Pense Grande
Busque sentido naquilo que faz
Também o jogador de basquete Oscar Schmidt fez uso desse recurso. Em 1971, ainda em Brasília, ele decidiu: “Vou ser um dos melhores jogadores de basquete do mundo”. E revela: “Visão é uma porta para o nosso futuro. Tendo visão, estabelecendo objetivos e trabalhando duro, podemos fazer nossos sonhos se tornarem realidade”.
Cassius Clay, um norte-americano negro de Louisville, aos doze anos de idade, disse aos seus pais que se tornaria o melhor boxeador do mundo. Ele anunciava costumeiramente para quem quisesse ouvir: “Serei o maior lutador de todos os tempos!”96. Algum tempo depois, o jovem lutador seria mais conhecido como o campeão Muhammad Ali.
O mesmo fez Alexandre Tadeu da Costa, ao estabelecer, em 2003, que sete anos depois acrescentaria novecentas novas lojas à sua rede, que viria a se tornar a maior do mundo.
BUSQUE SENTIDO NAQUILO QUE FAZ
Warren Bennis analisou seis grupos de pessoas que “haviam mudado o mundo” com suas soluções, desde o desenvolvimento do computador pessoal, passando pelos produtos Disney, até Skunk Works, grupo que tinha o propósito de desenvolver o primeiro jato de caça norte-americano em apenas 180 dias (o feito foi concretizado 37 dias antes do prazo). Ele identificou que líderes autênticos “compreendem as verdades mais básicas sobre os serem humanos. Percebem que necessitamos de sentido, senão o trabalho se torna tempo roubado de nós, como no Sansão decaído do poema de Milton, Um escravo na roda”.
Deixar de estabelecer um autêntico alvo, repleto de significado, sobre o qual dedicar o melhor dos esforços, leva à abdicação do potencial pleno. Equivale a transformar um grande vulcão, à beira da erupção, numa pequena fogueira, cuja combustão vai esvaindo lentamente.
Aqueles que percebem mais claramente o sentido, o alvo, o propósito das atividades que desempenham, apresentam resultados significativamente superiores, quer seja um executivo de Milão, um operário da construção civil ou um voluntário que atua em favelas do Rio de Janeiro.
É aquela velha história de dois pedreiros construindo a igreja. Quando perguntados sobre o que estão fazendo, um deles responde que está erguendo uma parede, enquanto o outro diz que está construindo uma catedral, um lugar onde as pessoas poderão conversar com Deus. Observe que a falta de percepção de sentido e propósito naquilo que se faz leva as pessoas a crer que estão apenas “erguendo paredes”, num esforço penoso e sem brilho. Entretanto, se formos operários cientes de que o nosso propósito é construir uma catedral, mesmo estando ainda nas fundações, conseguiremos vê-la inteiramente concluída. Imaginaremos as pessoas entrando em busca de conforto espiritual. Veremos as crianças correndo em volta da igreja, casais se unindo em matrimônio, pessoas carentes sendo assistidas etc. Os obstáculos perderão a importância e tornar-se-ão efêmeros, pois nossa mente estará, desde já, desfrutando do sentimento de auto-realização que acompanha a conquista.
É preciso dispor de um sentimento de missão e crer que fazemos algo valioso e que repercute, direta e indiretamente, na sociedade. Não importa o que se pretenda realizar, sem uma meta repleta de sentido e significado a energia se perde.
Ao perceber claramente o alvo, automaticamente as prioridades, que antes se mostravam ocultas, se revelam e nos tornam imunes a todas as distrações irrelevantes, que outrora se “travestiam” de fundamentais. Isso exige foco.
“Foco” era para Steve Jobs como um mantra sagrado. “Ele eliminou linhas de produtos excessivos e cortou características sem propósito no novo software de sistema operacional que a Apple estava desenvolvendo”, afirma o jornalista e escritor norte-americano Walter Isaacson. Ele simplesmente recusava muitas coisas para se concentrar naquilo em que realmente acreditava ser importante. Reduzindo o número de prioridades, ele poderia concentrar-se nas poucas que importavam. “Ele estabelecia prioridades, mirava nelas o feixe de lasers de sua atenção e repelia qualquer coisa que pudesse distraí-lo”, concluiu Walter.
Nelson Mandela ensina: “Não se pode ter uma ação pela ação. A ação de cada indivíduo deve ser realizada para implementar o objetivo estratégico”. E conclui: “Durante toda minha vida me dediquei à luta do povo africano. Lutei contra a dominação dos brancos e lutei contra a dominação dos negros. Defendi o ideal de uma sociedade livre e democrática em que todas as pessoas vivam juntas em harmonia, com oportunidades iguais. Vivo para esse ideal, que espero viver para alcançar. E se necessário for, estou preparado para morrer por esse ideal”.
Quando, por exemplo, decidi que era importante, para mim, escrever este livro, estabeleci um alvo a ser perseguido e, a partir daí, coisas que se mostravam prioritárias, num passe de mágica, desaparecerem, o que me permitiu maior dedicação à tarefa e maior atenção na busca das hipóteses que necessitava. Quando se adota essa postura, naturalmente há um processo de seleção sobre coisas que tenho que fazer e aquelas que escolho fazer, de modo que algumas tarefas que pareciam essenciais deixam de existir, provocando uma fluidez mais substancial em direção ao objetivo.
E você, alguma vez já pensou quais são as suas mais importantes metas? Você em algum momento decidiu qual alvo precisa ser perseguido? Algo que o entusiasme a dedicar-se horas a fio? Essa é uma investigação interna que pode abrir as janelas para um novo patamar de desempenho. Essa análise é pessoal e intransferível. Quem sabe este é um bom momento para pensar sobre isso. Quem ainda não refletiu sobre essas questões precisa fazê-lo o quanto antes.