Pense Grande
O médico que salvou o hospital
• A religião e a tradição têm tanta influência sobre os
pobres (sobretudo as mulheres) que os impedem de evoluir;
• A estrutura de poder do mundo rural é muito forte
e solidamente implantada para permitir o sucesso de um programa de crédito desse tipo;
• Os pobres preferem trabalhar para um patrão a se
ocuparem de seu destino;
• O crédito para os pobres é contraproducente; lançará o fardo pesado dos empréstimos sobre seus frágeis ombros e eles não poderão pagá-los; assim, empobrecerão ainda mais ao tentarem (ou ao serem forçados a) pagar seus empréstimos;
• Incentivar os pobres a se instalarem por conta própria levará à falta de mão de obra assalariada; em consequência, os salários subirão, o que aumentará os custos de produção, criará inflação e será prejudicial para a produtividade agrícola;
• A extensão do crédito às mulheres perturbará o
papel tradicional da mulher na família, como também a sua relação com o marido;
• É possível que o crédito desafogue os pobres
temporariamente, mas não terá nenhum efeito a longo prazo, nada fará para promover uma reestruturação equitativa da sociedade.
O MÉDICO QUE SALVOU O HOSPITAL
Vimos que os participantes do Grupo Metadesempenho, aqueles que obtêm resultados fantásticos, buscam, a todo momento, encontrar as soluções de que necessitam a partir da premissa de que elas já existem.
O Dr. Paulo Roberto Pereira, que foi diretor do Instituto da Criança, do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo por mais de dez anos, é um deles.
Ao assumir a diretoria de um hospital público com sérias dificuldades administrativas, de pessoal e equipamentos, como tantos outros já haviam assumido, decidiu mudar o cenário e construir uma nova realidade, a partir de um trabalho lento, mas consistente. “A primeira coisa que nós resolvemos fazer foi sentir como é que estava o ânimo dos profissionais, como é que eles estavam vendo o Instituto da Criança e o seu trabalho. Todo mundo apostava que a primeira queixa ia ser o salário. Não foi. Surpreendentemente, em primeiro lugar eles queriam ser reconhecidos; em segundo lugar, eles queriam participar; em terceiro lugar, queriam melhores salários, lógico (...) Então, nós fizemos um trabalho de juntar, pelo menos, quarenta profissionais por reunião, quer dizer, vinte a trinta reuniões iguais em sequência, nas quais nós contávamos o que queríamos e ouvíamos dos profissionais o que eles tinham para dizer. Eu me lembro que uma das reuniões marcantes foi com o pessoal da manutenção, que estava sentado na sala. Eu disse: o que vocês querem? E eles disseram: doutor, olha para as nossas roupas! Eles estavam em trapos, porque, na verdade, nem uniforme tinham para trabalhar, e nós também não tínhamos recursos para comprar uniforme, na época”, disse em entrevista à Amana-Key.
O Dr. Paulo Roberto deu, então, início a um processo que visava a incentivar todos os colaboradores do hospital a conhecerem o trabalho um do outro, o funcionamento e atribuições de cada unidade do hospital. Isso se deu através de visitas aos departamentos, que eram apresentados aos demais pelos próprios colaboradores. O problema dos uniformes foi resolvido com a ajuda de empresas que produzem equipamento hospitalar.
Em seguida, instituiu um projeto de desenvolvimento profissional com o propósito de fazer as pessoas crescerem e se envolverem com a instituição. As reuniões semanais, que tiveram início com quórum baixo, no segundo ano já contavam com noventa, cem participantes. Lentamente os resultados foram se consolidando.
Surgiu a ideia do Comitê Comunitário, formado por associações da comunidade, dando origem ao conselho familiar, um espaço dentro do hospital, onde voluntários atendem familiares de pacientes que receberam diagnóstico grave. A ideia deu origem a outra: o comitê juvenil, composto por adolescentes que desejam realizar algum trabalho voluntário.
Outro projeto bem-sucedido foi o Doutores da Alegria, que inovou ao propor uma maneira de tratar as crianças utilizando o humor. Em seguida, veio a Biblioteca Viva, na qual os profissionais receberam treinamento para ler histórias para as crianças.
Também foi implantado o projeto Carmim, um programa de atendimento de pacientes por meio do desenvolvimento de atividades de Artes Plásticas, e tantas outras ideias tão simples quanto valiosas. E assim por diante.
O resultado final foi a transformação de um hospital sucateado em modelo de gestão para o país. Após essa experiência, o Dr. Paulo passou a se dedicar a ajudar na formação de líderes do futuro em diversas outras organizações.
A partir da concepção de que tudo é possível, de que os recursos dos quais precisamos estão disponíveis e são infinitos, podemos exercitar melhor a nossa capacidade de expandir a mente em busca de soluções inéditas, como fazem os membros do Grupo dos 5%.
Lembre-se: todos somos capazes de atingir novos patamares de desempenho.