistro, que quer que você se entregue à ideia de que não há saída.
– Mas o que devo fazer? – perguntou o homem, angustiado.
– Não desista e lhe será mostrado um caminho inimaginável.
Chegado o dia do julgamento, o juiz, mancomunado com a conspiração para condenar o pobre homem, quis ainda assim fingir que lhe permitiria um julgamento justo e uma oportunidade para demonstrar sua inocência. Chamou-o e disse:
– Já que vocês são pessoas de fé, vou deixar que o Senhor cuide desta questão: vou escrever num pedaço de papel a palavra “inocente” e em outro “culpado”. Você escolherá um dos dois e o Senhor decidirá o seu destino.
O acusado começou a suar frio, sabendo que aquilo não passava de uma encenação e que iriam condená-lo de qualquer maneira. E tal qual previra, o juiz preparou dois pedaços de papel que continham a inscrição ‘culpado’. Normalmente se diria que as chances de nosso acusado acabavam de cair de 50% para rigorosamente 0%. Não havia nenhuma chance estatística de que ele viesse a retirar o papel contendo a inscrição “inocente”, pois o mesmo não existia.
Lembrando-se das palavras do rabino, o acusado meditou por alguns instantes e, com um brilho nos olhos, avançou por sobre os papéis, escolheu um deles e imediatamente o engoliu. Todos os presentes protestaram:
– O que você fez? Como vamos saber agora qual o destino que lhe cabia?
Mais que prontamente, respondeu:
– É simples. Basta olhar o que diz o outro papel, e saberemos que escolhi seu contrário.”
Descobrimos então que a chance de 0% era verdadeira apenas para os limites impostos para uma dada situação. Com um pouco da sagacidade da necessidade, foi possível recriar um contexto em que as chances do acusado de superar a adversidade saltaram de 0% para 100%. Ou seja, a simples recontextualização da mesma situação permitiu a reviravolta da realidade.
Os participantes do Grupo dos 5% são pessoas que constantemente convertem o impossível em possibilidades a seu favor. Por isso, ater-se ao pensamento convencional é algo que não conhecem, pois só faz com que percam opções de ação valiosas.
O australiano Nick Vujicic, que nasceu sem braços e sem pernas, atesta: “Acredito do fundo do coração que a minha vida não tem limites”. Ele próprio é prova disso. Para ele, “há sempre uma saída (...) Se você tende a pensar no mundo como um lugar de escassez e oportunidades limitadas, então verá seus companheiros de viagem como ameaças que podem roubar tudo que existe, sem deixar coisa alguma para você”.
Assim, buscar rotas alternativas, inéditas, é um exercício próprio daqueles que compõem o Grupo dos 5%, como fez o estatístico Abraham Wald a respeito de onde colocar blindagem extra em aviões de guerra, durante a Segunda Guerra Mundial, relatada por Robert Sutton em seu trabalho:
“Wald colocou uma marca em cada buraco de bala nos aviões que retornavam da batalha. Ele descobriu que duas grandes seções da fuselagem – uma entre as asas e a outra entre as caudas – tinham bem menos buracos de balas. Decidiu colocar blindagem naqueles lugares, onde ele vira menos, e não mais, balas. Por quê? Porque parecia claro que os aviões eram atingidos aleatoriamente. Os aviões que ele analisou não haviam sido derrubados! Então eram os buracos que ele não estava vendo – nos aviões que não estavam retornando – que precisavam de proteção extra”.
Ver o mesmo problema de maneiras diferentes, além de sinal de criatividade, é um excelente método para perceber soluções em situações que, sem abandonar os métodos tradicionais de pensamento, não estariam disponíveis.
Observe o exemplo de como a cidade de Nova Iorque solucionou o problema do abastecimento de água de seus habitantes. A cidade é conhecida pela pureza e qualidade da água que consome. Lá, as pessoas podem beber água diretamente da torneira.
O que chama a atenção é o fato de que a cidade não conta com nenhuma estação de tratamento de água. Como isso é possível? Ao invés de construir caras e demoradas estações de tratamento, solução óbvia para alguns, o Departamento de Águas optou por proteger todas as nascentes presentes na região de Catskill, de onde provém a água consumida na cidade. Construiu pontes para evitar contatos dos veículos e bichos com a água, disponibilizou reservatórios para os fazendeiros recolherem os detritos animais, cercou e protegeu as nascentes em cada uma das fazendas por onde a água passava. Uma proposta muito mais cara e inviável? Não. A superintendente do departamento, Emily Lloyd, em entrevista concedida a uma emissora de televisão brasileira, afirmou: “Nosso consumidor não paga mais. Ele paga menos. Nosso custo é só com a filtragem e a desinfecção da água. Nova Iorque investiu até agora US$ 1,5 bilhão nas montanhas de Catskill, mas, em compensação, economizamos US$ 10 bilhões que teríamos gasto se tivéssemos construído as estações de tratamento que estavam previstas”64. Sem contar os benefícios aos agricultores e pecuaristas que tiveram suas propriedades melhoradas e valorizadas.