Pense Grande
Aficionado por motovelocidade
Outro exemplo que confirma esse entendimento vem de 1962, ano em que Burt Munro – um sexagenário, meio surdo, cardíaco e sem dinheiro cidadão neozelandês – trabalhava no barracão onde morava, incrementando a sua moto, uma Indian Scout, cuja velocidade original era de aproximadamente 90 km/h, para transformá-la numa supermoto de velocidade. Seu projeto: estabelecer o recorde mundial nos Estados Unidos.
Para alegria dos vizinhos, incomodados com o barulho de sua oficina, embalou sua máquina, hipotecou a casa e seguiu para a façanha na América.
A moto, modificada por ele próprio, com mais de quarenta anos de uso, mais parecia uma velha bicicleta motorizada. Não tinha freios apropriados, pneus especiais e nenhum mecanismo de segurança. Uma rolha de garrafa de conhaque era usada para fechar o tanque de combustível. Enquanto os demais competidores eram assistidos por equipes, a equipe de Munro era ele próprio e sua paixão por velocidade.
Após enfrentar alguns obstáculos, atravessou meio mundo e chegou em Bonnesville, estado de Utah, para participar da Speed Week, uma competição em que os mais rápidos veículos e pilotos do mundo se reuniam.
Munro provocou gargalhadas nos organizadores quando manifestou seu interesse em participar da competição. Ele sequer estava registrado para o evento, e ninguém jamais vira figura mais exótica. Sua moto não tinha o extintor e os paraquedas de frenagem exigidos dos competidores. Ele também não vestia roupas especiais antichamas. Disseram-lhe que era velho demais para fazer aquilo, que deveria voltar para casa e esquecer.
Mas Munro, membro do Grupo dos 5%, era determinado. Carismático, fazia amigos por onde andava. Ele persistiu até ser aceito, mesmo sem que sua moto obedecesse aos parâmetros mínimos de segurança estabelecidos para a prova. Os organizadores pareciam estar mais interessados em se livrar do inconveniente competidor.