Pense Grande
Contornando os mares do mundo, sozinho
Em relação à conquista do Polo Sul, pode-se deduzir quem concretizou a proeza. Enquanto todo o grupo de Scott foi dizimado pelo inóspito continente gelado, Amundsen fez a conquista parecer fácil, embora fosse um ato quase impossível sob condições tão adversas.
Por exemplo, para Amundsen, uma de suas principais preocupações era superar o maior de todos os obstáculos da expedição: a “grande barreira”, o “terrível e poderoso monstro”. “Todos os relatos, sem exceção, desde os velhos tempos de Ross (James Clark Ross, que em 1842 quebrou o recorde de penetração meridional e descobriu o Polo Sul Magnético) até os mais modernos e atuais, invariavelmente descreveram essa impressionante formação natural com respeito e temor. Era como se fosse possível ler nas entrelinhas sempre a mesma frase: “Silêncio, respeitem-na! Esta é a mística Barreira”. Observe como ele a superou: “Um, dois, três... um pequeno salto... e pronto, a Barreira estava vencida! Olhamos uns para os outros e sorrimos. Provavelmente o mesmo pensamento surgira nas mentes de cada um de nós. O monstro perdera algo de seu mistério, o terror perdera algo de seu poder; o incompreensível revelava-se bem fácil de ser compreendido”.
CONTORNANDO OS MARES DO MUNDO, SOZINHO
Outro exemplo semelhante, de como o prazer e a paixão pelo que fazemos são elementos potencializadores do nosso desempenho, se extrai nos registros da Golden Globe, a regata marítima que, em 1968, teve por objetivo premiar o homem que desse a volta ao mundo num barco a velas. Conforme descreveu Peter Nichols em sua obra sobre a competição, os participantes teriam que navegar “sozinhos, sem fazer escalas, nem arribar a qualquer porto, sem assistência ou reabastecimento. E teriam que
voltar a seu ponto de partida”, passando pelo Cabo Horn2 e pelo
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Oceano Austral .
A competição revela um dado curioso: dos nove participantes da regata, os dois que declaradamente não gostavam do que estavam fazendo – John Ridgway e Chay Blyth “não se sentiam em casa” – foram justamente os primeiros a abandoná-la. Todavia, os dois competidores que estavam “realmente felizes a bordo de seus barcos no mar”, obtiveram os melhores resultados – Bernard Moitessier e Robin Knox-Johnston. Após ter superado os principais perigos com a vitória assegurada, Bernard decidiu abandonar a regata e voltou para o mar: “Minha intenção é continuar a viagem, seguindo, ainda sem escalas, para as Ilhas do Pacífico, onde há muito sol e mais paz do que na Europa. Por favor, não pensem que estou tentando quebrar algum recorde. “Recorde” é uma palavra muito tola quando se está no mar. Estou prosseguindo sem escalas porque estou feliz no mar e, talvez, porque eu queira salvar a minha alma”, disse ele, em referência aos perigos que a fama e dinheiro pudessem lhe trazer se completasse a regata38. A atitude de Bernard, de abandonar a disputa praticamente ganha, fez com que Robin Knox-Johnston, logo atrás dele, se tornasse o primeiro homem da história a realizar a façanha.
É também interessante notar pelos registros da competição, que as pessoas consideravam que todos os outros competidores “pareciam melhores candidatos a fazer uma viagem bem-sucedida que Knox-Johnston”.
A paixão é o elemento que faz toda a diferença no desempenho. Um dos melhores jogadores de basquete do mundo, Oscar Schmidt, confirma: “Sempre gostei do que fazia: jogar basquete. Sempre fui apaixonado por minha profissão. Agradecia a Deus todos os dias por poder ganhar a minha vida jogando basquete. Imagine, eu brincava todos os dias, e me pagavam por isso!”.
Alguns que conheceram Steve Jobs, o mago da tecnologia e cofundador da Apple, o definiram como “alguém motivado pelo amor ao que fazia e com orgulho pelos produtos que criava”39.
Agindo como servos de causas que amamos, desenvolvemos uma notável capacidade de ver coisas incrivelmente belas onde os demais só veem problemas. Isso nos capacita a derrubar barreiras que para muitos se mostram intransponíveis e atingir resultados impressionantes.
O australiano Nick Vujicic, sobre o qual falaremos à frente, adverte: “Há uma verdade maravilhosa que é crucial na vida. Acho extraordinário que as escolas não ensinem isso. A verdade essencial é a seguinte: cada um de nós tem um dom – um talento, uma habilidade, uma aptidão – que nos dá prazer e nos cativa, e o caminho para a felicidade muitas vezes está nesse dom. (...) Quando você encontra seu verdadeiro propósito, a paixão vem junto, e passa a viver em nome disso”.
O adolescente que decidiu vender chocolates de porta em porta e se tornou dono da maior rede de lojas de bombons finos do mundo concorda: “A paixão nos faz acordar todos os dias prontos para mais um longo expediente de trabalho e faz o nosso coração bater forte diante de cada conquista. A paixão é, definitivamente, aquilo que nos move”, disse.
A Revista Veja40 publicou matéria que reproduzia alguns depoimentos de pessoas que enfrentaram esse dilema, entre ser um caçador de recompensas ou se associar ao Grupo dos 5%.
Danielle Dahoui, restauranteur, dona do Bistrô Ruella, em São Paulo e do Bar D’ Hotel, no Rio de Janeiro:
“Ainda estudante no Rio, gostava de cozinhar, mas meu sonho era fazer Jornalismo. Em 1987, entrei em Jornalismo na PUC e, logo depois, ganhei uma bolsa de estudos na Sorbonne, em Paris. Não cheguei a completar o primeiro ano de curso. Para pagar as despesas, fui ser ajudante de cozinha. Vi que era aquilo que queria fazer. Aprendi muito trabalhando em vários restaurantes na França, durante quatro anos. Eu não tirava o olho do chef de cozinha. Estagiei em padaria para aprender a fazer pães e doces, hoje uma das minhas especialidades. Em 1995, arrendei o horário de almoço em um restaurante em São Paulo. Foi um sucesso. Alguns investidores me procuraram e assim consegui abrir meu primeiro restaurante, o Ruella. Não fiz nenhum curso, mas, se pudesse voltar no tempo, eu teria cursado uma faculdade de gastronomia em Paris.”
Fernando Reinach, biólogo e geneticista, diretor executivo da Votorantim Ventures, professor da Universidade de São Paulo e da Cornell University, nos Estados Unidos:
“Eu tinha dezesseis anos quando me apaixonei pela Biologia, depois de uma aula fascinante sobre a origem da vida. Decidi cursar Biologia e ser geneticista. Meu pai, um engenheiro, me acusou de estar fugindo do vestibular de Medicina. Acabei entrando nos dois cursos e tranquei Medicina por dois anos antes de desistir. Fiz doutorado nos Estados Unidos e depois fui pesquisador em Cambridge, Inglaterra. Voltei em 1986 para ser professor da USP. A grande preocupação do meu pai era como eu ia ganhar dinheiro. Em 1990, abri a primeira empresa de engenharia molecular do Brasil, a Biotec, e agora comando um fundo de investimento em Biologia, a Votorantim Ventures. Quando um dos meus filhos me disse que ia fazer Ciências Sociais, eu respondi que achava ótimo.”
Carla Amorim, designer de joias, dona de seis lojas no Brasil e duas no exterior:
“Sou apaixonada por moda e beleza desde criança, mas, sei lá por quê, acabei cursando a faculdade de Letras e virando funcionária pública. Nas horas livres, desenhava e montava brincos e colares, que eu mesma usava. Até que um dia caiu a ficha: por que não transformar o que eu mais gostava numa profissão? Comecei aos poucos. Fazia algumas peças e as vendia a colegas de trabalho. Finalmente, tomei coragem, joguei o emprego para o alto e resolvi me dedicar inteiramente ao design de joias. Diziam que eu estava louca, que os brasileiros não tinham dinheiro para comprar joias... Fiz um curso de desenho e outro de ourivesaria. Meu pai entendeu e me deu dinheiro para começar. O mais importante é que eu amo o meu trabalho. Quando isso acontece, nada pode dar errado.”
Marcelo Gleiser, professor de Física e Astronomia da Dartmouth College em New Hampshire, nos Estados Unidos:
“Eu jogava vôlei no Rio e fui até campeão brasileiro no colegial. Também estudava muito e, desde os quinze anos, já tinha um grupo de estudos de Física. Queria estudar Física, mas meu pai dizia que ninguém iria me pagar pra contar estrelas. Acabei cursando dois anos de Engenharia Química. Mas minha cabeça não era para Engenharia. Terminei me transferindo para o curso de Física e me formei em 1981. Depois fiz mestrado, antes de sair para um doutorado na Inglaterra. Hoje, sou professor titular em uma das universidades mais bem-conceituadas nos Estados Unidos e trabalho ativamente em pesquisa e divulgação científica. Acredito que só iremos fazer muito bem aquilo que realmente queremos fazer. Escolher uma profissão ‘viável’, que não seja realmente desejada, pode até dar certo, mas é um compromisso arriscado com a vida.”
Curiosamente, todas essas pessoas declaram-se realizadas por optar ao campo de interesse que as entusiasmava. Contribuiu bastante o simples fato de que passaram a lidar com projetos pelos quais eram apaixonadas e, portanto, trabalhar horas a fio era um simples passeio.
Isso foi atestado por Jayme Garfinkel, empresário brasileiro que figura entre os mais bem-sucedidos do mundo, ao afirmar que “a linha vermelha que une todas as pessoas de sucesso é o fato de amarem o que fazem, e, portanto, para elas, trabalhar doze, quinze horas por dia não é um problema”41.
A descrição do desempenho superior inerente ao Grupo dos 5% pôde ser constatada em diversos momentos. Essas pessoas encontram energia e motivação que parecem inesgotáveis, traduzindo o sentimento de Walt Whitman, um dos maiores poetas da América: “Sou grande. Eu contenho multidões”42.
A Disney Animation foi classificada por Warren Bennis como uma empresa de desempenho fantástico. Há, sobre ela, referências de que seus melhores criadores “trabalhavam como demônios”, mas com “um sorriso nos lábios”. Essas pessoas, que optaram por aquilo que as realiza, chegam a trabalhar “pelo menos dez vezes mais rápido”. Outras referências atestam que “são até dez vezes mais criativos e efetivos do que seus colegas...”43.
Michael Mann, diretor e produtor de cinema, afirmou que James Cameron “vivia e respirava Titanic”. Utilizava expressões como “um crente”, “um fanático”, para descrevê-lo, e que o filme era seu “sonho cinematográfico”44.
Steve Jobs (e sua Apple) dizia: “Quanto mais velho fico, mais vejo como a motivação importa. (...) Se você não ama uma coisa, não vai fazer o esforço a mais, trabalhar no fim de semana, desafiar tanto o status quo”. Ele criou na empresa uma cultura em que todos acreditavam que poderiam realizar o que parecia impossível. Em um de seus projetos, os funcionários mandaram confeccionar camisetas com a inscrição “noventa horas por semana e adorando”45. “Não dá pra competir com alguém assim!”, pensam os caçadores de recompensas.
Note também o quanto a família, obviamente revestida da melhor das intenções, pode conduzir grandes talentos ao caminho da mediocridade profissional, ao aceitar a máxima que associa sucesso profissional ao desempenho de atividades que acreditam ser promissoras, independentemente das características e identificação individual.
Decisões baseadas em recompensas são tomadas todos os dias aos milhares. Elas buscam atender carências materiais imediatas e às exigências da sociedade, da família e dos amigos, levadas pela corrente do pensamento que visa à recompensa e ignoram a máxima fonte de potencial presente nas pessoas. Quando se aceita essa regra e se atende ao chamado do que esperam que seja feito, em vez de realizar aquilo que sinceramente desejaria fazer, deixa-se de utilizar os próprios talentos e, obviamente, o desempenho sofre.
Como se vê, esse desempenho superior inerente ao Grupo dos 5% decorre também do distanciamento das recompensas financeiras. Até que ponto a remuneração foi fator decisivo para que Michelangelo, durante vários anos de sua vida, concluísse a Capela Sistina?
Os grandes feitos geralmente não têm na recompensa, e sim, na própria obra, o objetivo final. Por exemplo, o velejador francês Bernard Moitessier, sobre o qual já falamos, foi um dos poucos homens (em 1965-1966) a velejar sem escalas do Taiti à Espanha, passando pelo Cabo Horn, uma das regiões mais perigosas do mais perigoso oceano, conhecida como “cemitério do mar”, ficou extremamente irritado ao saber que seria conferida uma vultosa premiação ao primeiro homem que conseguisse realizar a façanha de dar a volta ao mundo sozinho, sem escalas, num barco a velas. Ao partir, disse: “Isto não é pelo dinheiro – dane-se o dinheiro (...) Dinheiro é bom desde que você tenha o bastante para pagar uma xícara de chá”46.
O treinador de vôlei Bernardinho confirma que é impossível medir em dinheiro o valor de um ouro olímpico, e o jogador de basquete Oscar Schmidt jogou por um bom tempo na seleção brasileira mesmo sem remuneração, sem seguro, sem férias e dormindo em camas pouco confortáveis. Para ele, jogar basquete bastava.
Você já pensou quanto tempo e dinheiro está investindo em coisas que aperfeiçoam seus talentos? A fonte da máxima performance poderá emergir a partir de um lento processo de procura.
O montanhista Mo Anthoine é incisivo: “Morrer sem saber quem você é e do que é capaz... Não consigo pensar em nada mais triste”47.
Como vimos, para modificar o modelo mental dominante, é necessário detectar suas aptidões, talentos e prazeres. Jorge Amado, grande escritor brasileiro, recomendava que não deveríamos fazer nada que não nos divertisse, que não nos desse prazer.
Então, em algum momento, você chegou a definir algo que, se fizesse, traria grande significado à sua vida ?
Interrompa a leitura e pense alguns instantes sobre isso. Procure a resposta e a escreva. Sugiro que utilize para isso algumas dessas premissas utilizadas pela Amana-key, organização que tem entre seus propósitos despertar as pessoas para utilizarem o melhor de seu potencial:
• Seus talentos (coisas que aprende com facilidade
desde criança e que gosta de fazer);
• Suas premissas impulsionadoras (coisas em que
acredita e que podem representar oportunidades); • Suas paixões (coisas que o fazem perder a noção
do tempo, quando as está fazendo);
• Seus conhecimentos (assuntos que domina, conhece e entende muito);
• Suas características (como você é, naturalmente, no
contato com os outros); e
• Os sonhos que você tem para si próprio, para as
outras pessoas e para o mundo.
É muito importante que, ao tentarmos responder a essas premissas, nos preocupemos em construir um objetivo com base naquilo que, de fato, nos realiza.
Gustavo Borges, um dos mais conceituados nadadores brasileiros, afirma: “(...) quando a gente fala de uma escolha, que no meu caso foi o esporte, é primordial pensar no prazer. Quem faz as coisas somente por obrigação tende a fazê-las com menor empenho e obter resultados medíocres. Já aqueles que agem movidos pelo amor e pelo talento, se entregam de corpo e alma e alcançam metas mais ambiciosas, pois o talento é algo tão forte que faz com que se encontre prazer até mesmo na obrigação! (...) Você mergulha em uma nova realidade, em que tudo começa a conspirar a seu favor”.
O jornalista e apresentador de telejornal William Bonner avisa: “... Só vejo o sucesso em pessoas que gostam do que fazem. Ainda que não façam tão bem, nem aplicadamente”48.
Gilberto Dimenstein relata o momento em que se deparou com o jornalismo e a transformação de um “mau aluno” em um profissional brilhante: “Quando descobri a paixão pela palavra, pela comunicação, o que aconteceu? Aquilo que eu gostava, que era o mundo, passou a ser traduzido num grupo de códigos, que eram os textos. Automaticamente, passaram a ter um significado as regras gramaticais, por exemplo, e até Camões. E havia a produção e, mais ainda, publicação. (...) Tudo foi tão encantador! Era o encanto da descoberta da utilidade do conhecimento. Mais, da minha própria utilidade. Aí foram tantos prêmios de jornalismo, que nem achava que eram para mim. (...) Quando descobri a paixão pelo ato de comunicar como um verbo bitransitivo, ou seja, comunicar algo a alguém, tudo ficou fácil”.
Pesquisas feitas ao redor do mundo demonstram que um trabalho instigante é mais importante do que um bem-pago.
Ao optar pelo caminho do Grupo dos 5% você presenciará situações inusitadas, como produzir por horas a fio sem sentir sono, fome, cansaço. Você se divertirá com isso. As horas voam. O estresse dá lugar ao entusiasmo. A ansiedade cede seu espaço para o sentimento de satisfação constante. O desempenho torna-se tão mais significativo que alguns chegam ao ponto de dizer que “trabalham como que possuídos”, conforme concluiu Warren Bennis em seu trabalho sobre as forças que impulsionam a criatividade nas equipes bem-sucedidas.
Einstein trabalhava no escritório de patentes, oito horas por dia, seis dias por semana. Mesmo com a maior parte do seu tempo tomada pelo trabalho, teve os anos mais criativos de sua vida. Somente em 1905, ele “havia formulado uma revolucionária teoria quântica da luz, ajudara a provar a existência do átomo, explicara o movimento browniano, derrubara o conceito de espaço e tempo, e produzira o que se tornaria a equação mais conhecida da ciência”49. Além disso, ainda tinha tempo para brincar com o filho, mas precisou procurar por um segundo emprego numa escola técnica que lhe permitisse complementar a renda familiar.
Voltemos ao exemplo de Oscar Schmidt, do basquete. Ele chegava uma hora antes do treino e continuava por mais uma hora após o treino. Eram cerca de oito horas por dia na quadra. E o fato de ser o primeiro a chegar e o último a sair da quadra também funcionava como um exemplo aos demais jogadores. Um de seus técnicos chegou a ameaçá-lo com uma multa, caso o visse treinando demais! Além do treino, ele fazia 1 mil cestas por dia. Além disso, só voltava para casa quando acertava vinte arremessos consecutivos de três pontos. Quando fraturava o braço direito, treinava com o esquerdo. Treinava até mesmo arremessos de olhos fechados. Oscar diz que tirou suas primeiras férias aos 35 anos de idade, mas na verdade, para ele, o esporte nunca foi algo penoso, e sim, prazeroso.
A história do boxeador Muhammad Ali é bem parecida. Um de seus amigos, Jimmy Ellis, disse que “ele só pensava em correr, treinar e lutar. Enquanto houvesse alguém para lutar boxe, ele ficava por lá. Ele praticamente morava no ginásio”50.
O técnico da seleção brasileira, Bernardinho, atesta: “Se não houver paixão, se não houver comprometimento, tudo o mais é inútil”.