Pense Grande

Alex Bonifácio · Capítulo 22 de 54

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Pense Grande

Polo sul: a meta

Nelson Mandela afirma que somente grandes propósitos despertam grandes energias. Ele reconhece: “Até quando a consciência pesada me aflige, vez por outra, sou obrigado a reconhecer que meu compromisso total com a libertação do nosso povo dá sentido à vida, me recompensa com um senso de orgulho nacional e verdadeira alegria”.

Assim, àqueles que ainda não sabem o que desperta essa sensação, não há outro processo mais valioso que o ensinado pela natureza: a experimentação. Foi o que aconteceu com Joseph Campbell quando, aos quarenta anos, abdicou de cuidar dos negócios da família, onde tinha assegurada uma carreira segura e lucrativa, e começou a estudar, escrever, ensinar e viajar, um período de experimentação que culminou no encontro com sua verdadeira vocação: a mitologia. O resultado: tornou-se uma das maiores autoridades mundiais no assunto.

POLO SUL: A META

A literatura que reproduz aventuras exploratórias tem muito a nos ensinar. Os registros que retratam a disputa pela conquista do Polo Sul são especialmente ricos em lições.

Ao final do ano de 1911, foi travada uma acirrada competição entre o explorador norueguês Roald Amundsen e o inglês Robert Falcon Scott pela conquista do continente gelado. Mesmo sob as mais severas condições climáticas, tendo que percorrer milhares de quilômetros até a latitude 90º, em temperaturas que chegariam a 86ºC negativos, rigorosos invernos, em que a noite polar dura quatro meses, é interessante notar a diferença na narrativa de ambos os “competidores” sobre um mesmo cenário.

Em Polo Sul: relato da Expedição Antártica Norueguesa a bordo do Fram em 1910-1912, Amundsen descreve assim o continente antártico durante sua expedição:

“A beleza daquela tarde era inacreditável! Apesar da hora avançada do dia, o sol ainda ia alto no céu. Sobre toda essa montanhosa região gelada, sobre imponente Barreira estendendo-se para o sul até onde a vista alcançava, espalhava-se uma luz branca, muito clara, tão intensamente brilhante que nos ofuscava a visão. Enquanto isso, do outro lado do céu, ao norte, estava a noite. Via-se a plúmbea abóbada celeste sobre o mar transformar-se gradualmente em intenso azul, e então, empalidecendo lentamente, até mesclar-se com a radiante claridade da Barreira. O que se ocultava sobre a noite – a vastidão distante, agora encoberta pelas trevas – nós conhecíamos. Aquela região nós já exploramos e dela já regressamos vitoriosos. Porém, o que a ofuscante luz astral nos escondia? Convidativa e atraente, sua infinita beleza exibia-se diante de nós. Sim, escutamos teu chamado e estamos a caminho. Receberás teu beijo e, para pagá-lo, empenhamos nossas vidas.”

Diana Preston, por sua vez, relatou a expedição de Scott em sua obra Rumo ao Polo Sul. As descrições de Scott sobre o mesmo continente continham expressões do tipo: “Meu Deus! Este é um lugar medonho e horrível...”. Ele concluiu: “A viagem de volta vai ser terrivelmente cansativa e monótona”. Nos dias que se seguiram, seu diário estava repleto de descrições sombrias como “extremamente ruim”, “verdadeiramente assustador”, “terrivelmente exausto”. Isso era acentuadamente contrastante com o relato entusiasmado de Amundsen sobre o retorno dos noruegueses do Polo: “A partida foi esplêndida e todos estavam muito animados’. Diana insinua em seu relato sobre a expedição que Scott estaria mais interessado na fama e “prestígio que recobririam o homem que conquistasse o Polo para a Grã-Bretanha”. Ele próprio admitiu que “não tinha predileção pela exploração polar”.