Pense Grande

Alex Bonifácio · Capítulo 19 de 54

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Pense Grande

O grupo dos 5% envolve-se em causas de interesse da coletividade

Estreei no teatro em 1963, pelas mãos de Cacilda Becker, com O Santo Milagroso, e em 1966 vi minha peça A Infidelidade ao Alcance de Todos ser encenada com Procópio Ferreira como protagonista. Um grande sucesso de bilheteria! Não era só o diploma que dava dinheiro. Depois a televisão me abriu os caminhos para a estabilidade econômica. Nunca registrei meu diploma no Conselho de Engenharia. Não seria honesto.

Depois de muitos anos, é a primeira vez que repasso essa caminhada e ordeno os fatores que me levaram a vencer na vida como escritor. Determinação, risco, obstinação, algum arrojo e, mais que tudo, uma compulsão: escrever para mim é a única forma de me sentir vivo... Dinheiro? Dinheiro é decorrência e não meta.”

É certo que, quando se persegue um sonho, algumas pessoas censurarão as atitudes “estranhas” que tomamos, já que são incapazes de ver com os olhos do outro para partilhar do mundo novo à frente. E não agem assim por má-fé. Para aquelas que não compartilham dessa visão, iniciativas pouco convencionais são sinônimos de fracasso e, por crerem nisso, tentam poupar-nos de angústias quando, na verdade, inconscientemente, são elas próprias que necessitam de ajuda por não ousar. Agindo assim abdicam do impressionante potencial que carregam.

O GRUPO DOS 5% ENVOLVE-SE EM CAUSAS DE INTERESSE DA COLETIVIDADE

As pessoas do Grupo dos 5% conhecem o poder de seus atos, resultado elevado de seus esforços, e utilizam esses recursos para gerar a máxima prosperidade a todos, envolvendo-se em questões que interessam à coletividade. O desapego à recompensa permite que se comprometam com as mais diversas causas, por isso são pessoas engajadas nos mais variados projetos, inclusive sociais e assistenciais. Enquanto isso, os caçadores de recompensas centram-se em seus próprios problemas. Um conto que circula pela internet sinaliza como esses caçadores reagem em algumas situações.

“Olhando pelo buraco na parede, um rato viu o fazendeiro e sua esposa abrindo um pacote. Pensou logo que tipo de comida poderia ter ali. Ficou aterrorizado quando descobriu que era uma ratoeira. Foi para o pátio da fazenda advertindo a todos:

– Tem uma ratoeira na casa, uma ratoeira na casa!

A galinha, que estava cacarejando e ciscando, levantou a cabeça e disse:

– Desculpe-me, senhor rato. Eu entendo que é um grande problema para o senhor, mas não me prejudica em nada, não me incomoda.

O rato foi até o cordeiro e disse a ele:

– Tem uma ratoeira na casa, uma ratoeira na casa!

– Desculpe-me, senhor rato, mas não há nada que eu possa fazer, a não ser orar. Fique tranquilo que o senhor será lembrado nas minhas preces.

Por fim, o rato dirigiu-se então à vaca e ela disse:

– O quê, senhor rato? Uma ratoeira? Por acaso estou em perigo? Acho que não!

Então o rato voltou para casa cabisbaixo e abatido, para encarar a ratoeira do fazendeiro. Naquela noite, ouviu-se um barulho, como o de uma ratoeira pegando uma vítima. A mulher do fazendeiro correu para ver o que tinha pegado. No escuro, ela não viu que a ratoeira pegou a cauda de uma cobra venenosa. A cobra picou a mulher.

O fazendeiro a levou imediatamente ao hospital. Ela voltou com febre. Todo mundo sabe que para alimentar alguém com febre, nada melhor do que uma canja. Ele então pegou seu cutelo e foi providenciar o ingrediente principal – a galinha.

Como a doença da mulher continuava, os amigos e vizinhos vieram visitá-la. Para alimentá-los, o fazendeiro matou o cordeiro.

A mulher não melhorou e acabou morrendo. Muita gente veio para o funeral. O fazendeiro então sacrificou a vaca para alimentar todo aquele povo.”

Fica claro que aqueles que participam do Grupo dos 5% se percebem como agentes criadores e enfrentam as questões cruciais que os incomodam. Ligam-se a causas nas quais acreditam e sabem que nada têm a ganhar quando focam seus esforços apenas em si próprios.

O crescimento pessoal e a ampliação de suas capacidades exigem o exercício da ideia de que aquilo que se faz pelos outros, pelo interesse coletivo, é uma ótima forma de criar oportunidades para aqueles que ainda não veem o mundo como os participantes do Grupo dos 5% são capazes de ver. Por isso, convidam e estimulam tantos quantos for possível para experimentarem a mesma sensação de liberdade. Sabem que envolver-se é fundamental.

Eles confirmam o que disse Morgan Scott Peck, renomado psicólogo e escritor americano, sobre pessoas de resultado. São “aqueles que alcançam o crescimento e não apenas aproveitam seus frutos, como os distribuem para o mundo. Ao evoluir como indivíduos, carregam a humanidade nas costas. E, assim, a humanidade evolui”32.

Essas pessoas “deixam de ser focadas em si próprias, voltando sua atenção para o que está em volta. Tais pessoas se sentem estimuladas com o crescimento dos outros, com o fato de ver outras passarem por essa experiência enriquecedora”, conclui o especialista em competências gerenciais, Robert Quinn.