Pense Grande
Soluções prontas conduzem ao comodismo
Quanto maior o número de verdades e medos incorporados, menor será a criatividade e capacidade de ousar. Assim como todos temos talentos, igualmente somos criativos, em maior ou menor escala. Todos somos capazes. Os exemplos que atestam isso são inúmeros.
SOLUÇÕES PRONTAS CONDUZEM AO COMODISMO
Até quando as pessoas se manterão presas às “verdades absolutas”, pulverizadas nas empresas, nas escolas e na mídia? Até mesmo as universidades que, em tese, deveriam ser o símbolo da insubordinação criativa, um lugar para se quebrar regras, se convertem em espaços onde o conservadorismo e a frieza do rigor científico ditam as regras e sufocam aqueles mais ousados. Como ensina o escritor Nilton Bonder, que explorou formas inéditas para resolução de problemas: “O embotoamento do aprendiz é resultado de uma educação que favorece mais o discernimento, e não a experiência. Dá, portanto, valor à luz, e não ensina a reconhecer as velas próximas potencialmente iluminadoras”.
Um dos mais renomados educadores brasileiros, Rubem Alves, entende que as instituições de ensino fracassaram justamente por oferecerem programas incapazes de alimentar a curiosidade dos alunos. “Quem está possuído pela curiosidade não descansa. Não é necessário que lhe imponham obrigações e deveres, porque o prazer é a motivação mais forte”56. “Se você me perguntar como aprendi a ser escritor, não tenho a menor ideia. Não foi na escola, isso eu garanto”, disse.
“E muito do que a escola faz é matar a ideia da paixão pela curiosidade”, emenda o jornalista e escritor Roberto Dimenstein. Ele relata que a filha de uma amiga, superdotada, não se saía bem na escola. Na quinta vez que mudou de colégio, ela escreveu para a mãe: “Olha mãe, eu só espero que essa nova escola também não atrapalhe meus estudos”.
Essa descrição se mostra aderente com a de Einstein que, conforme relatou sua irmã, “não se sentia à vontade na escola”57. Desde estudante ele tinha problemas para se adaptar aos métodos de ensino e de se submeter às figuras de autoridade. Para ele havia um “tom militar” no ambiente estudantil, que o levava a associar os professores da escola elementar aos “sargentos” e os do ginásio aos “tenentes”. Um dos colaboradores de Einstein, Banesh Hoffmann, atribui a essa postura desafiadora, manifestada desde os seus primeiros anos escolares, o requisito que lhe conferiria a “independência mental formidável que lhe deu coragem para desafiar as crenças científicas estabelecidas, e assim revolucionar a física”58.
Em seu estudo sobre grandes líderes, a pesquisadora Flávia Pacheco verificou, por exemplo, que “os líderes entrevistados não seguiram nenhum padrão quanto a resultados que obtiveram quando estudantes. Nenhum de seus professores poderia ter previsto que se destacariam de forma tão espetacular. Alguns deles afirmaram ter sido péssimos alunos; a enorme maioria disse ter sido um aluno médio, sem destaque nem positivo nem negativo, e alguns afirmaram terem sido excelentes alunos”. Parece que as notas tiradas na escola não influenciam o futuro de cada grande talento estudado.
O dono da maior rede de chocolates finos do mundo, Alexandre Tadeu da Costa, abandonou sua faculdade de Administração. Ele não tem curso superior.
Também o mundialmente conhecido Steve Jobs, fundador da Apple, queixava-se de que a escola e o modelo educacional não contribuíam para aguçar sua curiosidade. Para ele, a escola o forçava a “memorizar coisas estúpidas”59. Abandonou a universidade por considerar que ela não o estimulava. O mesmo ocorreu com Bill Gates (Microsoft), que não concluiu o curso superior.