Pense Grande
Ubuntu
Segundo a Wikipedia, Ubuntu “é uma filosofia africana (existe em vários países da África) que foca nas alianças e relacionamento das pessoas umas com as outras”, e uma tradução possível para a língua portuguesa seria “humanidade para com os outros”, ou “a crença no compartilhamento que conecta toda a humanidade” e ainda “sou o que sou pelo que nós somos”.
A jornalista e filósofa Lia Diskin apresentou em 2006, durante o Festival Mundial da Paz, em Florianópolis, um episódio que lhe ocorreu numa tribo africana, que ficou bastante conhecido e circula livremente na internet33. Ela contou que um antropólogo estava estudando os usos e costumes da tribo e, quando terminou seu trabalho, teve que esperar pelo transporte que o levaria até o aeroporto de volta para casa. Sobrava muito tempo, mas ele não queria catequizar os membros da tribo. Então, propôs uma brincadeira para as crianças, que achou ser inofensiva. Comprou uma porção de doces e guloseimas na cidade, colocou tudo num cesto bem bonito com laço de fita e deixou o cesto debaixo de uma árvore. Chamou as crianças e combinou que quando ele dissesse “já!”, elas deveriam sair correndo até o cesto, e a que chegasse primeiro ganharia todos os doces que estavam lá dentro. As crianças se posicionaram na linha demarcatória que ele desenhou no chão e esperaram pelo sinal combinado. Quando ele disse “já!”, instantaneamente todas as crianças se deram as mãos e saíram correndo em direção à árvore com o cesto. Chegando lá, começaram a distribuir os doces entre si e a comerem felizes. O antropólogo foi ao encontro delas e perguntou por que elas tinham ido todas juntas se uma só poderia ficar com tudo que havia no cesto e, assim, ganhar muito mais doces. Elas simplesmente responderam: “Ubuntu, tio. Como uma de nós poderia ficar feliz se todas as outras estivessem tristes?”.
Veja o exemplo do adolescente brasileiro Bruno Fernando de Oliveira Buzo. Com apenas dezessete anos, ao desenvolver um trabalho escolar sobre aquecimento global, interessou-se em pesquisar sobre o câncer de pele, doença que mata milhares de pessoas todos os anos. Ele decidiu encontrar uma maneira de produzir um protetor solar de custo mais acessível, já que os elevados preços dos protetores convencionais afastam a população carente de seu consumo. Bruno observou que a comunidade indígena é muito pouco acometida pelo mal e encontrou o motivo: o urucum, uma planta utilizada por eles para decorar, que tem duas fases: uma bronzeadora e outra protetora dos raios solares. Ao isolar esse extrato, misturou a fase protetora a um cosmético comum, cujo resultado foi um protetor solar 41% mais barato que os convencionais. Com a pesquisa, Bruno foi premiado e participou da International Science and Engineering Fair (ISEF), nos Estados Unidos, onde expôs sua descoberta para o mundo. O garoto conclui: “Eu não me preocupo apenas com o aspecto profissional (do meu futuro), eu quero mostrar o meu papel social dentro da sociedade. Não adianta ser um profissional, entender de teoria, saber o que faz, se não tem uma aplicação social do que você faz”34.