Pense Grande
Acredite no poder da visualização
Um estudo realizado no Centro de Reabilitação da Universidade de Maastricht, Holanda, concluiu que o empenho mental em aumentar a confiança na capacidade física de um paciente é mais eficaz do que a atividade física para combater dores crônicas.
Outras pesquisas indicam que até metade dos benefícios físicos, obtidos em função da prática de exercícios em academias, pode ser alcançado por meio da visualização.
Há registros de casos de curas de câncer, inclusive em estágio de metástase, apenas fazendo uso dessa ferramenta95.
Experimentos com placebos indicam que uma pessoa pode apresentar melhora em seu estado quando pensa que está tomando um medicamento verdadeiro. Como se sabe, um placebo não é um medicamento, apenas algo inócuo que se dá ao paciente para agradá-lo. Seu conteúdo não contém qualquer substância terapêutica. No entanto, indicadores revelam que um comprimido branco é menos eficaz do que se o médico “ministrar” um comprimido azul, de menor tamanho, com uma letra inscrita nele. De modo semelhante, os placebos em forma de cápsulas são mais “eficazes” do que aqueles apresentados como comprimidos. Por fim, os placebos ministrados com agulhas estão no topo da lista em relação à sua eficácia, estimulando o processo de cura espontânea ou por sugestão. Ao que tudo indica, quanto mais sofisticado for o aspecto do falso medicamento, mais a mente acredita em seus efeitos como se verdadeiros fossem e, em vários casos, há efetiva melhora do paciente.
Àqueles que ainda duvidam dos efeitos da mente sobre o corpo, sugiro que observem um experimento feito pelos psicólogos e professores da Universidade de Harvard, Daniel Wegner e Kurt Gray. Pessoas foram preparadas para receberem doloridas doses de choques elétricos. Os pesquisadores informaram que havia uma pessoa em outra sala que lhes aplicaria os choques, mas que não sabia disso. Apenas apertavam um botão. Foi relatado que a percepção de dor decrescia a cada choque recebido, embora fosse o mesmo. Quando, no entanto, eram informadas que os choques estavam sendo ativados de propósito por alguém em outra sala, os relatos descreviam dores crescentes, confirmando o que dizia o poeta inglês John Milton: “A mente é seu próprio lugar, e por si pode fazer um céu do inferno, e um inferno do céu”.
Se ainda não se convenceu, proponho um exercício muito simples: feche os olhos por alguns segundos e imagine-se bebendo um delicioso copo com limão e sal... Notou as suas glândulas salivares em ação? É a sua mente comandando o seu corpo.
Visualizar é projetar-se no tempo, imaginando-se num futuro desejado, onde suas conquistas já terão sido atingidas, caminhando, dia a dia, em sua direção. Visualizar é olhar para o futuro e imaginá-lo como se todos os obstáculos já tivessem sido superados. Visualizar é ter fé.
Estudos indicam que as pessoas dedicam mais energia às coisas do passado (que não podem ser modificadas) do que às coisas do presente e futuro, sobre as quais é possível atuar e planejar. Se quiser assegurar seus projetos de vida, inicie-os o quanto antes. O primeiro passo, portanto, é reconhecer a meta, o sonho, o desejo, o alvo e tê-los com bastante clareza.
Como dizia, a expectativa do alvo a ser atingido nos revigora e incentiva, aumentando nossa capacidade de realização. Esse alvo surge naturalmente quando lidamos bem com o momento de destampar el puchero.
O “truque” utilizado por Viktor Frankl, ao mentalizar ter superado todo o seu sofrimento nos campos de concentração, valeu também para uma das maiores nadadoras do mundo em mar aberto, a curitibana Dailza Damas, sobre a qual falaremos mais adiante. Para ela, a travessia do Canal da Mancha já estava concretizada em sua mente, “bastava ir lá e nadar”. Enquanto para muitos, os quatro anos em busca de patrocínio seria motivo suficiente para desistir, para ela, que considerava o Canal da Mancha “vencido” antes mesmo de o atravessar, tornou-se apenas um entre tantos obstáculos que precisou superar até a vitória. Ela insiste: “A pessoa que deixa de sonhar morre. Eu não vou deixar de sonhar nunca”.
Outro sobrevivente dos campos de concentração de Auschwitz, o britânico Denis Avey, relata que a falta de alimento o obrigava a comer coisas asquerosas: “Cada vez que fazia isso, procurava convencer a mim mesmo de que se tratava de uma ceia de Natal. Foi assim que sobrevivi”, disse. Ele é uma prova de que “a mente tem um imenso poder”.
Pesquisa conduzida por Luiz Fernando Garcia a respeito do perfil de pessoas bem-sucedidas revela que a visualização é uma ferramenta bastante utilizada e que potencializa resultados.
Assim era, por exemplo, Steve Jobs: “Se ele decidiu que alguma coisa vai acontecer, então ele vai simplesmente fazê-la acontecer”, conta Walter Isaacson, que o acompanhou em seus últimos anos.
O técnico da seleção brasileira de voleibol, Bernardinho, relata um episódio que chamou sua atenção. Em 2002, antes do jogo final que rendeu ao time brasileiro a conquista do primeiro título de campeão mundial, observou o jogador Giovane treinando saque após o término do treino. Ele disse aos companheiros: “Estou caprichando no saque que vai acabar com o jogo”. A profecia se concretizou.