Pense Grande
De camelô a palestrante
Vimos que algumas pessoas cedem ao pensamento coletivo e se comportam como caçadores de recompensas. Quando, no entanto, ocorre o contrário, e conseguem enxergar com os olhos do Grupo dos 5%, um mundo novo de possibilidades se apresenta, bem mais interessante e instigador, livre de verdades absolutas e preconceitos, pois se cria um cenário em que o desempenho não encontra barreiras.
Robert Kriegel e David Brandt, ao estudarem fatores que capacitam pessoas e organizações para lidar com a mudança, afirmaram que “quando as pessoas estão inspiradas e apaixonadas por alguma coisa, nada é impossível. Elas recorrem a recursos, forças e criatividade internos, que normalmente não estão disponíveis. Realizam metas que antes pareciam fora de seu alcance. E, nesse processo, descobrem a coisa mais importante: que os verdadeiros limites estão em nossas próprias mentes”. Sobre isso Walt Disney dizia: “É divertido fazer o impossível”52.
Os norte-americanos julgavam impossível que o Brasil os vencesse na final de basquete masculino dos Jogos Pan-americanos de Indianápolis, em 1987. Era uma possibilidade tão remota que sequer tinham o hino nacional brasileiro para tocar! Bem, tiveram que arrumar um às pressas, como relatou Bernardinho.
DE CAMELÔ A PALESTRANTE
Veja o caso do carioca Davi Mendonça. Davi não tinha diplomas, não falava uma palavra em inglês e jamais leu qualquer livro de marketing. Ao contrário, estava desempregado e sua esposa doente. Mas esse período de dificuldade não subtraiu a alegria que marca sua personalidade descontraída e otimista.
Foi quando decidiu modificar sua realidade, em que a escassez deixaria seu mundo e daria lugar à prosperidade. Desejou uma vida melhor. Ele se convenceu de que a vida, por si só, é uma grande ousadia e que ele também deveria ousar. Afinal, não tinha nada a perder.
O primeiro passo foi arrumar doze reais emprestados com um amigo. Disse que era para comprar remédio para sua esposa adoentada. Ao invés disso, ele comprou doces para revender na rua. Em um dia, transformou doze em 24 reais; aí sim, comprou o remédio e repetiu a operação.
Esbanjando simpatia, logo ampliou o seu estoque de doces. Seu senso de humor seduzia as pessoas na rua. Mesmo aqueles mais sisudos retribuíam sua gentileza com um sorriso. Em pouco tempo, montou uma barraca de doces na calçada da avenida Presidente Wilson, no centro do Rio de Janeiro. Então passou a se chamar “David”. Disse que era por causa da globalização.
Os negócios andaram bem, a barraca passou a exibir uma variedade de mais de 320 itens, chamando a atenção de quem por lá passava. Disponibilizou até máscaras de gás para os clientes: “Se o Osama passasse por aqui, estaríamos preparados”, disse ele.
“David” começou a sortear brindes. Com o sorteio, cadastrou mais de cinco mil clientes.
Então descobriu um fenômeno que denominou de “fome das 15h”, que ocorre quando as pessoas sentem fome, mas não podem descer dos prédios para comprar. Criou o serviço de call center e delivery. Passou a atender mais de 500 pessoas por dia.
Os brindes sorteados, que no início eram singelos, passaram a ficar disputados. Desde bicicletas, até passagens aéreas para Miami.
“David” despertou a atenção de um jornalista que publicou uma matéria sobre ele e sua barraca. Desde então, surgiram os convites para dar palestras em empresas de grande porte, como as de Antônio Ermírio de Moraes e Embratel. Esteve no Ceará com o ex-ministro Ciro Gomes e com o ex-presidente Lula. Foi convidado também a dar cursos na Califórnia, Estados Unidos.