Pense Grande
Metas
“A partir do momento em que se estipula uma meta,
é preciso fazer tudo, absolutamente tudo, para
alcançá-la – desde que respeitando os padrões
éticos e legais, claro.”
(Alexandre Tadeu da Costa)
O ESTABELECIMENTO DE METAS
No segundo capítulo, vimos que pautar atitudes e comportamentos em função de recompensas é uma trágica maneira de reduzir a capacidade de realização. Vimos também, como o modelo mental e o conservadorismo impedem as pessoas de perceberem os inúmeros recursos e oportunidades à sua volta. Neste capítulo veremos a importância das metas e como elas podem tornar-se elemento impulsionador de nossas melhores habilidades.
O homem é um ser essencialmente ativo e requer, portanto, ação. Não aquela sem propósito, mas ação em direção a um alvo determinado. Tão angustiante quanto não se mover, é fazê-lo sem saber para onde se está indo. Um alvo sem propósito e sentido não é estimulante. É fundamental ter uma meta a perseguir, inspiradora e impulsionadora de nossos melhores esforços.
O especialista mundial em estratégia, Gary Hamel, afirma que “a meta é tentar imaginar um futuro que seja plausível – o futuro que você pode criar”.
O estabelecimento de uma meta envolve não somente o objetivo a ser alcançado, mas deve levar em consideração tudo aquilo que faremos para que ela seja atingida. Além disso, é preciso estipular prazos e imaginar o melhor modo de alcançá-la. Lembre-se das equações impossíveis.
Seguir em uma direção qualquer reduz o potencial, pois uma meta imprecisa acaba sendo diluída entre tantas outras prioridades que surgem ao longo do percurso. O que se vê normalmente é que deixam de ser concretizadas e, aos poucos, são esquecidas. Quando sabemos com clareza qual é o nosso objetivo no âmbito familiar, profissional e social, criamos um mapa mental que nos mostra os melhores caminhos a percorrer até o objetivo, otimizando nossas ações, eliminando as distrações e ampliando as possibilidades de êxito.
Segundo o especialista no desenvolvimento de “metacompetências” nas pessoas, Fredy Kofman, “sem uma visão, a pessoa fica à deriva e acaba reagindo momento a momento como um animal: busca o prazer imediato e evita as dificuldades”.
Ter uma meta clara e definida é fundamental ao pleno exercício das atitudes positivas necessárias a uma caminhada mais eficaz, em busca de uma vida melhor.
O médico e psicólogo Viktor E. Frankl, durante os anos em que foi prisioneiro nos campos nazistas de concentração da Segunda Guerra Mundial, observou fatos que são bastante ilustrativos do que estamos tratando, ou seja, da importância de se ter uma meta.
Em sua obra Em busca de sentido, relata que os prisioneiros que deixavam de vislumbrar um alvo futuro para suas vidas, “entregando os pontos” como pessoa, rapidamente sucumbiam aos pensamentos meramente retrospectivos, isentos de objetivos, abreviando consideravelmente sua existência.
Observou que a elevada mortalidade de prisioneiros, verificada entre o Natal de 1944 e o Ano-Novo de 1945, tinha menos a ver com epidemias, condições subumanas de trabalho, frio ou tratamentos desumanos, do que com a decepção vivenciada por aqueles que alimentaram a firme convicção, não concretizada, de que todo o sofrimento terminaria antes do Natal. Ele verificou que muitas pessoas “jogaram a toalha”. Ocorreu uma espécie de crença coletiva de que a guerra teria fim próximo, que passariam o Natal em liberdade e que o sofrimento estaria prestes a acabar. Como isso não ocorreu, eles internamente deixaram de lutar pela sobrevivência, abandonaram o futuro como se aceitassem a morte.
Ele relata um episódio que ilustra esse comportamento com precisão:
“O chefe do meu bloco, um estrangeiro que outrora fora um compositor musical bastante conhecido, disse-me certo dia: ‘Ei, doutor, gostaria de lhe contar uma coisa. Há pouco tempo tive um sonho curioso. Uma voz me disse que eu poderia expressar um desejo, que poderia dizer o que gostaria de saber e ela me responderia qualquer pergunta. Sabe o que eu perguntei? Queria saber quando a guerra acabaria para mim! Isto é, queria saber quando seríamos libertados do nosso campo de concentração, ou seja, quando terminariam os nossos sofrimentos.’ Perguntei-lhe quando tivera esse sonho. ‘Em fevereiro de 1945’, respondeu. Estávamos no começo de março. ‘E o que te disse então a voz em sonho?’, continuei perguntando. Bem baixinho, me segredou: ‘Em trinta de março...’.
Quando meu companheiro me narrou o seu sonho, estava ainda cheio de esperança, convicto de que se cumpriria o que anunciara aquela voz. Mas a data profetizada se aproximara cada vez mais e as notícias sobre a situação militar, na medida em que penetravam em nosso campo, faziam parecer cada vez menos provável que a frente de batalha, de fato, nos trouxesse a liberdade ainda no mês de março. Deu-se então o seguinte: em 29 de março, aquele companheiro foi repentinamente atacado de febre alta. Em trinta de março, no dia em que de acordo com a profecia, a guerra e o sofrimento (para ele) chegariam ao fim, ele caiu em pleno delírio e finalmente entrou em coma... No dia 31 de março ele estava morto. Falecera de tifo exantemático.”
No entanto, aqueles que resistiam e substituíam seu antigo alvo não concretizado por outro novo, elevavam surpreendentemente as suas chances de sobrevivência, como ele próprio o fez.
“Eis que então aplico um truque: vejo-me de repente ocupando a tribuna de um grande auditório, magnificamente iluminado e aquecido, diante de mim um público a ouvir atento, sentado em confortáveis poltronas, enquanto vou falando; dou uma palestra sobre a psicologia do campo de concentração e tudo aquilo que tanto me tortura e oprime acaba sendo objetivado, visto e descrito da perspectiva mais alta da ciência... Através desse truque, consigo alçar-me, de algum modo, acima da situação, colocar-me acima do tempo presente e de seu sofrimento, contemplando-o como se já estivesse no passado e como se eu mesmo, com todo o meu tormento, fosse objeto de uma interessante investigação psicológico-científica, por mim mesmo empreendida.”
Esse exemplo traz duas lições principais. A primeira é que é necessário visualizar alvos futuros. Necessitamos de metas, não vivemos sem sonhos. É preciso imaginar uma situação futura desejada e partir imediatamente em direção a ela, construí-la. A segunda é que devemos atuar como se essas metas já estivessem concretizadas em nossa mente. Agindo assim, os obstáculos presentes no decorrer do caminho assumem uma nova dimensão, muito menor do que quando não se adota esse ponto de vista. Ao enfatizar as etapas, e não o resultado final, cada parte do processo até a concretização do sonho assume uma perspectiva ampliada. Pensar no castelo pronto é mais produtivo do que imaginar o terreno vazio. Agindo assim, as barreiras tomam suas reais dimensões: pequenas; e lidar com as etapas necessárias ao alcance da meta torna-se mais fácil.