Pense Grande

Alex Bonifácio · Capítulo 11 de 54

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Pense Grande

Apenas um carteiro

Peter Scott, filho do explorador da Antártida, Robert Falcon Scott (sobre o qual falaremos mais adiante), iniciou sua carreira como cientista, mas o que ele realmente desejava fazer era apenas “ir de barco até o pântano, e ficar lá, observando e pintando o voo dos gansos”.

“Pintando o voo dos gansos? Pelo amor de Deus!”, pensariam os caçadores de recompensas. Jamais aceitariam a ideia de alguém deixar de ser cientista para ficar desenhando patos no meio do mato. Ainda assim, foi o que fez Peter. Ouviu esse sentimento interior e partiu em busca daquilo que o entusiasmava. Tornou-se um renomado artista. Declarou: “Nunca me arrependi dessa importante decisão que, de uma hora para outra, transformou e ampliou toda a minha perspectiva de vida. Foi como se a metade que faltava de repente viesse para equilibrar”15.

APENAS UM CARTEIRO

“Um operário é só um operário...”; “Um homem que aprecia pintar gansos não é lá grande coisa...”; “Um carteiro então, nem se fala...”. Essas são ideias comuns entre os caçadores de recompensa. E foi o que pensou Mark Sanborn, escritor e palestrante norte-americano, quando se mudou para uma nova casa, em Denver, Colorado. Ele conheceu seu carteiro, Fred, um homem de aparência comum.

O primeiro contato foi um tanto quanto inusitado. Ao se apresentar ao novo morador, o carteiro deu as boas-vindas e quis saber um pouco mais sobre Mark e sua profissão:

– Sou um conferencista – disse Mark.

– Então o senhor deve viajar muito – disse Fred.

– É verdade. Passo mais ou menos 160 a 200 dias por ano viajando.

E o carteiro emendou:

– Bem, se o senhor me der uma cópia da sua programação, posso guardar sua correspondência para entregá-la toda de uma vez. Só virei deixar as cartas aqui nos dias em que o senhor estiver em casa para recebê-las.

Mark não compreendeu tamanha e desnecessária preocupação:

– Por que você não coloca simplesmente a correspondência na caixa de correio ao lado da casa? – sugeriu.

E o carteiro esclareceu:

– Sr. Sanborn, os ladrões costumam ficar de olho nas casas onde a correspondência vai sendo empilhada. Isso indica que o proprietário está fora da cidade. Sua residência pode acabar sofrendo um arrombamento.

E concluiu o carteiro:

– Vou colocar as cartas na sua caixa até que ela esteja quase cheia. Assim, ninguém saberá que o senhor está viajando. O que não couber ali posso deixar no vão entre a porta com tela e a porta da frente. Ninguém vai olhar nesse lugar. E, se esse local também ficar abarrotado, eu guardo o resto da correspondência comigo até o senhor voltar.

Ao voltar de uma de suas muitas viagens, Mark observou que o tapete da porta havia sumido e imaginou que o tivessem roubado. No entanto, estava no canto, encobrindo uma caixa. Com ele, um bilhete de Fred, informando que uma dessas companhias de entrega havia deixado o volume endereçado a Mark na casa errada, umas cinco residências adiante. Fred a recolheu e a escondeu sob o tapete para que ninguém a roubasse.

Observando essas atitudes de Fred ao longo dos anos, Mark passou a citá-lo em suas palestras. Fred tratava todas as pessoas bem, como amigos, sempre promovia melhorias a todos a sua volta, exercendo grande impacto na comunidade onde atuava. Em seguida, Mark escreveu um livro sobre ele e Fred, que se tornou conhecido. Os Correios dos Estados Unidos lhe prestaram uma homenagem. Uma emissora de TV fez uma matéria sobre ele. E mesmo após ter se aposentado, Fred continuou fazendo aquilo em que acreditava: tratando as pessoas como gostaria de ser tratado.

Bertie Charles Forbes, fundador da revista Forbes, disse certa vez: “Há mais motivos de orgulho e satisfação em ser um motorista de caminhão de primeira qualidade do que em ser um executivo de quinta categoria”16.

Como vimos, não é fácil ser fiel às paixões e tomar a decisão de dedicar-se àquilo que realmente desperta entusiasmo. A pressão para seguir o curso do pensamento coletivo que valoriza a recompensa é enorme. Nadar contra a correnteza é um ato de bravura, não raramente classificado como loucura. O mundo incentiva a não questionar essa regra.

O dono da maior rede de lojas de chocolates finos do mundo, Alexandre Tadeu da Costa, alerta: “Montar um negócio ou fazer vestibular pensando apenas no dinheiro que poderá ganhar, sem apreciar de verdade o trabalho ou a carreira escolhida, é caminho certo para a frustração. Ainda que se consiga evoluir materialmente, a vida não terá o mesmo valor”.

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1 Levantamento feito em 2011 pelo Portal IG revela que o Brasil tem mais cursos de Direito do que todos os outros países do mundo somados. São 1.240 cursos no Brasil contra 1.100 cursos disponíveis em todo o mundo.