Pense Grande
O perigo das verdades absolutas
QUEBRANDO PARADIGMAS
Paradigmas são verdades aceitas como leis e, portanto, normalmente não são questionados. O escritor Fredy Kofman os conceitua como “criações humanas, condicionadas pelos modelos mentais operantes no momento de sua criação”55. Nocivos, quando aceitos, levam ao conformismo, consolidam o modelo vigente e, nesse caso, não há mudança.
Os adeptos aos paradigmas são pessoas voltadas para a estabilidade. Buscam controlar o ambiente de modo a se manterem sempre envoltos na frágil sensação de que estão seguros em seus casulos. Desejam consolidar o ordenamento atual, sem perturbá-lo. São pessoas reverentes que alimentam paradigmas.
Apesar de muito se falar, nas escolas de administração, sobre paradigmas e quebra de paradigmas, nada reproduz tão fielmente o nascimento de um paradigma quanto o seguinte conto:
“Um grupo de cientistas colocou cinco macacos numa jaula, em cujo centro puseram uma escada e, sobre ela, um cacho de bananas.
Quando um macaco subia a escada para apanhar as bananas, os cientistas lançavam um jato de água fria nos que estavam no chão.
Depois de certo tempo, quando um macaco ia subir a escada, os outros enchiam-no de pancadas.
Passado mais algum tempo, nenhum macaco subia mais a escada, apesar da tentação das bananas.
Então, os cientistas substituíram um dos cinco macacos.
A primeira coisa que ele fez foi subir a escada, sendo rapidamente retirado dela pelos outros, que o surraram.
Depois de algumas surras, o novo integrante do grupo não mais subia a escada.
Um segundo foi substituído e o mesmo ocorreu, tendo o primeiro substituto participado, com entusiasmo, da surra ao novato.
Um terceiro foi trocado, e repetiu-se o fato. Um quarto e, finalmente, o último dos veteranos foi substituído.
Os cientistas ficaram, então, com um grupo de cinco macacos que, mesmo nunca tendo tomado um banho frio, continuavam batendo naquele que tentasse chegar às bananas.
Se fosse possível perguntar a algum deles por que batiam em quem tentasse subir a escada, com certeza a resposta seria: ‘Não sei, as coisas sempre foram assim por aqui...’”.
O perigo maior dos paradigmas reside no fato de que eles cerceiam os movimentos, limitam o desempenho, sacrificam o máximo potencial. Funcionam como jaulas psicológicas que aprisionam mentes, afastam-nas das possibilidades de soluções para muitos problemas e as deixam cegas. Provocam a percepção de que as estratégias possíveis se afunilam, como se as alternativas fossem cada vez mais escassas, e fazem com que pessoas comportem-se como animais famintos, paralisados diante de um vasto banquete.