Pense Grande

Alex Bonifácio · Capítulo 15 de 54

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Pense Grande

O guerreiro do câncer

Enquanto se assiste pela TV aos efeitos danosos e absurdos da discriminação racial presente na sociedade, Martin Luther King e Nelson Mandela modificaram definitivamente o modo de convivência entre brancos e negros em países com grandes conflitos raciais.

Enquanto alguns pensam que estão velhos demais para realizar certas coisas, Walt Stack, um americano de mais de 80 anos de idade, corria todos os dias mais de 27 km pelas ladeiras de São Francisco, na Califórnia. Quando lhe perguntavam, no inverno, como fazia para que seus dentes não ficassem batendo com o frio, ele respondia: “Eu os deixo no armário”.

Enquanto se acredita ser impossível a alguma pessoa tetraplégica, desesperançada pelos médicos, voltar a andar, uma brasileira resolveu que sua história seria diferente, como veremos no terceiro capítulo.

O GUERREIRO DO CÂNCER

Tome o exemplo do cirurgião e pesquisador americano Judah Folkman, que pensou no problema do câncer de forma completamente diferente. Ao invés de matar o tumor com tratamentos altamente tóxicos, como era o procedimento convencional, ele pretendia bloquear sua nutrição através dos vasos sanguíneos, impedindo que continuasse a se desenvolver. Durante 40 anos, suas pesquisas indicavam que era mais viável matar o tumor “de fome” do que simplesmente extraí-lo, e que sem o suprimento sanguíneo, seu tamanho não seria superior ao da cabeça de um alfinete. O resultado foi um medicamento chamado Endostatina, que tem o objetivo de controlar o câncer em vez de curá-lo. O medicamento visa inibir a angiogênese, crescimento de vasos sanguíneos que alimentam o tumor. Seus efeitos colaterais são semelhantes aos de uma aspirina. O Dr. Folkman foi considerado, mundialmente, um dos mais renomados estudiosos da doença, e se tornou conhecido por seus resultados no ramo da chamada anti-angiogênese terapêutica. No entanto, até provar a viabilidade de suas teorias, foi bastante ridicularizado no meio científico. Suas pesquisas sobre o suprimento de sangue nos tumores cancerígenos renderam conclusões tidas como patéticas. Durante suas conferências, alguns de seus colegas se retiravam da sala. Judah teve, inclusive, dificuldade de publicar suas experiências em revistas científicas por não atender ao pensamento convencional do grupo de médicos pesquisadores.

O trabalho do cirurgião brasileiro Randas Vilela Batista é um exemplo que gosto de mencionar nas palestras. Enquanto a classe médica considerou inaceitável o processo cirúrgico desenvolvido por ele, que consiste em extrair uma parte do músculo cardíaco para reduzir o tamanho do coração, permitindo que o órgão, menor, volte a bombear sangue com mais força, ele seguiu em frente e continuou aprimorando as ideias nas quais acreditava. O método que ele criou passou a ser aplicado no mundo inteiro. Ao não aceitar algumas regras mais elementares da medicina, Dr. Randas desenvolveu novos tratamentos e obteve o raro título de herói mundial da medicina, sendo homenageado por diversos países do mundo, inclusive pelos Estados Unidos.

Observe também o diálogo vivido entre Carlos Domingos, um dos mais premiados publicitários do país, e o redator de prestígio de uma grande multinacional, seu chefe na ocasião, quando ainda trabalhava como estagiário, decidindo se poderia seguir o caminho da propaganda:

– Você não tem talento.

– O quê?

– É. Você não dá para a coisa.

– Mas como assim? Não tem nada legal aí?

– Não! Já pensou em fazer outra coisa? O mercado já tá difícil para gente boa, com talento... Imagine para você, então...